quinta-feira, 5 de junho de 2014

Primavera Sound 2014


Primavera Sound 2014.    Se melhorar, estraga!

Texto: Ana Paula Soares e Mauricio Melo
Fotos: Mauricio Melo



Todo crescimento no mundo musical é visto sob o olhar crítico e desconfiado de um público mais seleto e que, habitualmente, passa desapercebido da grande massa.  É aí o ponto onde pecados são cometidos, entre crescer para um grande público e perder qualidade de velhos admiradores.  Isso ainda não acontece no versão espanhola do festival Primavera Sound mas um descuido e muita coisa pode vir abaixo. 

Uma boa prova do mencionado acima se reflete e comprova em números, um festival que tem como perfil a música independente e alternativa, albergou algo em torno os 190.000 pessoas nos três dias principais no Parc del Fòrum, sem contarmos com atividades extras e shows gratuitos como workshops de música, palcos espalhados pela cidade com apresentações gratuitas, shows em bares, estações de metrô... Um ser humano, por mais saudável que seja não consegue cobrir tudo e muita coisa boa passa desapercebido.  Dá a sensação de desperdício ainda que nos sintamos culturalmente alimentados.

Chuva



Quarta-Feira 28/05/2014

Assim que, já tendo desperdiçado algumas apresentações ao longo da semana, iniciamos nossas atividades na tarde de quarta-feira com duas apresentações de bandas brasileiras, os paulistas do Single Parents e os goianos Black Drawing Chalks no pequeno teatro La Seca Espai Brossa.  Os dois quartetos em questão ofereceram um som que surpreendeu parte do público não tupiniquim, presente no recinto.  O Single Parents tem uma proposta bem mais shoegaze, com influencias nítidas de Sonic Youth o que agrada em cheio o público primaveral e é o tipo de banda que responde o que parte do público no Brasil pergunta, nosso país não fabrica este estilo de música?  O mesmo podemos aplicar para o Black Drawing Chalks.  Rockão recheado de guitarras, com o baixista Denis de Castro dando um show a parte, bicho solto com instrumento em punho e ótima opção para a chuvosa tarde.

Single Parents
Black Drawing Chalks

Por falar nela (a chuva), mal podíamos imaginar o que nos esperava quando deixamos nosso coberto teatro e seguimos rumo ao dia gratuito do festival para conferir os britânicos do Temples.  Sabíamos que um dia a chuva acertaria em cheio ao evento.  Já havia batido na trave diversas vezes mas desta vez o alvo estava calibrado.  Parecia até piada que a banda em questão estivesse apresentando seu tão elogiado disco, entitulado Sun Structures (Estruturas Solares),  seria o local ideal diante das reais estruturas solares do local porém nem mesmo a boa apresentação e a execução da música titulo serviu como simpatia para amenizar a quantidade de agua que caiu quando o quarteto anunciou sua última música, uma verdadeira enxurrada somada a um bom vento obrigou ao púbico a buscar abrigo e abandonar a pista antes do final da apresentação, as calhas do palco se transformaram em verdadeiras cachoeiras o que atrasou o show de Stromae.

O belga fez a festa do povão que curte um som mais pop, deu um show à parte, pouco se importou com o as poças no palco e requebrou o esqueleto com “Alors on Danse” e “Papaoutai”.   Okay, podem torcer no nariz mas o fenômeno é evidente e no momento, imparável. 

Stromae
Temples


Quinta-feira 29/05/2014

Vamos ao que verdadeiramente interessa, a primeira jornada oficial do festival e para tal acontecimento, sob um potente sol se encontrava no palco Adidas Originals o Móveis Coloniais de Acajú num animado e competente show, tendo como figura principal o vocalista André Gonzales.  Mesmo com um injusto horário (18:00) havia um considerável público para curtir o som dos brasileiros, com direito a uma convidada no palco para a interpretação de “Amor é Tradução” e músicos tocando na pista.   Já na correria e muitos metros adiante chegamos a tempo de conferir os americanos do Real Estate no palco Heineken, que flertaram entre canções agradabilíssimas e momentos de bocejo mas nada que tirasse o mérito de canções como “Head To Hear” e “Talking Backwards” do recém lançado Atlas.  Quando escrevemos na correria e metros adiante significa que a distancia entre os palcos mais distantes, ou seja, as duas extremidades do evento é de 1,5 quilômetros, no final do dia dava fácil entre 10 e 15 km percorridos, haja fôlego. 

Móveis Coloniais de Acajú


E para poupar fôlego fincamos pé no  mesmo palco para na sequencia encarar as meninas do Warpaint e seu art-pop-rock-atmosférico também lançando disco.  Para os fãs do Joy Division que não conseguiram sequer chegar perto de uma apresentação da banda, ou seja, a grande maioria, assistir a Peter Hook and the Light tocando na integra Unknown Pleasures com direito a “Ceremony” do New Order, acompanhado de seu filho no palco é algo que não se pode pedir mais considerando que o relacionamento com os antigos integrantes de Joy e New Order já não é dos melhores e a possibilidade de vê-los num projeto como esse é reduzida.   O palco desta apresentação foi uma das novidades oferecidas pelo festival e se chamava Heineken Hidden Stage, ou seja, um palco escondido, numa bat-caverna, pequeno, íntimo e uma verdadeira sauna o que fez com que a invasão britânica nos fizesse sentir em um verdadeiro estádio hooliganiano, emoção a flor da pele e até os cardíacos jogaram equipamentos para o alto e saíram para o pogo em “Interzone”.  Hook finalizou com “Love Will Tear Us Apart” e uma comoção coletiva, impossível não dedicar mais linhas para relatar tal show. 

Peter Hook

Para percorrer os próximos mil e quinhentos metros que tínhamos adiante o profundo desejo era possuir um patinete, skate ou qualquer coisa com rodas que nos facilitasse a vida, pois a fila para o fotografar o Queens Of The Stone Age só aumentava e não podíamos ficar de fora.  Quando Josh Home entrou em cena com “You Think I Ain’t Worth a Dollar, But I Feel Like a Millionaire” do aclamado e respeitado Songs For The Deaf a vibração das caixas de grave explodiam no peito e o corpo estremecia.  “My God is the Sun” deu o cartão de visita de ...Like a Clockwork que voltou a ser representado mais adiante com “I Sat by The Ocean” e a música título.  No mais um desfile de hits dos mais pesados é claro finalizando sem pena com “Go With The Flow” e “Song For The Deaf”, público entregue e disposto a curtir Arcade Fire para dar uma aliviada.

Arcade Fire

E os canadenses em questão não decepcionaram.  Anunciados e recebidos como uma das principais atrações do festival, com status de banda grande, destas que lotam ginásios com sinal de crescente apontando ao nível de estádios e todo um aparato de palco para um cenário perfeito.  Palco rebaixado com espelhos, canhões de confetes para o público, roupas chamativas e uma verdadeira versatilidade de seus integrantes música após música correndo na troca de posições e instrumentos, um verdadeiro show mainstream que acolhe tanto a um público mais exigente quanto adolescentes e amigos que dizem escutar algumas boas músicas e nestas podemos incluir “No Cars Go”, “The Suburbs”, “Reflektor” e “Neighborhood #3 (Power Out)” com momentos épicos e digno de celebrar o décimo aniversário da primeira apresentação da banda em Barcelona que foi há exatos 10 anos e no mesmo festival.   Um lindo show.

Sexta-Feira 30/05/2014

As previsões meteorológicas  para a jornada não eram das melhores e piorou aos primeiros acordes de “Three Times Down” do Drive By Truckers.  O resultado não poderia ser diferente, apenas um grupo de valentes e verdadeiros fãs da banda resistiram ao pé d´água que baixou no palco Ray Ban com direito a vento em direção ao palco.  Nem mesmo o bom rock clássico americano, recheado de guitarras e sotaque forte pode resistir, uma grande pena ainda mais vendo como Mike Cooley e Petterson Hood desciam a madeira em  “Lookout Mountain”. 

Drive By Truckers
The Wedding Present

























Para evitar imprevistos diante da prometida jornada nos refugiamos no Hiden Stage para conferir o The Wedding Present, está aí mais uma das injustiçadas bandas dos anos 80 e 90 que vem ganhando seu tardio reconhecimento e goza do status de banda de culto, nada mal para uma tarde chuvosa. 

O quarteto Loop não possui uma história muito diferente do citado acima.  Praticamente desconhecido do grande público e extinto em 1991 retomou as atividades ano passado e desembarcaram no Primavera Sound com a bagagem cheia de distorções.  O quarteto “derreteu” os tímpanos presentes.  Para tapar um pouco o buraco na agenda conferimos a nova sensação pop na Europa, o Haim.  Três meninas que apareceram com um par de vídeos e musiquinhas bem pop e algo de coreografia mas que ao vivo se transforma em uma descente banda de rock, com direito a riffs e caretas em cima do palco e cover do Fleetwod Mac.  Tipica banda que lança um hit pop para aparecer na mídia para então tirar o disfarce e mostrar quem realmente são.  O público, em grande maioria feminino, se esbaldou durante os pouco mais de 40 minutos de apresentação.  Antes de chegarmos ao Pixies ainda demos uma conferida no Slowdive onde tivemos novamente a sensação de boas melodias misturadas ao bocejo.

Pixies


O que não se repetiu, nem poderia, durante o show da banda liderada por Black Francis e compartida com Dave Lovering, Joey Santiago  e a mais nova integrante Paz Lenchantin que parece ter encaixado perfeitamente na banda, até o momento.  Abriram com “Bone Machine”, seguiram com “Wave of Mutilation”, flertaram com “Gauge Away” e acertaram a mão com “Bagboy” sem deixar de lado “Debaser” e “Here Comes Your Man” e finalizando com “Where is My Mind”.  Do disco novo “Indie City” e “Greens and Blues” mas sentimos falta de “Alec Eiffel” num setlist com mais de vinte canções. 

Já passava da meia noite quando o The National subiu ao palco Sony para apresentar ao público espanhol Trouble Will Find Me, a banda chama atenção pelo reconhecimento tardio, uma destas bandas que lançam discos e que passam desapercebida até que alguém aposta e nos da a sensação de terem acontecido da noite para o dia porém a humildade de seus integrantes diante de seu público é a tradução do auto-reconhecimento que o caminho percorrido foi duro.  Uma banda que há não mais de quatro anos tocava em festivais gratuitos e palcos menores da cidade hoje é ovacionada por uma grande e emocionada massa que canta “Don’t Swallow the Cap” e se despede com “Terrible Love” com direito a participação de Paul Maroon, guitarrista do The Walkmen. 

Kvler

E tinha chegado o momento de dar um basta no indie e conferir de perto a primeira apresentação do sexteto norueguês Kvelertak em Barcelona.  Uma mistura de rock, punk e death metal que resulta num som mais permeável.  O público se espremeu no gargarejo e não se arrependeu.  O vocalista Erlend Hjelvik ofereceu um espetáculo já de cara com um chapéu coruja, muitos ainda se perguntam se a coruja estava mesmo morta.  Não se deixem enganar pelo experimentalismo de “Apenbaring” ou o riff “Bruane Brenn”, por aqui a galera vibrou mesmo com “Ulvetid” e “Spring Fra Livet”, entre outras. 

Sábado 31/05/2014



O dia mais arrastado do festival.  O cansaço, as constantes ameaças de chuva, dia de grandes nomes e suas muitas exigências.  Ainda que este ano o evento tenha organizado um local de imprensa, o mesmo foi pouco visitado devido a demanda de shows ao redor.  Iniciamos com Islands mais para preencher uma lacuna do que por necessidade.  Erramos e lamentamos como um  bêbado de ressaca no dia seguinte prometendo não voltar a beber ao não incluir o show da australiana Courtney Barnett no roteiro e afogamos as mágoas no Superchunk para esperar o tempo passar até o baiano mais ilustre do festival subir ao palco.  O Superchunk abriu os trabalhos com “Slack Motherfucker” como de hábito e deu sequencia com “Trees of Barcelona” numa apresentação que faz jus ao respeito oferecido pelo público que vibrou muito com “Hyper Enough” já em final de set. 

Caetano Veloso

Daí veio o da Bahia, Caetano Veloso.  Se vamos escrever sobre Cae? Claro, porque não?!  Atitude!  Ou melhor, “A Bossa Nova é Foda”, assim iniciou o set nosso brasileiro mais ilustre no Primavera Sound deste ano e muito bem assessorado de sua banda Cê.  À suas costas o Mar Mediterrâneo, à sua cabeça a chuva que não caiu e só fez com que, olhando adiante as nuvens misturadas aos raios do sol que se punha naquele momento aumentasse ainda mais a plasticidade da imagem.  Aos pés, o público com boa quantidade de brasileiros porém repleto de diversas nacionalidades que se rendeu não só ao senhor Veloso mas também aos riffs que Pedro Sá arrancou de sua guitarra.   Num piscar de olhos o público passou de meia dúzia de gatos pingados a um mar de gente que não arredou pé, cantou, tentou cantar, dançou à sua maneira e viu nosso brasileiro dançar e abraçar em “Um Abraçaço”, correr e acenar ao dedicado público.  Tocou “Baby” para o público indie, cantou no idioma local em “Luna Llena” e “Escapulário” misturado a um funk melódico.   Ofereceu aos mais experientes “Eclipse Oculto” resgatando a essência dos anos 80 por alguns minutos e gastou o idioma do Tio Sam em “Nine Out of Ten”.   Memorável. 

Para não perder o hábito entramos no concorrido show do Buzzcocks e outra vez o ambiente era dominado por ingleses desordeiros, era como jogar em  casa.  Abrindo com “Boredom”, um breve boa noite e “Fast Cars”, “I Don’t Mind” e não precisamos dar muitas voltas para dizer que “Even Fallen in Love” foi reponsável por fechar a noite e encerrar as atividades no palco  Heineken Hidden Stage.

NIN
Mas o prato principal da noite ainda estava por servir.  Trent Reznor diante do Nine Inch Nails foi em definitivo, a banda mais esperada do festival além de ser  a presença mais “cantada” dos últimos 12 meses.  Desde que se anunciou uma turnê europeia e que as datas do Primavera Sound estavam vagas e o segredo da participação da banda deveria ser guardada em absoluto sigilo para um anuncio oficial.  Apesar de não contar com a unanimidade dos presentes um bom público se esbaldou diante do palco Sony.  Abrindo com “Me I’m Not”, luzes baixas e de cor azul, vestido com uma jaqueta de couro que não demorou para tirar e um tipo de saia por cima da calça slim fit, apresentou uma versão mais pesada de “Sanctified” até abrir o jogo em definitivo com “Copy of A” e demonstrar o porque é um dos artistas mais aclamados de sua geração e quem realmente mandava no festival no que podemos nos referir a palcos principais.  Som impecável e show impactante, tudo funcionou a perfeição e possivelmente muito bem calculado e programado por Reznor.  Foi um dos poucos shows em que o público não desviou atenção ou abandonou antes do tempo para ir a outro.  “Came Back Haunted”, “Gave Up” e “March of the Pigs” foram apenas alguns dos petardos lançados nos pés da galera ainda que músicas como “The Day the World Went Away” tenham marcado presença junto a maçaroca “Reptile”e claro que “Closer”, “The Hand that Feeds” e “Head Like a Hole” foram tocadas e o set fechou com “Hurt”. 

Foals

E quando pensávamos já haver assistido a tudo e a todos, eis que os britânicos do Foals ofereceram uma apresentação à altura.  Apesar das declarações de  que mereciam melhor atenção de festivais mundo afora e receberem muitas criticas por isso, temos que dar o braço a torcer e admitir que apesar do set conter menos de uma dezena de temas a intensidade foi quem ditou as regras com direito a um mergulho do vocalista Yannis com guitarra em punho ao público, sendo muito bem acolhido pelo mesmo.  “Total Live Forever”, “Prelude” que na verdade abriu a noite e  “My Number” marcaram o ritmo do público.  Curiosamente a música “Cassius”, responsável pela projeção da banda em 2008, ficou de fora. 

Enquanto nos dirigíamos à saída, tropeçamos com a apresentação de Cut Copy em ritmo de encerramento mas a estas alturas já não havia esqueleto para tanto, só mesmo se fosse de “adamantium”.

Para fechar o festival em modo relax, descemos até o Parc Ciutadella, em mais um show aberto ao público, num agradável sol das quatro da tarde e conferir mais um representante brasileiro, Boogarins que atraiu bom público e as meninas Dum Dum Girls apresentando seu mais recente trabalho Too True.

Dum Dum Girls

Uma vez mais participamos deste que vem sendo um dos grandes festivais europeus, brigando centímetro a centímetro com outros grandes eventos no velho continente.  Para nós, participar do Primavera Sound, é um grande orgulho.  A sensação, após 7 edições (pelo menos de quem os escreve) de ter evoluído junto a organização e de, ainda que em menores dimensões, ter contribuído com o mesmo.   O ano de 2015 promete e muito já que o Primavera Sound celebra sua festa de debutante.  A promessa e expectativa de um cartaz histórico (até o presente momento) é grande.

Até.

Arcade Fire

Arcade Fire

B.D.C.

B.D.C.

Drive by Truckers

Haim

Haim



Kvelertak

Loop

Móveis Coloniais de Acajú

Peter Hook

Pixies

Pixies

Queens of the Stone Age

Single Parents

Single Parents

Slowdive

Slowdive

Superchunk

Superchunk

The National

The Wedding Present

Warpaint

Warpaint

Warpaint

Caetano Veloso

Caetano Veloso

Foals

Foas

Nine Inch Nails

Nine Inch Nails









quarta-feira, 21 de maio de 2014

Festival Cruilla Barcelona 2014



O Festival Cruilla Barcelona invade 2014 com bons nomes da música internacional e nacional e uma novidade que chama bastante atenção, a aparição de um terceiro dia de festival.  Diferente das edições anteriores, onde as atuações se limitavam à apenas dois dias (sexta e sábado), neste ano um tímido domingo aparece no calendário.
Sempre com os pés no chão, o festival vem crescendo a cada ano com fortes nomes da música independente.  Para 2014 podemos destacar os nomes de Jack Johnson, Damon Albarn (vocalista do Blur em carreira solo), Band of Horses, o punk rock vasco de Berri Txarrak e o coletivo rap dos Violadores del Verso, nome forte na Espanha.  Também teremos ZAZ, Imelda May, The Selecter, entre outros.
Além dos pés no chão também podemos destacar a boa organização do evento que com dois meses de antecedência já oferece apps para smart phones, horários de cada atuação e preços de entradas mais do que acessíveis, a partir de 25 euros.
Mais detalhes sobre as atuações, alojamento, mapa, preços e etc no pagina oficial do próprio festival.
Cruilla Barcelona - www.cruillabarcelona.com

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Garage Fuzz @ Estúdio Showlivre 2014



Segue abaixo o vídeo da banda Garage Fuzz, uma das melhores bandas de nosso país no estilo.  Vale à pena conferir esse quinteto proveniente de Santos e com mais de 20 anos de estrada.



quinta-feira, 17 de abril de 2014

H2O @ Estraperlo Club del Ritme - Badalona (Barcelona)

H2O @ Estraperlo Club del Ritme - Barcelona
Data: 15/04/2014
Texto, fotos e vídeo: Mauricio Melo.



"Still here, still here, after all these fucking years…".  Faço da tetra de "Still Here" pertencente ao último disco de inéditas do H2O, lançado em 2008 quando Toby Morse ainda tinha 38 anos e eu alguns menos que ele.  Mas é isso, ainda estamos aqui após tantos anos e com certeza temos a mesma motivação para seguir adiante.  Ele(s) enviando suas mensagens e eu registrando.

Tudo bem, o show foi há uns dias atrás mas foi necessário e proposital deixar a emoção baixar para poder sentar e relatar, ou pelo menos rascunhar o que rolou no último dia 15 de Abril em Barcelona.  Os nova-iorquinos não visitavam a cidade para um show em salas há 14 anos, tanto tempo que eu mesmo os havia visto tocando no subterrâneo de uma loja de disco pouco antes de lançar GO, em Montreal mais ou menos na mesma época, e isso tem tempo.  É claro que o grupo andou circulando nas proximidades e visitando o país como por exemplo o festival Resurrection de 2012 na Galicia mas não se compara.



O privilegio de poder estar diante do quinteto numa sala para 150 pessoas e com um palco de pouco mais de metro de altura nos foi oferecido e podemos afirmar que não houve desperdício.
O público de Barcelona que em muitas ocasiões deixa à desejar se comportou de maneira perfeita, ou seja, cantando cada palavra, subindo ao palco para stage dives, participando dos refrões como se da banda pertencera e é claro, o grupo se viu recompensado e mais do que motivado.  Uma noite que parecia "preguiçosa", com o baixista Adam Blake sentado a dedilhar seu instrumento ao lado da bateria, recebendo em seguida a presença de Toby e Pistachio, pareciam combinar algo e o combinado foi iniciar o setlist com "1995", foi como eletrocutar o público passado alguns segundos dos primeiros acordes.  O quinteto um pouco estático com um público parado, mas todo este comportamento durou pouco, para ser sincero durou apenas "So fresh, So green" da letra, daí por diante foi loucura, impossível de ficar parado.

"Family Tree" do primeiro álbum foi resgatada com êxito e a já acima mencionada "Still Here" só fez crescer o clima no Estraperlo chegando ao cume ainda na quarta música com "Nothing to Prove", a interação público / banda foi tão grande que Morse pediu para a banda tocar o refrão uma vez mais após o término da música, memorável.

Podemos afirmar com letras bem claras, o grupo escolheu um setlist com a nítida intenção de concorrer ao melhor apresentação do ano com músicas título de seus mais celebrados discos como "Faster Than The World" e "Thicker Than Water" além de "Nothing to Prove" que já está aí acima no texto.  "Guilty by Association" com direito a vários candidatos para fazer o papel que Freddy Cricien fez na versão de estúdio e "One Life One Chance" que não pode ficar de fora.



Com "What Happened" a banda se despede com a sensação de dever cumprido e a difícil missão de tocar em Madrid no dia seguinte, coincidindo com a final da Copa del Rey entre Real Madrid x Barcelona.

Ao final da apresentação Pistachio estava ao lado do palco, bem próximo a porta de saída, apertando a mão de cada um que passava agradecendo a presença, um motivo à mais para se derreter diante destes personagens.  Na hora veio aquela velha frase da qual muito utilizo para finalizar os textos:  "Nós quem agradecemos!"  Voltem sempre e continuem percorrendo largos caminhos para levar mensagens positivas, o mundo está precisando.
"PMA All Day".


  























sexta-feira, 11 de abril de 2014

The Casualties @ Estraperlo Club del Ritme (Barcelona / Badalona) - 10/04/2014



Quando uma banda como The Casualties visita a península e principalmente Barcelona, não temos como nos equivocar.  No dia do show e mais precisamente nas horas que antecedem o evento temos a certeza que estamos no caminho certo.  Um rápido olhar à nossa volta e vemos jaquetas com parches e tachas de um lado, moicanos de outro e bottons mais adiante ou porque não, a fusão de tudo isso em personagens únicos.  Ao desembarcar nas proximidades do Estrapelo, diante de tantas ruas parecidas do polígono industrial e de armazéns de onde está nosso clube favorito, tampouco podemos nos perder, as mesmas tachas de jaquetas brilham sob a luz de entrada e outros penteados moicanos são vistos à distancia devido suas alturas e cores.  

Na porta, um rápido encontro com amigos já aos primeiros acordes de The Anti-Patiks, um quarteto punk-rock catalão que iniciou ontem mesmo sua turnê européia.  A julgar pelas camisas de dois de seus integrantes, malhas do NOFX,  não é difícil de descobrir de onde vem suas influências.   As letras cantadas em catalão só reafirmam que o punk-rock é um idioma universal.  Fizeram um bom show e abriram passo para a atração principal.

A bandeira que cobria o fundo do palco (capa do último disco) dava a dimensão do que poderíamos esperar ainda que a sensação era de pouco público o mesmo compareceu no último minuto, como de habitual, e deu um brilho à mais na noite.  


A grande vantagem de Jorge Herrera quando passa pela Espanha é que pode gastar seu vocabulário com o público já que os demais integrantes da banda não dominam o idioma e o próprio Herrera reconhece que em outros shows os "caras" não o deixam falar tanto.  Daí nosso vocalista em questão demonstra todo seu carisma e humildade.

Com "Tomorrow Belongs To Us" abriram a noite que ainda teria "Ugly Bastard", "Unknown Soldier", "Resistence", "The System Failed Us Again", covers dos Ramones e ainda referências de Iron Maiden.  Rick Lopez no baixo e Jake na guitarra com seus irados riffs, transpiravam intensidade diante de um público que à aquela altura já não era somente formada por moicanos, lá estavam várias versões que se fundiam numa única missão, celebrar o punk.  Ainda que algum engraçadinho tenha insistido e cuspir diversas vezes em Herrera.  O mesmo pediu a voz no microfone para falar besteira e acabou sendo esculachado pelo carismático vocalista, que no alto de sua tranqüilidade e já citada humildade lhe deixou com cara de bobo.  


Texto, fotos e vídeo:  Mauricio Melo






Anti Patiks

Anti Patiks

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Du Baú - Samiam Entrevista


No mesmo fim de semana que o SICK OF IT ALL passava pela Espanha para apresentar seu Non Stop, o Samiam também visitava o país e por coincidência as mesmas cidades que os nova iorquinos.  Em Barcelona, o público ficou dividido mas para muitos prevaleceu o fato de que o Samiam nos visita com menas frequência.  Num descontraído bate-papo com toda a banda em que uma bolinha de borracha era jogada de um lado à outro para descontrair, Loobkoff  Beebout responderam todas as perguntas da melhor maneira possível.  Descobrimos alguns detalhes do novo disco e algumas “fofocas” de outras bandas.  O bom relacionamento com o Green Day, os projetos gráficos de Sergie e o projeto junto à membros do Hot Water Music.

                                                       Por Mauricio Melo e Pau Peñalver



A banda gravou o último álbum, Trips, num estúdio chamado Jingletown Studios, que pertence ao Green Day. O Machine Head gravou parte do último álbum lá e foi só elogio. Como foi esta experiência e qual diferença entre gravar neste estúdio com relação aos anteriores?
 
Beebout – Dez milhões de dólares! esta é a principal diferença.
 
Loobkoff – Gravamos em estúdios tão bons quanto este e arrisco a dizer que até melhores que o Jingletown durante os anos noventa
 
Beebout – As vibrações são melhores...
 
Loobkoff - É como poder brincar com brinquedos caros de Guerra nas Estrelas mas neste quesito, (brincando e fazendo caras e bocas), mas você sabe? Não somos nenhum estranho para ter acesso a estes estúdios (dando a entender que sempre gravam no mais caro) (risos).
 
E por estar num local com mais recursos, podemos dizer que traz uma boa atmosfera para a banda ou o clima quem faz é a banda?
 
Beebout - Definitivamente não incomoda estar num lugar assim, tudo que se faz parece bom, até mesmo sem querer. ..
 
Loobkoff – Podemos estar num estúdio como este e sair tudo uma merda, assim como podemos ir a um estúdio mais básico e conseguir maravilhas. Já estivemos em estúdios com custos muito menores e tivemos excelentes resultados. É como ter uma camera cara nas mãos e tirar uma foto horrível e por outro lado conseguir fotos fantásticas com uma camera mais básica.
 
O setlist para os shows atuais estão focados em Trips ou o público pode esperar uma variedade?
 
Beebout – é um apanhado de tudo que já fizemos.
 
Charlie Walker – Estamos tocando metade do disco novo. Algumas músicas do início, algumas não tão antigas assim...
 
Loobkoff -...e sem hits! (risos)
 
Sem hits?
 
Loobkoff – não temos hits!
 
Pra muita gente You Are Freaking Me Out é um album de hits.
 
Lobkoff – Ah sim?! Hits? Uau!!! (risos)
 
A música Full On é um hit, até porque fez parte de uma trilha sonora de um conhecido vídeo de BMX dos anos 90...
 
Beebout – é por isso que temos amigas que gostam desta música, porque seus namorados e maridos andavam de bike, skate, etc, etc.
 
Porque tantas mudanças com bateristas e baixistas?
 
Loobkoff – É difícil manter um baterista quando não se torna famoso e não se ganha tanto dinheiro com a música que tocamos. Por isso temos um cara com um mal estilo de Charlie Walker (risos).
Loobkoff – Aproveitando que Billy não está na sala podemos falar, ele fede...estou obsecado por ele (risos)...

Quando entra um membro novo numa banda como o Samiam, o que se pergunta? Qual é seu álbum favorido da nossa banda ou algo do tipo?
 
Loobkoff – Já aconteceu de entrar membros que eram fãs da banda antes, é bom e ruim. Por exemplo o baixista que tivemos antes de Billy foi um fã da banda que encontramos na internet e que ao final não encaixou bem. Na verdade neste caso foi um problema total. Até a namorada dele influenciava nas coisas da banda, coisa que nem nossas esposas fazem.
 
Com relação a capa de Trips. Um elefante numa moto, uma multidão com uma tarja preta nos olhos...
 
Beebout – Isso é como me sinto quando acordo mal humorado (risos)...
Se sente como, a multidão ou o elefante na moto pequena? (risos).

 
Beebout – Como o elefante, claro. Numa moto pequena pronto para atravessar um anel de fogo.
 
Agora à sério. Algum significado especial sobre a capa?
 
Loobkoff – Tinha preparado algumas capas e pedi opiniões de cada um da banda. Ao final chegamos a conclusão de uma mas que parecia muito séria...
 
Beebout – Então disse que queria mais elefantes!
 
Loobkoff – Ao final não queria me sentir culpado por uma capa tão séria e escolhemos essa, mais divertida. Existia até um outro título escolhido por Billy que não utilizamos, por isso na capa tem um primeiro título razurado.
Esta noite também toca em Barcelona, vocês sabem disso?
 
Loobkoff – Sim e ontem também em Madrid. Já agradecemos desde agora aos que decidiram vir à nosso show e não ao deles, tenho certeza que a dúvida foi cruel.
 
Voltando ao tema das capas. Você trabalha mais como designer ou músico, atualmente?
 
Loobkoff – Dou um apoio a esta rapaziada do Samiam (risos). Também estou trabalhando na capa do Lagwagon e tudo que for incluído no pacote que irão lançar como posters, caixas, etc. Quando estou viajando com a banda meu irmão me ajuda, ele organiza minha agenda como por exemplo já temos um pedido para trabalhar numa caixa do NOFX.
 
Algum grande projeto como designer num futuro e como encontrar tempo para trabalhar em tudo isso?
 
Loobkoff - Tenho muita coisa por fazer, pedidos de revistas, marcas mas nada muito grande. É fácil conciliar as agendas.
 
Com relação a gravadoras. Vocês já estiveram numa grande gravadora e agora com uma independente. Se tivessem a oportunidade de volta numa grande, fariam?
 
Beebout – Grandes gravadora envolvem muito dinheiro.
 
Loobkoff – Pra mim as grandes gravadoras não são legais. Algumas até querem investir para ver o que acontece mas... não sei, não posso responder por todos mas particularmente não tenho nenhum arrependimento por não assinar com uma multi-nacional. O que temos atualmente também é divertido.
 
Beebout – A única coisa que posso reclamar das independentes é sobre a distribuição dos discos. Com relação as grandes é difícil de conseguir de volta seus próprios discos.
 
Loobkoff – Mas esse problema de conseguir os discos de volta não se limita as grandes gravadoras. Também estivemos com a Epitaph e solicitei alguns discos para vender no merchandising durante os shows desta turnê e simplesmente nos dizem que estão esgotados. Por mais que peçamos nossos discos com a intensão de relançar nos dizem que não.
 
Sean Kennerly – As grandes gravadoras também pagam para que se grave um disco e depois não lançam por algum motivo que não os agrada, eles pagam e depois “matam” o disco.
 
Loobkoff – também acontece com as independentes, quando saímos das independentes para migrar a uma maior, as pequenas ficam pedindo dinheiro para liberar o material, etc. Ou seja, o disco é nosso mas os direitos é deles.
 
Beebout – Sim, mas é diferente querer dinheiro do que te paguem para gravar e depois “que se dane!”...
 
Loobkoff – Não estou dizendo que estar numa multi é a melhor coisa do mundo, concordo que é ruim quando se tem um disco “preso” por uma, ou seja, atualmente não podemos utilizar. A única coisa que penso é o fato de que as pessoas podem copiar a discografia completa do Samiam para seus computadores e atualmente até mesmo para um telefone, isso mais ajuda a banda do que machuca. Porque para todos os discos que temos, sete ou oito além de muitos singles e nunca ganhamos nenhum dinheiro com royalties, na verdade um pouco aqui ou ali mas em geral nada, alguns discos acredite ou não, venderam muito pouco e na verdade não me importo com as vendas. O disco novo saiu e muita gente já escutou e no final recebemos a conta dos royalties “8 dólares e trinta e quatro centavos”. Então, independentes ou multi-nacionais no final das contas é a mesma coisa porque cai na internet.
 
A música “Happy for you” soa diferente do que habitualmente costumamos ouvir da banda, conte-nos um pouco desta variação.
 
Beebout – Ele (Sergie) compôs a música e eu a letra...
 
Loobkoff – não acredito que seja assim, tão diferente. Já fizemos algumas músicas assim antes. O fato é que muita gente nos considera uma banda punk-rock, relacionada ao skate ou BMX ou só nos vêem quando tocamos na Warped Tour e não escuta os discos do Samiam por completo. Sempre tentamos nos manter afastados desta imagem de “não consigo emprego! Odeio todo mundo...”
 
Algumas pessoas tentaram encontrar vocês no Twitter ou Facebook e existem outras pessoas utilizando o nome em contas próprias..
 
Loobkoff – Face o que? Não temos! O caso é que acredito que a banda e fãs, não fãs de alguém mas nossos fãs em particular são tão “velhos” quanto nós e pra nossa geração o computador não tem essa importância. Porque muitas das novas bandas são populares porque possuem milhares de amigos no facebook ou twitter, enviam mensagens diariamente e conseguem mais seguidores...
 
Beebout – Nossos fãs nem sabem utilizar computadores (risos)...
 
Loobkoff – Sim, fazemos este tipo de anti-mercenários e não nos importamos com isso. Gostamos das pessoas que vem ao show, tomem uma cerveja e voltam pra suas casas. Não aquelas que chegam em casa e vão direto ao youtube para mostrar o que acabam de assistir.  Até mesmo nossa página web esta parada.  Em breve teremos uma nova. 
 
Beebout – O mesmo acontece com a idade de nossos fãs, foi o que comentávamos.  Num show recente perguntei quantas pessoas que nos assistiam tinha menos que 30 anos de idade e somente uma pessoa levantou a mão. 
 
Loobkoff – Na noite passada, em Madrid, apenas 30% do público tinha menos de 25 anos de idade.
 
Sean Kennerly – Não somos uma banda com um público marcado...
 
Loobkoff – Fui assistir a um show recentemente em que o vocalista da banda pediu para que o público parasse de filmar e os assistisse no palco.  Eram centenas de mãos levantadas e se via mais cameras digitais e telefones filmando do que a banda no palco.  Foi uma tentativa de que as pessoas vivessem o momento e não assistissem no futuro o que aconteceu no passado. 
 
E o projeto com integrantes do Hot Water Music?
 
Loobkoff – Faremos um show na Flórida em breve mas não sabemos se teremos tempo para uma turnê.
E todo este retorno de bandas como Hot Water Music, The Get Up Kids e outras bandas dos anos 90?

 
Charlie Walker – Acho legal, não deveriam ter parado.
 
Beebout – É a crise dos quarenta, midlife crises.
Boas e más memórias de turnês, tanto quanto banda de abertura quanto principal?

 
Beebout – A pior turnê foi quando abrimos para o Creed no final dos anos 90.  definitivamente as pessoas não queria nos assistir e de quebra ainda tinhamos que aturar o Creed a cada noite. 
 
O fato de vocês estarem na estrada há um tempo e tocarem para um público reduzido e novas bandas tocarem em arenas por exemplo.  Recentemente o Rise 
Against fez uma turnê com o Bad Religion como banda de abertura?  Não é estranho tudo isso?
 
Loobkoff – não me incomoda mas às veze não entendo o porque.  Acho que a banda que mais incomodou neste sentido foi quando fizemos uma turnê de três semanas com o Blink 182, que começaram depois de nós.  não quero fazer fofoca de ninguém mas definitivamente foi a pior banda, com as pessoas mais idiotas que jamais tivemos.  Tudo era ruim neles e um ano depois eram a grande sensação, foi impressionante.  Para ser sincero realmente tive que pensar de como eles conseguiram ter reconhecimento de algo.  O mesmo não posso dizer do Green Day, que também foi uma banda pequena, começamos juntos e trabalharam duro para chegar onde estão.  Chegamos a fazer um show com o Green Day em que várias bandas tocaram naquele dia e somente faltavam nós e o Green Day.  Daí tivemos a idéia de tocar duas músicas, eles duas mais e assim fomos revezando até que uns skinheads começaram a brigar e tivemos que parar com tudo.
 
Entre 2000 e 2006 a banda ficou parada, o que realmente aconteceu?
 
Beebout – tive problemas familiares e decidi sair da banda, não queria mais viajar.  Descobri que foi uma decisão errada quando tive que voltar a trabalhar, porque ter um trabalho normal após ter uma banda é muito ruim. 
 
Loobkoff – na verdade ficamos sem gravar mas saíamos em turnês.  Inclusive acho que foi nesta época que fomos ao Brasil pela primeira vez. 
 
A sala Razzmatazz 3 é bem pequena, gostariam de estar num local maior?
 
Loobkoff – tocar em lugares pequenos ou grandes não faz diferença, o que queremos mesmo é que o som seja bom.  Esta sala tem um som muito bom, já tocamos em lugares bem maiores mas com um som muito ruim.  Nunca me passou pela cabeça de chegar em um local pequeno e achar que não deveria estar nesta posição, de verdade. 
 
Beebout – já tocamos para 30 mil e para duas pessoas.  É excitante tocar para um público maior mas igualmente divertido tocar em salas pequenas.  Você tem mais contato com o público.  Tocamos em alguns lugares nesta turnê em que algumas pessoas nunca tinham estado num show nosso antes e ficam satisfeitas com o show.  Num lugar pequeno, definitivamente posso sentir mais o público.  Quando se toca num lugar maior, os que estão para trás não transmitem nem recebem a mesma energia. 
Alguma banda ou disco recente que chamou atenção?
 
Loobkoff – The XX, gosto muito do disco.  Quando escuto tenho sempre a sensação de escutar hits.
Algo para dizer para os brasileiros?

 
Sean Kennerly – a única coisa que consegui aprender foi, “sua bunda ocupa toda la prlaia”.  De verdade, gosto muito do Brasil e queremos tocar por lá outra vez.  Obrigado.