quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Programação da semana no Subúrbio Alternativo

Fim de semana se aproxima e com ele uma recheada programação no bar Subúrbio Alternativo em Brás de Pina.  
Na Sexta-Feira rola A Prole, o maior nome do Pop Rock suburbano de volta ao buteco além dos DJs Lex, Alex Santos, Luciano Cabeção e Roger Spy.
No Sábado é o dia do Subúrbio Arte Nativo com direito a grafitagem, artesanato, bazar, roda de versos e muito mais.  
Para finalizar, no Domingo teremos shows com as bandas Fire Garden, Downhill, Drops 96 e Ollie.  Vale lembra que os eventos tem entrada franca, grátis ou melhor 0800.
Subúrbio Aternativo:
Rua Iguaperiba, 155 - Brás de Pina - Rio de Janeiro
Esquina da Passarela 17 da Av. Brasil - (7812 6748)

Mais detalhes no Facebook - https://www.facebook.com/SuburbioAlternativo?ref=ts&fref=ts




terça-feira, 5 de novembro de 2013

Arcade Fire confirmado no Primavera Sound 2014

Press release 05.11.2013

ARCADE FIRE CONFIRMA PRESENÇA NO PRIMAVERA SOUND 2014 EM BARCELONA.



O grupo canadense Arcade Fire confirmou presença no festival Primavera Sound para a edição de 2014.  Será a única apresentação do grupo em território espanhol e chegam ao evento com status de banda grande e com o recém lançado Reflektor, produzido por James Murphy (LCD Soundsystem) e o selo DFA, onde marcam uma significante mudança no som da banda sem que a mesma perca sua identidade.

Para o anúncio oficial do grupo, a organização do festival colocou um poster tamanho gigante numa das ruas mais badaladas da cidade de Barcelona, a Portal de L'Àngel, sem aviso prévio e o que pegou de surpresa os indies de plantão, não é nenhum exagero dizer que a noticia se espalhou em questão de poucos minutos nas redes sociais.  A idéia do poster fez referência ao formato utilizado pelo grupo para o lançamento de Reflektor.  

Com o anúncio, o Arcade Fire se junta aos americanos do Neutral Milk Hotel que foi anunciado como atração durante a edição passada do festival, ou seja, com um ano de antecedência.   

Vale também mencionar que a Heineken será a patrocinadora oficial do evento por um ano mais.   A décima quarta edição do evento se realizará entre os dias 29 e 31 de Maio no Parc del Fòrum.  Ingressos a venda pela bagatela de 160,00 Euros (inclui os três dias) até o dia 7 de Janeiro.  Após esta data o mesmo passa a 175,00 Euros.

Mais informações:  www.primaverasound.com  


A Place To Bury Strangers em Barcelona 31/10/2013 - Sala Razzmatazz III- Barcelona/Espanha


Dia 31 de Outubro em Barcelona é uma noite mais do que previsível. Festas, fantasias de monstros, zumbis, bruxas, vampiros e por aí vamos.   Poderíamos dizer o mesmo de um show show do A Place to Bury Strangers mas não podemos. Tão imprevisível quanto o que o trio nos oferece é a peculiar barraca de merchandising dos nova iorquinos. A começar pelos protetores de ouvidos personalizados que se vende e numa linha de raciocínio chegamos a conclusão que a banda vende para seu público uma proteção contra seu próprio ruído, ou melhor, vendem o antídoto para que o público se cure de seu veneno. Ainda na barraquinha observamos um pedal de efeito e distorção da Death by Audio, fabricado pela empresa do próprio vocalista, Oliver Ackermann. Resumindo, venha ao show, proteja seus ouvidos da porrada sonora que oferecemos e compre um pedal para fazer o mesmo na sua vizinhança…ótimo.

Ótimo também foi a banda de abertura, Bambara. Muito bem encaixada na noite já que faz o mesmo perfil da banda principal. Um show curto e intenso, tendo no vocalista e guitarrista o grande destaque.

Já para os donos da festa a noite estava ganha. Confesso que gostaria muito de ver a banda atingindo a um maior público e tendo melhor exposição mas fica aquela eterna sensação de que não se mexe em time que está ganhando e que muito possivelmente a banda esteja projetada e pensada para viver no underground, por trás da cortina de fumaça com que dão as boas vindas ao público segundos antes dos primeiros acordes.

Também chama atenção o comportamento do trio momentos antes de entrar em cena. Por falar em cena e cenário, o mesmo estava milimétricamente montado. A bateria ao centro com o nome da banda no bumbo, guitarra e baixo deixados no chão junto a uma infinidade de pedais, para ambos instrumentos. O trio passou de uma descontraída conversa a tomar de assalto o palco num piscar de olhos com a já comentada cortina de fumaça tomando conta da pequena sala Razzmatazz 3 de maneira tão densa que mal podíamos ver os integrantes a meio metro de nossos olhos, apenas recebíamos os impactos dos primeiros acordes da noite de "Alone".

Mais adiante conferimos todo o teor de ruidosas e sujas canções de seu mais recente lançamento, o EP Strange Moon que nada mais é que a gravação de covers da banda Dead Moon. Também pudemos conferir de perto a nova formação do trio, que conta com um novo baixista, bem não tão novo já que na última passagem da banda por Barcelona apresentando naquela ocasião Exploding Head, Jono Mofo já havia sido substituído por Dion Lunadon que por sinal deu nova vida ao grupo, tendo inclusive a liberdade de interpretar com competência "Graveyard", saltando em direção ao público, ajoelhando, batendo o baixo no chão e arremessando o mesmo para a lateral do palco ao final de sua performance. Também apresentaram ao público seu novo baterista, Robi Gonzales que não deixa nada a dever ao antigo dono do posto Jay Space, além de um setlist completamente renovado, deixando para trás boas canções do primeiro álbum lançado em 2007 e apostando em composições dos discos mais recentes.

   Dentre as que podemos destacar citamos "Mind Control" e You Are The One" de Worship. "Keep Slipping Away" e "Dead Beats" de Exploding Head e o material completo do recém lançado e já citado EP finalizando a noite com "Lost Feeling" em versão mais extensa, com Oliver Ackermann se contorcendo diante dos efeitos criados em sua guitarra.

No Hallowenn de Barcelona, muita gente saiu de casa fantasiado para uma festa.  Nós fomos a uma festa com roupas normais  e saímos de lá fantasiados de surdos. 

Viva a distorção!


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

New Model Army em Barcelona 25/10/2013 - Music Hall - Barcelona/Espanha


Hoje, uma grande responsabilidade repousa sobre meus ombros.  Escrever sobre o New Model Army não é e nunca será uma tarefa fácil, existem milhares de olhos atentos às linhas que estão por vir. Penso: "Não posso decepcionar". Apesar de estar decepcionado por razões alheias ao grupo, ao show e nunca estarei por sua música. Por falar em razões alheias, o prometido show de duas horas de duração acabou não rolando por problemas na logística.  Aqui é assim, palavra bonita e moderna para dar aquela desculpa. Ainda que no caso do NMA o problema de logística quase tenha custado caro ao grupo, ao promotor e claro, ao bem mais importante que uma banda de rock pode ter, seu público.

    Ao chegar na sala Music Hall com bastante antecedência havia uma fila na entrada do recinto, o bar ao lado lotado com a galera do aquecimento e um aviso na entrada que, a banda de abertura havia cancelado a apresentação e o grupo principal atrasaria.  Quatro horas antes da hora marcada os ingleses ainda se encontravam em Perpigñán (França), uns 200 KM de distância, devido a problemas com o ônibus, o que obviamente reduzia o tempo em cima do palco já que a maioria das salas em Barcelona são destinadas a outros eventos após os shows e assim como existe a hora para começar, também existe hora para acabar.

Na boa?  Receber o New Model Army em sua cidade, apenas três dias após o grupo de Bradford (Inglaterra) completar 33 anos de estrada, ainda que fosse uma apresentação de meia hora, já valeria à pena.  Ainda que em outras oportunidades vi que duas horas não cobrem tudo o que tem de melhor. O mais gratificante foi ver na mencionada fila, um público adulto, vestido de NMA, pais levando seus filhos para assistir o que provavelmente foi a trilha sonora de sua juventude, com os documentos de autorização e responsabilidade do menor devidamente assinados e depois ver os moleques se esbaldando entre o público. 

Quando por fim estávamos em frente ao palco, os roadies ainda passavam o som…cada minuto contava.  E com tudo isso Sullivan sobe ao palco com um setlist de 16 músicas debaixo do braço, que ao final se converteram em 18.  O público esperava uma apresentação somente com o que pode ser considerado "top top" não só pelo tempo disponível mas também pela recente data marcante. Mas Justin relutou e oficializou a turnê de lançamento de Between Dog & Wolf com 8 músicas do mesmo e distribuindo as demais entre um lapso e outro. Abriu com "I Need More Time" e não foi muito distante para buscar "Today is a Good Day", música título do trabalho anterior e voltou com novidades sonoras. O disco novo funciona muito bem, já havia gente com as letras na ponta da língua mas nada supera o impacto que os primeiros acordes de "The Hunt" provocou na sala. Podemos fazer a mesma menção para "Here Comes the War", já na introdução de teclado Sullivan caminhava de um lado a outro, como se estivesse atordoado, como se algo fosse realmente acontecer quando o refrão da música fosse gritado, sua expressão facial quase sexagenária, cabelos grisalhos e sua conhecida "banguelice" frontal. Bom destaque para o jovem baixista e indispensável comentário para Dean White com seus solos, hora punk, hora atmosféricos e literalmente brincando com as cordas de sua Gibson. 

Do aclamado Impurity "Lust For Power" foi entoada aos quatro cantos da sala e quando tudo parecia haver acabado, Justin Sullivan atendendo aos pedidos de bis retorna em solitário para "Green and Grey" de Thunder and Consolation. Sentado na escadaria que dá acesso ao público, de onde se pode assistir a boa distância o show e observando como pessoas de braços abertos cantam cada palavra escrita por Sullivan, tenho a dimensão exata do significado da noite, ainda que a mesma acabasse com todos os integrantes no palco, instrumentos em punho, aos acordes de "Vagabonds". 

Enviado por Maurício Melo







domingo, 20 de outubro de 2013

Last Warning! Dicas dos shows imperdíveis da semana em Barcelona.


Para quem pensa que o correspondente de Barcelona se aposentou, sumiu, desapareceu…  Aí vai a dica ao viajantes do Velho Continente.  
Esta semana promete e muito e um dos nomes de destaque é o New Model Army, lançando disco novo e visitando as cidades de Barcelona, Valencia e Madrid.  O nome do trabalho é "Between Dog and Wolf" e foi lançado no último dia 23 de Setembro pela Attack Attack Records.  Nossas intenções em cobrir o evento são boas e as chances melhores, ainda mais quando se trata de um nome como o New Model Army e um promissor show de duas horas.
Então, para você que está passando pela Espanha no próximo fim de semana ficam as datas:
NEW MODEL ARMY
25/10 - Barcelona
26/10 - Valencia
27/10 - Madri
Mais informações na página da promotora Eclipse Group Barcelona - www.eclipsegroupbcn.com



BARCELONA HARDCORE
Para quem curte uma cena independente e hardcore local a dica fica por conta de Col.Lapse, Whip Back, Constrict e Dirty Sanchez.  Rola no Sábado às 19:00 no centro cívico Casal de Joves de Roquetes.  Mais informações aqui.  


FOALS
No mesmo dia 27 de Outubro, também temos uma opção mais leve, Foals.  Os rapazes passam por Barcelona lançando disco novo, como de praxe.  Organiza a Live Nation da Espanha e detalhes de compra de ingresso AQUI   ou diretamente na página da Live Nation, www.livenation.es

BIOHAZARD
Ainda que não seja esta semana e que na próxima teremos mais uma publicação de um Last Warning! já deixamos a dica de antemão.  Os nova iorquinos do Biohazard visitarão Barcelona (além de outras datas na Espanha) após 4 anos.  Naquela ocasião o quarteto contava com a formação original na celebração dos 20 anos de carreira.   Desta vez o ainda quarteto, porém sem a figura de Evan, visita o tradicional Estraperlo Club del Ritme de Badalona.  
Mais informações aqui


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

BAM 2013 - Barcelona Acció Musical com Miles Kane, The Free Fall Band e El Petit de Cal Eril



BAM - Barcelona Acció Musical com Miles Kane, The Free Fall Band e El Petit de Cal Eril
Local: Antiga Fábrica Estrella Damm
Dia:21/09/2013
Texto e Fotos:  Mauricio Melo.  

Miles Kane

O verão oficialmente se despede de Barcelona no final do mês de Setembro e os catalães unem o útil ao agradável celebrando ao mesmo tempo a festa de La Mercè (Mare de Déu), padroeira da cidade, com vários eventos culturais gratuitos e suas tradições que incluem dança, culinária, projeções em alguns monumentos da cidade e também um festival de música, que pode incluir desde o mais tradicional músico catalão ao mais potente rock internacional e suas misturas.  
O BAM (Barcelona Acció Musical) que já teve em seu cartaz bandas como Primal Scream, The Hives, Asian Dub Foundation, The Kooks, The National, entre outras, tocando gratuitamente em algum ponto da cidade, este ano apostou em novidades e nós conferimos um dos dias no palco mais badalado dos últimos anos, o já tradicional palco da Antiga Fábrica Estrella Damm, marca de cerveja local.  
Dentro da programação do Sábado 21 de Setembro conferimos três nomes.  O primeiro deles é considerada a grande revelação da indie music catalã e se chama The Free Fall Band.  Os rapazes conseguiram tanta admiração que já tem como padrinho oficial, o maior festival de música de Barcelona cuidando de seus interesses, o Primavera Sound, que para muitos é sinônimo de qualidade.  Segundo a mesma fonte que me confirma tal história, teve a oportunidade de descobrir esta banda há uns três anos, tocando na rua.   A qualidade é nítida e salta aos olhos e ouvidos desde os primeiros acordes de um recém lançado disco chamado Elephants Never Forget e músicas como "Miqui's Two Nostalgic Punk Songs" e "Zombies".  A força dos rapazes é tanta em Barcelona que mesmo tocando em plena luz do dia, o público concentrado diante do palco já era de bom tamanho com jovens recém saídos da adolescência cantando seus versos de um rock misturado ao jazz, com saxofone e clarinete.  Não muito depois tivemos El Petit de Cal Eril, também catalão e com um estilo mais local, ainda que dentro de seu show, com um palco bastante populoso e imensa variedade de instrumentos, deu o tom do por do sol com seu pop-psicodélico e deixou o exemplo de sua força com "Amb Tot".
Já sob luzes artificiais e recebido como grande atração da noite tivemos Miles Kane e de boa, Deus salve a Rainha e sua fucking ilha cinza, são os maiores exportadores de rock do mundo.  Copa do Mundo só ganharam uma e tem um campeonato de futebol repleto de times com petro-dólares e poucos britânicos de chuteiras mas para fabricar músicos de qualidade a já mencionada Ilha Cinzenta leva uma enorme vantagem sobre os demais países.  Para quem ainda não associou o nome ao som voltemos a um passado recente, quando Alex Turner do Arctic Monkeys apareceu com um projeto paralelo chamado The Last Shadow Puppets e carregava consigo seu amigo de infância Miles Kane, na época com sua banda de abertura para os Monkeys, o The Rascals.  Pois bem, o projeto era realmente parelelo, o The Rascals caiu pelas tabelas e cansado de tudo Kane saiu em solitário e reapareceu com um disco chamado "Colour of the Trap" debaixo do braço que continham algumas composições de de amigo Turner, um par de singles foi o suficiente para catapultar o rapaz, lançar um EP e posteriormente um disco produzido por Paul Weller, Don't Forget Who You Are (2013).
O ver o figura sair do camarim em direção ao palco que tocou à sua espera músicas de Oasis e The Beatles (Helter Skelter) e sua maneira de caminhar vem a pergunta, qual dos personagens interpreta Kane? os irmãos Gallagher, Ian Brown ou mesmo Weller?  A grande verdade é que o rapaz tem competência de sobra encima do palco e talvez só não tenha virado o queiridinho do público e crítica porque até o momento vai se garantindo apenas em sua música, não pode oferecer mais, um cidadão magro, de média estatura, com um corte de cabelo ao melhor estilo (capacete) The Jam, com muito estilo e marra apesar de comunicativo e simpático com seu público mas de pouca beleza, daí quando te falta beleza haja talento para chegar a algum lugar num país que fabrica bandas de rock em série.  Abriu a noite com "Take Over" seguida e "You're Gonna Get It" e incendiou de vez o jovem público que a aquelas alturas já havia crescido de maneira considerável.   Ainda que "Rearrange" tenha levantado ainda mais o público, o mesmo surpreendeu cantando letras inteiras de músicas como   "First of My Kind", "Tonight" e "Better Than That".    Fechou em alta com uma versão mais extensa de "Come Closer". 
A felicidade de Kane foi latente ao terminar a apresentação, boa parte do público também se deu por satisfeita e quem lá não esteve, que se lamente.  
Miles Kane

The Free Fall Band

El Petit de Cal Eril

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Primavera Sound Touring Party 2013












Du Baú - Walls of Jericho entrevista (2010)




Sem Pressão!
Walls of Jericho supera uma década de brutalidade musical de forma honesta e definitivamente não quer saber de pressão por parte de gravadoras.  Há anos sem lançar nada, guitarrista e baixista da banda atendem  ao Substance Barcelona 
para deixar claro que disco novo sairá quando a banda desejar e não quando houver um limite imposto por empresas.  Também conta detalhes do verdadeiro título, The American Dream, e do suposto DVD com imagens gravadas no Brasil, que ao final nunca foi lançado.
Por Mauricio Melo



Walls of Jericho já tem mais de uma década na estrada, melhor dizendo que está entrando em seu décimo terceiro ano em atividadade.  Vocês acreditam que o tempo passou muito rápido se dermos uma rápida olhada para trás?

Mike Hasty - Sim, quase não pensamos nisso mas se olharmos para trás e pensarmos no estávamos fazendo há treze anos é como "é maneiro mas nem tanto"

Aaron - Se olharmos pelo lado das mudanças parece até que foi há muito mais tempo.  Quando começamos não existia toda essa internet que existe hoje, então parece que foi há muito mais que treze anos.  Aí sim podemos dizer que houve muitos progressos por exemplo.

Hasty - Foi exatamente no final de uma era...

Aaron - Isso, fomos uma das últimas bandas daquele momento "antigo".

Hasty - Ao invés de estarmos fazendo CDs demos ou lançando músicas online no myspace como fazem atualmente ainda estávamos na época de gravar demos em fitas cassetes...

Aaron - Fizemos milhares de cassetes para distribuir para as pessoas que gostassem de nossas músicas.

Hasty - Falávamos disto outro dia com os integrantes do Biohazard.  Quando o hardcore começou para eles nos anos 80 nunca imaginaram que poderiam chegar tão longe.  Você inicia uma banda, independente de seus objetivos, algumas nem tem objetivos, seja como for, comparado a uma banda agora que tem tantos recursos e tantos meios para colocar seu nome no mercado, etc.  Atualmente somos bastante felizes por tocar, sabíamos no início de tudo que teríamos capacidade para fazer shows e tínhamos esperança de estar numa gravadora um dia e fazer uma ou duas turnês.  Me lembro que só em imaginar a possibilidade já era incrível, agora necessita de quinze braços pra dar conta do recado...
E agora, pede férias?...Não, definitivamente não, amo o que faço.


O que vocês acham de bandas que após um tempo na estrada e conseguir o que realmente querem, que é gravar e estar em turnê, começam a queixar-se da rotina ou da vida que levam?

Hasty - Bem, não estou cansado disto mas entendo perfeitamente quem pensa assim.  Escolha qualquer um ou até mesmo você que muitas vezes viaja para cobrir shows, etc.  Se alguém tem um objetivo que é viajar ao redor do mundo por exemplo e é capaz de fazer isto, é incrível.  Me lembro retornando pra casa após a primeira turnê na Europa, empolgadíssimo.  Agora, após estar aqui umas quinze vezes, apesar de ainda ter seus "encantos" já não é tão empolgante.  Até mesmo os locais onde toca começam a repetir, como "ah! já tocamos aqui uns dois ou tres anos atrás..." e por aí vai.  Algo se perde mas ao mesmo tempo, ainda gosto do que faço, tocar, gravar, viajar.  Prefiro estar aqui tocando do que estar em casa, trabalhando ou não, tanto faz, prefiro estar aqui.

As letras do Walls of Jericho normalmente não são politizadas mas com o título The American Dream muita gente passou a associar o grupo ao lado mais político.  Qual a diferença de temas entre as letras deste para os demais?

Aaron - Não, para este disco simplesmente estávamos enlouquecidos, todos escrevemos as músicas juntos e tinhamos o mesmo sentimento e o mesmo alvo.  Tivemos alguns problemas, não entre nós mas coisas que envolviam a banda e que detestamos e escrevemos o disco neste clima.  Por isso o disco tem este clima de protesto.  Todas as pequenas coisas que nos incomodavam colocamos nas músicas.

Igualmente foi uma coincidência com a explosão da crise financeira no mundo e nos Estados Unidos?

Hansy - Acho que não...

Aaron - Algumas coisas estavam acontecendo no mesmo momento e que de alguma forma te inspiram mas nenhuma relação direta.

Hansy - Igualmente, para todos os lados utilizam a crise financeira para explorar as pessoas.  Pessoas que tinham bons empregos perderam tudo ou continuam fazendo o mesmo trabalho pela metade dos ganhos que tinham anteriormente mas você tem que aceitar porque é melhor do que estar desempregado.  Daí as empresas descobrem que não necessitam pagar mais se as pessoas fazem por menos.

The American Dream foi lançado há mais de três anos.  Vem algo novo por aí?

Hansy - Estamos tomando um respiro.  Para ser honesto é sobre isto que é o The American Dream.  Acho que estamos frustrados porque a banda se tornou algo que realmente nunca foi e estava fora de nosso controle.

Aaron - Sim, exatamente isto.  Éramos uma banda pequena, onde fazíamos tudo nós mesmo, tipo Do it yourself  e de repente entram umas pessoas no meio da história dizendo que querem te ajudar e não é bem assim, acabamos perdendo o controle de coisas que estávamos acostumados a fazer e ficamos "perdidos".  Agora retomamos o controle da situação e queremos fazer as coisas como tem que ser feito.  Não queremos pressões para lançar isto ou aquilo, quando quisermos um disco novo faremos mas agora mesmo estamos curtindo um tempo "livre".

Hansy - Os últimos dois discos que fizemos tiveram que ser feitos num tempo específico, sair por algo específico, este tipo de disco, este tipo de música, etc. 

Podemos fazer isto mas quando quisermos e não sob pressão.  Se pode começar a compor quando quiser mas sem uma data limite para entregar o trabalho, não é assim que funciona.  Porque dizem que se você não fizer não tem aquele tipo de turnê ou isso e aquilo.  Por este motivo não temos pressa para nada.  Faremos um disco quando sentirmos que temos uma razão para fazê-lo, queremos algo feito por inspiração e não porque tem que ser feito.


O show do Hellfest do anos passado, 2010, foi o primeiro após um longo tempo em inatividade, certo?  Algum motivo em especial?

Hansy -Sim, estivemos seis meses parados.

Aaron - Foram umas férias, nada mais.  Depois do Hellfest iniciamos nossas atividades normais.

Hansy - Sim porque depois de um tempo você já não tem o que fazer e decidimos fazer uns festivais de verão.

Aaron - Ficamos meses sem nos falar, férias total.  Nada de banda, negócios, nada de nada.  Pra dizer a verdade nos encontramos algumas vezes mas, falávamos de guitarras, riffs ou algo gravado mas nada de planos oficiais para a banda.

Hansy - Tivemos um projeto juntos enquanto isso.  Na verdade tudo começou quando nosso baterista saiu da banda anos atrás.  Depois que retornamos com o Walls o projeto ficou de lado, daí quando entramos de "férias" pensamos "Ei! é um bom momento para um disco!".
Então de férias não rolou nada...

Claro que sim, isso é férias pra gente, diversão total (risos). 

Já pensaram em fazer algum álbum conceitual?

Aaron - Não é nosso estilo...

Hansy - Quando não tivermos nada do que nos enfurecer, daí escreveremos algo conceitual.  Daí, com certeza será conceitual enfurecido com alguma coisa (risos).  Também quero dizer que quando falo em estar puto com alguma coisa não queremos que as pessoas pensem que só escrevemos músicas para reclamar das coisas ou que só vemos o lado negativo de tudo.  Mostramos o lado negativo mas pensamos positivamente para tentar melhorar a situação da qual nos queixamos.

Se a banda fosse convidada a fazer parte de uma grande gravadora, aceitaria o convite ou não?

Hansy - Desde o momento que tivéssemos liberdade, realmente não me importaria.  O problema com as grandes é o que comentávamos antes, datas para entregar trabalhos, datas para compromissos, etc.  E uma coisa que aprendemos é que não se faz um bom disco se alguém não se sente criativo para aquilo, não se pode chegar e dizer "queremos um disco" e fazemos, não é assim.
Mas sabemos que as grandes trabalham assim...
Veja os festivais como o Hellfest ou Wacken.  Todas as bandas que estiveram na edição de 2010 estarão de volta em 2012 ou a maioria delas estará. Por que?  porque é assim que funciona o ciclo, daqui a dois anos estarão lançando algo novo e é o momento de retornar.  Gravar, lançar, fazer tudo o que pode em dois anos e fazer outra vez, como uma máquina.

A cenda atual é agradável?
Hansy - Acho que muita coisa cresceu desde os anos 90.  Existem grandes bandas straight edges que atualmente a idéia é muito mais aceita agora e ganhou muito espaço.

Walls of Jericho esteve no Brasil em 2009 e anteriormente também esteve captando imagens para um DVD ou algo assim.  Porque o Brasil foi escolhido?
Aaron - A América do Sul é incrível!  Desde a primeira vez que estivemos lá que ficamos impressionados.  Quando surgiu a idéia de gravar um DVD logo veio na cabeça a América do Sul porque era o ideal.  Porém nunca lançamos nada e por isso toda a história do The American Dream, a coisa estava tão descontrolada que o DVD nunca saiu, perderam parte do material, etc.  Gostaríamos de voltar e ter a oportunidade de refaze-lo.


No Brasil?  Qual a possibilidade da banda retornar ao Brasil?

Hansy - Voltaria hoje mesmo, com certeza.

Aaron - O problema é que nunca aparece alguém com esta pergunta "querem ir ao Brasil?" com as passagens na mão (risos).

Hansy - Iremos com certeza, provavelmente sem disco novo.  Definitivamente não teremos disco para apresentar.

Mas do jeito que as pessoas gostam da banda por lá, com certeza vocês não precisam de um disco novo como motivo para tocar no país...

Aaron - De alguma forma quase me sinto obrigado a oferecer algo novo ao público.  Me sinto mal em ir aos países e apresentar sempre a mesma coisa e não oferecer nada novo, é como se estivesse enganando os outros.  Gosto quando apresento algo novo mas fico feliz de que gostem da gente com o que já temos.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Du Baú - Napalm Death Entrevista 2009




Para iniciar, parabéns pelo excelente Time Waits for No Slave. Poderia nos contar um pouco sobre o novo álbum, o título e as letras? O Smear era mais concentrado em temas religiosos, com o Time Waits...?
Barney - Falamos mais em auto-realizações e não atacando a alguma coisa diretamente. Todo mundo, individualmente tem o direito da livre escolha. Seria basicamente dizer...encorajar pessoas a olhar o mundo, a todas as coisas que estão ao redor, entender as coisas simples e sentir-se satisfeitas. Fazer com que as pessoas pensem e apreciem um pouco do que tem a seu redor. Parar de pensar um pouco no materialismo e de 
quanto mais coisas necessito conseguir, algumas pessoas só pensam nas coisas materiais. É tempo de apreciar o que se tem a volta, nada mais.
 
No documentário do DVD Punishment in Capitals você comentou que quando esta em tour não costuma escutar música e prefere ler livros. Algum que tenha influenciado na composição do novo disco?
Barney - Realmente, quando estamos em tour não escuto música, já tenho o suficiente. Com relação aos livros tento não ser influenciado por eles, não os vejo como fonte de inspiração ou que cheguem ao ponto de influenciar na minha maneira de escrever. Algumas pessoas fazem ou já fizeram e não acho legal, acho que não me sentiria original sem utilizar minhas idéias para escrever uma letra. Igualmente não muda minha personalidade o que leio nos livros. Respeito muito as obras das pessoas que escrevem mas nenhum tem uma influência direta em minha vida ou para escrever.
 
Você acredita em conspirações?
Barney - Não de forma direta, acho que acabaria generalizando se digo que acredito em conspirações. Todas as coisas partem de uma individualidade. Acredito por exemplo que os políticos façam coisas ruins e que as pessoas não tem conhecimento? claro que acredito. Algumas pessoas chamam isto de conspirações mas chamo de lógica. Não tenho nenhuma da qual diga exatamente que foi uma grande conspiração até porque quando se levanta a possibilidade de uma se torna tão sensacionalista que perde o senso e não se chega a um resultado. Por exemplo, existe toda esta luta contra o terrorismo mas tenho certeza que estão mais interessados no lucro desta luta do que com uma solução, podemos dizer então que eles mesmos criam estas coisas porém não existem grandes conspirações de forma isolada, não são grandes conspirações, é questão de lógica.
 
No mesmo documentário citado antes, você falou que a banda já passou por duros testes durante estes quase trinta anos. Qual foi a pior experiência que vocês já tiveram com o Napalm e claro, a melhor?
Barney - Acho que tudo o que passamos foi um grande teste. Nos anos noventa por exemplo foi uma década muito ruim para uma banda como a nossa mas não só para o Napalm e sim para a música pesada em geral. Mas seguimos adiante e funcionou, hoje estamos onde estamos e por isso é a melhor experiência.
 
Vejo o Napalm mais como uma variação do hardcore do que outro estilo. Porém, muita gente ainda define a banda como death metal, estas definições sobre a música da banda incomodam? O público varia de acordo com a cidade ou país, algum mais hardcore outros mais metal?
Barney - São influências que temos de ambos estilos. Concordo que o Napalm seja mais uma variação do hardcore, porém temos que concordar que somos tão próximos de um quanto de outro estilo. Não somos uma banda de death metal mas temos grandes influências do gênero, sem dúvidas. Chegamos a um ponto que não nos importa qual definição nos dão, somos o que somos. Não necessariamente existe variação de público em nossos shows. Pessoas criam estas subjeções e não é o caso ter uma variação. O público é sempre misturado, não importa o país ou cidade em que tocamos. Claro que em algumas cidades pode existir um grupo maior relacionado ao metal e outros ao hardcore mas no geral o público é único, não existem divisões.
 
Do mesmo modo que a banda tem seu próprio estilo, muitos dos álbuns tiveram variações bastante latentes. É interessante descobrir que discos mais experimentais e que por vezes receberam alguma crítica negativa tenha exatamente influenciado tanta gente, o Converge por exemplo é uma delas. Podemos considerar que o Napalm estava adiante de seu tempo?
Barney - Sim, poderíamos afirmar que sim sem que isto soe um pouco arrogante. Muita gente que não gostava dos discos naquela época hoje em dia reconhecem o grande valor dos mesmos por diferentes razões. Realmente algumas pessoas comentam que aqueles discos foram uma grande influência, o Converge como você mesmo citou é um destes grupos. Não sou o tipo de pessoa que me preocupo com qual disco foi influente ou não mas ao mesmo tempo fico satisfeito em saber que o que fizemos funcionou de alguma maneira.
 
Bandas de diferentes estilos admiram e respeitam o Napalm, mesmo aquelas que não gostam, respeitam. Daí existem participações especiais nos discos como Jello Biafra, Jamie Jasta ou John Tardy por exemplo. Quando Jamie Jasta participou algumas pessoas criticaram a participação, como a banda vê estas criticas, a imagem de Jasta talvez tenha favorecido as mesmas?
Barney - As críticas não incomodam de maneira geral. Muita gente não conheceu Jasta antes do Hatebreed. Jamie promovia shows hardcore em sua cidade, inclusive os do Napalm Death, antes mesmo do Hatebreed sonhar em ser alguma coisa. Ele apoiava a cena local e não temos dúvidas de sua originalidade no hardcore. As pessoas colocam em dúvida originalidades sem saber ao certo as origens de outras. Talvez este seja o grande problema da cena hardcore, o fato de quem pode ser mais do que o seguinte. Não me sinto mais punk do que ninguém, o melhor é fazer suas escolhas, fazer a coisa certa e não tentar medir forças com alguém. Não tente ser mais elitista, ser mais do que o próximo porque não é assim que funciona. Sou apenas eu mesmo, sem vaidades.
 
Sobre a defesa dos animais que é um dos projetos que vocês apoiam. Aqui na Espanha ainda é comum a matança de touros. Recentemente assisti a um programa que após matar o animal existe uma celebração em praça pública e com direito a orquestra e pessoas bem vestidas para assistir o evento e o touro pendurado em praça pública. Dizem que é uma tradição com mais de 700 anos. Após tantos anos o ser humano ainda não evoluiu o suficiente?
Barney - Exatamente. Tradições não existem em momentos assim, não significam nada. Muitas vezes as tradições são colocadas acima da humanidade e isso não é nem metade do problema. Pessoas não enxergam os erros do passado quando o passado não pôde ser interrompido ou visto como um erro, então o que ou como irão aprender deste erro que eles não consideram errado? Não tenho nenhum problema de falar sobre tradições, que se danem! Na Inglaterra existe uma grande divisão de opiniões sobre tradições. Só por serem tradições não devemos contestá-las? Claro que não devemos ficar calados, isso seria ridículo! Estamos nos esforçando durante anos e anos para descobrir uma maneira de ser mais humanos uns com os outros, então porque não podemos aprender desta maneira? Se você me diz algo sobre touradas ou qualquer outro assunto que envolva touros aqui na Espanha, simplesmente não dou a mínima sobre estas tradições, isso tem que parar! É uma humilhação muito grande para todos deixar um animal numa situação como esta.
 
Algumas pessoas dizem que você e mais conhecido por suas opiniões provocativas do que por sua voz. Após ser um critico explicito da politica Bush, você acha que com a eleição de Obama as coisas podem mudar, ou a simples eleição de um presidente americano não faz nenhum milagre se o sistema mundial continuar o mesmo?
Barney - Sim, a resposta está praticamente junto da pergunta. Obama tem boas intenções, é mais pacífico e diplomático. Se o sistema continuar o mesmo os políticos não irão mudar muita coisa, ou nada. O mundo inteiro deveria mudar seu sistema para surtir algum efeito. Da mesma maneira que está acontecendo agora com a crise financeira. Somente quando algo brutal acontece simultâneamente é que existe uma mudança geral. Talvez mude um dia mas isso acontecerá em centenas de anos, não agora.
 
Em algumas de suas passagens pelo Brasil, você visitou alguma instituição ou algum projeto de defesa dos animais ou direitos humanos, já que é um país com bastantes problemas sociais?
Barney - Visitei em outros países mas por lá nunca, até porque não passei tanto tempo assim no Brasil, só mesmo o tempo para os shows. Gostaria muito de ter esta oportunidade e de visitar uma favela ou um projeto social em alguma comunidade por exemplo, muita gente diz que é perigoso mas não tenho nenhum receio, posso ir tranquilamente. Não sei exatamente como funciona, por isso tenho um comentário limitado sobre esta questão.
 
Seu estilo de vida, vegetariano, nada de drogas e álcool. Estando em tour é difícil manter a alimentação e como cuidar desta tão personalizada voz?
Barney - Tudo é muito típico quando se está em turnê mas não tão típico quando você imagina. Tudo depende do que sua mente diz. Se você é negativo sobre algo, nunca encontrará o que necessita. Se pensar positivo sempre irá encontrar do que se "alimentar". Não é difícil quando se consegue encontrar um equilíbrio, o controle está todo na mente. Não tenho nenhum cuidado especial para minha voz, só pelo fato de não fumar ou beber já ajuda muito, além do que já citei sobre a alimentação e cuidar da boa forma física, tudo reflete na voz.
 
Existem músicas que não podem faltar no setlist como Scum ou Siege of Power por exemplo. Não se torna cansativo saber que muita gente vai aos shows esperando exatamente estas músicas e acaba deixando os novos trabalhos de lado? Existe a possibilidade de algum dia estas músicas ficarem de fora?
Barney - O setlist não muda muito de um show para outro. Tentamos incluir um pedido ou outro mas não podemos ter dois ou três setlist porque ainda assim seriam parecidos e porque já não podemos fugir de algumas músicas como as que você citou por exemplo.

Há alguns anos você participou do Extreme Noise Terror. Algum projeto em mente ou algo que gostaria de fazer fora do Napalm nos dias atuais?
Barney - Não, nenhum projeto no momento. Não me sinto motivado a iniciar algo fora do Napalm Death. No futuro pode ser, mas atualmente não existe possibilidade. Com o Extreme Noise Terror foi legal mas olhando para trás posso dizer que poderia ter ficado melhor de uma forma geral. Se fosse gravado hoje seria diferente, é claro.
Neste momento acabo fazendo uma pergunta ao Mitch Harris que afinava sua guitarra na mesma sala:
 
Por falar em projeto; Max Cavalera comentou que gostaria de contar com sua presença no Cavalera Conspiracy mas você estava ocupado na época. Se o convite fosse refeito?
Aceitaria com muito prazer, seria brutal. Infelizmente estava muito ocupado na época do convite mas hoje em dia poderia acontecer sem problemas.
 
Alguma banda nova que te chama atenção?
Barney - Nenhuma grande banda no momento. Gosto muito Trap Them por exemplo. Fazem meu estilo e tenho muito respeito pelo trabalho deles.
 
Não existe nenhum membro original do Napalm atualmente, porém após tantos anos juntos vocês são mais originais do que os próprios. A banda perdeu Jesse Pintado alguns anos atrás mas foi forte o suficiente de seguir com força total. Porém se um de vocês sai da banda atualmente pode ser o fim? Esperamos que isso não aconteça.
Barney - Para mim é sempre o fato de quem pode fazer coisas boas para a banda. Não é o caso de quem é membro original ou não, seja no Napalm ou fora, falo de uma maneira geral, sobre todas as bandas. É muito remoto falar sobre isto, poderia chegar e dizer que gosto da banda como um trio por exemplo. Não necessariamente porque gosto deste ou daquele membro e sim porque pode-se fazer uma música melhor, é assim que funciona uma banda. Se as pessoas gostam mais dos antigos tudo bem. Se gostam dos últimos lançamentos ou uma mistura de todo, fica tudo em casa, sem problemas. Quando as pessoas dão muita ênfase sobre qual membro isto ou aquilo acaba se tornando algo chato.
Sobre a possibilidade de seguir adiante com outros membros caso alguém saísse acho que sería viável. Depende do que você determina para seguir adiante. Porém, algumas bandas não tem resistência para continuar e anunciam um fim. Fizemos no passado estas trocas de formação e se faremos de novo... é difícil dizer se realmente seguiríamos ou não, depende muito da situação como por exemplo a saida de Jesse.

A banda está perto de completar 3 décadas, algum lançamento especial para esta data?
Barney - Talvez aconteça mas particularmente acho um pouco "farofa" coisas deste tipo. Trinta anos, uau!!! vamos fazer e acontecer (risos). Algumas bandas até fazem coisas legais mas acho que não faremos nada.

Esta tour chega ao Brasil?
Barney - Talvez. Bem, para ser sincero acredito que sim.

Por Mauricio Melo