sexta-feira, 24 de abril de 2009

Estrella Damm Primavera Club 08: festival indie passa pelo folk e termina com festa soul


Texto e Foto: Mauricio Melo

Festival fechou 2008 em Barcelona, com Isobell Campbell & Mark Lennegan, entre outras atrações
por Mauricio Melo
de Barcelona, Espanha
[02/01/2009]
Este festival, realizado em Barcelona e Madri como de hábito, demonstrou mais uma vez toda sua força em pleno inverno europeu, e principalmente na capital espanhola, que esgotou entradas para todas as apresentações. Por ser um festival de inverno, as apresentações não foram [obviamente] realizadas ao ar livre. Aqui em Barcelona se resumiram às tradicionais Sala Apolo e Apolo [2] e ao excelente Auditório Fòrum. No Apolo ficaram as apresentações mais rock, indie e os DJ's. O Auditório Fòrum teve as apresentações mais intimistas, mas também de maior público.
Noite de abertura - 10/12
A primeira noite do festival foi realizada no Apolo e contou somente com bandas nacionais. Os encarregados de abrir a foram os madrilenhos do The Joey K-Plan, mais uma dupla no mesmo formato de Black Keys, White Stripes ou The Kills, porém com som apenas instrumental e bem barulhento, sem deixar de lado a melodia. Fizeram uma excelente apresentação de abertura e saíram muito aplaudidos do palco. Em seguida foi a vez da banda local (lo:muêso) que fizeram um excelente show, talvez o melhor da primeira noite. Com músicas como Combinado Magyar, OJ da Jazen e Twelve 2 agradaram em cheio com seu estilo guitar/rock experimental e apesar dos títulos em catalão as músicas são cantadas em inglês. O encerramento ficou a cargo do rock/experimental do grupo 12Twelve, mais uma banda com bastante distorção e nenhuma letra. Fizeram um show bem interessante, mas quem levou o título da noite foi o (lo:muêso).
Segundo dia: primeiras atrações internacionais - 11/12
Segunda noite do festival, também realizada no Apolo recebeu um público maior do que a noite anterior e também suas primeiras atrações internacionais. Nesta noite de quinta-feira, somente duas bandas se apresentaram, ambas britânicas. A primeira da noite foi The Wave Pictures [foto] que lançando seu segundo álbum Instant Coffee Baby [2008], fez um show simples e agradável. Músicas como I Love You Like a Madman e Strange Fruit or David, ambas do segundo álbum, agradaram em cheio ao público catalão. Também não faltaram canções do primeiro trabalho Sophie [2006] como I Want to You Walk all Over Me e Pen Pals. A banda se sentia tão à vontade no palco que o baixista Franic Rozycki entre uma música e outra saiu para ir ao banheiro destinado ao público.
The Wave Pictures tem histórias curiosas em seus dez anos de estrada, à parte de um integrante sair no meio da apresentação para ir ao banheiro. Enquanto esperavam a gravadora lançar oficialmente seu primeiro disco, Instante Coffee Baby, a banda lançou Sophie reunindo gravações caseiras que vendiam em shows, no formato CD-R. Apesar das boas vendas de seus dois discos e de vários shows, os integrantes ainda têm seus empregos convencionais para conseguirem completar as despesas do mês.
Em seguida foi a vez de Darry Haymen & Jack Hayter subirem ao palco para um show dividido em duas partes. A primeira foi destinada a uma sessão acústica onde somente tocaram músicas de Hefner, um trio folk londrino surgido no início dos anos 90 e atualmente extinto - Haymen foi o líder desta banda. A segunda parte recebeu como convidados o mijão Rozycki e ainda o baterista Jonny "Huddersfield" Helm, ambos do The Wave Pictures, para completar a apresentação que a partir de aí misturava músicas de ambas as bandas, lembrando que Darry Haymen é padrinho do The Wave Pictures.
Terceiro dia - Auditório Fòrum abre suas portas para atuações mais íntimas.
Sendo fiel à sua proposta, Estrella Damm Primavera Club traz uma noite que vai de novas promessas a projetos de artistas consagrados do underground. Quem abriu a tarde de sexta-feira, às 17 horas, foi a banda local Manel com excelente apresentação, que confirma o posto de promessa local. Logo em seguida, foi a vez de Wovenhand, banda do enigmático líder do 16 Horsepower, David Eugene Edwards. Entre uma pausa e outra de sua banda oficial, no ano de 2001 surgiu Wovenhand como um projeto paralelo. Deu tão certo que atualmente estão lançando Ten Stones [2008], oficialmente seu quinto trabalho.
A única coisa que podemos lamentar da apresentação sólida que Edwards pode nos oferecer foi o pouco tempo destinado para a mesma, somente 45 minutos foram insuficientes para saciar a sede dos presentes, ainda que tocassem músicas como Horsetail e Kicking Bird do lançamento atual e Deerskin Doll do álbum Mosaic [2006]. completaram o setlist a pesada Tin Finger de Consider the Birds [2004] e porque não brindar seu público com American Wheeze, música de seu outro grupo, 16 Horsepower, presente no disco Hoarse [2001].
Este terceiro dia de festival e o primeiro no Auditório Fòrum ainda reservava mais uma novidade antes das duas atrações principais. Provenientes de São Francisco, sobem ao palco The Dodos. Oficialmente são uma dupla, mas nas apresentações torna-se trio, com Meric Long [violão e voz], Logan Kroeber [bateria] e um misterioso percussionista. Com uma apresentação bem calcada em músicas de seu segundo álbum, Visiter [2008], tocaram Fools, Red and Purple e do anterior, Beware the Maniacs [2006], uma das mais bem recepcionadas de todas, The Ball. Alguém do público ainda pediu Winter, do segundo trabalho, mas já não havia mais tempo, se bem que os rapazes passaram mais de uma hora no palco.
The Giant Sand inicia sua apresentação com um certo atraso, talvez o único do festival. Mesmo assim, o pequeno imprevisto não foi o suficiente para desprestigiá-los ou ameaçar a eterna tranquilidade de Howe Gelb, líder da banda que após a música de abertura se deparou com um público educadamente sentado nas confortáveis cadeiras do auditório. Aproximou-se do microfone e perguntou com sua grave voz, "alguma pergunta?"; o suficiente para quebrar o gelo. Lançando proVISIONS [2008] um disco que apesar de canções com uma roupagem bem folk/country e típicas de Tucson [Arizona-EUA], cidade natal da banda, é um disco com mensagens bastante políticas.
Quando Stranded Pearl foi tocada, a já esperada participação de Isobel Campbell aconteceu. Afinal, assim também foi registrada a canção no disco, e a moça fecharia a noite logo em seguida, apresentando seu projeto com Mark Lennegan. A apresentação dos Giant Sand durou pouco mais de uma hora e foi o suficiente para todos sentirem um pouco o calor do deserto em pleno inverno europeu, com músicas ao estilo Johnny Cash, Dire Straits e Calexico.
O encerramento da primeira noite no Auditório ficou a cargo de Isobell Campbell & Mark Lenegan [ abertura e foto ao lado], que este ano lançaram Sunday at The Devil Dirt. Logo na entrada do auditório, ao recolher o passe para fotografias a informação passada era de que a iluminação para esta apresentação seria bem baixa e que os artistas não abririam mão da atmosfera íntima que gostariam de transmitir, fazendo perfil ao trabalho de estúdio.
E foi assim que Campbell [ex-Belle and Sebastian] e o multi-intérprete Lenegan se apresentaram neste dia. Vale lembrar que a banda que projetou Mark Lenegan foi o Screaming Trees e que após a extinção desta o cantor se envolveu em vários projetos como participações em discos e shows do Queens of the Stone Age, o projeto eletrônico/rock/gospel Soulsavers, The Gutter Twins [dupla com ex-membro do Afghan Whigs], além de sua respeitável carreira solo.
O currículo do rapaz é extenso. Além de toda história que leva a dupla, vale citar que este trabalho de estúdio tem alto nível e o público presente teve a oportunidade de conferir cada acorde de músicas como Salvation, The Flame That Burns, Who Built the Road, além de trabalhos de um e de outro como Little Sadie, de Mark Lenegan, e ainda The Ballad of Broken Seas. Finalizaram a apresentação com Back Burner do disco mais recente. Algumas pessoas reclamaram do clima sombrio e do fato de Lenegan e Campbell não mostrarem seus rostos e nem dizer um olá. Talvez parte do público não tenha entendido o formato da apresentação.
Quarto Dia - Em mais um dia de novidades e rock, a revelação do soul americano rouba a cena
A abertura ficou por conta de Espaldamaceta, que mais serviu para aquecer quem tranquilamente chegava ao Auditório. Em seguida e com uma proposta bem distinta se apresentou High Places com seu Indie/Eletrônico vindo do Brooklyn. Em seguida foi a vez de Abe Vigoda de Los Angeles, mais uma banda que mistura muitos instrumentos na tentativa de fazer algo bem diferente, conseguem com êxito mas os The Dodos agradaram mais na noite anterior com menos. Não vamos interpretar mal, os californianos fizeram excelente show e talvez pudessem ser encaixados em uma das noites do Apolo, junto a outras bandas mais plugadas.
La Buena Vida, outra banda nacional porém com uma levada mais pop, tocou seu primeiro disco Soidemersol [1997] na íntegra acompanhada de uma orquestra, praticamente em versão acústica e com um telão ao fundo onde exibiam imagens de mais de uma década de existência da mesma.
Porém, quem roubou a cena da noite e do festival, foi mesmo Eli "Paperboy" Reed com seu carisma, sua voz rouca e muito soul. Este rapaz de 25 anos de idade tem uma combinação não muito comum aos fãs da música soul: é branco, vem de uma família de classe média americana e nasceu em Boston onde a música soul não tem lá grandes forças. Ao que parece, a cidade ganha nos dias atuais um grande representante. Com muita simpatia colocou o até então comportado público para dançar como já era de se esperar. O que não imaginavam os seguranças do auditório é que Paperboy pedisse para que o público saísse de suas cadeiras e fosse o palco, onde não havia grade de proteção.
Antes da entrada de Eli Reed, o The True Lovers, banda que o acompanha, fez toda uma introdução com um dos saxofonistas chegando até ao microfone e perguntando se é com aquele entusiasmo que querem receber o rapaz de Boston. Com a banda detonando um soul e o saxofonista caprichando no solo, Eli Reed entra em cena bem ao seu estilo, terno, cabelo penteado e com um largo sorriso. Aí sim, vem o momento onde o público sai de seus lugares e dança o show inteiro. Foi assim em I`ll Take my Love With You e [Doin The] Boom Boom, Am I Just Fooling Myself, todas de Roll With You [2008], seu segundo trabalho, além da já conhecida I'm Tired of Wandering. A apresentação terminou com Eli e o público esgotados de tantos passos à lá James Brown. Aquele terninho que Reed utilizava na entrada e seu cabelo penteado ficaram para trás na terceira música, as únicas coisas que não saíram de seu corpo foram o sorriso e a expressão de satisfação.

Oasis lota ginásio em Barcelona


Texto e foto: Mauricio Melo

Com entradas esgotadas há várias semanas, O Oasis fez somente dois shows em terras espanholas, o primeiro em Barcelona, dia 13 de fevereiro, e o segundo na noite seguinte, em Madri. Apesar da organização só liberar credenciais para a imprensa local, este repórter brasileiro conseguiu assistir ao show pagando 40 Euraços de entrada, e ainda driblou a segurança para entrar com a câmera na mão. E quer saber? Valeu a pena. Os Galleghers não decepcionaram antigos e novos fãs, público que variava entre quarentões e adolescentes.

Como de hábito, a música de abertura foi Fuckin In the Bushes, que abre o disco Standing on the Shouder of Giants [2000], levando o público a saltar como se a banda já estivesse no palco. Ao entrar, e antes mesmo de qualquer comunicação com a platéia, soam os primeiros acordes de Rock and Roll Star, a primeira música do álbum de estréia Definitely Maybe [1994]. O que vem a calhar: faz sentido abrir um show com um refrão que diz "Tonight I'm a Rock 'n' Roll Star", embora na época do lançamento, somente os próprios Gallaghers devessem acreditar no próprio futuro.

Lyla vem logo em seguida, esta de um álbum mais recente, Don't Believe the Truth [2005] e a partir de aí começavam as excelentes projeções nos quatro telões de alta definição situados ao fundo do palco, algo parecido ao utilizado pelo U2 na turnê do Elevation. As projeções mudam a cada música e nunca se repetem, mas na verdade é tudo uma colagem de imagens com o mesmo perfil do clipe de Shock o Lightining - tocada após Lyla, pertencente ao disco Dig Your Soul [2008].

Quando não tem colagens, o que entra em cena é a imagem de cada integrante nos mesmos telões, à parte do baterista e o tecladista que na verdade são músicos convidados. A grande curiosidade destas projeções no entanto, é que muitas vezes somente aparecem imagens de Liam e Noel, e propositalmente um de frente para o outro. Mas pelo menos no telão eles não brigam.

Apesar de disco novo no mercado, nem todas as músicas deste foram tocadas. Além da já mencionada Shock of the Lightning, também estiveram na set list Bag it Up, e as “Beatles total” I'm Outta Time [Get Off Your], Falling Down, Waiting for the Rapture [muito bem levada por Noel] e Ain't Got Nothin'. Ao perguntar se na platéia existiam britânicos e ser muito bem respondido, Liam dedicou Cigarettes and Alcohol aos compatriotas, esta do primeiro disco que também teve Slide Away, deixando as tradicionais Shakermaker e Live Forever para uma próxima oportunidade.

De Heathen Chemistry [2002] somente a curtinha Songbird deu as caras no setlist. Don't Believe the Truth [2002] teve mais uma música representante com The Importance of Being Idle, com Noel aos vocais. Desprezo total ficou por conta do álbum Be Here Now [1997], nenhum tema deste figurou num show onde até mesmo The Masterplan, título do homônimo álbum lançado em 1998 [na verdade uma sobra de estúdio] foi tocada e bem recepcionada. Deste mesmo álbum, mais uma que ficou de fora foi a tradicional Acquiesce.

Os pontos altos foram Champagne Supernova, Hello e [a pedidos, vindo de uma enorme faixa no meio da multidão] Don't Look Back in Anger, com direito a uma dedicatória especial por parte de um simpático [?] Noel aos que seguravam a faixa. Claro que Wonderwall, do mesmo disco What´s The Story, Morning Glory [1995], um dos clássicos dos anos 1990, não poderia faltar. No bis apareceram Supersonic, em uma versão mais cadenciada, e o cover I Am the Walrus dos Beatles, que fazia parte de seu antigo setlist e que tinha sido substituído por My Generation do The Who, finalizaram a apresentação quase duas horas após seu início. O Oasis, com a Dig Your Soul Tour, definitivamente precisa passar pelo nosso país.

Soulfly - Sala A - Club Apolo -Barcelona - 17/02/09



Soulfly - Sala A - Club Apolo -Barcelona - 17/02/09

Desde que a turnê do Conquer se iniciou na Alemanha, estamos acompanhando diversas apresentações do Soulfly – inclusive hoje, que é véspera de Carnaval no Brasil. Talvez tenhamos na cabeça uma imagem ou doutrina de que esta celebração tem que ser à base de samba, mulatas y otras cositas más, porém está aí um dia que, ao menos em Barcelona, muita coisa boa aconteceu.
Antes do show principal, quem fez a festa dos headbangers foi o Incite, banda de Phoenix (EUA) que, mais uma vez, fez um bom show de abertura.
Aquele aquecimento mencionado pelo Max, que vem antecedendo suas apresentações, quando o público começa a gritar "Blood, Fire, War, Hate" dez minutos antes do show, não aconteceu. Porém, outro fato curioso chamou bastante atenção; quinze minutos antes, quando o roadie entrou no palco para afinar a tradicional guitarra com a bandeira do Brasil estampada, o público vibrou como se fosse um gol em final de copa do mundo! Levando em consideração que não estávamos em um estádio, e que a grande maioria do público não era formada por brasileiros, ficou nítida a força com que Max representa nosso país pelo mundo afora.

Alguns companheiros de imprensa local elogiaram a apresentação, mas lamentaram o fato de muita gente ainda ir ao show do Soulfly para escutar uma dezena de músicas do Sepultura. Acredito não ser por aí, pois após muitos anos de estrada é normal que alguém ainda queira escutar músicas de sua antiga banda – mas que a atual confirma a cada dia que já tem um público fiel, é tema indiscutível.
Pelo menos foi o que se viu nesta noite em Barcelona quando o público vibrou com músicas de A a Z que estavam (e que não estavam) no setlist. Max parecia uma espécie maestro que ia conduzindo seu público da melhor maneira possível (aquele setlist que fica colado nas caixas de retorno serve mesmo como base, porque na última hora ele toca o que se encaixa melhor).

A abertura realmente ficou por conta de "Blood, Fire, War, Hate" e a sala Apolo parecia que ia explodir. Abriu-se um mosh-pit enorme e a bagaça estremecia. "Sanctuary" entrou na seqüência e, ainda que o excelente Joe Nunez não toque como Iggor, valeu a pena escutar uma música do Cavalera Conspiracy – ou ao menos um pedaço da mesma, já que não foi tocada na íntegra. A princípio escalada para o meio da apresentação, "Refuse/Resist" entrou como a terceira da noite e, de maneira infalível, levantou o público literalmente, que saltava como se tivesse mola nos pés; que saudades de ver isso... Digo saudades não por escutar esta música – ou lembrar dos tempos do Sepultura – mas sim porque quando outras bandas tocam por aqui, o público não tem a mesma reação. Enquanto isso, Max dava início a sua mais nova mania, a troca da camisetas; desde Napalm Death, Canibal Corpse e Benediction, até a da banda de abertura Incite.
Nosso frontman deu um “foda-se” para o inglês e falava em portunhol constantemente. A galera entendia perfeitamente suas palavras e palavrões, como por exemplo em "Prophecy", durante a qual ele insistia em dizer "Barcelona, vamos agitar essa porra, caralho!". Mesmo sem berimbau, "Primitive" ganhou uma calorosa recepção e ficou confirmado que não necessitamos de samba para fazer um carnaval em qualquer parte do mundo. O mesmo vai para "Tribe" e, posteriormente, "Umbabarauma". "Unleashed" confirmou de vez o êxito do Conquer e as pessoas cantaram e vibraram como se fosse um clássico antigo e "Seek and Strike" igualmente foi explosiva. A pesadíssima "Downstroy" deu uma aliviada no mosh-pit e "Mars" devolveu.
Músicas mais porrada também estiveram presentes, como "Frontlines" e "Molotov". Claro que "Inner Self" não ficou de fora e botou todo mundo para bater cabeça. Mark Rizzo e Bobby Burns segurando bem as bases e Max sempre sorridente, dando um verdadeiro banho d'água na galera. Vale destacar a vitalidade de Rizzo, dando voadoras no palco como um integrante de bandas hardcore nova iorquinas. Joe Nunez então improvisou uma pequena introdução, pausando e chamando a galera, até que a mesma apresentasse a fúria necessária para receber "Roots Blood Roots".
Antes mesmo de se despedirem, tocaram "Polícia", dos Titãs, que levou muita gente ao delírio. Ficou nítida a tentativa de Max de agradar a gregos e troianos, reunindo músicas de todos os álbuns, covers e principais clássicos do Sepultura – e pela cara de “esgotada” da galera dá para dizer que ele conseguiu, ainda que um ou outro com cara de “intelectual do metal” diga que não.


Por Mauricio Melo


ENGLISH VERSION
Since the Conquer tour began in Germany, we are following several presentations of Soulfly. Before the headliners came in though, who prepared the terrain was Incite, the band from Phoenix (USA) who once again did a good opening show.
The ‘warm up’ mentioned by Max, which usually happens moments before the band hits the stage – when the audience starts shouting "Blood, Fire, War, Hate" ten minutes before the show – did not happen this time. However, another curious fact drew much attention; fifteen minutes before the start, when the roadie came on stage to tune that guitar that has the Brazilian flag printed, the public shouted as if it was a goal in the final of the World Cup!

The first song actually was "Blood, Fire, War, Hate" and the Apollo room seemed to explode and a huge mosh-pit opened up. "Sanctuary" came next, and even though excellent drummer Joe Nunez doesn’t play like Iggor, it was worth listening to a song from Cavalera Conspiracy - or at least a teaser, since it was not played in full. Originally planned to be played in the middle of the set, "Refuse/Resist" entered as the third of the night, and foolproof, literally raised the audience, who jumped as if they had springs in their feet. And how I missed that... I mean, when other bands play here, the public doesn’t have the same reaction.
Today Max abandoned the English language and spoke “portunhol” constantly. The crowd understood perfectly when he said "Barcelona, vamos agitar essa porra, caralho!" during "Prophecy". "Primitive" won a warm reception as well as "Tribe" and, later, "Umbabarauma”. "Unleashed" confirmed the success of Conquer and people sang along as if it was an old classic. The ultra-heavy "Downstroy" relieved the mosh-pit and "Mars" returned it.
More badass songs were shot at the public: "Frontline", "Molotov" and, of course, "Inner Self", who put everyone to headbanging. It is worth highlighting Rizzo’s vitality, who was high kicking the air while playing his guitar, like New York hardcore musicians do. Joe Nunez then improvised a short introduction, pausing and calling the crowd, until they had the necessary fury to face "Roots Blood Roots."
Even before they ended, they played "Policia", from Brazilian rock band Titãs, which led many people to ecstasy. It was a clear attempt of Max to please everyone, bringing together songs from all albums, covers and classics from Sepultura - and judging by the tired face of the crowd we can say that he succeeded.
by Mauricio Melo

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Helmet - Sala A - Club Apolo – Barcelona - 03/02/2009



Helmet - Sala A - Club Apolo – Barcelona - 03/02/2009
Apesar das duas décadas de estrada, desde sua formação em Nova Iorque (‘89), a banda de Page Hamilton chegou a Barcelona nos primeiros dias de Fevereiro, mais precisamente no dia 3 na pequena sala A do Club Apolo para, segundo as palavras do próprio líder da banda, sua primeira apresentação oficial na cidade catalã. Porém, a primeira aparição da banda por aqui foi numa turnê do Marilyn Manson na qual o Helmet era banda de abertura e, como mesmo reconheceu Hamilton, um fã do Helmet por mais dedicado que fosse não iria pagar caro e se meter no meio de outra galera e curtir um show de meia hora. De quebra, quem foi assistir ao Manson, tão pouco se importava com o que rolava naquela abertura, então, por uma ou por outra, esta foi considerada a verdadeira passagem da banda pela cidade.

Antes do grande momento, quem deu as cartas foi o trio californiano Totimoshi que, aliás, já teve um disco produzido por Page Hamilton. Fizeram um bom show de abertura, bem ao estilo dos headliners, misturando um pouco com Melvins. No intervalo entre um show e outro, a trilha sonora para relaxar o público foi um bom jazz e bastante Sinatra – vale lembrar que uma das maiores influências de Hamilton é exatamente este estilo musical e Sinatra também é título de uma das músicas do primeiro álbum da banda, Strap it on (‘91).

Chegada a hora, o público já não se continha e pedia insistentemente a entrada do rolo compressor sonoro ao cenário, e não tardou muito para que o simpático Hamilton e seu novo (e jovem) Helmet atendessem ao chamado. Apesar de totalmente reformulado e não conter nenhum outro membro original do grupo (somente Page Hamilton) o característico som com riffs de guitarras repetitivos e distorcidos estão mais presentes do que nunca. Iniciando o set com "Swallowing Everything" do lançamento mais recente, Monochrome (2006) e seguindo com "Renovation" do Aftertaste, de ‘97 (álbum este que marcou o fim do Helmet naquele momento, antes de seu retorno em 2004). "See You Dead" entra em seguida como representante do disco Size Matters, disco que marcou o retorno com o já reformulado grupo em 2004. Hamilton foi aquecendo seu público com excelentes músicas de seus discos menos aclamados para em seguida mostrar, junto a sua simpatia, o Helmet que todos esperavam. E não demorou muito para que isso acontecesse. Apresentando "Iron Head" do marcante álbum Meantime (para muitos, um dos melhores lançamentos da década de noventa) seguida por "Role Model" e "FBA II", também deste já citado álbum, deixou a maior parcela do público realmente satisfeita. Para quebrar um pouco a hegemonia, mas sem sair dos anos noventa, soaram os acordes de "Exactly What You Wanted" e, como mesmo definiu Hamilton em um intervalo entre uma música e outra, “são tantos hits fica até difícil escolher um setlist básico para a apresentação”. Realmente, o que dizer de "Wilma's Rainbow" de Betty (‘94) seguida de "Black Top" do primeiro e já citado disco Strap It On, e na sequência "Unsung" – aquele que foi o carro chefe do disco Meantime e que apresentou o Helmet em definitivo ao mundo?

Após uma seqüência como está, era de imaginar que o show já estivesse terminando. Mas ainda havia tempo para "Pure", "It's Easy To Get Bored" e "Driving Nowhere", todas de Aftertaste e entre elas "Milquetoast" e "In the Meantime" já no bis. Apesar de não mais contar com outros membros originais na banda, Page Hamilton e seus rapazes demonstraram que o Helmet ainda tem muita lenha para queimar.


Mauricio Melo
Oficialmente publicado por Rockonnection - www.rockonnection.com

ENGLISH VERSION

In spite of the two decades on the road, since they started in New York in ‘89, Page Hamilton’s band arrived in Barcelona on the first days of February, in the small room A of the Apolo Club for – according to the leader himself – their first official show at the Catalan city. The first show of the band in this region actually happened when they came on tour with Marilyn Manson in which Helmet was the opening band but, as Hamilton recognized, “a Helmet fan, even a dedicated one, would not pay a high price and stay amongst a different kind of crowd to enjoy a half an hour set”.
Before the great moment, the band that showed some skills was the trio from California Totimoshi which, as a matter of fact, already has had a CD produced by Page Hamilton. They performed a good opening show, as if they were the headliners, with a sound that reminded me the Melvins in some moments. During the break between one band and the other, the soundtrack chosen to relax the public was some good jazz and Sinatra – it’s worth to remember that one of Hamilton's biggest influences is precisely this type of music and ‘Sinatra’ is also the title of one of the songs from their first album, Strap It On (‘91).
The audience couldn’t restrain themselves anymore and were asking insistently for the entry of the resonant steamroller on stage, and it didn’t take long for Hamilton and his new (and young) Helmet to answer the call. Even though no other original member of the group – but Hamilton – is in the band, the characteristic sound with repetitive and distorted guitar riffs is still there. They started the set with 'Swallowing Everything' from their most recent release, Monochrome (2006) and followed with 'Renovation' from Aftertaste (that was the album that flagged the end of Helmet at that moment). ‘See You Dead’ came next as a representative from Size Matters, album that marked their return with the already re-structured group in 2004. Hamilton kept the audience going with excellent songs from their least acclaimed albums, in order to present next, together with his sympathy, the Helmet everyone was expecting. And it didn’t take long for that to happen.
As they executed ‘Iron Head’ from the outstanding album Meantime (for many people, one of the best releases of the nineties) followed by ‘Roll Model’ and ‘FBA II’, also from this already quoted album, the biggest part of the crowd really couldn’t ask for more. To break a little the hegemony, but without moving away from the nineties, they struck the chords of ‘Exactly What You Wanted’ and, when it was finished, Hamilton said “it’s so many hits that it gets quite difficult to choose a basic set list for the show”. That is true… I mean, what to say about Betty's ‘Wilma's Rainbow’ (‘94) followed by ‘Black Top’ from the first and already mentioned album Strap It On, and right after, ‘Unsung’ – the one that introduced Helmet to the world?
After a sequence like this, it was expected that the show was already about to end. But there was still time for ‘Pure’, ‘It's Easy To Get Bored’ and ‘Driving Nowhere’, all from Aftertaste, and then ‘Milquetoast’ and ‘In the Meantime’ already as the encore. Despite the fact that there are no other original members in the band, Page Hamilton and his boys showed that Helmet still have loads of firewood to burn.

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British Sea Power - um novo Arcade Fire?


Banda inglesa fala com exclusividade à Paradoxo em Barcelona
Por Mauricio Melo e Ana Paula Soares
Foto: Mauricio Melo
O bate-papo discontraído aconteceu no lobby do hotel onde a banda British Sea Power estava hospedada. O guitarrista Martin Noble e o baterista Wood, ao descobrirem-se diante de um brasileiro logo começaram a falar de futebol. Deixaram claro, antes de qualquer pergunta, que adorariam tocar no Brasil um dia. "Para também aproveitar um pouco da viagem para "inesquecíveis férias."
Formada em 2000 na cidade de Brighton, Inglaterra, somente em 2003 a banda deu as caras com o disco The Decline of British Sea Power. Dois anos mais tarde e com um pouco mais de experiência depois, foi a vez de apresentar o álbum Open Season ao mundo. Foi aí que algumas canções começaram a ganhar notoriedade.
Uma mistura de pós-punk e garage rock adicionadas a boas letras é o segredo deste quinteto. O álbum mais recente, Do You Like Rock Music?, lançado ano passado, levou-os a comparações com o Arcade Fire. Mas se olharmos para a história e os discos anteriores dos britânicos, vemos que não é bem por aí. Não custa lembrar que a banda esteve, em 2008, entre os nomes de grandes festivais, como o Primavera Sound de Barcelona e o tradicional Reading/Leeds Festival, na Inglaterra. Se você não gosta de rock, está lendo a entrevista errada.

Revista Paradoxo - Sei que talvez possa ser um pouco cansativo, porém como se trata em uma banda que ao menos no Brasil ainda está em descoberta, poderia fazer um pequeno resumo da história da formação da banda? As informações que tenho dizem que foi formada em 2000 e logo com os primeiros shows teve uma boa repercussão, e o primeiro album se tornou um dos favoritos da crítica britânica. Algum detalhe mais?

Noble - O de sempre, éramos amigos e desde muito jovens estudávamos juntos, eu era um jovem universitário de psicologia por exemplo. Conversávamos muito sobre música, sobre nossas bandas favoritas como Pavement e nesta época poucas pessoas gostavam de Pavement na escola e na universidade, era como ter um gosto diferente ou para alguns um mal-gosto mas era isto que nos identificava.

RP - Por mais de uma vez a banda foi comparada ao Joy Division. Particularmente, não vejo tanta semelhança. Essas comparações incomodam a banda ou faz parte do show levando em consideração que a música é algo reciclável?

Wood - Acho que fazíamos um post e poderíamos ser comparados a um ou outro, é normal que apareçam comparações e uma banda tão foda como foi o Joy Division acho que ser comparado a eles não faz mal nenhum. Mesmo que tenhamos como objetivo fazer algo diferente.

RP - Então, aproveitanto o assunto das comparações, quais são as principais influências da banda?

Noble - Pavement, Pixies, Joy Division, Velvet Underground e Iggy Pop and The Stooges, também não podemos deixar de fora.

RP - É verdade que Do You Like Rock Music foi, ou pelo menos era para ser, gravado em Montreal?

Noble - Sim, tínhamos três lugares previstos para gravar e um deles era Montreal, pois queríamos aproveitar a atmosfera daquela cidade. Apesar da idéia inicial ser ótima as coisas não saíram como queríamos. Então, em Montreal gravamos uma parte e mixamos e outra parte na República Tcheca.

RP - Um bom produtor, por melhor e mais renomado que seja, pode errar a mão e
estragar um disco ou a banda tem parcela de culpa?


Noble - Normalmente trabalhamos juntos ao engenheiro de som, mixamos o disco juntos e acredito que coisas assim não acontecerão conosco. Não existe somente uma pessoa no comando de tudo. Nos dedicamos ao máximo para fazer com que o disco saia como queremos.

RP - Quem compõe as musicas? Existe alguma fórmula específica ou as compisções vêm de jams, de estúdio? O mesmo vale para as letras.


Wood - Funciona de diferentes maneiras. Alguém chega com uma parte composta, outro com um rascunho de letra, algumas vezes sai de Jams. No início buscávamos fazer juntos e depois começamos a passar as linhas em separado e ao juntar ficavam horríveis mas depois demos sorte.

RP - Como foi participar do Primavera Sound 08 e em seguida do Reading/Leeds? Já passa a ser um bom reconhecimento do trabalho?
Martin - Bandas brilhantes participaram destas edições e estar nestes festivais é sempre bom. Levando em consideração a repercussão de ambos acho que é um bom reconhecimento.

RP - Aquela perguntinha tradicional: planos para o futuro, shows no Brasil? O que acham da ideia?
Wood - América do Sul com certeza, seria brilhante.
Martin - Gostaríamos muito de ir para shows e depois passar férias por alguns meses, curtindo o Brasil [risos]. Sabemos dos problemas que existem, mas também há em muitos lugares e isso não desanima. Gostamos muito de esportes e sempre vemos os brasileiros se destacando. Além da cultura, da comida... definitivamente é um lugar a estar.
Oficialmente publicado por Revista Paradoxo

sábado, 6 de dezembro de 2008

Cold War Kids - Sem versos baratos.


Cold War kids dá as caras na Espanha com apresentação para poucos


por Mauricio Melo de Barcelona, Espanha[26/11/2008]


Barcelona, Espanha - Foi no começo desta semana, junto com a chegada de um intenso frio, um inverno que antecipou previsões e baixou de vez na Espanha. Na noite da segunda-feira [24], no outro lado da cidade figurava Franz Ferdinand, antecipando o lançamento do seu novo disco num show disputadíssimo por público e imprensa. A Sinnamon Promotions, que de boba não tem nada, marcou para o mesmo dia a estréia de Cold War Kids em território espanhol. E quem compareceu na pequena sala Razzmatazz 3 não teve do que se lamentar.
Agrupados em 2004, em Fullerton [California], Nathan Willet [voz e piano], Jonathan Russel [guitarra, voz e percussão], Matt Maust [baixo] e Matt Aveiro [bateria] não demoraram muito para demonstrar ao mundo sua capacidade. Com influências que vão de Bob Dylan a Radiohead, passando por Jeff Buckley e o eterno The Velvet Underground, no ano seguinte, a banda já lançava o EP Murberry Street [2005], nome que faz referência ao restaurante que ficava embaixo do apartamento de Russel, onde a banda começou suas atividades. Esse EP foi o suficiente para dar projeção a banda e, já em 2006, conseguir lançar Robbers and Cowards, que, para muitos, foi o melhor disco daquele ano e colocou a banda na posição de indiscutível revelação.
No último 23 de Setembro, Cold War Kids lançou seu segundo álbum, Loyalty to Loyalty - e o som faz jus ao título. Mesmo que para os ouvintes mais exigentes a banda tenha perdido o encanto, não foi isso que os "Meninos da Guerra Fria" apresentaram ao vivo. Com um setlist bem diversificado, que incluía músicas dos três trabalhos, a banda brindou seu público com um show maravilhoso.
Os meninos abriram a noite com Every Valley is Not A Lake, do recente álbum: Willet ao piano, enquanto Maust e Russel bailavam pelo palco com seus instrumentos em punho. Dando continuidade ao ritmo imposto pela primeira música, os californianos levantaram o público pela primeira vez, colocando todos para cantar com We Used to Vacation, do primeiro LP, Robbers and Cowards [2006]. Mexican Dogs, também do segundo álbum, intensificou as guitarras, e a voz de Willet ecoou pelos quatro cantos do recinto.
Quando Robbers, do primeiro trabalho, começou a ser executada, ficou nítida a fórmula usada pela banda para levar sua apresentação: I've Seen Enough, Relief, Dreams Old Man Dream e Cryptomnesia, todas do Loyalty to Loyalty foram tocadas praticamente em seqüência. Quiet Please foi a única do EP a estar presente no setlist, e Hospital Bed fechou a noite.
Atendendo aos insistentes pedidos da platéia espanhola, a banda retornou para um bis rápido, com Saint John, de Robbers and Cowards. Quem lá esteve, não esquecerá a apresentação desta "ex-revelação" e atual realidade na cena rock mundo. Cold War Kids não utiliza versos baratos e não fala sobre política americana, trata a realidade, sem meias palavras.
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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Em Barcelona, mas poderia ter sido no Tim Festival




Aos 50 de vida e mais de 30 de carreira, o ''modfather'' Paul Weller reivindica seu posto; e não vem mais ao Brasil

por Mauricio Melo de Barcelona, Espanha[20/10/2008]
Barcelona [Espanha] - Na última sexta-feira [17/10], no Espacio Movistar, pouco menos de uma semana de seu desembarque em terras brasileiras para apresentações no Tim Festival, Paul Weller demonstrou porque é o melhor representante do estilo Mod e criador de uma das bandas mais influentes do brit-pop, incluindo nomes que vão de Oasis aos jovens Arctic Monkeys.
Três décadas após surgir com The Jam, Weller prova que não é um artista que vive de seu passado ou de antigos sucessos - mesmo que esse justifique sua presença no mundo da música. Recém-lançado, seu excelente último álbum, 22 Dreams [2008] contou com a participação em estúdio de Noel Gallagher [Oasis] e Graham Coxon [Blur] na canção Echoes Round the Sun. Só mesmo Weller poderia fazer com que esses eternos rivais do brit-pop se unissem musicalmente.
O show da semana passada não poderia ter fugido do perfil do ex-Jam. Paul Weller fez um apanhado de toda sua carreira em um show de rock, psicodelia, soul e free jazz. O músico apresentou músicas como The Weaver do álbum Wild Wood [1993], Paper Smile e Come on Let's Go de As is Now [2005] deixando claro a diversidade do setlist com músicas lançadas em diferentes décadas. Após essas boas doses de rock na primeira parte do show, veio uma seqüência acústica para Why Walk When You Can Run, e ainda Light Nights, que teve direito até a violoncelo para essa segunda canção, ambas do álbum mais recente.
Saindo da versão acústica, passando um pouco para o free jazz com músicas ao piano, como Black River e Invisible, fechando a sessão com Picking up Sticks, do álbum Heliocentric [2000]. De volta ao formato plugado, Weller continuou a apresentar seu novo trabalho com Have You Made Up Your Mind e All I Wann Do [Is Be With You]. Para a alegria dos nostálgicos, o músico presenteou seu público com alguns temas do The Jam, entre eles That's Entertainment de Sounds Affects [1980].
E se você está animado para o Tim Festival, saiba que Paul Weller apresentando 22 Dreams é, sem dúvida, um show para ser visto e apreciado pelo público brasileiro. Uma pena que, para isso, muitos tenham que desembolsar uma boa grana para comprar ingressos a preços inexplicavelmente absurdos. Vale lembrar que o show de Weller custou, por aqui, € 25, que não chegam a R$ 70.
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sexta-feira, 3 de outubro de 2008

BAM - Barcelona Ação Musical 2008. / BAM - Barcelona Action Music

BAM
PRIMAL SCREAM

THE LONG WINTERS

DAVID BAZAN

O Barcelona Ação Musical trouxe à cidade catalã shows de Primal Scream, Teenage Fanclub e de bandas ainda desconhecidas
por Mauricio Melo - Barcelona, Espanha[30/09/2008]

O BAM, Barcelona Ação Musical, é mais do que um simples festival de música. Já se tornou um autêntico guia para descobrir novas propostas e ainda ter a oportunidade de conferir bandas que fazem parte da história musical. Pop, punk, indie, folk, eletrônico, DJs, jazz, hip-hop, rumba e outras fusões criativas convivem pacificamente em shows gratuitos espalhados pela cidade, que este ainda ano contou com a participação das chamadas salas de shows, casas de shows de pequeno e médio porte como Bikini, L'Apolo. O festival acontece, propositalmente, durante as festividades da Mercè, padroeira da cidade, que este ano, aconteceu entre os dias 19 e 28 de setembro.
Dessa vez houve destaque absoluto para as novas tendências espanholas, usando como tempero alguns nomes da cena internacional. Foi o caso de Krakovia, Russian Red e Primal Scream. Foram mais de 70 apresentações em 13 palcos, com músicos de Estados Unidos, Inglaterra, Cuba, França, Suécia, Finlandia, Canadá, Líbano e Nigéria. Os palcos principais foram o da Antiga Fábrica da Estrella Damm, o do excelente Espacio Movistar e Plaza Real, além de uma noite especial na Plaza del Rey. As propostas emergentes foram acolhidas na Plaza Dels Angels.
A festa começou na quinta-feira com dois shows para aquecer os ânimos. YAS com seu pop-eletrônico cantado em árabe no palco em frente ao Instituto Francês de Barcelona. Em recinto fechado e com vagas limitadas no CCCB [Centro de Cultura Conteporânea de Barcelona], se apresentou o BCNmp7. Porém foi sexta, dia 19, que a festa tomou forma definitiva.
Sexta-feira, 19. A revelação do rock canadense
Na Praza Real se apresentaram Raydibaum, banda local de pop/rock/alternativo, apresentando seu terceiro disco, Manual de Genere Catastròfic [2008], o primeiro da banda cantado em catalão. Em seguida foi a vez do pop/hip hop de Facto Delafé y Las Flores Azules com direito a balões coloridos espalhados pelo palco, bolhas de sabão e até confetes lançados ao público que prestigiou em peso a mais uma banda de BCN.
O terceiro show da noite foi o primeiro [e único] internacional a pisar na Praza Real, Sam Roberts. Praticamente desconhecido na Europa, este canadense chegou disposto a conquistar seu espaço apresentando seu terceiro disco, Love at the End of the World [2008] que foi número um de vendas em seu país após lançamento. Trata-se de uma mistura de rock e folk bem ao estilo norte-americano com temperos de power pop.
Confesso que foi surpresa vê-lo por aqui, pois acompanho este músico desde minha passagem por seu país de origem e jamais havia escutado alguém mencionar seu nome na Espanha, mas para a proposta do BAM a escolha não poderia ser melhor. O público não se rendeu à chuva que insistia em cair, muito menos Sam e sua banda pareciam se importar com meras gotinhas que vinham do céu. O ponto alto do show foi Brothers Down do primeiro EP Inhuman Condition [2002].
Para fechar esta noite o escolhido foi o quinteto Siniestro Total, punk-rock galego [de Vigo] que fez a festa dos muitos punks presentes. Com quase 30 anos de estrada, eles não decepcionaram e provaram estar em forma tocando inclusive sua versão de Sweet Home Alabama para Miña Terra Galega.
Os fãs de hip-hop tiveram uma boa pedida no palco MTV-Fòrum, com as atrações Chacho Brodas, Shotta, Ari e Calle 13 provenientes de Barcelona, Sevilha, República Dominicana e Porto Rico respectivamente.
O Fórum contava ainda com um palco dedicado somente à música eletrônica. Nas redondezas ainda passaram pelos palcos de Fabra i Coats o The Pepper Pots com seu Ska/Reggae e Soul que tem à frente 3 vocalistas e uma excelente banda de apoio. Apesar de serem catalãs, as letras são em inglês. Também passou por este palco La kinky Beat, mais um grupo que mistura tudo, Jungle, Reggae, Rock e por aqui virou sensação underground.
Sábado, 20. Uma dúvida: pra que palco a gente vai? Ah sim, o Primal Scream
Realmente o sábado foi um dia recheado de atrações e com certeza essas tantas boas pedidas foram propositalmente espalhadas para dividir o público. No palco Plaza de L'Odissea se apresentaram Nudozurdo com seu rock/indie proveniente de Madrid cantado em castelhano. Em seguida Camping, excelente banda de rock alternativo de Barcelona [com letras em inglês], apresentando seu trabalho mais recente Politics of Love [2008] e em conjunto vendendo Politics of Hate [2008], um EP que só pode ser adquirido em shows. Ainda houve tempo para (lo:muêso) com seu noise/rock e prestes a lançar seu terceiro disco. São as bandas espanholas crescendo na cena internacional.
Logo ao lado, na Plaza Real se apresentaram Le Petit Ramón Experimenta 3, Love of Lesbian, Los Niños Mutantes e The Automatic. Com exceção do último, todos espanhóis. O The Automatic, do País de Gales, debutavam em Barcelona com seu indie rock apresentando seu recente trabalho This is a Fix [2008]. Porém grande parte do público se concentrou mesmo no palco montado em frente à antiga fábrica da Estrella Damm, onde na verdade ficou o palco principal do festival, que recebeu nesta noite a banda de pop alternativo local Mishima para aquecer os ânimos. Em seguida Antònia Font com seu pop psicodélico, que muitas vezes lembra uma trilha sonora de filme, abriu para a grande atração do festival, o Primal Scream.
Os britânicos já haviam passado por Barcelona fazendo um pré-lançamento de Beautiful Future [2008] no festival Summercase, há dois meses, e deram mais uma vez as cartas para levar o público ao delírio, não somente com músicas antigas como Imperial do álbum Sonic Flower Groove [1987], Movin' On Up do aclamado Screamadelica [1991], Accelerator de xtrmntr [2000], Contry Girl do recente álbum Riot City Blues [2006], tocada a pedidos, mas também deixaram bem claro que a turnê é do disco novo e ejá na abertura lá estavam a faixa título e a empolgante Can`t Go Back, além da dançante Zombie Man e outras um pouco mais lentas como Glory of Love, Beautiful Summer e Urban Guerrilla, provando que apesar dos anos de estrada, esta galera não deixa pedra sobre pedra.
No outro lado da cidade, no palco MTV-Fòrum começava a sessão corujão. Muita gente foi embora após o Primal, mas muitos seguiram para conferir Supersubmarina, pop/indie espanhol, Vetusta Morla com seu rock alternativo madrilenho, o punk rock/glam do Krakovia, também de Madrid. Quem já teve outras oportunidades de conferir ao vivo, sabe que é sempre muito interessante vê-los. Teve espaço ainda para os locais La Casa Azul com seu pop/club retrô.
Domingo, 21. O velho Teenage Fanclub
No Domingo, o que se destacava entre muitas atrações eram os britânicos do The Whip e sua mistura do pop made in Manchester com música eletrônica, numa noite indie/rock que prometia muito no Espacio Movistar. Quem foi a Sala Apolo ver o The Whip presenciou algo mais moderno e dançou bastante, enquanto quem foi ao Movistar conferiu uma noite mais nostálgica.
Apesar de The Last 3 Lines terem feito um excelente show e confirmado o posto de uma das bandas promissoras de Barcelona, os belgas do Sharko não "levantaram" tanto assim o público presente. Ao contrário das suecas Sahara Hotnights, que com seu rock ou powerpop básico, agradaram em cheio, com destaque para a vocalista Maria Andersson, que além da elegância de portar saltos altos e calças bem ajustadas ainda toca sua guitarra com um estilo de dar inveja. Destaque para Cheek to Cheek do recente álbum What if Leaving is a Loving Thing [2007].
Para fechar a noite os escoceses Teenage Fanclub, que de teenagers já não têm nada. O que vimos foi um grupo de cabelos bem agrisalhados tocando, cujo primeiro disco foi lançado há 18 anos. Mesmo assim valeu a pena conferir músicas como Starsing de Bandwagonesque [1991], About You e Mellow Doubt do álbum Grand Prix [1995]. I Need Direction e Dumb Dumb Dumb de Howdy [2000] e até It`s All in My Mind do útimo álbum lançado Man-Made [2005]; Time Stops deste último também marcou presença no setlist. Olhar em volta e ver a multidão cantando, muitos vestindo camisas da banda, é perceber que a história destes escoceses fala mais alto.
Segunda, 22. Ainda tá rolando?
A data quase passa despercebida, não fosse alguns concertos na sala Bikini. Funking Chaos, com seu funk experimental proveniente de Barcelona, foi o responsável por abrir a noite. Jamie Woon da Inglaterra seguiu a noite com seu soul/funk e José James de Nova Yorke com jazz/soul fechou a noite que mais serviu para um relax mental depois de um fim de semana com tantas guitarras e misturas musicais.
Terça, 23. Volta à maratona de shows

Noite de terça-feira e mais uma maratona gratuita de shows. Eram tantas as opções que o público mais uma vez ficou dividido. Com a colaboração da Red Bull Music Academy estava previsto para o palco Plaza dels Àngels o show do brasileiro Ed Motta que, por algum motivo ainda não esclarecido, foi cancelado. Uma pena já que o público brasileiro residente ou a passeio em Barcelona compareceu em peso ao palco montado diante do Museu de Arte Conteporânea.
Entre as estreitas ruas do bairro gótico e atrás da catedral, mais precisamente na Plaza del Rei, se encontrava entre paredes de pedras sólidas de séculos passados um palco mais escondido, onde iria se apresentar Russian Red, uma jovem que aos 22 anos se converteu numa das maiores promessas indie da Espanha, além do American Music Club. Muita gente reclamou que o acesso ao local era espremido e difícil [estava lotado], mas foi muito bem escolhido por dar um ambiente mais íntimo ao show.
Vale lembrar que no festival Primavera Sound, a senhorita Lourdes Hernándes [verdadeiro nome da cantora] não conseguiu dar esta atmosfera a seu show devido às interferências sonoras de outros palcos; era nítida a cara de desconforto da jovem.
Bem próximo dali também estavam outras boas pedidas. De volta à Plaza Reial se apresentaram Pumuky, banda de Tenerife, que deixou muita distorção no ar e os garçons dos restaurantes ao redor com cara igualmente distorcidas. The Secret Society apresentou em show acústico e solo do vocalista , com músicas de seus EPs e do CD Sad Boys Dance When No One´s Watching [2005]; já que o resto da banda por algum motivo [também não esclarecido] não deu as caras.
A terceira atração da noite foi David Bazan, ex-lider da banda Pedro the Lion, que também fez um show acústico. Se manteve por mais de uma hora comandando seu público com sua excelente voz e seu pequeno violão. Não é à toa que é considerado pela revsita Paste como um dos 100 melhores compositores/intérpretes em vida na atualidade. E para fechar a noite na Pl. Reial lá estavam The Long Winters , banda de John Roderick que apesar das conturbadas mudanças de formação vem mantendo a formação atual há algum tempo. Havia uma expectativa muito grande para o show e a chuva que insistia cair desde o primeiro dia de festival não parecia baixar os ânimos dos americanos, levando em consideração que são de Seattle e talvez quisessem ver dias mais bonitos do que o de costume em sua cidade.
A chuva ameaçou e não caiu, mas o show cumpriu as expectativas do público e os longos invernos não decepcionaram. Apresentando músicas como Blue Diamonds, Cinnamon e Stupid do álbum When I Pretend to Fall [2003], Pushover e a honestíssima Honest de Putting the Days to Bed [2006], eles levantaram de vez o público que não deixava escapar uma única palavra das letras; de repente todos viraram fluentes em inglês. Durante a apresentação o grupo ainda promoveu um troca-troca de instrumentos, vocalista vai para o piano, baixista na guitarra, guitarrista no baixo e de quebra a participação mais que especial de David Bazan em uma das músicas.
No fim das contas, o BAM 2008 encerrou suas atividades nesta noite mesmo, embora as atividades culturais na cidade tenham seguido até o último domingo do mês. No dia 24 houve uma queima de fogos já tradicional em Barcelona para celebrar o dia da padroeira da cidade. Algo semelhante à queima de fogos no reveillon de Copacabana, e que por aqui, também pôs um ponto final no belo verão musical que passou.
Também publicado por Revista Paradoxo http://www.revistaparadoxo.com/
Mais fotos sobre o festival em www.flickr.com/photos/mauriciomelo
ENGLISH VERSION.
BAM - BARCELONA ACTION MUSIC
by Mauricio Melo.

The BAM, Barcelona Action Musical, is more than a simple music Festival. Has become a genuine Guide to discover new proposals and still have the opportunity to see bands that are part of pop/rock history. Pop, punk, indie, folk, electronic, DJs, Jazz, hip-hop, Rumba mergers and other creative living peacefully in free concerts spread by the city of Barcelona, it has year with participation of the so-called rooms shows, venues of small and mid size as Bikini, l'Apolo. The Festival is purposely during festivities of Mercé, patron Saint of City, which this year, happened between 19 and 28 September.

This was highlighted for the new Spanish trends, using as a seasoning some names on the international stage. Was the case of Krakovia, Russian Red and Primal Scream. There were over 70 presentations on 13 stages, with musicians from United States, England, Cuba, France, Sweden, Finland, Canada, Lebanon and Nigeria. The main stage were of the former factory Estrella Damm, the excellent Espacio Movistar and Plaza Real, plus a special evening in Plaza del Rey. The proposals emerging were received in the Plaza dels Angels.
The festival began on Thursday with two shows to heat. Yas with your electronical-pop sung in Arabic on stage in front of the French Institute of Barcelona. Indoor, at CCCB [Contemporary Culture Center of Barcelona], the BCNmp7. However was Friday, 19th, that the party has taken.

Friday 19th, the Canadian revelation.
In actual enthusiastic crowds from witnessing stood Raydibaum, local pop / Rock / alternative her third disk, Manual Genere Catastròfic [2008], the first album of the band sung in Catalan. Then was the turn of pop / hip hop Facto Delafé y Las Flores Azules with colored balloons around the stage, soap bubbles and confetti posted at public that sung all the songs with the locals.

The third show of the evening was the first [single] international band in enthusiastic crowds from witnessing Plaza Real, Sam Roberts. Virtually unknown in Europe, this Canadian reached prepared to conquer your space his third album, Love at the end of the World [2008] that was number on of sales in your country after posting. This is a mixture of Rock and folk and American style with some power pop.

I was surprised him here, because I share this musician since my living in their country of origin and had never heard someone mention their name in Spain, but for the proposal of the BAM, it couldn't be better. The public not caved to rain that insisted, much less Sam and his band seemed mind about few drops of water that came from the sky. The highlight of the show was "Brothers Down" of the first EP Inhuman Condition [2002].
To close this evening was chosen the quintet Siniestro Total, punk-rock band from Galícia [Vigo] that celebrate the many punks present. With almost 30 years, they do not disappointed and proved to be in shape, including your version of "Sweet Home Alabama" to "Miña Terra Galega".
The fans of hip-hop had a good options at the MTV-Fòrum stage, with the Chacho Brodas, Shotta, Ari and Calle 13 from Barcelona, Sevilla, the Dominican Republic and Puerto Rico respectively.
The Forum included a stage dedicated only to the electronic music. Still passed by the stage of Fabra i Coats The Pepper Pots with your ska/reggae and soul with the 3 frontgirls and an excellent band support. Despite being Catalan, the letters are in English. Just after past by this stage La Kinky Beat, a group more mixing everything, jungle, reggae, rock and here turned feeling underground sensation.
Saturday, 20. A question: to which stage we should... AH Yes, the Primal Scream!
The Saturday was a day full of attractions and of course these so many good requested were purposely spread to divide the public. In the Plaza de L'odissea mission stood Nudozurdo with your rock/indie from Madrid sung in Spanish. Then Camping, excellent rock band alternate Barcelona [with letters in English], her most recent work Politics of Love [2008] and set selling Politics of Hate [2008], an EP that can only be purchased in concerts. There was still time to (lo:muêso) with your noise/rock and about to launch their third album. Are the spanish bands growing up in the international scene.
As soon as in Plaza Real stood Le Petit Ramón Experimenta 3, Love of Lesbian, Los Niños Mutantes and The Automatic. With the exception of the last one, all spaniards. The Automatic, Wales, debut in Barcelona with your indie rock releasing their recent work This is a Fix [2008]. However much of the public has the same stage mounted in front of the old factory Estrella Damm, where in fact was the main stage of the Festival, which received this evening band pop alternative local Mishima to heat the crowd. Then Antònia Font with their psychedelic pop, that often resembles a soundtrack movie, opened for the great attraction of the Festival, the Primal Scream.
The British had already passed through Barcelona making a pre-release Beautiful Future [2008] in the Summercase Festival, two months ago, and have once again the control of the game to delight, not only with old songs as "Imperial" album Sonic flower Groove [1987], "Movin On Up" from the acclaimed Screamadelica [1991], "Accelerator" from xtrmntr [2000], "Contry Girl" of the recent album Riot City Blues [2006], but also show that the tour is the new album one and since at the opening should the track title and the exciting "Can't go Back", in addition to "Led Zombie Man" and other a little slower as "Glory of Love", "Beautiful Summer" and "Urban Guerrilla", proving that despite the years, they don't leave dust on the stage.
On the other side of the city, on the stage-MTV-Fòrum was session owl. Many people left after the Primal, but many to give Supersubmarina, indie pop / spanish, Vetusta Morla with alternrock from madrid, the punk Rock / glam lipsticks of Krakovia, also from Madrid. I've had other opportunities to see them, and we know that is always very interesting to see them. Had enough space for the local La Casa Azul and their pop / club retro.
Sunday, 21. The known Teenage Fanclub
On Sunday, what excelled among many attractions were the british The Whip the mixture of pop made in Manchester with electronic music, overnight indie Rock / promise in Espacio Movistar. Who went to Apolo to see The Whip checked something modern and very pity, as the ones that went to the Movistar gave a nostalgic evening.

Although The Last 3 Lines have done an excellent show and confirmed the headquarters of the bands promising Barcelona, the Belgian Sharko not "raised the public. We cannot say the same for the sweedish Sahara Hotnights, that with your rock or powerpop basic was powerfull enough to heat the place, particularly the singer Maria Andersson, that in addition to the elegance of her slim fits pants and heel matching still plays guitar with a style to envy. Focus on "Cheek to Cheek" of recent album What if Leaving is a Loving Thing [2007].
To close the night the Scots Teenage Fanclub, which already teenagers have nothing. What we saw was a group of gray hairs playing, whose first album was released there are 18 years. Even so worthwhile give music as "Starsing" of Bandwagonesque [1991], "About You" and "Mellow Doubt" from the album Grand Prix [1995]. "I Need Direction" and "Dumb Dumb Dumb" of Howdy [2000] and "Until it`s all in My Mind" from the last the album Man-Made [2005]; "Time Stops" was in the setlist too. Look around and see the crowd sing, many wearing shirts, is the history of Scottish speech loudly.
Monday, 22. Still around?
The date is almost unnoticed, was not some concerts at the Bikini room. Funking Chaos, with their funk experimental from Barcelona, was responsible for the open night. Jamie Woon from England followed the evening with your soul/funk and José James new York with jazz/soul closed the night that served to a mental relax after a weekend with so many guitars and mixtures.
Tuesday, 23. Back to Marathon shows

Night of Tuesday and another marathon of free concerts. Were so many options that the public once divided. The Red Bull Music Academy was laid down for the stage Plaza dels Àngels the show of Brazilian Ed Motta that for some reason, was canceled. So sad for the Brazilians resident or in Barcelona for visiting were there to the stage mounted in front of the Conterporary Art Museum.

Between the narrow streets and behind the Cathedral on Plaza del Rey, was between the walls of solid stones from the past centuries a stage more hidden, which would present Russian Red, a young singer of 22 years of age has become one of the greatest indie promises of Spain, in addition to the American Music Club. Many people claimed that access to the location was squished and difficult [was] crowded, but it was so give a more intimate to show.
It is worth mentioning that at the Primavera Sound Festival, this little girl Lurdes Hernándes [true name singer 's] could not give this atmosphere at your show due to noise other stages; it was clearly the faces of discomfort.

And just beside were also other good requested. Back to the Plaza Reial stood Pumuky, band from Tenerife, which left a lot of distortion in the air and the waiters of restaurants around with the faces also distorted. The Secret Society presented in show acoustic and just the singer with music EPS and the album Sad Boys Dance When no one´s Watching [2005]; since the rest of the band for some reason [also unclear] did not the faces.
The third attraction of the evening was David Bazan, former leader of the band Pedro the Lion, which also made an acoustic show. Remained for more than one hour commanding your audience with its excellent voice and his small acoustic guitar. That's why he is considered by the Paste magazine as one of top 100 composers/interpreters in life today. And to close the night in PL. Reial there were The Long Winters, band John Roderick that despite trouble changes training is maintaining the current training for some time. There was a forward too large for the show and rain that insisted fall from the first day of Festival not seemed to put down the minds of the Americans, taking into account that are Seattle and perhaps they wanted to see the most beautiful days than the usual in your city.
The rain threatened and has not, but the show has fulfilled the expectations of public and The Long Winters not disappointed. Introducing music as "Blue Diamonds", "Cinnamon" and "Stupid" from th album When I Pretend to Fall [2003], "Pushover" and "Honest" of Putting the Days to Bed [2006], and for a moment everybody in Barcelona all turned fluently in english. During the presentation the group is still promoted an exchange of instruments, singer goes to the piano, bass on guitar, bass guitarist in and break participation more than special David Bazan in one of the music.
Ultimately, the BAM 2008 closed activities this evening, although the cultural activities in the City have followed up the last Sunday of the month. On September 24th there was fireworks already traditional in Barcelona to celebrate the day of the patron Saint of the City. Something similar to the traditional fireworks in the new year's eve Copacabana, and here, also put an end to the beautiful musical summer.



Por trás do Monstro Invisível


O novo clipe d’O Rappa, "Monstro Invisível", dirigido e realizado pelo casal Gustavo Melo e Luciana Bezerra, concorre ao VMB como melhor clipe do ano. Ambos fazem parte da primeira safra da escola de cinema do Grupo Teatral Nós do Morro (RJ). Seus professores, Rosane Svartman (Como Ser Solteiro No Rio De Janeiro) e Vinicius Reis (Saens Pena, a Estação Final).

"Monstro Invisível", o novo clipe d’O Rappa"Monstro Invisível" é considerado pela própria dupla como o milagre mais recente realizado pelo núcleo de cinema. "Foi uma correria, filmamos em apenas dois dias, mas ficou emocionante", contam Gustavo e Luciana. "O clipe ficou bem doc e só foi possível por causa das infinitas parcerias, toda a galera do Nós, a montagem hipnótica do italiano Alessio Slossel". Slossel chegou no Nós há oito anos e ficou no grupo. Contaram ainda com a parceria da produtora El Desierto, que através da amizade do Diretor de Arte, Pedro Rossi, convidaram dois coletivos cariocas de grafiteiros e interventores intitulados "Nacão" e "El Ninho": Gais, BIG, Mateu Velasco e Pedro Rossi. As artes dos cartazes foram interpretações dos próprios para a música "Monstro Invisível": "A banda deu total liberdade, confiou no nosso trabalho". O Rappa já teve três clipes com elenco do Nós do Morro (Minha Alma, O que Sobrou do Céu e O Salto) e agora veio a oportunidade da direção e realização. O diretor de fotografia André Lavaquial é o diretor do curta brasileiro mais badalado em Cannes este ano: "Som e o Resto". O clipe tem as participações de Jonathan Azevedo/Negueba (7 Minutos de Cavi Borges), Kikito Junqueira (Cidade de Deus e Era uma Vez) e Marcelinho Mello (o Sandro, de Ônibus 174, de Bruno Barreto) e foi filmado no Rio de Janeiro, do Centro ao subúrbio, passando por bairros da Nova Holanda, Penha e Brás de Pina.

Sobre Gustavo Melo:Gustavo passou a infância e adolescência no subúrbio da Leopoldina, mais precisamente no bairro de Brás de Pina, onde desde criança devorava quadrinhos. Com o passar dos anos, virou cinéfilo consideravelmente conhecido e reconhecido nas vídeolocadoras do bairro.Pouco mais adiante, seu bairro natal e principal fonte de inspiração até os dias atuais se tornaria pequeno. Somado a alguma resistência familiar, em 1997 foi morar no morro do Vidigal, Zona Sul, para estudar e fazer parte do Núcleo de cinema do Grupo Teatral Nós do Morro, coordenado pelos cineastas Rosane Svartman e Vinícius Reis. Um ano depois passou a dar aula de cinema como multiplicador para jovens e adolescentes. Em 1998 participou do Projeto "Estereótipos", desenvolvido em intercâmbio através da Comunidade Européia com cinco países: Alemanha, Brasil, Colômbia, França e Portugal. Fez parte da equipe de Roteiro e Direção.Em 1999 recebeu o prêmio de roteiro da Riofilme, com o curta-metragem O Jeito Brasileiro de ser Português e fez a sua tão sonhada estréia na direção. Dib Lutfi, o fotógrafo histórico do movimento Cinema Novo fez a fotografia do curta.Em 2000, trabalhou com mais cinco roteiristas no longa metragem Abalou - Um Musical Funk, premiado pelo MINC no concurso de roteiros. Em 2002 fez a adaptação do livro Nação Crioula, de José Eduardo Agualusa, para um longa a ser dirigido por Blisário Franca. Participou de outros curtas como o Mina de Fé, de Luciana Bezerra (melhor curta metragem no festival de Brasília, convidado do festival Clermont-Ferrand de 2004), que também já rodou o Brasil e Europa sendo exibido nos mais diversos festivais.Também ganhou prêmio de Melhor Texto no primeiro Festival Carioca de Esquetes de 2003. Foi um dos seis roteiristas no Workshop de Roteiros para Sitcom, coordenado por Debbie Allen, Michael Ajawke Jr. e Bentley Evans. Teve sua estréia como autor teatral com a peça Biografia (não-autorizada) de uma família. Publicou ainda o conto Dois Irmãos, na Revista Piauí, em dezembro de 2006. Em 2004 foi um dos premiados com o roteiro Picolé, Pintinho e Pipa, no concurso de editais no MINC, realizando assim seu segundo curta metragem em 35mm. Picolé, Pintinho e Pipa recebeu o prêmio ABD&C (1º Festival Visões Periféricas/2007/RJ) e continua sendo convidado no Brasil e no exterior. Trabalhou também em documentários como A Cobra Fumou, além de dar seus primeiros passos em vídeoclipes com o rapper Macarrão e música eletrônica de RRamos.Recentemente, co-dirigiu o filme/documentário (22 minutos) Minha Área, que foi exibido em alguns festivais no Brasil, entre eles o tradicional Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro.O rapaz não parou por aí. Já tem em seu calendário Dia de Visita, roteiro de longa metragem produzido em parceria com Cavi Borges, a ser produzido ainda este ano pela CAVIDEO, e A Distração de Ivan, prêmio de Roteiro pela Petrobrás recebido em 2007, para um curta-metragem a ser realizado ainda em 2008, cujo roteiro teve mais uma vez seu bairro natal Brás de Pina como fonte de inspiração - assim como em outras ocasiões, boa parte das filmagens será feita no local, mais precisamente na casa de sua avó materna, onde passou parte de sua infância.A ida de Gustavo ao Nós do Morro não lhe rendeu somente aventuras cinematográficas. Lá também encontrou Luciana Bezerra, atriz, roteirista, diretora e mãe – e casou-se com ela. Os dois dividem sonhos, frustrações, realizações, idéias e um filho.


O LINK PARA VISUALIZAR A VERSÃO OFICIAL DO CLIPE NO YOUTUBE É ESTE - http://br.youtube.com/watch?v=C1jrGzvpodU

God Save The Kings!

Foto tirada durante o festival Summercase Barcelona 2008 - Mauricio Melo

God Save the Kings!
Kings of Leon Lançam quarto disco e conquistam o Reino Unido
por Mauricio Melo - Barcelona, Espanha[24/09/2008]

Desprezados por parte da imprensa, mas elogiados por um grande público. É com esse estigma eterno que o Kings of Leon apresentam, no próximo dia 23 de Setembro, seu quarto disco, Only by the Night [2008]. A família Followill, nativa de Nashville (Tenessee - EUA), enfrentou grandes desafios para finalmente conquistar o Reino Unido: deixar para trás a sombra dos Strokes, manter assombrado seus leais seguidores, provar que não faz mais shows por pura diversão e esbanjar altas doses de profissionalismo, como fizeram em Barcelona no festival Summercase e em Glastonbury, onde foram headliners.
Mas antes de chegar ao atual estágio, a banda passou por diversas transformações. Com Youth and Young Manhood [2003], ela deu seu tiro de partida que culminaria em Aha Shake Heartbreak [2005] – o álbum levou-a a ser convidada de honra na turnê do U2. Na seqüência, Because of the Times [2007] deu mostras de um rock moderno com pinceladas que iam do punk ao progressivo, apresentando uma banda mais madura. Por fim, Only by the Night. O álbum foi gravado em somente um mês e meio, na própria Nashville, e parece trazer maior concretude nas idéias e um som mais amplificado.
Qualidade que se reflete na procura por ingressos. Em Glastonbury a banda tocou para mais de cem mil pessoas, nos os próximos meses está com uma turnê marcada para grandes estádios no Reino Unido. É possível que nem eles imaginassem tamanho reconhecimento em tão pouco espaço de tempo. O sucesso provavelmente foi ocasionado por Because of the Times, um marco para a banda que a transportou do chamado rock de roça para os grandes palcos.
De todo modo, nem tudo é tão simples e glorioso para os sulistas. Em seu próprio país, o reconhecimento ainda não chegou – e talvez ainda demore um pouco. Mesmo que seja grande o acesso a boas bandas e movimentos culturais, boa parte dos norte-americanos ignora este privilégio. Alguns só se tornam grandes depois de serem reconhecidos na Europa. E pelo andar da carruagem, os Kings parecem realmente ter intenções de conquistar de vez o velho continente, embora não tenham desistido ainda de seu país de origem.
Com relação ao novo disco, analisado a partir de algumas faixas antecipadamente lançadas para iPods, é visível a evolução musical dos ex-caipiras. Closer abre o disco e dá a nítida sensação de se escutar uma continuidade de Because of the Times, com um perfil mais progressivo e moderno. Na seqüência, Crawl é um petardo com uma sonoridade de guitarra e baixo – são zumbidos que lembra o U2 quando deixou de lado seu rock 80's e apresentou ao mundo Achtung Baby [1991]-, mostrando que o convívio ensina muitas coisas e os Followills não são tão matutos quanto pareciam. A terceira faixa, single no mundo inteiro e que chegou a primeiro do ranking europeu, é Sex on Fire. Talvez seja um único sopro do antigo Kings of Leon, lembrando as músicas de Aha Shake Heartbreak com uma roupagem mais moderna.
Se já não o é, Use Somebody será o novo hit do disco. Acerta em cheio, é pegajosa e dá margens para o coro de fundo da multidão em um show. Outro exemplo da já citada evolução é Manhattan, que adiciona som de castanholas para decorar a canção. Seguindo o formato da faixa anterior, Revelry tem uma definição muito básica, bonita letra [até certo ponto inocente] e certa beleza na simplicidade de como é tocada, mais puxada para o pop. Não fosse cantada com o forte sotaque sulista de Followill, poderia causar um efeito muito diferente.
17 segue misturando pop, rock e, com uma introdução ao som de sinos, dá o tempero setentista que a banda vem utilizando com freqüência – vale lembrar que em recente apresentação no citado festival Summercase, o grupo utilizou No Quarter do Led Zeppelin como introdução. Em Notion, ao invés de sinos utilizam piano, dando mais uma mostra de maturidade musical. Be Somebody, por mais que pareça absurdo e não encaixe com o perfil do grupo, é praticamente uma música post-punk, com baterias tribais que muitas bandas utilizaram nos anos 80 [citaria Cure entre elas], riffs de guitarras e baixo marcado lembrando bastante duas bandas de uma única formação: Joy Division e posteriormente New Order [a primeira no decorrer da canção e a segunda no refrão].
I Want You e Cold Desert são as músicas mais extensas do disco, a primeira antes de Be Somebody, que apesar de lenta tem tom animado. Cold Desert fecha o disco em tom de despedida, lenta, arrastada mas sem se tornar chata.
Os fans mais antigos podem até torcer o nariz, porém era inevitável que a mudança acontecesse. Quando surgiu, a banda tinha muito potencial, mas um conhecimento cultural e musical até certo ponto limitado. Ao sair pelo mundo excursionando com grandes bandas e tendo a oportunidade de devorar novas culturas, ela naturalmente avançaria o feijão-com-arroz. A mudança não se reflete somente na música da família Followill. No último fim de semana, ela tocou no Saturday Night Live e em nada lembravam aqueles meninos caipiras, com camisas xadrez, jeans esfarrapados e barbas por fazer.
Talvez o Kings of Leon tenha sido injustamente taxado por participarem de uma geração que surgiu em meio a bandas como The Strokes e The White Stripes. Também influenciou certo preconceito, por serem uma banda sulista [coisa comum nos Estados Unidos]. Mas se as bandas citadas perderam um pouco de força, apesar da incontestável qualidade, o Kings of Leon seguiu caminho oposto, principalmente na Ilha Cinzenta – como é chamada por aqui o Reino Unido.
Only by the Night tem como datas oficiais de lançamento 22 e 23 de setembro, a primeira no Reino Unido e a segunda mundial. Além de algumas músicas já disponíveis no MySpace da banda, boa parte já vazou na web. O disco que prometia um retorno às raízes na verdade é uma mistura de tudo que já fizeram: tem algo dos dois primeiros melhor elaborado, fazendo o perfil do trabalho anterior. God Save the Kings!
Também publicado em Revista Paradoxo www.revistaparadoxo.com
Mais fotos sobre os Kings of Leon - www.flickr.com/photos/mauriciomelo