1º dia - Sexta-feira 17/06
Pelo segundo ano consecutivo, chegamos até Clisson, França, para cobrir o Hellfest. Festival este que vem se tornando referência na Europa quando se trata de música extrema. Como previa a meteorologia, logo na abertura do festival uma boa chuva (e frio) serviu para reavaliar nossos planos. Nossa jornada que deveria começar as 11:40 da manhã, se deu início uma hora mais tarde, num rápido show do Malevolent Creation que mais valeu para proteger da chuva por terem tocado na "lona" da Rock Hard do que pelo show em si. Não distante dali conferimos oChurch of Misery, que definitivamente coloca o Japão no mapa da música pesada. O "fato" ocorreu no palco Terrorizer, outra lona coberta, e quem lá esteve não se arrependeu, foi arrepiante! Entre esta apresentação e o The Damned Things, banda composta por integrantes do Anthrax, Fall Out Boy e Every Time I Die, tínhamos previsto nosso Krisiun que não chegamos à tempo por pequenas imposições feitas pelo festival, quando queríamos realmente registrar em imagens um concerto, tínhamos que fazer fila para não ficar de fora da barricada e muitas vezes o tempo da fila era o show do palco ao lado que abríamos mão e desta maneira reduzimos a dimensão de nossa cobertura.
O The Damned Things que decepcionara em Barcelona dias antes, talvez o fato de Scott Ian ter deixado a turnê repentinamente por uma emergência familiar, tenha feito a banda descarrilhar por uns dias, mas no Hellfest o show foi maiúsculo, hard rock dos bons, pesado, com riffs, refrões pegajosos e quando finalizaram com "We've Got a Situation Here" nos lamentamos que o show tenha sido tão curto, 10 músicas ou 40 minutos, tempo do disco Ironiclast. Para o primeiro encontro com o palco principal 1, tivemos The Cult e um Astbury fisicamente irreconhecível. O frontman outrora vaidoso, exibe barba, cabelos compridos e uma boa barriga. Já musicalmente continua se entendendo muito bem com Billy Duff. Brindaram o público abrindo a apresentação com "Rain" e o resto já podem imaginar como foi, "Sweet Soul Sister", "She Sells Sanctuary", "Love Removal Machine"...
Mostrando o outro lado da moeda, no palco principal 2 estavam The Exploited e um início avassalador com "Let's Start a War" como cartão de visita de outros clássicos como "Troops of Tomorrow", "Fuck the USA", "Cop Cars" e até "Beat the Bastards", além do primeiro mosh-pit da tarde.
Na seqüência conferimos o projeto que deu "certo", Down. Um público dedicado e um grupo mais entrosado do que nunca, talvez esteja vivendo seus melhores dias no que se trata de apresentações ao vivo, com um Phil Anselmo em forma e riffs matadores de Pepper e Kirk.
Previsto para encerrar o dia, Iggy and Stooges anteciparam sua apresentação. Uma vez mais o público ficou boquiaberto ao ver Iggy em plena forma física com seus sessenta e tantos anos de idade, um verdadeiro showman. Dançando e chamando para dançar, descendo constantemente ao público e liderando clássicos como "1969", "Search & Destroy" e claro, "I wanna be your Dog".
Se por um lado a Terrorizer recebia o Clutch o palco principal teve a oportunidade de ver o retorno do Morbid Angel aos palcos lançando seu Illud Divinum Insanus, numa das apresentações mais brutais da noite.
Entre enfrentar uma fila descomunal para o Rob Zombie que acabou encerrando apresentação 25 minutos antes do previsto e ir ao Melvins, ficamos com a segunda opção. Ao ver os integrantes do Down "rolando" de alegria ao fundo do palco, tivemos a sensação de estar no lugar certo. Para fechar a noite de um dos dias mais rock da história do Hellfest, assistimos ao bom show do Monster Magnet.
2º dia - 18/06
Nossa primeira missão para o segundo dia de Hellfest foi o Shai Hulud com um competente show, já que o Your Demise e Whiplash tocaram ainda de manhã. OHammerfall também marcou presença, e mais adiante o bom punk-rock do Raw Power. Quem também levantou poeira e agitou bem o público foi o Municipal Waste, na seqüência podemos conferir de perto o Thin Lizzy. Por algum motivo oUS Bombs não entrou no horário previsto e sim vinte minutos antes do Terror, o que acabou confundido parte do público que queria assistir uma banda ou outra. Nos restou a espera pelo Comeback Kid e seu pefeito show. Apresentando músicas de seu último trabalho Symptons + Cures e petardos como "G.M. Vincent and I" e "Do Yourself a Favor", além das que já conhecemos como "Wake the Dead" ou "False Idols Fall", os canadenses demonstraram que já não se trata de uma banda de kids e que construíram uma boa reputação.
O Sodom também esteve no festival e nós assistimos a uma certa distancia já que estávamos na fila para o Black Label Society, para uma barricada de nada menos 50 fotógrafos. Conferimos de perto o que Zakk Wylde e seus irresistíveis riffs em "Crazy Horse" e "Overload" nos oferecia. Foi uma oportunidade de luxo assistir a Wylde ainda sob a luz do dia. Uma pena que encaixaram o D.R.I. no mesmo horário, o que dividiu o público mas quem correu até o palco pequeno ainda teve a oportunidade de vibrar com "Violent Pacification" e "Five Year Plan", entre outras.
A mesma impossibilidade e limitações nos tirou do Kreator, que por sinal parece ter recuperado sua reputação perdida há anos atrás, um show impecável.
O Terror também aprontou das suas com seu novo disco Keepers of the Faith, já podemos colocar a musica "You're Caugh" ao mesmo nível de "Better off Without You" ou "Keep Your Mouth Shut", tamanha aceitação. No mesmo palco Terrorizer e sem deixar a poeira baixar, o Converge entrou como uma metralhadora giratória com "Dark Horse". A apresentação do grupo fica marcada não só pela brutalidade musical mas também pela performance em palco de seus integrantes. Desfilaram também hits e riffs de discos como Jane Doe e No Heroes.
Para finalizar esta noite, um dos grupos mais esperados do dia e porque não do evento, Bad Brains. Por algum motivo integrantes de outras bandas não podiam ficar no palco, porém ninguém se rendeu, ao lado, junto aos seguranças todos se derretiam com "Salling On", "I Against I", "Attitude" e todas que queríamos escutar. O mais impressionante? A humildade de seus integrantes que agradeciam ao final de cada música o comparecer do público, na verdade nós que agradecemos pela oportunidade de vê-los.
Terceiro dia 19/06
No terceiro e último dia de festival, após conferir uma tarde de autógrafos com oCavalera Conspiracy vimos de perto um ex-Guns N' Roses e Velvet Revolver,Duff McKagan's e seu projeto Loaded. Um hard rock de qualidade mas desconhecido do grande público. Seu ex-companheiro Slash, jogou com melhor maestria no ano anterior quando tocou músicas de seus ex-grupos junto a seu atual lançamento, levando o público ao delírio. Duff não fez o mesmo e apesar da competência passou um tanto desapercebido.
Já com o Cavalera Conspiracy a coisa foi diferente. Tanto músicas do recém lançado Blunt Force Trauma quanto os clássicos do Sepultura foram recebidos com euforia pelo público. Além disso tivemos uma jam em família em Cockroaches do Nailbomb em que seu filho, desta vez empunhando uma guitarra e um cabelo moicano "destruiu" no palco, Max teve até que dar um "puxão" de orelha no moleque para baixar um pouco a bola, um pouco mais e o adolescente sairía dando porradas com a guitarra do pai nos outros e quebrava tudo. Sensacional!
Judas Priest fez um bom show, levando em consideração que suas últimas apresentações pelo continente não havia agradado. Desta vez não faltaram clássicos e movimentação no palco de Halford com "Break the Law" e claro "Painkiller", que não vem aparecendo em todas apresentações da banda. Para o bis, a tradicional entrada de Halford de Harley e "Freewheel Burning".
Porém, já quase no fim de nossa jornada e para nossa última visita ao palco principal, Ozzy. A recomendação especial era para que protegessemos o equipamento e se possível utilizar capa de chuva, já que o madman parecia estar sofrendo de alguma esclerose e estar atacando os outros com água. Bem, brincadeiras à parte, a verdade é que Ozzy fez um show mágico como já se esperava. O que não esperávamos era o banho, que não foi de água e sim de espuma de barbear ou algo similar, o próprio Ozzy, na segunda música saca uma metralhadora de pressão de abre espuma contra o público, fotógrafos e até mesmo seguranças, salve-se quem puder, teve gente virando boneco de neve. Ir ao show do Ozzy é viajar no tempo com "Bark the Moon" e os clássicos do Black Sabath "War Pigs", "Iron Man" e porque não, "Paranoid". O setlist também foi completo com "Mamma I Coming Home" e "Mr. Crowley" entre muitos outros. Estar num show destes é um privilégio e tão bom que a uma hora e meia do madman no palco passou voando.
Não acabou por aí. Com um estratégico atraso, o Kyuss Lives! esperou o fim da apresentação de Ozzy para o início da sua, e desta forma compactar mais a lona Terrorizer. Os americanos fizeram um show impecável, e para aqueles que acham que Kyuss não pode existir sem Josh Homme, o único integrante a não estar no grupo, o trio Garcia, Olivery e Bjork, com a ajuda de novo guitarrista Bruno, justificou a responsabilidade de fechar com chave de ouro este festival com tantos nomes consagrados. Arriscaria a dizer que além do ouro na chave, ainda colocaram umas pedras de diamante, para dar mais brilho em músicas como "Green Machine", "Thumb" e "Hurricane". A poeira local, as luzes vermelhas utilizadas no palco, o suor, apesar do frio e a emoção deram o clima de desert rock que muitos associam ao grupo. A palavra Lives! Junto ao nome de um grupo nunca foi tão bem encaixada, Kyuss está vivo e muito. Foi um autêntico show de rock.
Entre muitas limitações da organização, a que mais preocupa e desanima são as filas para a barricada de fotógrafos. Em alguns momentos temos que decidir entre estar na fila para um artista ou abrir mão para assistir outro. Algumas vezes, mesmo estando na fila, a barricada chega a seu "limite" (também imposto por eles) de 75 fotógrafos, fazendo com que algumas pessoas percam tempo na fila e ainda assim fiquem de fora. Sair de casa, viajar 960km, acampar, enfrentar chuva, etc, para ir a um evento passar mais tempo em filas do que disfrutando do mesmo, é preocupante.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
BAM - Barcelona Acciò Musical 2012 c/ The Dream Syndicate, The Kooks e mais 23/09/2012 - Vários - Barcelona/Espanha
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| The Kooks - BAM 2010 |
Uma vez mais comparecemos a festa de despedida do verão. Bem, não é bem assim, mas é assim que muitos encaram. Dia 24 de Setembro é dia da Mercè, padroeira da cidade e que se celebra com dias de antecedência com festas, comidas e danças tipicas, desfiles e muita música ao vivo. O BAM é um festival que se realiza dentro destas festividades e que a cada ano apresenta o melhor da música nacional, algumas novidades e outras poucas (e boas) atrações internacionais. Tudo de graça já que é bancado pela prefeitura, algo como a Virada Cultural de São Paulo.
Para abrir as celebrações local, Nora Jones visitou o palco da Praça Reial um dia antes do inicio do Festival, não como pertencente do mesmo mas sim como parte das festividades. Não estivemos lá mas vale o comentário da presença da cantora.
Mas para a abertura oficial do BAM não podíamos faltar. De cara, abrindo a noite de Sexta-Feira os espanhóis do '77 (Seventy Seven). Por um momento surgiu a dúvida se estávamos ou não no palco correto mas a julgar por centenas de camisas do AC-DC na fila do gargarejo confirmamos que ali seria nosso encontro.
Particularmente já tinha captado comentários desta banda e que faziam um perfil rock and roll setentão porém com grande influência dos australianos citados acima e o que podemos afirmar é que tais comentários não estavam equivocados.
O quarteto, vestido à carater com suas calças boca de sino, camisas ajustadas no corpo e cabelos compridos poderia tranquilamente passar por um cover de qualquer banda hard-rock mas decidiram mesmo fazer suas proprias canções como "Gimme Rock and Roll" ou "Big Smoker Pig". Destaque absoluto para o guitarrista solo, que assim como Angus dá um show à parte ainda que Young seja incomparável, pelo menos vale a pena a inspiração.
Em seguida tivemos Howlin Rain. Banda que apresentou todos seus acordes de grande influência da costa Oeste americana dos anos 70 com seu rock psicodélico e muita melodia, além de solos de guitarras impressionantes de Ethan Miller. Um bom público acompanhou de perto a performance dos americanos ainda que grande parte do mesmo estava ali por curiosidade.
Para fechar a noite tivemos o The Dream Syndicate, que junto a Velvet Underground, Stooges e até mesmo R.E.M. são considerados os fundadores da música alternativa conteporânea. A banda está na ativa desde os anos 80 e presenteou o público com seu rock básico, com baixo marcado e solos de guitarra em músicas como That's What You Always Say.
Apesar dos grandes músicos terem se apresentado na Reial e diante de um público mais curioso que dedicado, a grande festa ficou, como sempre, para o palco da Antiga Fabrica da Estrella Damm (cerveja). Normalmente este palco é reservado para bandas que no momento atraem grandes multidões ou as que já tem nome gravado na história como Primal Scream, The Hives, Public Enemy e Asian Dub Foundation. Este ano a grande festa ficou por conta dos catalães Love of Lesbian, que levou ao delírio o público local. Jogando em casa e diante de sua torcida era jogo ganho antes do primeiro acorde e assim foi até o último.
Para encerrar a noite e nossa participação, lá estavam os britânicos The Kooks. O ambiente era o que qualquer um pode imaginar. Jovens histéricas com cartazes nas mãos pedindo de tudo, desde um simples beijo até o que podemos imaginar no nosso mais intimo. Abriram com a acústica "Seaside", desfilando desde o inicio hits como "Sofá Song" e dando a noite o tempero de festa iniciado horas antes com a banda local e não deixando a peteca cair com "See the World". A loucura era tanta que foi impossível sair do fosso dos fotógrafos e nos contentamos com uma brecha na lateral do palco. Ainda deu para conferir de perto "Ooh La" e "She Moves in Her Own Way" (hitzinhos).
Após pouco mais de uma hora os britânicos se despedem de Barcelona e nós do festival. Apesar de ainda existir uma terceira jornada no Domingo já que na Segunda era oficialmente o feriado, nos retiramos para um bom descanso.
Enviado por Mauricio Melo
Confira fotos desse show, por Mauricio Melo:
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| Howlin Rain - BAM 2012 |
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| '77 - BAM 2012 |
Du Baú - A Place to Bury Strangers entrevista.
A Place to Bury Strangers - New York
O final da década de oitenta trouxe a decadência do new wave e a explosão das bandas de Manchester um novo movimento que arrombou portas, tímpanos e que por algum motivo, ou atropelado pela avalanche grunge, ficou soterrado e quase esquecido. Este quase esquecido foi o suficiente para dar nova vida ao shoegaze atual, principalmente com o reaparecimento de My Bloody Valentine aos palcos.
Como naquele final de década,muitas bandas seguiram o rastro do MBV e agora não poderia ser tão diferente. A sensível diferença é que a influência deixada pela banda e seu mítico álbum Loveless fez com que uma nova geração antecipasse esse ressrgimento do shoegaze e não seguissem a trilha simplesmente.
Como naquele final de década,muitas bandas seguiram o rastro do MBV e agora não poderia ser tão diferente. A sensível diferença é que a influência deixada pela banda e seu mítico álbum Loveless fez com que uma nova geração antecipasse esse ressrgimento do shoegaze e não seguissem a trilha simplesmente.
Entre os novos nomes está A Place to Bury Strangers, um trio do Brooklyn que já leva o título de banda mais barulhenta da cidade e já avisam:"A cena atual no Brooklyn já não possui clichês, sem essa de que é para rappers e com todo respeito a outras cenas do mundo como Barcelona, Londres, Rio ou São Paulo, mas Nova Iorque é o lugar". A banda, formada por Oliver Ackrmann (guitarra/voz), Jono Mofo (baixo) e Jay (bateria) não apresenta nada de revolucionário. Utiliza a fórmula de camadas sobre camadas de guitarra para dar a atmosfera psicodélica e barulhenta nas canções.
O único diferencial é que Oliver Ackermann cria seus próprios pedais de efeitos, o que dá ao som da banda algo mais personalizado e ao dizer aos rapazes que era notável influências como Cure, Bauhaus e até Sisters of Mercy fui quase carregado nos braços por não compará-los ao Jesus and Mary Chain, que é a comparação mais lógica e direta que a banda recebe, porém deixaram bem claro que nenhuma comparação incomoda e assumem tais influencias; "eram as bandas que escutávamos antes de começar a nossa".
De uma maneira geral, a banda não parece muito preocupada com o amanhã. A postura mais se assemelha a uma banda punk, deixando claro que planos nem sempre saem como desejam. O trio passou por Barcelona três vezes e já tem uma quarta data marcada. Conferimos de perto tais apresentações e até trocamos as tradicionais perguntas por respotas e os melhores momentos desta entrevista você confere agora.
Enquanto preparava o gravador numa mesa de bar onde o garçon estipulava um mínimo a ser consumido, começamos a entrevista de outra forma, acabei sendo surpreendido por Oliver com a primeira pergunta. Como um antigo conhecido perguntava como estavam as coisas em Barcelona e queria saber um pouco mais do Brasil e da Espanha, essas curiosidades e outros detalhas vocês conferem agora.
Nos encontramos pela primeira vez no Primavera Sound 2008 e desde então a banda vem tocando praticamente todos os dias do ano. A pergunta é óbvia, quando e onde encontraram tempo para trabalhar o disco novo, Exploding Head, podería nos dar detalhes das gravações?
Tivemos dois meses de "férias" e aproveitamos este momento para gravar o disco. Algumas canções já vinham sendo compostas enquanto estávamos em turnê. Temos um amigo com um estúdio que acabou nos sedendo naquele momento. Tivemos tempo para trabalhar com tranquilidade. Algumas músicas foram finalizadas nesta época, outras trabalhadas durante uma sessão de rádio que tivemos a oportunidade de fazer e o restante do material foi arrematado em dias. Inclusive algumas músicas foram feitas uma semana antes de terminarmos as gravações. Tudo dentro destes dois meses que afinal de férias não tiveram nada, trabalhamos bastante.
É curioso escutar isto, porque estivemos com o Art Brut há uns meses atrás e nos contou exatamente o contrário, que o terceiro disco saiu melhor por não compor na estrada e ter mais tempo para trabalhar...
Bem, não podemos levar ao pé-da-letra quando dizemos que o disco inteiro foi feito em dois meses. Sempre estive envolvido com gravações. Durante todo este tempo, entre o primeiro disco e o segundo vinhamos gravando coisas, ainda que não fossem as músicas em definitivo. Sempre se grava algo experimental, um solo ou um riff. Tudo isto ficou guardado para quando tivéssemos este tempo livre, e pudéssemos trabalhar com tranquilidade. O mesmo aconteceu com uma banda que tive antes, foram dois anos trabalhando todos os dias, sempre criando, gravando e regravando, mixando alguma coisa. Mas também acho que muitas músicas ficam boas a base do improviso e feitas no último momento, até porque quando se tem um projeto na cabeça e por mais que não tenha nada gravado sabe exatamente o que fazer e tudo funciona muito bem.
Já que tocou no assunto, vamos voltar as raízes e sua antiga banda? Conte-nos um pouco sobre seu início?
Claro, Skywave era o nome desta banda e acabou exatamente quando me mudei para o Brooklyn. Nesta época, nenhum membro do Skywave estava muito a fim de fazer shows. Estavam mais interessados em tocar musica para eles mesmos. Éramos muito amigos e foi difícil deixá-os, até porque musicalmente nos encaixavamos muito bem. Tudo era muito bom mas quando se está em Fredericksburg, Virginia, e só existem umas 5 pessoas que valem a pena na cena musical de sua cidade as coisas podem não ser tão legais. O que queria mesmo era tocar todos os dias e estar em constante progresso com meus projetos e a cidade não me favorecia. Então me mudei e agora estou aqui com vocês.
O primeiro lançamento de vocês foi praticamente uma coletânea de EPs. Podemos considerar que Exploding Head é o primeiro disco oficial da banda?
Não sabemos ao certo. Venho tocando este tipo de música há muito tempo e podemos dizer que o primeiro álbum foi um projeto a longo prazo. Você pega cada um, coloca novas idéias e trabalha o melhor que pode em cima das mesmas e daí podem sair centenas de outros projetos. Com Exploding Head foi diferente, tinhamos mais idéias, trabalhamos em cima delas com o objetivo único, então podemos considerar que este é oficialmente um primeiro álbum.
Algum motivo especial para trabalhar com Andy Smith na produção?
Foi produzido por mim e Andy Smith. Ele nos ajudou mais no final da produção, quando gravamos as vozes. Ele também nos ajudou em alguns dos EPs antigos e já nos conheciamos. Porém desta vez trouxe toda uma acessibilidade pop diferente da que estávamos acostumados e de coisas que realmente não conseguiria fazer sozinho. Foi um dos responsáveis ao resultado final do álbum e foi satisfatório.
As letras também estão mais trabalhadas já que podemos perceber e escutar melhor sua voz, alguma inspiração especiap para as mesmas?
Bem, podemos dizer que é uma combinação de todas estas coisas. As vezes atravessamos maus momentos em nossas vidas, todas as coisas ruins parecem acontecer ao mesmo tempo e algumas pessoas acabam encontrando aí inspirações para compor. Também pode acontecer ao contrário, estarmos atravessando um momento maravilhoso e estarmos inspirados para seguir com o trabalho. Ao final é uma mistura de emoções muito fortes e tanto faz se as coisas ruins acontecem em Nova Iorque ou em qualquer lugar, se o momento não é bom para você...acaba sendo um pouco como na música "Dead Beats". Tudo isso faz parte de nossas vidas e a minha não é diferente.
Também não podemos negar que livros ou filmes podem te influenciar em alguma coisa mas particularmente nunca fiz algo direto sobre um livro, nada temático. Muitas vezes você descobre sua vida refletida em outras vidas ou através de algum personagem de livro, lê histórias incríveis mas que de fato já é criação de outro autor. Acho que não temos nada que tenha sido diretamente influenciado por um livro. Acredito que "Exploding Head" é um disco de experiências bastante pessoal, é uma combinação de coisas que vem acontecento comigo em especial durante alguns anos, coisas do dia-a-dia. A vida é uma inspiração.
Como foi estar no Reading e Leeds Festival em 2009?
Bem, foi incrível e uma honra tocar em festivais tão tradicionais como estes mas tocamos num dia que o line-up não fazia muito nosso perfil, como o Fall Out Boy e todas estas bandas miseráveis (risos). Não posso negar que passei bons momentos e conheci muita gente mas poderíamos ter tido outro público. Foi legal num modo geral, ao menos encontramos o Black Lips que também estava "perdido" naquele dia. Esperamos ser convidados novamente.
Alguma banda ou disco recente que merece destaque?
Difícil relacionar algo, existem muitas influências mas ultimamente venho escutando discos de bandas muito desconhecidas. Pessoas que vou conhecendo quando estou em turnê e que acabam trocando discos com a gente, nenhuma banda grande no momento chama atenção.
Como estão seus projetos com a eletrônica, seus pedais personalizados e também sua empresa, Death by Audio? Parece que você tem ótimos clientes. Como foi o início desta empresa?
Funciona muito bem no momento, como você mesmo disse já é uma empresa e não mais um projeto. Por questões óbvias não trabalho nela como antes, existem pessoas que trabalham para mim mas ainda responsável pelos designs dois pedais. Também respondo perguntas, ou melhor, tiro dúvidas quando alguém quer informações mais concretas sobre os pedais. Sim, tenho alguns bons clientes como Wilco por exemplo.
Iniciei a empresa porque queria encontrar novos sons para minha guitarra. Comecei a fazer experiencias sem ter a mínima idéia do que podia acontecer e demorou uns dois anos até conseguir algo e neste tempo estraguei algum material. Antes da nossa primeira viagem para Europa estava focado nisto, queria ter pedais que ninguém tivesse. Nem tinha idéia de ter uma empresa de pedais mas acabou dando certo. Na época escrevi um artigo sobre meu primeiro pedal, Total Sonic Annihilation e enviei para Harmony Central que é a comunidade numero um dos músicos na internet. Fiz umas cópias do artigo e distribui pelas lojas de intrumentos, daí começou tudo.
Um pouco do dia-a-dia da banda, ou pelo menos aqui em Barcelona que vocês tocaram por dor dois dias seguidos e tiveram um pouco mais de tempo livre...
Sim, normalmente viajamos a Europa inteira mas não conhecemos nada porque a cada dia estamos em uma cidade e mal dá tempo de dormir. Desta vez visitei um museu, almoçei num restaurante e até fiz a tradicional "ciesta" espanhola.
Falando um pouco do futuro real, saindo de Barcelona já em ritmo de fim de ano, quais os planos para 2010?
Bem, os últimos shows do ano são na Inglaterra e estamos anciosos para estar lá e depois descansar também. Sairei de férias familiares com meus pais e irmão, vamos a Jamaica passar uns dias, escapar do inverno e da realidade.
Se acontecesse da banda passar pelo mesmo processo do Nirvana, sair do Underground e chegar ao sucesso da noite para o dia mesmo sem ter vontade de fazê-lo, por mais que esta comparação pareça absurda, estariam prontos para lidar com tal coisa?
Acredito que sim porém não tenho nenhuma ilusão de que isto aconteça conosco. E se acontecesse acredito que seria de outra meneira e com certeza não me daria um tiro. Espero ter nossa própria história e possivelmente eles (Nirvana) também tiveram a mesma opinião no início de tudo, nunca imaginaram que poderiam ser o que foram ou que são.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
The Bronx IV Interview.
Resurrection Fest 2012 04/08/2012 - Resurrection Field - Viveiro, Espanha
Para o leitor ou internauta que acompanhas nossas aventuras pelo velho continente, sabe que este ano, por motivos de saúde, foi impossível nossa presença no Hellfest. Para compensar optamos pelo Resurrection Fest, um festival que vem crescendo a cada ano e em sua sexta edição apresentou um cartaz que, no mínimo, podemos chamar de histórico. O festival que é realizado em Viveiro, uma cidadezinha galega, onde o verão parece passar distante já que pelas noites o casaco se torna necessário para suportar um fresco doze graus de temperatura.
Vale lembrar que, o festival surgiu no ano de 2006 quando os jovens locais tentaram encaixar dentro da programação das festas de Viveiro um show do Sick of it All. Ideia esta que foi apoiada pelo prefeito e que se chamaria Viveiro Summer Fest. Dois dias antes do show, que seria gratuito, os nova iorquinos cancelaram por doença de um dos integrantes. Muitas criticas e frustração foram ouvidas e sentidas, muita gente até achou que tudo não passara de um grande boato. Tudo isso serviu de combustivel para que meses mais tarde, num recinto fechado, surgisse a primeira edição do festival com os mesmos Sick of it All e Walls of Jericho. Isso mesmo, o Resurrection teve em sua primeira edição duas bandas gringas e alguma local como abertura. Devido ao sucesso as edições foram crescendo e por estes passados 6 anos bandas como Down, Pennywise, Misfitis, Napalm Death, Bring Me The Horizon e muitos outros marcaram presença em Viveiro. Destacando a melhor combinação qualidade preço com relação a outros festivais de verão na Europa, apenas 55 Euros num total de 64 apresentações. O que também chama atenção é a quantidade de jovens que vão subindo ao trem ao longo do trajeto que te leva até Viveiro. Sim, um trecho da viagem tem que ser feito de trem, destes que passam por estreitas pontes em meio de vales de natureza quase virgem, alguns com somente algumas vacas no pasto. A cada estação, subia uma dezena de jovens que tem o Resurrection como única salvação para realizar seus sonhos de assistir suas bandas favoritas, afinal, que grupo tocaria numa cidade com apenas 2 ou 3 mil habitantes?
Após uma viagem que parecia eterna chegamos ao Resu! como é intimamente chamado por aqui. Tudo bem básico mas o suficiente para não se complicar. O evento é montado em um campo de futebol, em um lado (onde fica uma das balizas) o palco Monster. No outro uma lona de boa capacidade com o Palco da Jagermeister, além de um pequeno palco a Arnette para apresentações acústicas de algumas bandas e outras tantas de bandas pequenas. Fora das quatro linhas uma gigante lona com o merchandising, banheiros, restaurantes, área vip, caixa electrônico, pista de skate e bares. Um total de 42.000 metros quadrados de alegria.
Para abrir a festa tivemos os espanhóis do Moksha no Monster Stage seguidos do postmetal espanhol do Adrift e Another Day Will Come. Todas com a difícil missão de tocar na primeira hora e agradar a um publico pequeno. Com relação ao som da bandas nada que reclamar, poderiam tranquilamente estar em horários de maior publico mas alguém tem que inaugurar a festa.
Pouco depois e também no Monster, os portugueses do More Than a Thousand deram as caras. Fazem parte deste novo metalcore ao estilo August Burns Red, The Ghost Inside, etc. Tecnicamente um bom show e para um publico maior, o que não dá para entender é a comunicação em inglês já que o idioma local, o galego, é muito parecido junto ao excesso de "motherfuckers" na comunicação que mais parecia Evan do Biohazard que outra coisa. A única diferença é que Evan é "rato" do Brooklyn. Por mencionar Nova Iorque conferimos no Jagermeister o provenientes desta cidade This is Hell. Outro show brutal desta banda que visita a Espanha com certa frequência mas que não cansamos de assisti-la. Levantaram público e a primeira nuvem de poeira local com músicas de seu mais recente álbum, o Black Mass. Destaque total para o guitarrista Rick Jimenez, que desde os primeiros acordes de "Acid Rain" não para de saltar, verdadeiro pés de mola. Show curto e intenso, apenas meia hora.
Para a mesma quantidade de minutos e no palco maior se apresentou o Strenght Approach e demonstrou o porque está na estrada há 16 anos com um hardcore solido. De volta a lona empoeirada foi a vez do Converge e apesar da apresentação ter um setlist diferente do que vimos no Hellfest do ano passado, a impressão continuou a mesma, que a banda não repete ao vivo o que se escuta no disco. A apresentação é excelente e a performance de Jacob Bannon (vocal) é única, mais parece um Golum, aquele personagem do filme Senhor dos Anéis. Desta vez abriram o set com "Jane Doe" e seus onze arrastados minutos. Neste tempo, Jacob deu um show à parte, interpretação corporal acima de tudo. Desceu ao público, deu trabalho aos seguranças, se babou durante o ato. Quando digo que a banda não repete o estúdio não quer dizer que o show seja ruim mas que aqueles berros não se repetem e que todos os vocais são guturais, que ao final de 40 minutos só diferimos as canções por seus riffs e não por refrão como muitos esperavam. Após a já citada abertura a demolição ficou por conta de "Dark Horses" e ver a banda executar este tema junto ao baixista que parece estar sendo eletrocutado a meio metro de distancia dos olhos é para não esquecer. Quando tocaram "Axe to Fall" foi como perde-los de vista na nuvem de poeira, as melecas ficam negras em segundos. Também merece destaque "Heartache" do disco No Heroes, para mim, um dos melhores do gênero.
Para baixar um pouco a poeira dar um clima de verão o Reel Big Fish entra em seguida com suas camisas floridas, óculos coloridos o saxofonisa moicano fazendo a festa. Outro extremo se lembrarmos que estávamos no Converge. "The Kids Don't Like it" e "Everything Suck" foram as mais celebradas.
As 21:40 entrou no palco mais uma banda considerada o novo fenómeno do estilo screamo e porque não uma referencia no estilo com somente dois discos lançados. Pianos Become The Teeth é mais uma banda que faz de sua performance no palco um grande ato e não decepcionaram o bom publico que compareceu para aprecia-los. De volta ao ar livre foi a vez de receber Set Your Goals e seu som pop punk. Com toda sinceridade, é um estilo que não consigo gostar. Aquelas vozes de menininho de escola, o vocalista fazendo o coraçãozinho com as mãos como um jogador de futebol ou um funkeiro ou mesmo sei la o que foi de ter a necessidade de correr antes da hora ao palco poeira para conferir o brutal show do Nasum. Apesar de ser um grande fã do Agnostic Front que viria na sequência, elegi no momento que subiram ao palco como o show do dia, o melhor. Sólido, potente, gritado e tecnicamente sujo, foi o que apresentaram os suecos que após vinte anos de estrada se despedem da mesma, não sabemos se para sempre ou apenas um hiato mas a grande verdade é que para muitos esta foi a última oportunidade de vê-los demolindo um palco e a trilha sonora deste ato teve como responsáveis principais músicas como "Masshypnosis" e "Bulshit" entre a uma dezena mais do setlist.
Saindo de uma baliza para outra era visível o bandeirão do Agnostic Front ao fundo do Palco. Emoção à parte tenho que ser realista. Foi a primeira vez que vejo o AF num palco grande de festival e de cara digo que o melhor é tê-los em palcos pequenos. Muito mais intensos e próximo ao publico do que foi neste primeiro dia de Resurrection. Por momentos senti o publico distante da banda como não tinha visto nas diversas ocasiões que assisti aos nova iorquinos mas isso foi apenas um detalhe.
O disco é novo mas a abertura ficou por conta de "Eliminator" após a entrada triunfal de Stigma, uma atracão à parte. Do novo veio a música titulo entre as primeiras da noite, "My Life My Way". Claro que os clássicos como "Friend or Foe" e "Your Mistake" marcaram presença e novos hinos como "For My Family" foram celebrados à altura. Ponto alto da noite ficou por conta da participação de Pirri da banda Escuela de Odio nos vocais de "Police State". O que realmente não deu para entender foi o cover dos Ramones, "Blitzkrieg Bop", num show curto em que o Agnostic Front tem discos e repertório de sobra para apresentar, deixando de fora um clássico como "Anthem", por exemplo.
Para fechar a noite mais uma banda da capital mundial, H2O. Está aí um grupo que realmente sentia saudades, a última vez que assisti a banda ao vivo foi há mais de dez anos e garanto, o tempo parece não passar para Toby Morse, nosso frontman em questão parece mesmo se cuidar como manda quem utiliza um X na mão. Abrindo a apresentação com "1995" e "Nothing to Prove" e não deixando de lado temas como "One Life, One Chance", "Still Here", "Everready" e "Guilty By Association" com a participação de membros do Strenght Approach e fechando com "Friends Like You" do recente álbum de covers, este em especial pertencente ao Sick of It All e "What Happened?". Apesar de curto uma boa seleção de músicas para fechar o primeiro dia de festival.
No segundo dia, o cansaço já começava a bater forte e deixamos passar as primeiras bandas. Tampouco chegamos no fim da festa, num horário intermediário conferimos de perto MxPx Allstars. Particularmente não sou um grande fã da banda mas tenho que reconhecer que fizeram um grande show. Quem chegou relativamente cedo pôde curtir músicas como "Punk Rock Girl" e "Aces Up" além da participação de Steph, guitarrista do Descendents, na música "Far Away".
Na primeira visita à lona empoeirada Jagermeinster, aliás, não me refiro a este palco como ruim, vale deixar claro que era de bom tamanho e acústica só que...Bem, continuando. Ali tocou Proud 'Z, banda de Madrid e bastante conhecida na cena hardcore nacional e que não deixou pedra sobre pedra. Já os americanos do Unearth foram a primeira visita metal do dia. Boa banda por sinal com seu metalcore feito a base de guitarras de sete cordas e baixo de cinco. Apesar do bom show e músicas como "Endless" e "My Will be Done" e seus breakdowns fica a mesma sensação do More Than A Thousand do dia anterior quando o vocalista não sabia se fazia pose de gatinho ou de bad boy falando motherfuckers a cada dois por três. Desta vez o personagem foi o guitarrista que mandava beijinhos e piscava um olho para o público enquanto ao fundo o som era demolidor, algo não encaixava.
O mesmo não posso dizer o Suicide Silence que roubou a cena, pelo menos até o momento com uma apresentação de tirar o fôlego. Mesmo com a lesão de um dos guitarristas na primeira música do set, "Wake Up" de No Time To Bleed, na verdade uma torção de joelho após um movimento brusco somado a seu peso (categoria pesado) a banda não tirou o pé do acelerador e atacaram com "Slaves to Substance". E o guitarrista lesionado? nada que uma dose de vodka oferecida pelo próprio vocalista ainda no palco e uma cadeira improvisada numa caixa o impedisse de finalizar a apresentação e seguir em turnê com direito a visita ao Wacken que rolou no mesmo fim de semana. O vocalista multi-tatuado Mitch Lucker regeu o público com maestria.
Curiosidade seria a palavra exata para resumir o que todos sentíamos antes do Against Me! Afinal, estaríamos diante de Tom Gabel ou Laura Jane Grace? Sim, Gabel que durante anos liderou a banda como homem, anunciou recentemente que mudaria de sexo. O que parecia uma piada ou mesmo a necessidade de incorporar o personagem do conceitual disco que vem sendo composto sobre uma prostituta transexual é na verdade uma grande realidade. Quem vimos diante do publico era finalmente uma mistura que poderíamos chamar de Laura Gabel, já que a transformação ainda não está completa e a voz continua a mesma. Abrindo com "True Trans Soul Rebel" e "Cliché Guevara" levantou o público com a aguardada "I Was a Teenage Anarchist", um verdadeiro hino para muitos e que deixa de lado qualquer que seja a opção sexual, seja de quem seja. Bom show.
O festival ofereceu com Municipal Waste, assim como Angelus Apatrida que comentarmos mais adiante, não só mais uma banda de metal mas uma banda que trás um revival do thrash metal 80's. Não só a aparência de seus membros mas também no inconfundivel som que tanto marcou aquela década com bandas como Exodus. O público virou muito com porradas como "Unleash the Bastards" e headbangueou com "Beer Pressure". Por um momento já não sabiamos o que era fumaça de palco ou "fumaça" dos pés, público totalmente entregue.
Os batidos Sociedad Alkoholika também atraiu grande publico, mesmo este já tendo assistido a banda muitas e muitas vezes, nem tanto pelos nativos de Viveiro e adjacências mas pelo grande publico que vinha de fora. Pouca luz no palco mas muito peso nas caixas de som.
Próxima parada Glassjaw: O quarteto americano pisou em solo espanhol para única apresentação após 10 anos de ausência e podemos perceber de cara que o Fugazi nunca esteve tão vivo. Após a passagem de Pianos Becomes the Teeths pelo festival, foi a vez de Glassjaw mostrar todo seu posthardcore e ritmos variados, quebrados, interrompidos por berros de seu vocalista que também tem uma performance única no palco. Abrindo com "Tip Your Bartender" de Worship and Tribute, seguiram com "Mu Empire" do mesmo álbum e até finalizarem com "Siberian Kiss" foram repassados doze capitulos em um show de uma hora que fechou a noite no palco Jagermeister.
E por falar em fechar a noite, no palco principal tivemos dois grandes nomes californianos, Suicidal Tendencies e Descendents. O primeiro é um velho conhecido para todos nós. O Suicidal fez, mais uma vez, um dos melhores shows do festival. Ainda que já não conte com a presença de Mike Clark na guitarra, uma figura que, ainda que não faça parte da formação original da banda, está na mesma há vinte e cinco anos e representa bem a imagem do Suicidal. Ainda assim e com o jovem Nico Santora em seu lugar e dando conta do recado abriram com "You Can't Bring me Down", "Ain't Gonna Take It" e "Institutionalized" em sequência, um inicio avassalador e que deixou a galera enlouquecida. Não satisfeitos colocaram as cartas na mesa com "War Inside My Head", "Freedumb" e "Subliminal" com um Mike Muir mais em forma do que nunca, correndo de um lado a outro e dando muito trabalho aos fotografos. Não acaba por aqui, após "Possessed to Skate" e "Cyco Vision" entra uma surpreendente "How I Will Laugh Tomorrow" numa previa para o grande finale com "Pledge Your Allegience" e duzentas pessoas no palco de hábito, o que não estava previsto era um "Memories of Tomorrow" embutida no meio antes dos gritos de encerramento de S.T.
Já os Descendents...bem, fica até dificil comentar tal atuação após vê-los direto da barricada com um enorme sorriso que não saia do rosto. Há tempos não assistia um show em que naturalmente te coloca um smile na cara. Começar uma apresentação com "Everything Sucks" e com Milo debruçado no publico enlouquece qualquer um. Fato curioso foi que pisei no fio de microfone do lendário vocalista o que o deixou "sem" voz por alguns segundos. Milo mal havia se juntado aos companheiros de palco quando soaram os primeiros acordes de "Hope" jogando "Silly Girl" ao terceiro posto. Dai em diante foi só curtir ao show diretamente da barricada, ainda que não de frente mas numa posição privilegiada. Não muito depois "I'm the One" marcou presença e a galera acompanhou. E a introdução de baixo em "My Age" deixa claro de uma vez por todas que os Descendents, apesar de uma banda punk rock está longe do básico de três acordes, suas canções são complexas para tocar, que o diga as linhas de baixo de "Van". Apesar dos muitos kilos à mais, Bill deixa claro que ainda manda nas baquetas mas quem rouba a cena mesmo é o vocalista. Baixando no publico uma vez mais, distribuindo o energético Monster que patrocina o evento na fila do gargarejo até dar uma acalmada num tipo de teatro com "All-O-Gistics". Entre o setlist de vinte e oito músicas podemos destacar "Rotting Out", uma mais hardcore com "Coffe Mug", "Suburban Home" e "Kabuki Girl". Uma apresentação sem meias palavras e com muita diversão. Sonho realizado para muitos.
Para o terceiro e último dia de festival, chegamos justo para a apresentação do Skarhead. Mais uma banda com muita historia nas costas que se apresentou por meia hora. Nada que incomodasse aos integrantes que deixam claro que além de passar sua mensagem, querem diversão acima de tudo. Entre as mais celebradas pelo publico se encontra "Dogs of War" e "Kings of Crime" tendo o vocalista Ezec, mais conhecido como Danny Diablo com discursos de união entre uma e outra. E para abrir o dia no Jagermeister tivemos os australianos do Deez Nuts. O quarteto mandou bem e demonstrou que é bem mais rápido e pesado ao vivo do que em estúdio. Abrindo a apresentação com "Stay Truth" e "Damm Right". Sem pose de durões e o vocalista tem até um jeitão rapper que faz lembrar Freddy do Madball. Uma apresentação à altura de uma banda que vem crescendo no cenário mas que vai de degrau em degrau para não se complicar.
A tarde de Sábado recebia então mais uma banda do revival do metal dos oitenta. Angelus Apatrida é a nova sensação do metal espanhol. Provenientes da cidade de Albacete, o quarteto já desponta como o futuro grande nome do metal mundial. Com quatro discos na conta, sendo o primeiro considerado um dos melhores debutes do cenário espanhol em anos, com os últimos Clockwork (2010) e The Call lançado este ano dá a sensação que a banda busca a perfeição no estilo. Enquanto a banda repassava o som 15 minutos antes do horário marcado o publico já pedia o inicio da apresentação. Definitivamente não decepcionaram apesar de um setlist curto e um show de quase cinquenta minutos, neste tempo foi possível conferir temas como "You are Next" e "Blast Off". Atenção neste nome.
Em outro aguardado momento do publico metal, o The Black Dahlia Murder fez um pesadíssimo show, igualmente de cinquenta minutos. Gritos guturais ou rasgados, uma bateria rápida e insana e um vocalista que fisicamente lembra Barney do Napalm Death com uma atuação ao limite. Hora com cara de furioso para o público, hora interpretando uma das letras passeando pelo palco como Alice no país das Maravilhas. Para destacar somente uma das muitas boas porradas que escutamos deixamos à cargo de "What a Horrible Night to Have a Curse".
Ao final do Black Dhalia corremos para um reencontro no lado musical, pois o Good Riddance pisava no Resurrection com a bandeira de turnê de reunião após um hiato de anos. Comentava sobre um reencontro musical porque o Good Riddance foi uma das bandas que mais assisti entre os anos 2000 e 2002 numa larga visita que fiz ao Canadá. Mesmo com o já comentado hiato a banda soa perfeita musicalmente, na verdade dá a sensação de que nunca houve tal stop. Musica como "Shadows of Deafeat" e "Heresy, Hypocrisy, and Revenge" soaram como no disco. Igualmente podemos dizer com "Steps" e "Last Believer" com dedicatória a Tony Sly em que o vocalista Russ Rankin ficou visivelmente emocionado. Show impecável.
No mesmo palco e uma hora após o GR tivemos outro grande nome do festival no estilo punk rock, o Anti-Flag. Defendendo o bom disco The General Strike, lançado este ano, o quarteto mostrou mais uma vez em terras espanholas o porque vem sendo referencia no estilo nos últimos anos. Além do já considerado clássico "Die For the Government" e da levinha "Turncoat" chamaram o a galera com "Fuck Police Brutality" e "Broken Bones" do atual lançamento além de "The New Sound" ambas com refrões pegajosos. Destaque absoluto para o baixista Chris 2, sempre um show em cima do palco som seus memoráveis saltos.
Já tínhamos o sabor de fim de festa quando os Dead Kennedys subiram no palco da lona para encerrar as atividades do palco Jagermeister. Particularmente sou um grande fã da banda e havia uma grande expectativa de assisti-los apesar de estar consciente que sem Jello Biafra o show não seria o mesmo. É sempre difícil substituir um vocalista, quanto mais um deste porte, um verdadeiro personagem do punk mundial. Mesmo assim, ter a Klaus Flouride, D.H. Peligro e East Bay Ray diante de seus olhos já seria o suficiente. Contando também que comparações com o passado seriam inevitáveis. É triste aceitar a decepção, num principio aceitei calado, achei que era impressão minha ou cisma com Ron "Skip" Greer ao tentar repassar a performance de palco de Biafra. Está aí um grande erro quando se substitui um frontmen. Quando sai uma voz e entra outra, com o tempo se aceita, agora ver a Greer tentando se expressar corporal e sarcasticamente com Jello é exagero. O pior é que não parou por aí, o próprio trio nos instrumentos deixou à desejar. Parecia faltar algo, um pouco mais de lenha para subir o fogo mesmo com clássicos como "Forward to Death" e "Police Truck" como os batedores diante do carro oficial dos Kennedys. Um "Let's Lynch the Landlord", "Kill the Poor" e "MP3 Get Off the Air" (versão modernizada do MTV Get Off...) como seguranças laterais e "Nazi Punks Fuck Off", "California Uber Alles" e "Holiday in Cambodia" como guarda costas. Mesmo assim os snipers conseguiram acertar o alvo e matar os Kennedys. Até mesmo um rapaz de 23 anos que estava a meu lado comentava que aquilo era um engano. Por outro lado fico feliz por haver estado tão perto dos integrantes de uma banda que tanto gosto e vê-los tocando musicas que fizeram parte da minha formação. Talvez esta não tenha sido uma noite brilhante, um daqueles dias que as coisas não dão muito certo, quem sabe numa próxima oportunidade?
Restava por assistir At The Gates e Hatebreed. Os suecos do At The Gates, sinónimo de agressividade, raiva, técnica e presição como mesmo define a pagina do festival, deixou claro que são os reis do death metal melódico. A voz rasgada de de Lindberg fez vibrar o público metal que se reuniu para celebrar o encerramento do evento. Músicas como "Slaughter of the Soul" e "Cold" fizeram estremecer até as balizas do campo de futebol guardadas em algum canto do evento.
Para finalizar o festival a banda favorita do patrocinador, Hatebreed. Tenho uma relação de amor e ódio com esta. Suas musicas são bem compostas, letras com frases marcantes, etc. Mas não consigo associar a imagem de seus integrantes com a musica e ritmo imposto pelos mesmos. Tenho sempre a impressão de estar diante de um Hardcore pré-fabricado. Jasta com suas frases feitas, as mesmas que utiliza a cada show, as que aparecem em seus DVDs como, "quando eu falar Hate vocês gritam Breed", ou mesmo "quero ver suas mãos pro alto", entre outros além do estilo professor com de aeróbica com saltos combinados com palmas, tenho a sensação de estar assistindo uma atuação ensaiada, com um roteiro decorado. Uma banda onde os próprios integrantes assumem que trabalham 24 horas por dia, 1 no palco e 23 fora dele, com imagem, patrocínio, produtos, etc. Sinceramente prefiro bandas que saem dos becos, sem nenhuma expectativa e tem como objetivo serem reconhecidas e respeitadas. Desabafo e opiniões particulares à parte, o show, musicalmente falando, foi bom porém curto. A banda saiu com mais de dez minutos de atraso do horário previsto mas encerrou com "I Will Be Heard" no horário previsto e sem direito ao bis, ainda que o publico pedisse mais. Enquanto estiveram no palco demonstraram todo seu potencial com "Proven", "To The Threshold" "Become a Fuse", e claro "Destroy Everything" e "Never Let it Die". No tempo em que permaneceram no palco provaram, apesar de tudo, que tecnicamente estão superiores as demais bandas e seu lado mainstream de momento é imbativel. Ou seja, num apanhado geral, o saldo é positivo e um show a ser visto seja num festival ou numa sala menor, a intensidade é a mesma já que em geral o roteiro não muda.
Fim de festa, hora de descansar por umas quatro horas antes de passar o dia viajando de transporte em transporte até chegar em home sweet home e confessar que verdadeiramente foi um risco fazer tudo isso, já que fisicamente as condições eram complicadas com uma prótese de Aorta costurada no peito. Fui levado pelo desejo e sonho de assistir lendas do punk rock. Alguém já leu algo de Pablo Neruda? "Morre lentamente quem não viaja, quem não lê ou mesmo não acha graça em si mesmo. Quem se torna escravo do hábito. Quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não permite, pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos..." Se pudesse contribuir diria que "Morre lentamente quem não tem uma paixão na vida, quem acredita que esta paixão não muda o mundo mas que te trás uma felicidade extrema, mesmo sabendo que o retorno é simples sorriso..."
Fui.
Enviado por Mauricio Melo
Confira fotos desse show, por Mauricio Melo:
Rancid em Barcelona 30/07/2012 - Sala Razzmatazz - Barcelona/Espanha
Chega a ser irônico, senão triste, saber que quanto mais tecnologia e acesso ao alcance da juventude, menos funciona a coisa. Novas tecnologias revolucionaram o mundo, ajudaram a muitos e afundaram outros tantos e a festa de vigésimo aniversario da banda californiana Rancid teve que mudar de recinto devido a baixa procura por ingressos.
Não que tenha sido um desastre, mas estava programada para o Sant Jordi Club, um lugar bem maior que a tradicional sala Razzmatazz. Por falar nela, a Razzmatazz é a antiga sala Zeleste onde foi gravado Loco Live dos Ramones e o video oficial do Sepultura na turnê do disco Arise, Under Siege, entre outros.
A expectativa era grande porque os californianos visitavam Barcelona pela primeira vez como atração principal nestes vinte anos de carreira. Em sua única visita até então, tinha sido como banda de abertura para o Rage Against the Machine no ano de 1996, na época lançando o aclamado " and Out Come The Wolves".
Por que a queixa da tecnologia se é com ela que trabalhamos atualmente? Porque há pouco mais de uma semana o Blink 182 visitou a cidade condal e tocou exatamente no mesmo recinto (enorme) anteriormente reservado ao Rancid. Raciocinando um pouco parece absurdo que um pop punk besteirol tenha cacife para tanto, mas sim que tem, e isso vem acontecendo há tempos como por exemplo ter o Bad Religion abrindo para o Rise Against, uma piada. Talvez a enxurrada de bandas e música ao acesso de todos tenha sido fundamental para a falta de fidelidade dentro da cena.
Por outro lado, a única coisa que podemos reclamar da Razzmatazz na noite de ontem foi a gratuita sauna que recebemos durante o show. À parte disto tivemos uma acústica perfeita e uma iluminação melhor ainda, como particularmente nunca tinha visto na Razz, como chamamos por aqui. Não poderia ser para menos já que o setlist oferecido pela banda foi digna de uma celebração. Ver direto da barricada como Tim Armstrong entrava com sua descascada guitarra puxando "Radio Havana" deixando louco todos os skinheads e mods que estavam no local com suas camisas polo Fred Perry e suas botas Dr. Martens, seguindo com "Roots Radicals" e na sequência com a inesperada "The Way I Feel" ambas do já citado ."..and out Come The Wolves" é algo único. Do mesmo álbum escutamos de Matt Freeman os primeiros acordes de "Journey to the end of the East Bay", vale citar que Freeman é sem sombra de dúvidas um dos melhores baixistas da cena. Saindo da barricada em direção ao segundo andar da sala foi possível ver como a pista se tornava um pandemónio com "Maxwell Murder" e Freeman confirmando seu posto com aquele solo no meio da música, quer dizer, um deles já que durante toda a apresentação foram vários.
Por falar em tocar algo, é impressionante como Armstrong verdadeiramente não toca nada, perambula pelo palco, faz estilo com seu chapeuzinho, roça as cordas da guitarra, ensaia um solinho aqui outro ali, mas...e daí? O cara é a parte fundamental da banda e suas cordas vocais são marcantes em muitas das canções como em "Red Hot Moon" e "Ruby Soho" e claro, não podemos deixar de lado a figura de Lars Frederiksen. Cabeça "rapada", camisa com a estampa Skinhead e muito suor. Para solucionar o calor muita água e cerveja voando como definitivamente deve ser um show deste porte. O público esteve à altura e convenceu já que em muitas ocasiões é completamente mudo em Barcelona.
A banda permaneceu no palco por uma hora e meia e neste tempo a atracão sonora foi à base de ska com "I Wanna Riot" e "Hooligans", punk com "It's Quite Alright" e punk rock com "Salvation". Sem detalhar que ainda tivemos "Fall Back Down", "Time Bomb", "Old Friend" e muito mais. Como escrevi anteriormente, uma verdadeira celebração de uma já considerada lenda do punk/rock/ska. Comparem com quem quiserem mas a verdade é que Rancid só existe um.
Promotor: Cap-Cap
Não que tenha sido um desastre, mas estava programada para o Sant Jordi Club, um lugar bem maior que a tradicional sala Razzmatazz. Por falar nela, a Razzmatazz é a antiga sala Zeleste onde foi gravado Loco Live dos Ramones e o video oficial do Sepultura na turnê do disco Arise, Under Siege, entre outros.
A expectativa era grande porque os californianos visitavam Barcelona pela primeira vez como atração principal nestes vinte anos de carreira. Em sua única visita até então, tinha sido como banda de abertura para o Rage Against the Machine no ano de 1996, na época lançando o aclamado " and Out Come The Wolves".
Por que a queixa da tecnologia se é com ela que trabalhamos atualmente? Porque há pouco mais de uma semana o Blink 182 visitou a cidade condal e tocou exatamente no mesmo recinto (enorme) anteriormente reservado ao Rancid. Raciocinando um pouco parece absurdo que um pop punk besteirol tenha cacife para tanto, mas sim que tem, e isso vem acontecendo há tempos como por exemplo ter o Bad Religion abrindo para o Rise Against, uma piada. Talvez a enxurrada de bandas e música ao acesso de todos tenha sido fundamental para a falta de fidelidade dentro da cena.
Por outro lado, a única coisa que podemos reclamar da Razzmatazz na noite de ontem foi a gratuita sauna que recebemos durante o show. À parte disto tivemos uma acústica perfeita e uma iluminação melhor ainda, como particularmente nunca tinha visto na Razz, como chamamos por aqui. Não poderia ser para menos já que o setlist oferecido pela banda foi digna de uma celebração. Ver direto da barricada como Tim Armstrong entrava com sua descascada guitarra puxando "Radio Havana" deixando louco todos os skinheads e mods que estavam no local com suas camisas polo Fred Perry e suas botas Dr. Martens, seguindo com "Roots Radicals" e na sequência com a inesperada "The Way I Feel" ambas do já citado ."..and out Come The Wolves" é algo único. Do mesmo álbum escutamos de Matt Freeman os primeiros acordes de "Journey to the end of the East Bay", vale citar que Freeman é sem sombra de dúvidas um dos melhores baixistas da cena. Saindo da barricada em direção ao segundo andar da sala foi possível ver como a pista se tornava um pandemónio com "Maxwell Murder" e Freeman confirmando seu posto com aquele solo no meio da música, quer dizer, um deles já que durante toda a apresentação foram vários.
A banda permaneceu no palco por uma hora e meia e neste tempo a atracão sonora foi à base de ska com "I Wanna Riot" e "Hooligans", punk com "It's Quite Alright" e punk rock com "Salvation". Sem detalhar que ainda tivemos "Fall Back Down", "Time Bomb", "Old Friend" e muito mais. Como escrevi anteriormente, uma verdadeira celebração de uma já considerada lenda do punk/rock/ska. Comparem com quem quiserem mas a verdade é que Rancid só existe um.
Promotor: Cap-Cap
Enviado por Mauricio Melo
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The Pains Of Being Pure At Heart Em Barcelona 13/01/2012 - Sala Razzmatazz 2 - Barcelona/Espanha
Abrimos o ano de 2012 com a apresentação do The Pains of Being Pure at Heart. Não foi na primeira, nem na segunda e tampouco na terceira tentativa que conseguimos conferir tal apresentação, porém na quarta passagem do grupo pela cidade condal. Em 2009 durante o festival San Miguel Primavera Sound o quinteto nova iorquino apresentava até então seu primeiro e auto-intitulado álbum. Naquela ocasião acabamos deixando escapar a apresentação por estar diante do Tokyo Sex Destruction, grupo espanhol que é comparado ao melhor momento do The International Noise Conspiracy e até mesmo MC5. A apresentação dos espanhóis era tão boa que esquecemos que os americanos do Pains estavam logo ao lado. Após esta o grupo passou por Barcelona duas vezes mais e não conseguimos "invadir" dito show.
Desta vez não houve recusa e nosso pedido foi aceito. Apesar de ser uma Sexta-feira 13 o público não temeu o azar, já que por aqui se celebra a Terça-feira 13. Isso mesmo, espanhol é assim, não comemora Natal mas celebra dia de Reis como se fosse, e a sexta é terça-feira 13.
Num princípio parecia até que não daria público mas pouco antes da apresentação a sala já dava sinais de cheia. Liderados por Kip Berman e sua Fender Jaguar o quinteto abre a apresentação com a música título de seu segundo disco, "Belong", lançado ano passado e considerado um dos melhores do ano no gênero e responsável por colocar o grupo em definitivo como o da "moda", para toda uma geração.
Não só a guitarra de Kip é a mesma como a atuação no palco se parece com a de Oliver Ackermann, também vocalista e guitarrista de uma banda nova iorquina chamada A Place to Bury Strangers. Seu trejeito shoegazer de distorcer os riffs chama bastante atenção enquanto os outros integrantes mais se concentram em tocar. Kip também se comunicou e bem, ainda que de maneira bastante básica, em castelhano enquanto a tecladista Peggy Wang se derretia à Barelona em inglês mesmo. Na sequência tivemos "This Love is Fucking Right!" e "Heart in your Heartbreak" que podemos considerar um verdadeiro hit ao olharmos a reação do público diante desta. Por momentos me senti num verdadeiro show dos anos 80, aquele som característico, com a bateria marcada e seca, um baixo também marcado e guitarrinhas distorcidas além do teclado. Um público com suas camisas xadrez, calças Levi's slim fit e óculos Ray Ban. A sensação aumentou quando "The Tenure Itch" foi tocada.
Apesar das músicas serem parecidas entre si, o grupo tem a fórmula e a medida exata de não se tornar cansativo e isso fica nítido em "Heaven's Gonna Happen Now" e "Come on Saturday". A essas alturas já podíamos ver a camisa de Berman ensopada de suor por sua dedicação no palco. Até mesmo a música que leva no nome da banda e que pertence a um EP (também auto-intitulado) foi tocada no final depois de "My Terrible Friend".
Para o bis a banda reservou "Contender" que foi executada por um Kip Berman em solitário além de "Say No to Love" e "Strange", a mesma que encerra do disco Belong e que tem mesmo cara de fim de festa. Um excelente show para um bom público com aspecto de Primavera Sound, já podemos ir aquecendo.
Desta vez não houve recusa e nosso pedido foi aceito. Apesar de ser uma Sexta-feira 13 o público não temeu o azar, já que por aqui se celebra a Terça-feira 13. Isso mesmo, espanhol é assim, não comemora Natal mas celebra dia de Reis como se fosse, e a sexta é terça-feira 13.
Num princípio parecia até que não daria público mas pouco antes da apresentação a sala já dava sinais de cheia. Liderados por Kip Berman e sua Fender Jaguar o quinteto abre a apresentação com a música título de seu segundo disco, "Belong", lançado ano passado e considerado um dos melhores do ano no gênero e responsável por colocar o grupo em definitivo como o da "moda", para toda uma geração.
Não só a guitarra de Kip é a mesma como a atuação no palco se parece com a de Oliver Ackermann, também vocalista e guitarrista de uma banda nova iorquina chamada A Place to Bury Strangers. Seu trejeito shoegazer de distorcer os riffs chama bastante atenção enquanto os outros integrantes mais se concentram em tocar. Kip também se comunicou e bem, ainda que de maneira bastante básica, em castelhano enquanto a tecladista Peggy Wang se derretia à Barelona em inglês mesmo. Na sequência tivemos "This Love is Fucking Right!" e "Heart in your Heartbreak" que podemos considerar um verdadeiro hit ao olharmos a reação do público diante desta. Por momentos me senti num verdadeiro show dos anos 80, aquele som característico, com a bateria marcada e seca, um baixo também marcado e guitarrinhas distorcidas além do teclado. Um público com suas camisas xadrez, calças Levi's slim fit e óculos Ray Ban. A sensação aumentou quando "The Tenure Itch" foi tocada.
Apesar das músicas serem parecidas entre si, o grupo tem a fórmula e a medida exata de não se tornar cansativo e isso fica nítido em "Heaven's Gonna Happen Now" e "Come on Saturday". A essas alturas já podíamos ver a camisa de Berman ensopada de suor por sua dedicação no palco. Até mesmo a música que leva no nome da banda e que pertence a um EP (também auto-intitulado) foi tocada no final depois de "My Terrible Friend".
Para o bis a banda reservou "Contender" que foi executada por um Kip Berman em solitário além de "Say No to Love" e "Strange", a mesma que encerra do disco Belong e que tem mesmo cara de fim de festa. Um excelente show para um bom público com aspecto de Primavera Sound, já podemos ir aquecendo.
Enviado por Mauricio Melo
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