quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Du Baú - Soulfly entrevista (2009)


Soulfly entrevista 2009

Vamos dar tempo ao tempo. Está aí uma frase que escutamos com freqüência, vez ou outra a mesma adentra nossos ouvidos. E foi para falar em tempo, em datas e em dar tempo ao tempo que mais uma vez encontramos Max Cavalera e Soulfly, desta vez em Barcelona durante a turnê européia do álbum Conquer. Como sempre, fomos muito bem recebidos por este (acima de tudo) brasileiro. Como falávamos em datas, talvez há pouco mais de 10 anos Max Cavalera e seus antigos companheiros tenham sofrido (dado e recebido) golpes simultâneos, tipo estas lutas em que os gladiadores se nocauteiam ao mesmo tempo. Sentados cada um em seus cantos no ringue do dia-a-dia, foram respirando e recuperando suas forças. É inegável dizer que recentemente Soufly e Sepultura tenham recuperado ou chegado a sua melhor forma após acontecimentos em que todos estamos cansados de saber e com ótimos lançamentos. No caso do Soufly com Dark Ages e Conquer, superando outros bons
discos, o mesmo acontecendo com sua antiga banda.




Foi assim, conversando sobre datas, curiosidades recentes e um pouco do futuro que gastamos o nosso precioso tempo. Digo precioso porque acabou sendo curto diante de tanta coisa para conversar como futebol, saudades de casa, dos amigos, etc.
Por Mauricio Melo – Barcelona - Espanha

1 - Numa entrevista concedida em Junho de 2008, existia toda uma expectativa com o lançamento do Conquer. O disco estava fresco no mercado e sendo muito bem recebido pelo público e imprensa. Praticamente um ano após este bate-papo, o Conquer (disco e turnê) confirmou as expectativas?
Ta legal. Acho que foi meio de surpresa porque o Conquer veio logo após o Inflikted, então muita gente ficou até meio "caraio! já botou outro disco aí?". Teve gente até comentantando que o Inflikted foi sobra de estúdio do Conquer... Aí é foda (risos). Eu gosto muito dos dois trabalhos, sem essa que um é sobra de outro. Mas acho que o Conquer tem uma grande força mesmo, tipo a primeira música "Blood, Fire, War, Hate" é muito doida que já começa com um hino e o legal é que a molecada começa a cantar o refrão 10 minutos antes do início do show, isso nunca aconteceu antes, nem no Sepultura. Não existia uma música que o público cantasse o refrão, sempre era o nome da banda que era chamada e não uma música.

2 - Num dos shows desta turnê, em Oxford (Inglaterra), você entrou encapuzado exatamente na música "Blood Fire War Hate". É de se confessar que dá um visual distinto e de certa forma bem agressivo mas sem agredir ao público. A primeira coisa que vem na cabeça, de alguma maneira é um protesto contra a violência. Algum motivo específico por entrar encapuzado? Alguma referência a guerra que se iniciava naquele momento, Palestina, Gaza?
Resolvi incrementar um pouco. Não foi pensando nestes problemas atuais que entrei encapuzado no palco mas acabou servindo e se for positivamente fica melhor ainda. Ao mesmo tempo a música "Blood, Fire, War, Hate" é "terrorista". É maior porrada, o mosh pit começa logo
de cara e pensei no que dava para fazer para incrementar mais. Um dia estava na Holanda assistindo o filme Cidade de Deus e logo após tinha um documentário chamado Notícias de uma Guerra Particular e a entrevista que rolava neste documentário era com uns caras com capuz e tive esta idéia, esse documentário apesar de já ser antigo é muito foda. Em seguida fui numa loja de esportes de inverno e pedi um capuz terrorista, o cara não entendeu nada e perguntou "aqueles pra roubar banco?". Essa aí mesmo respondi, me dá dois! Fiquei um pouco preocupado porque os shows seguintes eram na Inglaterra e Irlanda e lá eles tem problemas com o IRA, mas por outro lado o pessoal não é tão chato quanto outros tipos de música que fica dissecando as coisas e encara tudo na boa. É isso que acho legal neste estilo de música e até porque não é um lance totalmente político. Sabe que é até punk-rock e leva na brincadeira. Se fosse nos Estados Unidos nem pensar. Lá você faz uma foto com um turbante e já era, no dia seguinte tá todo mundo te procurando, querendo saber qual a sua ligação com Bin Laden, etc.

3 - Você comentou na mesma entrevista, ano passado, que o título do trabalho atual representava uma conquista após um conflito pessoal que durou 10 anos. Exatamente o mesmo tempo de vida do Soulfly e todo o ocorrido que todos já estamos cansados de saber. Nestes 10 anos Soulfly e Sepultura percorreram caminhos distintos. Com a chegada de Conquer e o Cavalera Conspiracy você(s) reassumem o posto ou entram em um novo estágio?
Aí uma pergunta que nem sei te responder ao certo. O lance que rolou com o Conquer e com o Inflikted, que inclusive venho tocando "Sanctuary", particularmente uma música marcou muito porque foi a primeira que fiz com o Iggor e tem aquele refrão do "...everybody die tonight..." um refrão forte, e é a segunda música do show atualmente mas não é tocada inteira é só um trecho e acho bem legal. Mas estes dois discos, Conquer e Inflikted, em termos de metal e de quem curtiu a melhor fase do Sepultura, são os que mais se aproximam daquela fase. Meu trabalho agora é tentar melhorar para o próximo. Acho que o Cavalera Conspiracy ocupa um novo posto e nada de tentar repetir algo, está aí uma coisa que não gosto e de bandas que tiveram seus momentos há uns anos tentar renascer com músicas do passado.

4 - O primeiro disco do Soulfly saiu em 1998. Durante muito tempo o Soulfly era conhecida como a banda do Max, hoje em dia um pouco mais de 10 anos do lançamento do primeiro trabalho, o Soulfly já é conhecida como uma banda e não mais como a nova banda do Max...A Velha banda do Max! (interrompendo e rindo). Você teme que seu grupo com o Iggor passe pelo mesmo processo?
Sim, você está completamente certo. A galera hoje vem assistir ao Soulfly mesmo com as mudanças de formação o público vem assistir a banda e não somente ao Max. Acho que com o Cavalera Conspiracy é um pouco diferente porque sou eu e o Iggor e tem aquela história por trás e tudo tão novo ao mesmo tempo. Confesso que no início do Soulfly eu ficava até meio chateado, era até irritante porque ninguém dizia o nome da banda e sempre se referia ao Soulfly como um projeto, projeto, projeto... e demorou mesmo até que o reconhecimento chegasse. Mas acho que é o processo e temos que passar por esta fase com o Cavalera também.

5 - Na tour atual há uma constante troca de camisetas, Morbid Angel, Cannibal Corpse...
Sim, é a minha nova mania. A cada turnê tenho uma mania. Na última eu mesmo pintava as camisetas e ficavam bem toscas, achei legal mas cansei um pouco de pintar. Para esta turnê eu e meu filho tivemos umas idéias, ele é maior fã de grindcore e death metal. Encontramos num baú uma coleção de camisas antigas que trocávamos quando encontrávamos as bandas durante
as turnês, quanto tocávamos juntos em festivais e etc. Claro que as camisas já não dão mais em mim, então cortamos e ao invés de costurar, prendemos com alfinetes nas jaquetas pra ficar bem punk e acabou ficando legal. Esta mania agora está legal, mais ligada a outras bandas e ao metal porque as da turnê anterior eram mais viajando e me davam mais trabalho. E ficou melhor porque é feita em conjunto com meu filho. Isso demonstra acima de tudo o bom relacionamento do Soulfly com outras bandas deixando para trás a eterna vaidade que tanto assombra o mundo do metal?
É infelizmente existe essa vaidade né. Sabe um lance que acho bem legal, tem uma banda chamada Justice Snare na França, os caras estão estourando aí. Pra dizer a verdade eu nem curto muito o som deles, o Iggor é que escuta mais, é um som eletrônico. Os caras colocaram uma foto minha e do Iggor dentro do encarte do cd e é um som que não tem nada a ver com o metal mas eles são fã do Sepultura e do nosso trabalho atual. Fizemos uma foto com eles após o show e tiveram atitude de colocar a foto no cd deles mesmo sendo estilos de música diferentes, achei bem legal. Infelizmente no metal ainda tem muita vaidade mas pelo menos tenho bom relacionamento com muita gente. Inclusive o Mitch Harris (Napalm Death) tinha sido convidado para participar do Cavalera Conspiracy, porém estava muito ocupado na época mas ainda quero contar com ele no futuro.

6 - Em 2009, Beneath the Remains completa 20 anos, um disco que abriu definitivamente o caminho do Sepultura. O que mudou, se é que mudou, do Max de 20 anos atrás e do Max de hoje à frente de sua banda definitiva, Cavalera Conspiracy e com outros projetos na cabeça. E como tocamos anteriormente no assunto da vaidade no mundo do metal, você, apesar do estilo musical extremo e das mensagens bem definidas, sempre passa uma imagem de humildade e simplicidade, com um semblante tranquilo e não com aquele velho clichê de caretas e gestos, como definir este comportamento dentro destes 20 anos desde Beneath the Remains?
Estou mais feio, mais barbudo, continuo não tomando muito banho e tocando Inner Self (risos), acho que não mudei muito não. Com relação ao meu estilo, acho que é coisa de brasileiro né?! Pode ser que algum artista brasileiro tenha alguma vaidade mas acho que a maioria tem esse comportamento diferente e sem vaidades, conhecemos uma outra realidade e não podemos esquecer disso. Particularmente nunca me imaginei como uma estrela do rock, acho que é até ao contrário. Quando saio em turnê ou participo de festivais vejo uns caras agindo de umas maneiras estranhas, com seguranças até no camarim quando não tem ninguém por perto. Tem outros que andam com 10 seguranças e nego nem dá bola pra eles, pra que isso?



7 - Planos para o futuro: O Soulfly, mesmo após uma tour recente, pode vir a participar de festivais de verão ou se retira para gravar material novo?
Com certeza segue em turnê, inclusive o Cavalera Conspiracy também. Este ano vai ser praticamente para shows e ano que vem já podemos trabalhar no material novo, tenho enviado umas bases para o Iggor. Espero logicamente fazer alguns shows no Brasil, estou em dívida com a galera.

8 - Por falar em Brasil. Fugimos um pouco do assunto de música e vamos expor um problema que aos poucos vai atingindo várias áreas de trabalho. Esta crise econômica mundial atrapalha em alguma coisa com relação a uma tour mais extensa que a banda queira atingir. Tipo, ir a América do Sul e conseqüentemente ao Brasil, ficou mais difícil?
Espero que não. Tem gente que pergunta pra gente desta crise e eu acabo brincando dizendo que o Brasil está sempre em crise. O metal e o rock está em crise desde que a internet começou. Acho que a crise est'a atingindo outras áreas de trabalho no momento, porque isso já nos atingia antes e não é novidade pra mim. Por outro lado, acho que não afeta as viagens e os shows porque a música acaba sendo a válvula de escape pra muita gente. O público vai ao show para estravazar e esquecer um pouco dos problemas. Espero que não atrapalhe uma visita ao Brasil, tenho muita saudade de lá e de coisas pequenas como tomar um caldo-de-cana por
exemplo.

9 - Não queria tocar neste assunto mas foram muitos os pedidos sobre uma notícia que rolou na internet recentemente de uma reunião com o Sepultura, que no caso reuniria membros mais antigos da banda, integrantes que participaram do início de tudo. Até que ponto esta possibilidade existe?
Acho que foi o que comentamos no início, já existe uma história que ficou marcada. Mas se tivesse que rolar seria com um pessoal mais antigo, com o Jairo que foi o guitarrista do Morbid Visions. Encontrei o Jairo ano passado na Áustria e acabei pensando nisso. Vamos ver como vai ficar, o Iggor acabou de sair do Sepultura e isso é coisa para o futuro. Só Deus sabe como vai ficar.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Du Baú - British Sea Power entrevista (2008)


British Sea Power - um novo Arcade Fire? 
Banda inglesa fala com exclusividade à Comando Rock em Barcelona
Por Mauricio Melo
O bate-papo discontraído aconteceu no lobby do hotel onde a banda British Sea Power estava hospedada. O guitarrista Martin Noble e o baterista Wood, ao descobrirem-se diante de um brasileiro logo começaram a falar de futebol. Deixaram claro, antes de qualquer pergunta, que adorariam tocar no Brasil um dia. "Para também aproveitar um pouco da viagem para "inesquecíveis férias." 
Formada em 2000 na cidade de Brighton, Inglaterra, somente em 2003 a banda deu as caras com o disco The Decline of British Sea Power. Dois anos mais tarde e com um pouco mais de experiência, foi a vez de apresentar o álbum Open Season ao mundo. Foi aí que algumas canções começaram a ganhar notoriedade. 
Uma mistura de pós-punk e garage rock adicionadas a boas letras é o segredo deste quinteto. O álbum mais recente, Do You Like Rock Music?, lançado ano passado, levou-os a comparações com o Arcade Fire. Mas se olharmos para a história e os discos anteriores dos britânicos, vemos que não é bem por aí. Não custa lembrar que a banda esteve, em 2008, entre os nomes de grandes festivais, como o Primavera Sound de Barcelona e o tradicional Reading/Leeds Festival, na Inglaterra. Se você não gosta de rock, está lendo a entrevista errada.

1 - Sei que talvez possa ser um pouco cansativo, porém como se trata em uma banda que ao menos no Brasil ainda está em descoberta, poderia fazer um pequeno resumo da história da formação da banda? As informações que tenho dizem que foi formada em 2000 e logo com os primeiros shows teve uma boa repercussão, e o primeiro album se tornou um dos favoritos da crítica britânica. Algum detalhe mais?
Noble -
O de sempre, éramos amigos e desde muito jovens estudávamos juntos, eu era um jovem universitário de psicologia por exemplo. Conversávamos muito sobre música, sobre nossas bandas favoritas como Pavement e nesta época poucas pessoas gostavam de Pavement na escola e na universidade, era como ter um gosto diferente ou para alguns um mal-gosto mas era isto que nos identificava. 
2 - Por mais de uma vez a banda foi comparada ao Joy Division. Particularmente, não vejo tanta semelhança. Essas comparações incomodam a banda ou faz parte do show levando em consideração que a música é algo reciclável?
Wood -
Acho que fazíamos um post e poderíamos ser comparados a um ou outro, é normal que apareçam comparações e uma banda tão foda como foi o Joy Division acho que ser comparado a eles não faz mal nenhum. Mesmo que tenhamos como objetivo fazer algo diferente.
3 - Então, aproveitanto o assunto das comparações, quais são as principais influências da banda?
Noble -
Pavement, Pixies, Joy Division, Velvet Underground e Iggy Pop and The Stooges, também não podemos deixar de fora. 
4 - É verdade que Do You Like Rock Music foi, ou pelo menos era para ser, gravado em Montreal?
Noble - Sim, tínhamos três lugares previstos para gravar e um deles era Montreal, pois queríamos aproveitar a atmosfera daquela cidade. Apesar da idéia inicial ser ótima as coisas não saíram como queríamos. Então, em Montreal gravamos uma parte e mixamos e outra parte na República Tcheca. 
5 - Um bom produtor, por melhor e mais renomado que seja, pode errar a mão e estragar um disco ou a banda tem parcela de culpa?
Noble -
Normalmente trabalhamos juntos ao engenheiro de som, mixamos o disco juntos e acredito que coisas assim não acontecerão conosco. Não existe somente uma pessoa no comando de tudo. Nos dedicamos ao máximo para fazer com que o disco saia como queremos. 
6 - Quem compõe as musicas? Existe alguma fórmula específica ou as compisções vêm de jams, de estúdio? O mesmo vale para as letras.
Wood -
Funciona de diferentes maneiras. Alguém chega com uma parte composta, outro com um rascunho de letra, algumas vezes sai de Jams. No início buscávamos fazer juntos e depois começamos a passar as linhas em separado e ao juntar ficavam horríveis mas depois demos sorte. 
7 - Como foi participar do Primavera Sound 08 e em seguida do Reading/Leeds? Já passa a ser um bom reconhecimento do trabalho?
Martin -
Bandas brilhantes participaram destas edições e estar nestes festivais é sempre bom. Levando em consideração a repercussão de ambos acho que é um bom reconhecimento. 
8 - Aquela perguntinha tradicional: planos para o futuro, shows no Brasil? O que acham da ideia?
Wood - América do Sul com certeza, seria brilhante.
Martin - Gostaríamos muito de ir para shows e depois passar férias por alguns meses, curtindo o Brasil [risos]. Sabemos dos problemas que existem, mas também há em muitos lugares e isso não desanima. Gostamos muito de esportes e sempre vemos os brasileiros se destacando. Além da cultura, da comida... definitivamente é um lugar a estar.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

The Postal Service lança faixa inédita - A Tattered Line of String [OFFICIAL TRACK] (not the...



Para relançar Give Up, o The Postal Service nos oferece uma inédita.  Lembrando que os mesmos estarão no Primavera Sound 2013 como uma das atrações principal.

Du Baú - Autolux entrevista (2008)


Saindo da costa leste até a oeste para demonstrar a outra face do shoegaze americano e uma segunda boa proposta.  Outro trio, Autolux da cidade de Los Angeles na estrada há 8 anos.  Formado em 2000 por Eugene Goreshter (baixo/voz), Greg Edwards (guitarra/voz) e a simpática Carla Azar (bateria/voz).  Logo em suas primeiras apresentações despertaram interesse de ninguém mais ninguém menos que o produtor T-Bone Burnett's que na época iniciava um novo projeto.  Nestes oito anos muita coisa aconteceu, um pequeno acidente afastou Azar dos palcos por um bom tempo e para quem ainda não conhece a banda, Carla não é uma simples baterista, é com certeza a peça-chave da banda e por isso não poderia ser substituída.  Com um único disco lançado no mercado em 2004, "Future Perfect" a banda promete disco novo até o final deste ano.  Por enquanto o que podemos desfrutar são excelentes músicas deste primeiro trabalho e uma nova que está disponível para download no site oficial da banda.
Em sua única passagem na Espanha, durante o festival Primavera Sound 08, tivemos a oportunidade de conversar com Carla e Eugene.  Após uma rápida e simpática apresentação no qual Carla Azar revelou que o nosso português é um de seus  idiomas favoritos ao escutar musicas internacionais, tivemos um bom bate-papo.  Antes da entrevista começar, já que a moça se disse fã de nosso idioma, revelei o significado da palavra Azar (seu sobrenome), o que rendeu boas risadas e até um sentimento de que seu nome tem um significado punk, imaginem "Carla Bad Lucky".
Vale lembrar que a banda se apresentou no palco All Tomorrow's Parties onde também passaram bandas como Shellac e Kinski e quem presenciou pode garantir que o show foi algo a não ser esquecido.  Muita distorção misturada a melodia e uma qualidade musical que não se encontra em qualquer esquina.



1 - As informações que chegam ao público é que a banda iniciou atividades em 2000 e logo em 2001 um EP Demonstration.  Turnê com Nine Inch Nails e em seguida All Tomorrows Partie's Festival.  Poderia nos contar um pouco mais deste início?
Claro, como você mesmo mencionou começamos na área de Los Angeles e T-Bone Burnett estava iniciando sua própria gravadora junto aos Coen Brothers nos assistiu e veio a nos contratar.   Produziu nosso primeiro disco Future Perfect e após o lançamento saimos em turnê e tocamos com muito nomes interessantes como The White Stripes, Beck e NIN como já foi mencionado.  Nesta época costumávamos a fazer nosso próprio jogo de luz, foi um início bem interessante.  Por que um jogo de luz próprio? Porque no início tocávamos em palcos menores e a iluminação nunca estava da maneira que queríamos.  Então criamos uma iluminação básica mas da maneira que queríamos, algo personalizado.  

2 - Carla; em 2002 você sofreu um acidente, caiu do palco, fraturou o cotovelo e colocou oito parafusos.  Até onde sei você é a baterista da banda, como uma baterista consegue cair do palco, um guitarrista, baixista ou vocalista até vai levando em consideração a movimentação dos mesmos.  Porém sua posição parece mais segura não? 
Estávamos abrindo para Elvis Costello nesta época.  Na verdade não estávamos mais tocando quando aconteceu.  Estava conversando com amigos após o show e numa falta de atenção aconteceu, simples assim e me custou oito parafusos no cotovelo e um longo período inativo para mim e para a banda.  

3 - Alguma influência direta presente na música da banda?
Sim, é impossível dizer que não existem.  Velvet Underground é uma delas.  The Beatles quando começaram a fazer música mais experimental.  A banda alemã The Can também é uma grande influência e John Bonham é particularmente uma grande influência para mim.  Qualquer coisa que não seja convencional serve bastante como influência, reggae, dub, etc. 

4 - A participação no festival Primavera Sound coincidiu também com a primeira passagem da banda na Espanha.  Qual o sentimento do Autolux em atravessar estas fronteiras?
Estamos bastante empolgados com toda esta combinação.  Um grande festival, primeira visita a Espanha e conseqüentemente a Barcelona.  Adoramos tocar fora dos Estados Unidos.  Estar aqui é realmente muito bom.  Independente do lugar tocar ao vivo é sempre bom mas é lógico que tocar na Europa é totalmente diferente de tocar para o público de nosso país.  O Primavera Sound 08 especialmente teve uma seleção de bandas impressionante.

5 - Musica favorita da banda?
Reappearing.

6 - Opinião sobre downloads?
Já temos uma nova música a disposição para download.  Faremos o mesmo que Radiohead fez e que logo foi seguido por outras bandas.  Nos colocamos em uma posição que as pessoas que realmente gostam da música e das bandas compram discos.  Você quer o disco de graças, muito bem aí está e não vamos dificultar isto.  Na canção que está disponível no nosso site demos a sugestão de $1,00 pelo download para quem tiver a fim de pagar e acaba que tem gente que deixa $20,00.  A questão também é fazer uma boa produção na capa e no encarte para que os fãs tenham um bom material físico nas mãos, isso também ajuda as vendas, um disco não pode ser somente a música tem que conter algo mais.  

7 - Após o lançamento deste segundo disco, qual o destino do Autolux?  O disco sai ainda este ano?
Bem, esperamos uma boa recepção com o novo disco que sai ainda este ano, viajar bastante com o novo material.  Brasil está em nossos planos, adoraríamos tocar lá.   Sabemos que no Brasil existe muita gente conectada com a cena musical internacional, temos a consciência disto. Temos um bom relacionamento com The White Stripes e nos disseram que quando passaram pelo Brasil foram os shows mais memoráveis de suas vidas.  Melhor público que encontraram, melhor energia e realmente não esperavam tanto.  Gostamos também do futebol brasileiro (como todos gostam), da paisagem e temos muita curiosidade de estar lá um dia.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Metz Em Barcelona. Conheça a nova aposta da Sub Pop.


Metz em Barcelona

15/02/2013 - Sala Apolo 2 - Barcelona/Espanha


Tudo bem que nosso querido festival Primavera Sound só inicia suas atividades de maneira oficial em Maio. Porém desde o mês de Janeiro que o mesmo virou noticia com o anúncio do cartaz para 2013, conseguindo reunir bandas histórias e como sempre novos nomes da cena musical, seja ela indie, punk, metal, hip hop ou sabemos mais lá o quê alguém queira definir como vertente do rock.

Uma das bandas que estará em atividade no evento é o Metz que para aquecer o público e mantê-lo antenado tocou em Barcelona na última Sexta-Feira, 15 de Fevereiro.

Só por estarem sob a batuta Sub Pop já chama atenção, um selo que é sinônimo de qualidade e ainda que em algumas ocasiões caminhe por um pântano no meio da escuridão, poucas vezes suas apostas não dão resultado e o Metz é uma aposta em alta no mercado. 

Com apenas um disco para oferecer dentro do curto setlist em que todas as músicas do mesmo foram tocadas, fazendo com que os simpáticos rapazes se desculpassem pelo curto show, tivemos ruído de qualidade numa sala Apolo (2) que por um momento parecia não receber um bom público. Somente aos 44 do segundo tempo o público compareceu e praticamente lotou o pequeno recinto, algo que vem sendo raro na atual situação da Espanha que em vários shows oferece casa vazia ou meia-boca. 

Apesar de muitos mencionarem a banda como totalmente influenciados por Pixies e Shellac o que mais saltou os olhos foi a semelhança com os primeiros Sonic Youth misturando distorção, vocais berrados e melodia, ainda que "Wet Blanket" seja quase um hit. 

Já de cara sentimos o clima da banda em cima do palco. Para abrir a noite baixo e guitarra num esporro sem fim com uma bateria sendo tocada de maneira insana, muita fumaça no palco para dificultar as fotos e luzes strobe em pontos estratégicos para dar o toque final. Para completar a festa um público que agitava mais que em shows hardcore, ainda que existisse um hipster e outro com cara de intelectual torcendo o nariz e dizendo que isso não é curtir um show, ganhou a maioria. 

Finalizaram o já mencionado curto show espancando os instrumentos no chão e nas caixas de retorno.

Começamos bem o ano "primaveral".
Enviado por Mauricio Melo

Confira fotos desse show, por Mauricio Melo:


TAMBÉM PUBLICADO POR ZONA PUNK - http://zp.blog.br/?m=reviews&t=3&id=1045

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Du Baú - Motorhead entrevista (2011) - A Máquina milagrosa.


Máquina Milagrosa.
O Motörhead me curou!  
Lançando The World is Yours a banda passa pela segunda vez em Barcelona, Espanha, em menos de um ano.  Na primeira ocasião o disco estava recém lançado e mesmo assim o trio lotou o pavilhão do Sant Jordi Club.  Desta vez, a banda veio acompanhando o Judas Priest e sua turnê de despedida, a Epitaph.  Fomos gentilmente atendido por Mikkey Dee que  ao contrário de Halford e sua turma, não pensa em aposentadoria, já planeja em disco novo para 2012 e está mais ansioso do que nunca para desembarcar no Brasil.  
Porque o Motörhed me curou?  Eis que estava sentado tranquilamente sentado na sala de espera do médico com uma dor sem fim, que vem se arrastando há meses nos tendões de Aquiles.  Há uma semana negociando a cobertura do show sem grandes expectativas e há poucas horas do início do evento, nenhuma mensagem ou sinal positivo fora o suficientemente convincente para desmarcar a tão importante consulta.  Até que, como num passe de mágica, ou de tecnologia, chega um correio eletrônico no celular, confirmando não só o show mas uma inesperada entrevista com o já citado Mikkey Dee.  Como se tratara de uma benção, saí correndo da sala, só deu tempo de pegar o equipamento e formular umas perguntas no caminho do encontro.  Lá pelas tantas, me dou conta de que os Aquiles já não incomodavam.  O milagre do rock!
Por Mauricio Melo

Com a visita confirmada para shows no Brasil e especialmente no Rock in Rio, vocês tem algo especial preparado para estas apresentações?
Ainda não sabemos (risos).  Na verdade gostaríamos de ser os headliners do evento para poder dispor de mais tempo mas entendo perfeitamente a posição dos organizadores.  O que o público pode ter certeza é de que faremos um bom show...
Com certeza muita gente gostaria de tê-los como headliners e assim dispor de mais tempo de apresentação num festival.  Aconteceu o mesmo com a versão espanhola do festival, quando o Metallica também foi o headline e vocês tocaram antes.
O Metallica é uma banda fantástica e todos sabemos disso.  São grandes e provavelmente a maior banda do mundo.  No final das contas não nos importamos com isto contanto que nos coloquem num dia bom, com bandas boas e com tempo suficiente para dar ao público o que eles merecem.  Será bom, estamos felizes.  
Há alguns anos, quando o Motörhead foi a América do Sul, talvez pela primeira vez, houveram alguns problemas em shows, não?
Acho que a primeira vez que fomos ao Brasil foi em 1993 mas não tivemos nenhum problema.  Talvez esteja se referindo a Buenos Aires alguns anos mais tarde.  Naquela ocasião o promotor mudou de a casa de show, um lugar menor, e aí foi o problema porque várias pessoas compraram os ingressos mas não conseguiram entrar, foi uma loucura...foi há muito tempo, já é passado.  
Em uma situação laboral normal, com 65 ano de idade chega a aposentadoria.  Sabemos que o Motörhead não é composto de jovens e mais especificamente Lemmy completou esta idade na época de lançamento do The World is Yours.  Algum dia já passou pela cabeça o tema, aposentadoria?
Não, na verdade não temos motivos para isto.  O que acaba sendo irônico é que na noite de hoje temos Saxon, Motörhead e Judas Priest e todos estamos na idade de aposentadoria e são três bandas incríveis.  Não pensamos nisso, tipo aposentadoria, nem ideia disto...o que faremos?  Trabalhar no McDonald's? (risos).
E quando realmente acontecer porque ninguém vive para sempre, como vocês gostariam de serem lembrados?  Talvez ser como Johnny Cash que é referencia na música em diferentes públicos?
 Acredito que atualmente já somos referencia para diferentes públicos.  Pessoas  gostam de nós por diferentes razões, por razões que nem consigo contar.  Nem todo mundo necessariamente gosta da música, gostam do Motörhead por razões que vão além da música como atitude, estilo, fashion e claro, a música é a razão principal.  Não especulo nada, é impossível pra mim sentar aqui e falar disso hoje.  Fazemos o que fazemos de melhor maneira possível, se gostam é excelente mas se alguém não gosta tudo bem ninguém é obrigado a isto.  Nossa música tocamos para nós e para nosso público, nunca sentamos e discutimos se as pessoas irão gostar hoje ou daqui a muitos anos, simplesmente não nos importamos com isto.  Existem milhares de pessoas ao redor do mundo que gostam e isso é o mais importante.  
O documentário sobre o Lemmy.  Sabemos que foram gravadas horas e horas sobre toda a banda e no final o alvo principal foi o Lemmy.  Apesar de ser muito bom, ficou a sensação de que o diretor jogou para ganhar, focou no personagem principal sabendo que teria êxito.  Você e o Phil ficaram aborrecidos com o tema?
Sim e não.  No final tive 10 segundos, foi inacreditável!  Estou feliz porque o filme sobre o Lemmy é um bom filme, ou seja, o filme em si é muito bom mesmo e fico feliz por Lemmy.  Fiquei aborrecido por... não necessariamente por mim mas existia muita gente importante para o Motörhead que ele (o diretor) deixou de fora, em minha opinião.  Se você perguntar ao Lemmy não sei se terá a mesma opinião mas se considero nosso grupo de pessoas como uma grande familia, acredito que deveriam participar do documentário porque são importantes para Lemmy e para o Motörhead.  Por outro lado existem pessoas que não representam nada ou pouco mas que lá estão.  Ele deveria ter mostrado os super-fãs que viajam pelo mundo, os fãs clubes, as pessoas que fazem a banda funcionar nos bastidores, etc.  Acho que estas pessoas não tiveram espaço no documentário.  Não me importo se estou ou não no filme porque já sou baterista do Motorhead e isso representa muito mas os fatos existem.  Phil toca na banda há quase 29 anos e porque ele não está nas imagens?  Toco há vinte anos com Lemmy e praticamente nem fomos mencionados.  Foram três anos de gravações, a coisa parecia interminável, demos a ele todo o tempo do mundo.  Eles foram aos shows nos Estados Unidos, Europa, América do Sul, em todos os lugares.  No final nos deram segundos mas meu aborrecimento maior foi que outras pessoas mereciam mais atenção.  Mesmo assim, como mencionei antes, fico feliz por Lemmy e gostei mais da primeira parte, a segunda metade não gostei muito.  
O disco The World is Yours foi gravado em três diferentes lugares.  Funcionou melhor desta maneira?
Um dos motivos  e que muita gente sabe é que o pai do Phil estava muito doente nesta época e teve que ser assim.   Ele passou muito tempo com a família e gravamos à distancia.  Acho que o resultado final foi bastante satisfatório, é um bom disco.  
Algum motivo interessante por trás do titulo do disco?
Não necessariamente.  Estávamos pensando num título e com toda esta crise econômica acontecendo achamos que encaixava perfeitamente.  A crise ainda está por aí, muita merda acontecendo.
Quando se fala em Motörhead e outras grandes bandas, logo o que vem na cabeça é uma vida de “estrelas do rock” com carrões, mansões ou apartamentos de luxo.  Ainda que somos conscientes de que a postura do Motörhead nunca foi essa, no documentário sobre o Lemmy o vemos morando num pequeno apartamento e de aluguel, é isso mesmo?
 (Risos) Tenho alguns grandes carros!  Mas o Lemmy mora mesmo naquele apartamento, ainda que pensem que era uma montagem do documentário.  Na verdade, como foi revelado no filme ele gosta de gastar dinheiro com outras coisas, é um “Cassino Man”.  De alguma maneira faz sentido porque nunca está em casa, daí para que necessita de uma casa quando nunca pode viver nela, estamos sempre viajando.  O ônibus são nossas casas!
Já pensam em material novo?  Se sim, já existem produtores, músicas, local de gravação?
Claro! ano que vem já tem disco novo é como um relógio de ponto.  Ainda não temos produtores nem nada disso, sempre funciona assim, nunca sabemos mas o resultado final é positivo.  Já começamos a escrever alguns riffs e músicas e até Março iniciaremos algo de maneira oficial.  De repente vem um album ruim mas esperamos que não (risos).  
Como é ser considerado por Lemmy e muitos outros um dos melhores bateristas do mundo no estilo?
Definitivamente não toco pensando se serei ou não considerado o melhor.  Gosto de ser bom para mim e se as pessoas gostam do que faço é gratificante.     Toco bateria a vida inteira, mesmo que não tocasse com o Motörhead tocaria em alguma banda que gostasse de mim mas é claro que por outro lado a banda   me deu forma e estilo.  Sou feliz por estar em forma, saudável e continuar fazendo o que gosto, sair em turnê, compor músicas e tocar o que crio.  Sou feliz por isso.
Alguma mensagem para os fãs brasileiros que em breve estarão com vocês?
Vocês são uns bastardos e me matam quando vou até aí.  Me divirto aos montes no Brasil.  Um abraço para nossos amigos brasileiros.  É um país maravilhoso e temos amigos por lá.  Sempre temos lembranças positivas do Brasil, gosto muito de estar lá.  Vejo vocês em breve. 




quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

The xx: NPR Music Tiny Desk Concert



Lembrando que o grupo tocará em Barcelona ainda este ano, trazido uma vez mais pelo Primavera Sound.
www.primaverasound.com