segunda-feira, 10 de junho de 2013

Du Baú - Madball entrevista (Empire album)



O que cada um de nós fazia com 7 anos de idade?  O que iniciamos com a mesma?  No caso de Freddy Cricien, vocalista do Madball, foi o início de uma história ao ser "arremessado" pelo irmão Roger Miret, lendário vocalista do Agnostic Front, ao palco para berrar ao microfone.  O público se impressionou ao ver aquele guri com uma voz tão potente.  Os membros do Maball se tornaram ícones do underground e desde 1988 vem sendo responsáveis pelos mais importantes lançamentos do gênero hardcore.  Após uma excelente sequência de lançamentos nos anos noventa a banda passou por um hiato de cinco anos no início da década passada, verdadeira hibernação onde muitos fãns já imaginavam, e acreditavam, num verdadeiro fim dos "Kings" de Nova Iorque.  Porém em 2005, com Legacy, a banda mostra sua melhor face para dois anos mais tarde "brincar" de adicionar peso ao seu estilo.  Após três anos desde Infiltrate the System em 2007 a banda assume de vez o apelido de "Reis" e lançam Empire , o primeiro disco pela renomada Nuclear Blast e apesar de seus constantes problemas para encontrar um baterista em definitivo o grupo continua mais brutal do que nunca.  Na mesma tarde em que tocaram com o Sick of it All na chamada turnê New York United e no meio da correria com a falta de tempo por estarem com pressa para assistir a uma partida de futebol, conseguimos um bom papo com Mitts, guitarrista da banda nos três discos que a mesma lançou na última década e que nos deu toda atenção do mundo naquela tarde, ainda que conseguimos contar com a participação de Freddy já no finalzinho e a caminho do estádio.






01 - Começaremos então conversando sobre o disco novo, Empire.  Como foi o processo de gravação, produção, etc?
Mitts - Os dois discos que fizemos anteriormente, Legacy e Infiltrate the System, foi com o produtor Zeus de New England nos Estados Unidos, e para o Empire ele estava indisponível.  Neste momento estávamos em busca de um e recebemos a recomendação de Eric Rutan, que originalmente foi guitarrisda do Morbid Angel e atualmente no Hate Eternal, tem seu próprio estúdio na Flórida e claro está acostumado a trabalhar com bandas de death metal, como Cannibal Corpse por exemplo.  Porém nunca tivemos dúvidas sobre trabalhar com ele ou não, sabíamos que seu lado técnico era muito bom.  Acho que hardcore e metal não tem tantas diferenças em termos de gravação.  Sabíamos que ele teria capacidade suficiente para trabalhar com uma hardcore como a nossa e também acredito que também queria provar para as pessoas que era capaz que produzir e bem um disco hardcore e  não somente death metal.  Então nos encaixamos perfeitamente.  Já nos conhecíamos um pouco anteriormente, passamos um tempo junto, o processo foi bem tranquilo e ficamos satisfeitos com o resultado.  

02 - Foram 3 anos de diferença entre Infiltrate the System e o Empire.  Por que tanto tempo?
Mitts - Opções pessoais que tivemos, coisas que temos que lidar a cada dia... 
...pensávamos inclusive que o Madball iria parar outra vez...
Mitts - definitivamente não, na verdade nunca paramos de viajar e tocar.  Tocamos durante todo este tempo que você mencionou.  Normalmente publicamos um disco a cada dois anos mas desta vez tivemos coisas que prefiro não mencionar, são pessoais como falei, porém coisas aconteceram dentro e fora da banda que fizeram com que tomássemos um ano mais.  Muita coisa aconteceu nestes anos, Freddy tem seu álbum solo de hip hop, mudamos de baterista algumas vezes, então não tinhamos nenhum motivo para lançar um álbum há um ano atrás, o momento não era propício.  De qualquer maneira, como disse, durante todo este tempo fizemos turnês, non stop.

03 - Quando o Legacy foi lançado, foi muito bem recebido por público e imprensa como um disco a verdadeira identidade do Madball.  Já Infiltrate the System o disco veio mais pesado mas perdendo um pouco desta identidade.  Empire coloca o Madball de volta a seu estilo, a sua verdadeira identidade?
Mitts - Muito bom escutar isso.  Madball tem um estilo, bem único até.  Digo isto pelo tempo que levo na banda e pelo tempo antes de entrar na mesma, de quando éramos apenas amigos.  Madball tem um som único, um pouco metal, hardcore com muito groove, muito ritmo.  Fizemos Legacy e foi o primeiro disco desde que tivemos aquele "intervalo"  e queríamos fazer um disco totalmente Madball, com todos os elementos possíveis.  Daí quando fomos para o Infiltrate the System, queríamos testar um pouco para ver o que acontecia, como você mesmo disso, um pouco mais pesado, mais metal mas não metal-core, apenas um tempero.  Com o Empire é um retorno à fórmula que normalmente usamos.  Um pouco de tudo, colocamos groove, old school hardcore, e até acredito que é mais old school do que o Legacy.  

04 - Qual é a mensagem direta do Empire, tanto como título quanto nas letras que o disco contém?
Mitts - O título e as letras é uma continuação do que foi Infiltrate the System que foi falar de como nossa geração, os garotos da geração hardcore, membros das bandas que conhecemos, nossos amigos e famílias, crescemos participando de um "estabelecimento" e agora estamos mais envolvidos.  Temos pessoas em posições de poder, pessoas que antes iam aos shows e que agora promovem os shows.  Antes íamos assistir as bandas e agora somos as bandas, sabe, exemplos como este.  Temos pessoas em gravadoras, outras que promovem shows, que gerenciam clubes, etc.  Empire é a continuidade disto, agora temos pessoas em todos os lugares do mundo.  Temos pessoas de nossa geração que agora controlam todo o movimento.  

05 - A música The End vem falando sobre o vazamento de petróleo no Golfo do México.  Como a banda vem sentindo na pele toda uma nova administração e acontecimentos nos Estados Unidos?
Mitts - Madball nunca foi uma grande banda política.  Nunca pregamos política ou incentivamos direita ou esquerda, todas estas escolhas são pessoais e deixamos que assim seja.  A única coisa que sempre vamos escrever é quando algo nos chama atenção e Freddy escreve duas músicas em cada disco que foge um pouco do perfil que é falar das ruas e de experiencias pessoais, que na verdade é 90% do que escrevemos é sobre experiencias pessoais. Porém a música The End surgiu porque o vazamento aconteceu enquando escrevíamos música para o disco e acho até que a música não é diretamente sobre isto, é um exemplo do que acontece.  Na verdade ela fala muito sobre a cobiça humana e da maneira que as pessoas vivem, em geral, sem pensar no que acontece em sua volta e na verdade somos todos um pouco culpados de tudo.  Não são somente grandes empresas, também tem sua contribuição pessoal aí.  

06 - Sempre que o Madball lança um álbum sempre esperamos o melhor do hardcore.  Atualmente com tanta concorrência no mercado, qual o segredo para sempre lançar um disco que não pareça "batido" ou repetitivo? 
Mitts - Musicalmente não é difícil já que sempre bebemos de diferentes fontes.  Todos crescemos com o hardcore, eu e Hoya gostamos bastante de metal e o Freddy já sabemos que vem de uma família hardcore, algo de infancia.  Porém todos escutamos diferentes tipos de música, tudo o que você possa imaginar, rock, pop, hip-hop e até mesmo música clássica.  Todas as coisas que você puder imaginar e quando penera isto tudo dá para se manter em alta.  Se alguém escutar sempre hardcore ou metal a coisa não vai a lugar nenhum, quando você olha para trás e quer algo diferente além do que você já fez, isso te mantem "fresco".  
Falando em suas influências, hoje em dia é fácil descobrir uma banda e você como chegou ao hardcore?
Mitts - Como quase todo mundo.  Quando jovem gostava de Led, Black Sabath e metal em geral.  Daí uns amigos chegaram com D.R.I. e S.O.D..  Me disseram que era hardcore e acreditei, até que um amigo de Nova Iorque me apresentou Agnostic Front e Cro-Mags apesar de nunca ter deixado de gostar do metal.  

07 - A experiência de gravar um video clipe no Brasil, na verdade dentro de uma comunidade?
Mitts - Foi incrível!  Posso dizer que foi uma das maiores experiencias de minha vida.  Gravamos numa favela em São Paulo e a idéia original era ter uma gravação num lugar louco, num gueto.  Daí quando começamos a gravar chegaram umas crianças e quanto mais o dia passava mais e mais crianças chegavam.  E a coisa que mais mudou em mim, que mais me faz pensar até hoje foi que existiam crianças totalmente descalças, por opção ou não, acho que muitas delas realmente não podem ter um sapato para brincar e outro para isso e outro para aquilo.  Estavam jogando bola e a bola tinha um buraco e claro a bola nem quicava, alguns vivem em casas de tijolo mas outra vivem até com paredes de papelão improvisada, algumas até sem eletricidade mas foram as crianças mais felizes que vi na minha vida, estavam todas felizes.  Cara, viemos dos Estados Unidos onde...por favor não me leve à mal, tenho muito orgulho do meu país mas nos EUA, existem pessoas com celular, carrões, televisões, milhões e milhões de coisas e nunca estão felizes.  E vimos estas crianças que não tinham nada e só por fazer parte das gravaçãoes já foi o suficiente para faze-los felizes.  Isso mudou a minha vida, de verdade.  Não existe um dia desde então, que em alguma parte do dia as coisas não são boas ou não saem como quero, que eu não pense que ainda tenho sorte por ter três refeições ao dia se eu quiser, durmo numa cama quentinha, tenho uma casa com eletricidade, etc.  Somos inacreditavelmente sortudos.  Parte de mim se sente mal por eles mas por outro lado não posso me sentir mal porque eles estão tentando fazer o máximo que podem com o que tem e é isso que nos faz menores com relação a eles, nós é que deveríamos extrair o melhor com o que temos e não é assim.  

08 - Igualmente, vocês estiveram no Brasil outra vez em 2009 com o Agnostic Front.  Como foi então?
Mitts - Excelente como esperávamos.  Já tocamos umas quatro vezes no Brasil desde que estou na banda e é sempre muito bom, os fãs são muito atenciosos, os shows são ótimos e a comida também.  Algumas imagens destas turnês no Brasil, tinham que supostamente serem utilizadas para um DVD, não?
Temos muita coisa gravada desde que gravamos o 100% em 2006.  Originalmente tinha uma idéia de fazer um DVD sobre esta viagem.  Ainda temos muita coisa gravada desta época mas não decidimos o que fazer.  Tenho certeza que um dia lançaremos algo oficial e que contará toda a história da banda, há anos conversamos sobre isto, vai acontecer.  

09 - Podemos dizer que o Madball, que nesta década lançou três discos, é uma banda sólida atualmente?
Mitts - Definitivamente.  Não vamos parar desta vez, seguiremos adiante.  Falo do meu ponto de vista, estou na banda com outras duas pessoas já que de momento estamos sem baterista.  
   
Ao final da entrevista encontramos com membros do Sick of it All em outro bate-papo e num encontro geral, descendo as escadarias seguimos conversando e "pescando" nossas respostas.

10 - Hardcore, antes e agora.  Como vocês analizam tudo isso?
Freddy - A cena sempre foi multi-cultural.  Era inevitável descobrir coisas novas e cada um com suas histórias.  Existe gente que pensa que antes era unidimensional mas era muito diversificada do ponto de vista religioso, étnico e social.  A de agora não é tão diferente, pobres, ricos, classe média, de tudo um pouco.  

11 - Ter a dois grupos como Madball e S.O.I.A. juntos significa mais do que uma turnê?
Freddy - Somos quase uma família.  Tínhamos amigos em comum ainda que eles começaram antes.  Craig Setari tocava com Agnostic Front antes e jantava na casa de minha mãe.  A relação é bem estreita e com muito respeito.  Sempre fomos amigos.

12 - Após tantos anos na estrada, já passou pela cabeça parar com tudo isso e ter uma vida "normal"?
Freddy - Existem coisas difíceis na vida e muitas vezes ficamos irritados.  Por outro lado temos muita sorte de ser o que somos.  O hardcore nos escolheu e não nós a ele.
  
Agradecimentos especiais a Rob Franssen e M.A.D. Tourbooking.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Parkway Drive - Show Presentación del Resurrection Fest 2013



Como já sabemos, o Parkway Drive visitará Barcelona, uma vez mais, para o show de apresentação do Resurrection Fest 2013 (www.resurrection-fest.com)
Ainda é possível encontrar entradas à venda na loja de discos Revolver, na Pentagram ou também online www.kulturalive.com


Como ya sabemos, Parkway Drive visitará Barcelona, una vez más, para el show de presentación del Resurrection Fest 2013 (www.resurrection-fest.com) es posible encontrar entradas a la venta en la tienda de discos Revolver, Pentagram o también online www.kulturalive.com   



segunda-feira, 3 de junho de 2013

Primavera Sound 2013


Primavera Sound 2013
Parc del Forum - Barcelona
De 22 a 25 de Maio 2013


Fotos: Mauricio Melo
Texto: Mauricio Melo, Gustavo Melo e Ana Paula Soares

A expectativa gerada pelo anuncio antecipado (23 de Janeiro) do cartaz completo para a edição deste ano do Primavera Sound foi tão grande quanto seu êxito e de mesmo tamanho coisas que com um pouco de paciência e consideração merecem ser corrigidas.
Por primeira vez em seis participações, podemos confessar que passou pela cabeça a sensação de que o festival poderia ter mudado de nome, este ano de 2013, de Primavera tivemos pouco já que o gélido vento que vinha do Mar Mediterrâneo golpeou com força nossas orelhas e caixa craniana, a ameaça de chuva foi constante mas que ao final São Pedro aliviou.  Utilizamos casacos, toucas, cachecóis, caminhamos, cansamos, demos uma volta na roda gigante, etc, etc.  O que sim tivemos muito foi o Sound do Primavera e aí, neste momento, tudo vale à pena.  
Ter a oportunidade de estar frente à frente com verdadeiros mitos da música indie, além de muitas e promissoras novidades.  Rir das figuras alheias, fazer rir porque também somos figuras…




Quarta-Feira 22 de Maio.

Tudo começou de mansinho, na quarta-feira 22 de Maio, dia em que o festival abriu suas portas de maneira gratuita para o público em geral.  
Horário oficial para o primeiro acorde se deu às 18:00 e para quem chegou com a intenção de assistir os jovens do The Bots, acabou surpreendido com a energia oferecida pelos "locais" do Aliment.  Grupo este que acaba de publicar o primeiro disco (Holy Slap) e que fez bonito com seus três acordes de seu garage/punk/rock e uma atuação que de cara te faz lembrar os Ramones.  Músicas rápidas, bem tocadas e se aguçássemos os ouvidos até dava para escutar o 1, 2, 3, 4, entre uma música e outra. Já a duplinha mencionada acima e totalmente influenciada por The White Stripes e Black Keys prezou por sua mistura de rock, blues e punk.  Após deslumbrar os Estados Unidos e arrebatar o prêmio do All Indie Music Awards ano passado, Mikajah e Anaiah Lei desceram a madeira na galera.  

Talvez a banda mais deslocada naquele momento foi o Guards, não que a apresentação tenha sido fraca, muito pelo contrário, mas seu som pop mais serviu de respiro para um público pra lá de aquecido naquele momento.  Mas quem definitivamente não deu respiro algum foi o The Vaccines.  Quem acompanhou nossa cobertura da versão de inverno do evento, chamado Primavera Club e mais ainda que esteve presente pela recente passagem da banda em terras tupiniquins sabe do que estamos falando.  Atitude de palco, musicas emendadas uma nas outras e seus refrões "chicletes", daqueles fáceis de decorar e que funcionam muito bem ao vivo como "Wrekin' Bar (Ra Ra Ra)", "If You Wanna" e "I Always Knew", entre outras.  Foram pouco mais de quarenta minutos em cima do palco, o suficiente para saírem ovacionados pelo grande público que já havia se formado no palco Ray-Ban para assisti-los, antes de finalizar a noite com Delorean mas que não acompanhamos por considerar que tínhamos uma verdadeira maratona nos dias que estavam por vir.    


Quinta-Feira 23 de Maio.

Começamos o dia de leve, conferindo parte da apresentação de Wild Nothing no palco principal do evento, o Heineken, que este ano assumiu o mando como patrocinador oficial.  Apesar da linda "Live in Dreams" ter ficado de fora do setlist, sempre será um prazer assistir ao quarteto liderado por Jack Tatum e entendemos bem que, diante do recém lançado Nocturne a vontade de tocá-lo seja maior do que relembrar "velhas" canções.  Outra que apareceu como novidade para parte do público foi White Fence, banda totalmente recomendável.  Liderada pelo guitarrista/vocalista Tim Presley e exibindo nítidas influencias de Velvet Underground, fizeram um show honesto e para não passarem despercebidos, um dos guitarristas mais parecia a Emilia do Sitio do Pica-Pau Amarelo, nada mais normal para quem vem de San Francisco e aterriza em Barcelona para um show no Primavera Sound, o coquetel era perfeito.  
Por falar em coquetel.  Recebidos como os novos queridinhos da imprensa indie, os australianos do Tame Impala exibiram todas as cores de seu psicodelismo no palco principal e para um público que apesar do dia e da hora, podia ser considerado como de bom tamanho.  Dependendo da música que se escuta, tanto podemos pensar que estamos diante de uma nova banda de Stoner Rock como é o caso de "Elephant" ou mudarmos de opinião diante de "Alter Ego".  Apesar de jovens, fizeram uma apresentação de gente grande.


Para finalizar o dia tivemos dois dinossauros do rock.  O primeiro leva faz referencia aos bichos já no nome, Dinosaur Jr. atravessou o oceano uma vez mais e tocou para seus velhos fans músicas como "The Lung" e "No Bones", passeou por "Feel the Pain" e brilhou com "Out There" e sua linda distorção melódica nas guitarras de J. Mascis.  Apesar do fundo de palco exibir a capa de seu último lançamento (I Bet On Sky) apenas "Rode" fez parte do set.  


Para finalizar em alto estilo e com a nostalgia lá em cima, conferimos o bom show de Bob Mould.  O ex-Sugar e Husker Du mostrou mais uma vez que está em ótima forma.  Talvez o único ponto negativo que podemos ressaltar e já antes de começar a apresentação foi a proibição de fotógrafos na barricada, que cá entre nós, nesta altura do campeonato, com uma carreira sólida construída aos riffs de guitarra que só Mr. Mould pode oferecer, esse pequeno detalhe ofuscou sua visita.  Talvez tenha se redimido por tocar meio álbum do Sugar já de cara.  Na mesma seqüência de estúdio, Copper Blue deu o tom primaveral que todos esperávamos, esquecemos do frio, cansaço e fomos cantar e relembrar bons momentos vividos em que este disco foi a trilha sonora favorita de uma geração e para quem não lembra da seqüência deixaremos por escrito "The Act We Act", "A Good Idea", "Changes", "Helpless" e "Hover Dam", covardia com os cardíacos de plantão.  Assim como o Dinosaur Jr., Mould chegou ao festival com o recém lançado Silver Age porém poucas canções foram aproveitadas, entre elas "The Descent" e "Star Machine" e sim, tivemos seqüência de Husker Du em reta final de apresentação.  


Sexta-Feira 24 de Maio.

Saindo do nada e já sendo considerado a "next big thing", uma especialidade da imprensa britânica e lá fomos nós conferir de perto o mais novo fenômeno de Birmingham, Peace.  Aquela postura marrenta ostentada por muitos frontmans britânicos já presente nos primeiros acordes e uma boa pedida para o mundio indie pop, porém teremos que esperar um pouco mais para saber se o êxito se repete nos anos que se seguem, de momento agradam e já com hit ecoando aos quatro cantos, "Follow Baby".


Como somos insistentes, corremos para conferir mais uma proposta da terra da rainha.  O Django Django surgiu daquele velho clichê, estudantes de arte numa escola em Edimburgo que resolveram fazer música de qualidade.  Com muito mais simpatia que seus compatriotas do show anterior, os uniformizados rapazes ofereceram ao público toda a mistura possível entre o rock, pop, indie, guitarras, teclados, num dos melhores shows daquela tarde.  Impossível ficar parado diante de "Hail Bop".  


Apesar do grande domínio Made in UK  do dia, outro momento esperado deste segundo dia oficial foi a apresentação do The Breeders tocando na íntegra seu disco de maior sucesso, Last Splash, que este sopra vinte velinhas.  Como as coisas mudam de um dia para outro, ou melhor dizendo, de alguns anos para outros.  Há poucos a banda tocou num já extinto festival espanhol, numa tarde ensolarada do mês de Julho e com apenas alguns curiosos dispostos a conferir o que as irmãs Deal tinham a oferecer, já naquela ocasião boa parte do Last Splash foi tocado e as palmas foram tímidas.  Desta vez a força das palmas foram mais fortes e o show foi à altura de sua celebração.  Disco tocado do inicio ao fim e com direito a algumas canções para completar o setlist entre elas "Shocker in the Gloomtown" do Guided By Voices, além da beleza de Invible Man para fugir um pouco do clichê de que Last Splash ser considerado álbum de um único sucesso, Cannonball.  


Antes da apresentação do The Jesus and Mary Chain, a palavra receio era a mais latente na mente de muitos.  Primeiro, havia uma cruz com luzes ao fundo do palco, para os fotógrafos o grande medo era de que aquelas fossem as únicas lâmpadas a serem acesas durante toda a apresentação, o que seria um desastre fotográfico.  Segundo, considerando todas as "desgraças" que falaram das últimas apresentações dos irmãos Reid nos últimos anos a coisa piorava porque além de não conseguir imagens ainda íamos conferir um show ruim.  Nada disso aconteceu e o sofrimento por antecipação foi desnecessário.  O show, em nossa opinião, foi de bom nível, com acordes bem encaixados em suas devidas distorções, a iluminação de palco esteve entre as melhores das aceitáveis e ainda tivemos a participação de Bilinda Butcher do My Bloody Valentine nos vocais de "Just Like Honey", talvez a única oportunidade de escutar a feminina voz em questão já que durante o show de sua banda, ou o microfone estava desligado ou foi completamente soterrada pelas distorções de Kevin Shield, optamos pela segunda conclusão.  "Snakedriver", "Head On" e "Cracking Up" foram algumas do bom cardápio oferecido ao público.  


Como de hábito o público metal não fica sem seu presente primaveral e este ano quem disse "hola" foram os californianos do Neurosis exibindo a criatividade que os diferenciam das demais bandas do estilo e com dez discos no currículo.  Talvez escutar ao Neurosis na sala de casa possa parecer uma eterna viajem, para alguns algo chato mas no palco entendemos em definitivo o significado e a proposta da banda.  Apenas seis músicas ocuparam os 60 minutos da banda no palco ATP, com certeza não passaram desapercebidos.

Logo ao lado, no palco da Heineken, chegávamos ao momento ápice do festival, a apresentação do Blur.  Banda esta que foi a primeira a ser anunciada pelo festival ainda no mês de Outubro do ano passado e num festival onde tem Blur, o cartaz não pode ser fraco.  Como bela surpresa, tivemos um pequeno momento com The Wedding Present que tocou num mini palco montado entre o ATP e o Heineken, bem diante de uma roda gigante de bom tamanho.  Apenas duas músicas foram tocadas mas para quem já estava posicionado para o show do Blur, ser surpreendido com esta bela banda, é realmente de tirar o chapéu, coisas do Primavera.  



Não faremos rodeios, apenas confirmaremos que o quarteto britânico fez o show mais redondo do festival.  A banda sabia exatamente o que o público esperava deles e vice-versa.  Damon Albarn e companhia ofereceram festa já na abertura com "Boys & Girls", um som mais rápido com "Popscene", uma volta ao passado da geração Madchestes com "There's No Other Way" apesar de não pertencerem oficialmente a este movimento.  Proporcionou gritos aos primeiros acordes de "Beetlebum", sorrisos abertos em "Coffee & TV", emoção em "Tender" e retorno à festa com "Parklife".  Damon, Graham, Alex e Dave confirmaram de vez que são os donos do Britpop, comandaram com maestria um grande público e não demonstraram estrelismo, tudo honestamente declarado até o grande finale ao som de "Song 2" quando público e banda se deram por satisfeitos.  Foi como ter a sensação de um aperto de mão onde um diz obrigado e outro responde, eu é quem agradeço.  

Sábado 25 de Maio.  

Chegar a um Sábado de Primavera Sound  após maratonas de shows, fotos e videos amadores como pequenos registros de sua existência passa a ser um ato heróico.  Totalmente derrotados pelo cansaço, frio, joelhos e tornozelos estourados de tanto subir e descer escadas, caminhar na terra, cimento, etc.  Uma das soluções oferecidas pelo evento este ano e que embarcamos de vez na idéia foi um serviço de "taxi".  Carros de diferentes modelos da marca Mini à disposição do público e que facilitava o deslocamento entre os palcos principais, num circuito que passava pelo backstage e que por alguns momentos foi de grande ajuda na economia de força motora humana para finalizar o evento.  
Uma das principais atrações do evento veio a cancelar a apresentação na última hora.  O grupo Band of Horses se viu obrigado a cancelar tanto o show do festival como outros que estivessem na agenda na mesma semana devido aos problemas climáticos na cidade de Oklahoma.  Sabemos que um furacão arrasou a cidade e cancelou todos os vôos.  Sendo assim, Deerhunter, grupo liderado por Bradford Cox e que já tinha oferecido um dos melhores shows do festival entrou como tapa buraco e de verdade, ninguém reclamou.  A escolha não poderia ter sido mais adequada.


Numa coisa podemos concordar, é sempre difícil num festival como  o Primavera Sound, consolidado como referencia do público indie, introduzir bandas de estilos marcados como o Metal e o Hip Hop e em mais uma destas apostas o Wu-Tang Clan subiu ao palco Primavera para oferecer  um pouco de suas rimas.  Diante de um público com boas intensões, porém relativamente difícil.  Digo difícil por não contar com um público especializado e amante do estilo.  Que o mesmo conheça e respeite as músicas do Wu-Tang Clan, disso não temos dúvidas mas ainda que este tenha boas intenções a recíproca não chega em alto nível.  Tecnicamente o show foi bom e até a inclusão de "C.R.E.A.M." entre as primeiras da noite não foi o suficiente para fazer a massar vibrar.  Mais adiante o coletivo investiu no público novamente com uma versão de  "Come Together" dos The Beatles.  A festa foi bonita, a animação foi positiva mas a tarefa nada fácil. 


Sábado também foi marcado como o dia das restrições entre bandas e imprensa.  Nick Cave and the Bad Seeds foi uma destas e isso era mais do que esperado já que muitos sabem que o velho australiano, declaradamente odeia aos fotógrafos.  Havia um contrato a ser assinado onde Cave, sua banda e empresa recebia o direito de, em caso utilizar uma de suas fotos em benefício próprio, pagaria ao fotógrafo a bagatela de 1 Libra.  Além disso, apenas 60 fotógrafos entrariam na barricada o que nos obrigaria em abandonar o bom show do Wu-Tang Clan para fazer fila na tentativa de fotografar Mr. mal-humorado Cave.  Encaramos como piada, dispensamos a fila e assistimos ao show sem estresse já que o senhor em questão visita Barcelona com certa freqüência.  Em cima do palco os Bad Seeds deram um show à parte junto a Nick que apesar de seus 56 anos exibe uma energia Iggy Popiana, hora dançando e jogando a perna ao melhor estilo Michael Jackson, hora tocando piano antes de se levantar com microfone em punho e descer ao público que o recebeu de braços abertos.  Lamentamos nos haver confundido com os horários e perder o show do Meat Puppets que rolou ao palco ao lado.
Após um momento de descanso, entramos nas voltas finais em busca de um lugar ao pódio.  Ignoramos advertências dos boxes, passamos reto em vários palcos e voltamos ao principal para conferir My Bloody Valentine com seu recém lançado MBV debaixo dos braços, mais de vinte anos após lançar o incomparável Loveless.  Assim como na edição de 2010, Kevin Shields e sua turma vetaram os fotógrafos.  Ainda assim, registramos um par de imagens para a posteridade.  Abriram com "I Only Said" soterrando vozes, estourando tímpanos e vimos até algumas pessoas saindo aborrecidas no meio do show, talvez por não escutar uma só letra do que era cantado, talvez por não aguentar a porrada que a parede sonora dava no público.  Nós não arredamos pé e por muitas vezes achamos lindas as melodias oferecidas, já valia tudo.   "When You Sleep" apareceu junto a "New You" do disco novo mas o público gosta mesmo é de receber "Only Shaloow" e "You Never Should".  Só achamos que o quarteto poderia ter tocado mais cedo porque diante do frio e do cansaço o público já era reduzido.


O mesmo podemos dizer para a apresentação de Hot Chip, mesmo sendo uma banda dançante e perfeita para um bom encerramento, entrar ao palco praticamente as quatro da manhã do último dia do evento foi o mesmo que entregar a alma, pernas, ouvidos e outras cositas mais para o além.  Animadíssimos, levantando o público desde a primeira música com "How Do You Do?", exibindo seu maior sucesso "Over and Over" e ainda assim poderia ter sido melhor se entrassem no palco um par de horas antes, seria perfeito mas como se comentava por lá, alguém tem que apagar as luzes.
Sempre lembrando que este ano o evento reuniu 170 mil pessoas somando os quatro dias de festival.  Ainda que pareça pouco se compararmos com outros mega festivais que existem pelo mundo afora, temos que considerar que são bandas pouco convencionais e que apenas uma pequena parcela destas tem vagas em rádios e televisão.  Não estamos falando de um festival que reúne bandas do mundo mainstream, salvo algumas exceções.  Por esta e outras é que o Primavera Sound continua sendo e será por muito referencia em matéria de festival independente.  
Até.       
  
Videos
Wu-Tang Clan


The Vaccines



       




sexta-feira, 31 de maio de 2013

Resurrection Fest - Slayer revela formação que tocará no Festival


Utilizar Google Traductor / Use Google Translate

Após todo o disse me disse e a incerteza sobre qual formação o Slayer iria se apresentar na Europa no próximo verão e obviamente no Resurrection Fest (onde estaremos por um ano mais), a banda veio a pronunciar-se.  Jon Dette, que estava quebrando um galho nas baquetas será substituido por Paul Bostaph, o mesmo que substituiu Lombardo entre 1992 e 2001 e que naquela época gravou os discos "God Hates Us All" e "Diablos in Musica", além de ter passagem por Exodus e Testament.  Realmente foi o melhor substituto que poderiam ter mesmo acreditando que o Lombardo deveria seguir.
Gary Holt do Exodus continuará na banda no lugar de Jeff Hanneman, já que ocupa o posto desde 2011 e recebia apoio do próprio para o posto.
A banda estará tocando no Resurrection Fest no dia 2 de Agosto.
Mais informações, www.resurrection-fest.com

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Danko Jones em Barcelona 14/05/2013 - Sala Music Hall - Barcelona/Espanha



Mais uma noite de rock em Barcelona, mais uma noite do Danko Jones diante de seu público fiel na Espanha. Publico este que não perde a visita anual do power trio canadense e a oportunidade de gritar "DanCojones", algo como "Dan Culhões" ao Mr. Rock and Roll.

Ir a um show de Danko é o mesmo que ir ao The Hives repetidas vezes, no quesito animação, é claro. Aquele velho roteiro, as mesmas piadinhas e o mesmo escracho mas que ao final, ainda que para quem já o assistiu não represente nenhuma novidade, te arranca os esperados sorrisos. É como assistir ao Jules (Samuel L. Jackson) na primeira parte do filme Pulp Fiction comendo o cheeseburguer e bebendo o Sprite de sua futura vítima pouco antes de recitar sua pseudo-passagem bíblica de Ezequiel 25:17, e de fuzilar o par de jovens metido a malandros que tentam dar uma volta no mafioso. É impossível não rir do cinismo de Jules ao vê-lo beber o refrigerante até que o som de copo vazio surja diante do silêncio na cena. Há quase vinte anos assisto esta cena e me parto de rir. Pois é assim mesmo, anualmente assisto ao Danko Jones e escuto suas piadas, ainda que já saiba o que vai acontecer, entro no jogo e dou risada.

O único que não estava no script foi o atraso por problemas técnicos na sala Music Hall, coisa pouco habitual por aqui. Também podemos incluir como ponto negativo é que ainda com o atraso, Danko falou pelos cotovelos fazendo com que uma meia dúzia gritasse "menos conversa e mais rock and roll". Danko se pôs de acordo e desceu a lenha nas guitarras.



Foi um repasso de seus seis discos ainda que muito calcado nos mais recentes e porque não dizer no Rock And Roll is Black And Blue? Ainda que abrisse o set com "Had Enough" de suficiente ainda não tínhamos muito à aquelas alturas mas queríamos e recebemos o satisfatório. Com "Play the Blues" de Born A Lion no segundo posto e fazendo a linha de frente bater cabeça.

Mais pra frente tivemos Danko numa "Sticky Situation" e explicando com detalhes através de seus gestos sua peculiar história num primeiro encontro em "First Date" e mesmo que em calendário estamos oficialmente na primavera, não para de chover e fazer frio nos últimos dias Barcelona, JC e o recém incorporado Atom (ex-Rocket From The Crypt e Social Distortion) ajudaram a Danko a cantar "Just a Beautiful Day". 

Voltou a fazer piada com o rock e dançamos ao som de "Dance" e em seguida conhecemos os "Code of the Road", nos empanturramos de "Sugar Chocolate" e ficamos "Full of Regret" na seqüência. O ritmo foi forte, Atom fez um bom solo de bateria, o trio brincou com covers de Queens of the Stone Age e só parou quando descobriu um público bastante ateu, pois a reação do mesmo diante de um de seus novos hits, "I Believed in God" foi algo decepcionante, apenas alguns braços erguidos mostrava uma meia dúzia de crentes.

Na volta para o bis com "I Think Bad Thoughts", "Legs" e "Mountain" ainda presenciamos todo o amor que Danko possui pela bebida vegetal Orxata (de Xufes em catalão), o que lhe rende outro apelido por aqui, o Dankorxata, além do já mencionado acima e do mundialmente famoso Mango Kid.

Vamos Danko…te esperamos de braços abertos e com litros de sua bebida favorita no ano que vem.

Próxima parada: Primavera Sound 2013.
Enviado por Mauricio Melo

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Vans Tour 2013: Pennywise, A Wilhelm Scream, Authoroty Zero & Godfarts em Barcelona 03/05/2013 - Sala Razzmatazz - Barcelona/Espanha



Para quem vinha reclamando da falta de shows ou, pelo menos, a falta de autorização para invadir o pouco que a cidade de Barcelona nos ofereceu nos primeiros 90 dias de 2013, até que tivemos um mês bastante ocupado.

Tudo começou no inicio de Abril com Rocket From The Crypt, passou por Extreme Noise Terror, Appraise e seu hardcore local, se estendeu até o Comeback Kid com o vocalista original e finalizou com Pennywise que também celebrava o retorno de sua voz original.

Porém, antes da grande atração, tivemos um rápido encontro com Nuno Pereira, vocalista do A Wilhelm Scream que abria a noite junto outras duas bandas.

A primeira a entrar em cena foi a Godfarts. Banda local e figurinha carimbada nas aberturas de shows organizados por Hardcore For My Nose (promotora). É bom acompanhar de perto o crescimento da molecada. Há poucos anos eram adolescentes em forma pura, recém saidos da infância e brincado de tocar punk rock. Hoje já podemos ver uma banda infinitamente mais solida do palco.

A segunda a dizer "hola" para o público foram os americanos do Authority Zeropara o lançamento do interessante The Tipping Point e é de se confessar que a banda começa a ter um espaço garantido entre o público que cantava e vibrava com a atuação dos rapazes no palco. Um bom show apesar de curto. Destaque total para Jason DeVore nos vocais, não por sua voz mas sim por atitude no palco.

O mesmo podemos dizer de A Wilhelm Scream e do já comentado vocalista Nuno Pereira, pois não só o rapaz tem movimentação voraz no palco como também o quarteto que o acompanha. Robinson no baixo é uma atração à parte. Num setlist mais generoso, não só de tamanho mas também pela quantidade de músicas já conhecidas e cantadas em coro pelo público, o quinteto de Boston mostrou e demonstrou a que veio, suando a camisa com músicas como "Mute Print", "Australias", "The Horse" e "Me Vs. Morrissey in the Pretentious Contest", entre outras. É realmente impressionante ver como gostam de estar no palco, o entrosamento é perfeito.

Da última vez que o quarteto de Hermosa Beach visitou a cidade condal, estava representado por Zoli ao microfone, vocalista do Ignite. Enquanto uns torciam o nariz, outros aceitavam como a melhor das opções na tentativa de manter a banda em atividade. Naquela ocasião, o público vibrou, saltou, entrou na energia positiva que Zoli transmitiu e até classificou o disco lançado naquela aventura e o já comentado show, como bom. Porém era nítida, a sensação de que algo não encaixava. Ainda mais conhecendo o trabalho posterior de Jim Lindberg e reconhecendo que nosso frontman em questão ainda tinha muito punk rock californiano para oferecer.

Pois bem, tão repentina quanto sua saída foi seu retorno, ainda que ambas de maneira inexplicada, ou melhor, mal explicada. Não nos interessamos por fofocas e somente focamos no que podem nos oferecer como formação e uma vez mais tudo que foi oferecido, foi absorvido ao máximo. Desde a boa sensação ao escutar a bandeira subir atrás da bateria, digo escutar pela vibração do público já que estávamos em uma posição pouco favorável no momento, até o muito obrigado de despedida sob a trilha sonora de "Bro Hymn". Foram vários os momentos que levantaram o público numa noite memorável.

Abrindo o set com "Wouldn't it be Nice", que para muitos dos presentes foi a primeira música que se escutou do Pennywise na vida, já que a mesma é responsável por abrir auto intitulado disco. Já estava claro que a apresentação seria em alto estilo. Jim, como sempre, apresentando boa forma e sua inconfundível maneira de atuar com o microfone em mãos, boné negro e camisa com referências ao surf. Fletcher não ficava atrás mas forma física definitivamente não é com o cidadão que está cada vez maior, para os lados.

Na seqüência, um par de músicas de Straight Ahead com "My Own Country" e "Can't Believe", a noite estava ganha e o público insano. Por um momento achei que meia sala Razzmatazz quisera invadir o palco para stage dives, talvez pelo baixo nível de idioma estrangeiro na cidade, o mesmo não entendia que a própria banda não estava de acordo com tal pratica.

O que vimos e escutamos deste ponto até o encerrar com a já comentada "Bro Hymn" foi um desfile de clássicos como "Society", "Broken", "Same Old Story" e não somente da banda em questão como também vários covers, incluindo "T.N.T." do AC-DC. Além deste, tivemos algo de Nirvana, Ramones e Black Flag com "Gimme Gimme Gimme" além dos tradicionais Minor Threat e seu auto-intitulado tema e "Stand By Me" de Ben E. King que foi gravado num EP há anos atrás, ou melhor décadas. O que mais chamou a atenção do público para o cover do Minor foi a presença de Jason DeVore e Nuno Pereira dividindo o microfone com Lindberg, a versão ficou insana. Ainda sobre o setlist foi perceptível a não inclusão de músicas de Reason To Believe e The Fuse, ambos foram citados por Jim como estopim de sua saída e a insatisfação de grava-los em seu momento.

Qual será o novo passo do Pennywise? Não sabemos. Mas de momento, está bom assim. Esperamos que insatisfações e diferenças tenham mesmo ficado de lado.

O virar de página é o melhor remédio.
Enviado por Mauricio Melo



Comeback Kid c/ Scott Wade em Barcelona 01/05/2013 - Estraperlo Club del Ritme - Barcelona/Espanha



Primeiro de Maio de 2013. No Brasil, enquanto políticos enganavam o trabalhador com seus falsos discursos, enganando os ouvidos com Leonardo e até com sorteio de carros em algumas partes do nosso Brasil e gente curtindo praia e fazendo churrascos como se aos domingos isso também não pudesse ou nunca acontecesse, provocando uma certa e falsa sensação de conforto e prazer.

Em vários países no mundo o dia do trabalhador é dia de expressar suas insatisfações, estender faixas, fazer passeata e em casos mais extremos sair na porrada com a polícia paga pela mesma raça de enganadores citado acima, porém em outros idiomas, com aparência mais fina etc.

Nós aproveitamos nosso 1 de Maio para ir berrar junto aos canadenses do Comeback Kid e seu vocalista original, Scott Wade, numa das poucas apresentações com esta formação na Europa e, é claro que, sendo uma das cidades favoritas da banda, Barcelona não iria ficar de fora.

O encontro deu-se no tradicional Estraperlo Club del Ritme. Momentos antes, o partido político de chuteiras, os mesmos que já foram chamados melhores do mundo, caía eliminado diante dos alemães do Bayern de Munique. Do lado de fora, um imenso tour bus estacionado chamava atenção e para o CBK que sempre nos visita com ônibus menos expressivos, era de se estranhar. Bem, na verdade o veículo pertencia ao Pennywise que após um cancelamento de última hora, decidiu se hospedar em Barcelona um par de dias antes de seu show, aproveitar o clima da primavera e possivelmente pegar umas ondas na cidade.

Do lado de dentro a abertura ficava por conta do Against The Spirits com seu bom hardcore old school. A Banda formada por alguns membros de Proud Z que igualmente são de Madrid, fez um show sólido para um público que mais parecia chocado com o que acontecia no Camp Nou do que interessado nos acordes do quarteto. O mesmo só veio a se animar um pouco quando o grupo ofereceu "Scratch the Surface" do Sick of it All.

Não demorou para os canadenses subirem ao palco e como esperado a ovação foi forte. Como muitos sabem, o motivo desta pequena turnê com Wade se deve ao décimo aniversário de Turn Around, primeiro álbum da banda e que abriu as portas para a mesma assumir, durante um tempo, o posto de queiridinha do circuito hardcore, na época considerada new school. Tal posto veio a confirmar-se com Wake The Dead, outro bom disco e que seguiu a linha do antecessor. 

Ainda que muitos considerem estes os melhores discos dos canadenses é de se reconhecer que quando Wade saiu do grupo e Andrew Neufeld assumiu os vocais, posto que já havia ocupado no Figure Four. A banda lançou outros dois bons discos, principalmente o Symptons + Cures, ainda que perdera seu título diante ao público. Fato este que o próprio Wade confirmou ontem, agradecendo em público o fato de a banda ter conseguido manter-se com um "novo" vocalista, o que realmente é verdade. 



Como muitos esperavam mas não sustentavam tal esperança, algumas músicas do Wake The Dead entraram no setlist apesar de que a idéia inicial era apresentar somente as treze de Turn Around. "False Idols Fall" foi uma delas, e ainda tivemos "Wake The Dead", "Our Distance" e "The Trouble I Love" junto a um público insano que pouco parecia o que acompanhava a banda abertura. Na primeira parte da apresentação tivemos todo o primeiro disco quase na íntegra, apenas interferido por músicas do segundo.

É realmente uma sensação diferente assistir ao CBK com seu primeiro vocalista. Sua voz encaixa perfeitamente ao formato da banda mas a atitude no palco de Andrew Neufeud, particularmente falando, é melhor e mais interativa ainda que o mesmo no posto de guitarrista também não deixe por menos.

Enfim e ao fim, um bom show hardcore e uma dúvida muito grande. O que acontecerá com o CBK daqui para frente? Voltará a última formação? Esperaremos até que Wake The Dead complete 10 anos para ver Scott Wade de volta aos vocais? Alguma de nossas dúvidas podem se dissipar em breve, durante a cobertura do Resurrection Fest no mês de Agosto. Quem viver verá.
Enviado por Mauricio Melo

Appraise e Pay The Cost em Barcelona 26/04/2013 - Casal Jove Roquetes - Barcelona/Espanha



Noite de hardcore raiz em Barcelona na noite de sexta-feira, 26 de Abril. Digo raiz porque foi um evento organizado por quem pratica, toca, vive e respira hardcore na cidade condal. Um show organizado em um centro cívico, chamado Casal Roquetes, sem apoio de patrocinadores, vendas de ingressos em lojas de discos e sem nenhum tipo de modismo, ou seja, hardcore à moda antigo como há muito, confesso, não freqüentava.
Apesar da previsão de três bandas sobre o pequeno palco, apenas duas ofereceram diversão ao público. Pay The Cost, que muito lembra os holandeses do No Turning Back e que apesar da falta de experiência fizeram um bom show, e oAppraise. Esta segunda formada por (ex?) integrantes do Cinder, uma das bandas referencias no estilo na Catalunha e que recentemente fez uma tour sul-americana que incluiu várias datas no Brasil em cidades como Rio de Janeiro, Volta Redonda, Curitiba, São Paulo, Sorocaba, Piracicaba, Pelotas, Porto Alegre e ainda incluiu um par de datas no Uruguai e Argentina. O preço do ingresso era simbólico, apenas 4 euros com direito a receber o zine com o diário de toda a aventura sul-americana e que incluía fotos e agradecimentos, muitos por sinal, deixando claro que a jornada foi acima de tudo, de rever velhos amigos e novas conquistas. No preço também incluiu o CD demo da banda com apenas 4 músicas, "No Foundation", "Pay Your Mistake", Approach" e "Sad to Say", todas fizeram parte do setlist e ainda apresentaram um par mais do recém lançado EP, em vinil, com 7 petartos.
Por falar em setilist, também figuraram músicas de Minor Threat e Negative Approach. Esta segunda visita Barcelona em Junho, e o Appraise será uma das bandas de abertura. A noite promete.
Destaque também para a molecada, que agita sem parar, canta os refrões e sabe de cor músicas de bandas históricas como a citada acima e isso é muito bom. Digo bom, por saber que a raiz hardcore como já comentei acima está livre do comercial. Jovens, muito jovens, mas com um conhecimento que muitos experientes deixam a desejar.
Esperamos ser convidados em outras ocasiões para acompanhar de perto o movimento local. É nós.
Enviado por Mauricio Melo

Extreme Noise Terror e Looking For An Answer Na Espanha 20/04/2013 - Estraperlo Club Del Ritme - Badalona/Espanha



Pode parecer história de velho, ou melhor, experiente para não pegar mal, mas a primeira vez que escutei uma música do Exteme Noise Terror foi através do Ratos de Porão tocando o cover "Work For Never" num programa de TV. Não sei exatamente se era o Programa Livre ou o Matéria Prima, ambos apresentado por Serginho Groisman antes de ser apontado como vendido. Um programa que além dos Ratos ainda foram bandas como Sepultura, Korzus, Plebe Rude, Ira!, etc. Levando em consideração que era em tv aberta e as 17:00 (horário de Brasília), podemos afirmar que a situação era bem interessante. Nesta época o Gordo só tinha duas camisas, uma dos Dead Kennedys e outra do Kill Your Idols e uma das duas levava vestida junto aos urros do cover em questão.

De lá pra cá, mais de 20 anos se passaram e nunca tive a oportunidade de vê-los. Com a morte de Phil Vane em 2011 as possibilidades pareciam escassas. Até que após a turnê dos britânicos pelo Brasil em 2012 a chama da esperança voltava a acender. É até irônico escrever a palavra esperança diante de uma banda que mais oferece o caos do que a beleza primaveral do mês de Abril.

Mas nossa jornada começava antes, quando ainda no metrô, em direção ao clube Estraperlo em Badalona, a quantidade de punks e crust punkers era bastante acentuada, possivelmente sem pagar passagem, pulando facilmente as roletas do sistema catalão. 

Enquanto fazíamos uma hora do lado de fora, uma cena até inusitada veio a acontecer. O local onde se situa o clube é um polígono industrial, de imensos galpões, empresas transportadoras e também onde se situam as casas noturnas como discotecas e afins, tudo muito longe da vizinhança e das reclamações provocadas pelos decibéis. Eis que do nada, surgem dois furgões dos Mossos d'Esquadra, o que equivale ao batalhão de choque e anti-distúrbios estatal. Que passe um carro de polícia, fazendo uma ronda rotineira tudo bem, mas quando avistei os furgões às escuras dobrando a esquina deu um certo receio. Ainda mais quando ao tentar passar pela rua, completamente bloqueada de gente (punks bêbados), os mesmos foram vaiados e quem mais incitava as vaias era ninguém mais, ninguém menos que o vocalista Dean Jones e seu cabelo de pano, que na verdade é o que parece, um aplique de pano.

Risadas à parte e logo veio a hora da verdade com Looking For an Answer, outra banda que já havia assistido numa abertura para o Napalm Death mas que não havia associado ao nome, algo que só veio acontecer, outra vez, através do R.D.P. quando lançaram o Split com os espanhóis.

Um bom show, alto nível técnico, publico vibrante e músicas como "Campo de Extermínio", "Guerra Total", "Peste Roja" e outras tantas que só pelos títulos já da para saber como vai o tema da situação. 

Para finalizar o bom setlist, covers do Terrorizer da época de World Downfall e do Napalm Death, que o vocalista classificou como uma banda que já não existe, talvez considerando que aquela formação de Scum e From Enslavement to Oblitaration realmente tenha se dissipado e justamente foram destes os covers tocados, "Fear of Napalm" e "Unchallenged Hate" respectivamente. 

Para a formação mais "extrema" da noite foi curioso ver ao vivo o quão bem John Loughlin substitui o bom e elogiado substituto de John Vane nos vocais, Roman Matuszewski que durou apenas um ano no cargo. Realmente a banda está bem representada não só por suas cordas vocais mas também por seu bronco visual e movimentação no palco. Com músicas que já são hinos punk/grind e a "covardia" de abrir o show com "Deceived" e "Work for Never" tendo um público tão insano quanto a triplicada taxa de alcool permitida e até mesmo explodindo bafômetros, com direitos a punks caindo do palco e acertando as vigas de ferro que ficam próximos ao mesmo e os levando à nocaute instantâneo em diversas ocasiões e um setlist de apenas 16 temas, digo apenas por se tratarem de músicas curtas. Levando a acreditar que ou a idade já ataca com força a Dean Jones, ou a quantidade de álcool somada a já comentada data de nascimento já fazem um coquetel que de aditivo, não tem nada ou sei lá mais o que posso dizer para justificar um show de pouco mais de meia hora. Ainda que com "Lame Brain" e "Show Us You Care" a noite tenha sido inesquecível, e que a banda tenha retornado ao palco para um par de ruidos, o show foi nitidamente curto ainda que intenso. Isso sim, não podemos reclamar da dedicação do sexteto, que realmente suou a camisa e Dean Jones até arrancou a prótese dentária (ou algo parecido) da boca e jogou embaixo da caixa de retorno para melhorar sua performance em sua tradicional posição, debruçado sobre o pedestal, fazendo caretas enquanto John urrava suas partes vocais. 
Num geral, para quem não os havia visto, e pelos poucos shows que nos reservamos a frequentar na terra de Gaudi, tudo saiu dentro do previsto.
Enviado por Mauricio Melo