sexta-feira, 4 de abril de 2014

Du Baú - Samiam Entrevista


No mesmo fim de semana que o SICK OF IT ALL passava pela Espanha para apresentar seu Non Stop, o Samiam também visitava o país e por coincidência as mesmas cidades que os nova iorquinos.  Em Barcelona, o público ficou dividido mas para muitos prevaleceu o fato de que o Samiam nos visita com menas frequência.  Num descontraído bate-papo com toda a banda em que uma bolinha de borracha era jogada de um lado à outro para descontrair, Loobkoff  Beebout responderam todas as perguntas da melhor maneira possível.  Descobrimos alguns detalhes do novo disco e algumas “fofocas” de outras bandas.  O bom relacionamento com o Green Day, os projetos gráficos de Sergie e o projeto junto à membros do Hot Water Music.

                                                       Por Mauricio Melo e Pau Peñalver



A banda gravou o último álbum, Trips, num estúdio chamado Jingletown Studios, que pertence ao Green Day. O Machine Head gravou parte do último álbum lá e foi só elogio. Como foi esta experiência e qual diferença entre gravar neste estúdio com relação aos anteriores?
 
Beebout – Dez milhões de dólares! esta é a principal diferença.
 
Loobkoff – Gravamos em estúdios tão bons quanto este e arrisco a dizer que até melhores que o Jingletown durante os anos noventa
 
Beebout – As vibrações são melhores...
 
Loobkoff - É como poder brincar com brinquedos caros de Guerra nas Estrelas mas neste quesito, (brincando e fazendo caras e bocas), mas você sabe? Não somos nenhum estranho para ter acesso a estes estúdios (dando a entender que sempre gravam no mais caro) (risos).
 
E por estar num local com mais recursos, podemos dizer que traz uma boa atmosfera para a banda ou o clima quem faz é a banda?
 
Beebout - Definitivamente não incomoda estar num lugar assim, tudo que se faz parece bom, até mesmo sem querer. ..
 
Loobkoff – Podemos estar num estúdio como este e sair tudo uma merda, assim como podemos ir a um estúdio mais básico e conseguir maravilhas. Já estivemos em estúdios com custos muito menores e tivemos excelentes resultados. É como ter uma camera cara nas mãos e tirar uma foto horrível e por outro lado conseguir fotos fantásticas com uma camera mais básica.
 
O setlist para os shows atuais estão focados em Trips ou o público pode esperar uma variedade?
 
Beebout – é um apanhado de tudo que já fizemos.
 
Charlie Walker – Estamos tocando metade do disco novo. Algumas músicas do início, algumas não tão antigas assim...
 
Loobkoff -...e sem hits! (risos)
 
Sem hits?
 
Loobkoff – não temos hits!
 
Pra muita gente You Are Freaking Me Out é um album de hits.
 
Lobkoff – Ah sim?! Hits? Uau!!! (risos)
 
A música Full On é um hit, até porque fez parte de uma trilha sonora de um conhecido vídeo de BMX dos anos 90...
 
Beebout – é por isso que temos amigas que gostam desta música, porque seus namorados e maridos andavam de bike, skate, etc, etc.
 
Porque tantas mudanças com bateristas e baixistas?
 
Loobkoff – É difícil manter um baterista quando não se torna famoso e não se ganha tanto dinheiro com a música que tocamos. Por isso temos um cara com um mal estilo de Charlie Walker (risos).
Loobkoff – Aproveitando que Billy não está na sala podemos falar, ele fede...estou obsecado por ele (risos)...

Quando entra um membro novo numa banda como o Samiam, o que se pergunta? Qual é seu álbum favorido da nossa banda ou algo do tipo?
 
Loobkoff – Já aconteceu de entrar membros que eram fãs da banda antes, é bom e ruim. Por exemplo o baixista que tivemos antes de Billy foi um fã da banda que encontramos na internet e que ao final não encaixou bem. Na verdade neste caso foi um problema total. Até a namorada dele influenciava nas coisas da banda, coisa que nem nossas esposas fazem.
 
Com relação a capa de Trips. Um elefante numa moto, uma multidão com uma tarja preta nos olhos...
 
Beebout – Isso é como me sinto quando acordo mal humorado (risos)...
Se sente como, a multidão ou o elefante na moto pequena? (risos).

 
Beebout – Como o elefante, claro. Numa moto pequena pronto para atravessar um anel de fogo.
 
Agora à sério. Algum significado especial sobre a capa?
 
Loobkoff – Tinha preparado algumas capas e pedi opiniões de cada um da banda. Ao final chegamos a conclusão de uma mas que parecia muito séria...
 
Beebout – Então disse que queria mais elefantes!
 
Loobkoff – Ao final não queria me sentir culpado por uma capa tão séria e escolhemos essa, mais divertida. Existia até um outro título escolhido por Billy que não utilizamos, por isso na capa tem um primeiro título razurado.
Esta noite também toca em Barcelona, vocês sabem disso?
 
Loobkoff – Sim e ontem também em Madrid. Já agradecemos desde agora aos que decidiram vir à nosso show e não ao deles, tenho certeza que a dúvida foi cruel.
 
Voltando ao tema das capas. Você trabalha mais como designer ou músico, atualmente?
 
Loobkoff – Dou um apoio a esta rapaziada do Samiam (risos). Também estou trabalhando na capa do Lagwagon e tudo que for incluído no pacote que irão lançar como posters, caixas, etc. Quando estou viajando com a banda meu irmão me ajuda, ele organiza minha agenda como por exemplo já temos um pedido para trabalhar numa caixa do NOFX.
 
Algum grande projeto como designer num futuro e como encontrar tempo para trabalhar em tudo isso?
 
Loobkoff - Tenho muita coisa por fazer, pedidos de revistas, marcas mas nada muito grande. É fácil conciliar as agendas.
 
Com relação a gravadoras. Vocês já estiveram numa grande gravadora e agora com uma independente. Se tivessem a oportunidade de volta numa grande, fariam?
 
Beebout – Grandes gravadora envolvem muito dinheiro.
 
Loobkoff – Pra mim as grandes gravadoras não são legais. Algumas até querem investir para ver o que acontece mas... não sei, não posso responder por todos mas particularmente não tenho nenhum arrependimento por não assinar com uma multi-nacional. O que temos atualmente também é divertido.
 
Beebout – A única coisa que posso reclamar das independentes é sobre a distribuição dos discos. Com relação as grandes é difícil de conseguir de volta seus próprios discos.
 
Loobkoff – Mas esse problema de conseguir os discos de volta não se limita as grandes gravadoras. Também estivemos com a Epitaph e solicitei alguns discos para vender no merchandising durante os shows desta turnê e simplesmente nos dizem que estão esgotados. Por mais que peçamos nossos discos com a intensão de relançar nos dizem que não.
 
Sean Kennerly – As grandes gravadoras também pagam para que se grave um disco e depois não lançam por algum motivo que não os agrada, eles pagam e depois “matam” o disco.
 
Loobkoff – também acontece com as independentes, quando saímos das independentes para migrar a uma maior, as pequenas ficam pedindo dinheiro para liberar o material, etc. Ou seja, o disco é nosso mas os direitos é deles.
 
Beebout – Sim, mas é diferente querer dinheiro do que te paguem para gravar e depois “que se dane!”...
 
Loobkoff – Não estou dizendo que estar numa multi é a melhor coisa do mundo, concordo que é ruim quando se tem um disco “preso” por uma, ou seja, atualmente não podemos utilizar. A única coisa que penso é o fato de que as pessoas podem copiar a discografia completa do Samiam para seus computadores e atualmente até mesmo para um telefone, isso mais ajuda a banda do que machuca. Porque para todos os discos que temos, sete ou oito além de muitos singles e nunca ganhamos nenhum dinheiro com royalties, na verdade um pouco aqui ou ali mas em geral nada, alguns discos acredite ou não, venderam muito pouco e na verdade não me importo com as vendas. O disco novo saiu e muita gente já escutou e no final recebemos a conta dos royalties “8 dólares e trinta e quatro centavos”. Então, independentes ou multi-nacionais no final das contas é a mesma coisa porque cai na internet.
 
A música “Happy for you” soa diferente do que habitualmente costumamos ouvir da banda, conte-nos um pouco desta variação.
 
Beebout – Ele (Sergie) compôs a música e eu a letra...
 
Loobkoff – não acredito que seja assim, tão diferente. Já fizemos algumas músicas assim antes. O fato é que muita gente nos considera uma banda punk-rock, relacionada ao skate ou BMX ou só nos vêem quando tocamos na Warped Tour e não escuta os discos do Samiam por completo. Sempre tentamos nos manter afastados desta imagem de “não consigo emprego! Odeio todo mundo...”
 
Algumas pessoas tentaram encontrar vocês no Twitter ou Facebook e existem outras pessoas utilizando o nome em contas próprias..
 
Loobkoff – Face o que? Não temos! O caso é que acredito que a banda e fãs, não fãs de alguém mas nossos fãs em particular são tão “velhos” quanto nós e pra nossa geração o computador não tem essa importância. Porque muitas das novas bandas são populares porque possuem milhares de amigos no facebook ou twitter, enviam mensagens diariamente e conseguem mais seguidores...
 
Beebout – Nossos fãs nem sabem utilizar computadores (risos)...
 
Loobkoff – Sim, fazemos este tipo de anti-mercenários e não nos importamos com isso. Gostamos das pessoas que vem ao show, tomem uma cerveja e voltam pra suas casas. Não aquelas que chegam em casa e vão direto ao youtube para mostrar o que acabam de assistir.  Até mesmo nossa página web esta parada.  Em breve teremos uma nova. 
 
Beebout – O mesmo acontece com a idade de nossos fãs, foi o que comentávamos.  Num show recente perguntei quantas pessoas que nos assistiam tinha menos que 30 anos de idade e somente uma pessoa levantou a mão. 
 
Loobkoff – Na noite passada, em Madrid, apenas 30% do público tinha menos de 25 anos de idade.
 
Sean Kennerly – Não somos uma banda com um público marcado...
 
Loobkoff – Fui assistir a um show recentemente em que o vocalista da banda pediu para que o público parasse de filmar e os assistisse no palco.  Eram centenas de mãos levantadas e se via mais cameras digitais e telefones filmando do que a banda no palco.  Foi uma tentativa de que as pessoas vivessem o momento e não assistissem no futuro o que aconteceu no passado. 
 
E o projeto com integrantes do Hot Water Music?
 
Loobkoff – Faremos um show na Flórida em breve mas não sabemos se teremos tempo para uma turnê.
E todo este retorno de bandas como Hot Water Music, The Get Up Kids e outras bandas dos anos 90?

 
Charlie Walker – Acho legal, não deveriam ter parado.
 
Beebout – É a crise dos quarenta, midlife crises.
Boas e más memórias de turnês, tanto quanto banda de abertura quanto principal?

 
Beebout – A pior turnê foi quando abrimos para o Creed no final dos anos 90.  definitivamente as pessoas não queria nos assistir e de quebra ainda tinhamos que aturar o Creed a cada noite. 
 
O fato de vocês estarem na estrada há um tempo e tocarem para um público reduzido e novas bandas tocarem em arenas por exemplo.  Recentemente o Rise 
Against fez uma turnê com o Bad Religion como banda de abertura?  Não é estranho tudo isso?
 
Loobkoff – não me incomoda mas às veze não entendo o porque.  Acho que a banda que mais incomodou neste sentido foi quando fizemos uma turnê de três semanas com o Blink 182, que começaram depois de nós.  não quero fazer fofoca de ninguém mas definitivamente foi a pior banda, com as pessoas mais idiotas que jamais tivemos.  Tudo era ruim neles e um ano depois eram a grande sensação, foi impressionante.  Para ser sincero realmente tive que pensar de como eles conseguiram ter reconhecimento de algo.  O mesmo não posso dizer do Green Day, que também foi uma banda pequena, começamos juntos e trabalharam duro para chegar onde estão.  Chegamos a fazer um show com o Green Day em que várias bandas tocaram naquele dia e somente faltavam nós e o Green Day.  Daí tivemos a idéia de tocar duas músicas, eles duas mais e assim fomos revezando até que uns skinheads começaram a brigar e tivemos que parar com tudo.
 
Entre 2000 e 2006 a banda ficou parada, o que realmente aconteceu?
 
Beebout – tive problemas familiares e decidi sair da banda, não queria mais viajar.  Descobri que foi uma decisão errada quando tive que voltar a trabalhar, porque ter um trabalho normal após ter uma banda é muito ruim. 
 
Loobkoff – na verdade ficamos sem gravar mas saíamos em turnês.  Inclusive acho que foi nesta época que fomos ao Brasil pela primeira vez. 
 
A sala Razzmatazz 3 é bem pequena, gostariam de estar num local maior?
 
Loobkoff – tocar em lugares pequenos ou grandes não faz diferença, o que queremos mesmo é que o som seja bom.  Esta sala tem um som muito bom, já tocamos em lugares bem maiores mas com um som muito ruim.  Nunca me passou pela cabeça de chegar em um local pequeno e achar que não deveria estar nesta posição, de verdade. 
 
Beebout – já tocamos para 30 mil e para duas pessoas.  É excitante tocar para um público maior mas igualmente divertido tocar em salas pequenas.  Você tem mais contato com o público.  Tocamos em alguns lugares nesta turnê em que algumas pessoas nunca tinham estado num show nosso antes e ficam satisfeitas com o show.  Num lugar pequeno, definitivamente posso sentir mais o público.  Quando se toca num lugar maior, os que estão para trás não transmitem nem recebem a mesma energia. 
Alguma banda ou disco recente que chamou atenção?
 
Loobkoff – The XX, gosto muito do disco.  Quando escuto tenho sempre a sensação de escutar hits.
Algo para dizer para os brasileiros?

 
Sean Kennerly – a única coisa que consegui aprender foi, “sua bunda ocupa toda la prlaia”.  De verdade, gosto muito do Brasil e queremos tocar por lá outra vez.  Obrigado.


Du Baú - Born From Pain (Entrevista)




Com mais de uma década na estrada, o Born From Pain foi uma das primeiras bandas européias a representar de metalcore e como sinônimo de trabalho vem ganhando espaço e respeito.  Durante a década passada acumulou cinco lançamentos, algumas mudanças de formação mas nada que afetasse o desempenho musical da banda.  Mesmo quando o vocalista original deixou a banda, os integrantes encontraram força suficiente para seguir adiante.  Com o lançamento de Survival a banda confirmou esta força e superação.  Recentemente tivemos duas oportunidades de encontrar alguns integrantes.  A primeira antes de um show e a segunda quando acompanhavam o Madball em sua mais recente visita ao velho continente e conversamos sobre o disco novo The New Future.  O guitarrista Karl Fieldhouse nos recebeu na van da banda e respondeu pacientemente todas as perguntas e curiosidades que tínhamos naquele momento.  No segundo momento, o vocalista Rob nos contou detalhes do novo disco, abrindo assim uma nova década.  Os melhores momentos destes encontros vocês conferem agora.
Por Mauricio Melo

O último disco da década passada, responsável por fechar e bem uma década de dedicação foi Survival em 2008 e como já esperávamos, veio forte.  Como foi a turnê deste disco desde então?
 
Karl - Bem.  Como sempre, a estrutura e rotina na banda vem sendo lançar um disco, viajar por dois anos, lançar outro e voltar para a estrada, somos uma banda bastante ocupada.  Para o Survival tudo vem funcionando bem, foi muito bem recebido como você mesmo comentou, fizemos a Persistence Tour na Europa com bandas de alto nível do hardcore como Heaven Shall Burn, Sick of it All e Terror.  Após tocar praticamente todas as noites sem descansar nesta turne fomos para a América do Norte.  Em Julho fomos  para a Ásia incluindo shows no Japão, China pela primeira vez, Tailandia, Nova Zelandia, Filipinas.  Foram  três semanas na Ásia e esperamos que à parte de cansativo foi  divertido também.  Já estivemos no Japão anteriormente  outros países mencionados.  Tocamos em alguns festivais por lá.

Considerando que o Born From Pain lançou um disco por ano com exceção do Survival que demorou dois anos com relação ao anterior, War, e agora um pouco mais, com quatro anos de espera.  O que podemos esperar do The New Future?
 
Rob - Primeiro de tudo, gostaria de dizer que estamos satisfeitos do como as coisas aconteceram.  Trabalhamos duro e por muito tempo tentando desenvolver ou tentando soar da maneira mais original possivel, trabalhando nos minimos detalhes e estamos satisfeitos com o resultado.  O processo de gravação foi bastante rápido a partir do momento que entramos no estúdio.  Contamos com Igor Wounters (nosso antigo baterista) tanto para gravar as partes de bateria quanto para trabalhar como produtor, engenheiro e mixar o disco e o resultado foi o que ja descrevi acima, satisfatório.  Após quatro discos com Tue Madsen optamos por uma mudança na tentativa de renovar o som e acho que encontramos o que queríamos.  Não que estivéssemos insatisfeitos com Madsen mas que definitivamente necessitávamos algo novo.  Com relação aos quatro anos de espera foi que estávamos preparando um disco novo mas não era o que queríamos, já existiam muitas músicas gravadas e compostas mas decidimos jogar tudo fora e começar do zero e com certeza isso ocupou mais tempo do que imaginávamos.  Acho que não vamos demorar tanto para um próximo.
Gravadora?
Rob - Colocamos o disco na internet para as pessoas baixarem gratuitamente.  Para as pessoas que ainda se satisfazem comprando um disco original, tanto cd quanto vinil, temos a GSR Music (mesmo selo que lançamos nossos dois primeiros discos) e atualmente já está disponível em todos os formatos. 


E o titulo, se é que contém e o motivo do mesmo?  Lembrando que os titulos anteriores era War, Survival, In Love with the End…
Rob - Desta vez tentamos dar mais positividade no titulo.  Desde que realmente acreditamos que como pessoas podemos chegar a um futuro melhor se escolhermos o caminho correto.  O significado disso é que existem um monte de alternativas para ser mais saudável, mais livre e satisfeito na vida do que já tivemos até agora.  Existe um grupo minúsculo no poder, deixando famintos uma grande maioria e tentando nos manter distante de uma melhor vida que na verdade deveriamos ter, nos oprimindo com miséria, leis e guerras.  Acreditamos que quanto mais o tempo passa mais pessoas vão enxergando a verdade.  O que significa que as pessoas já não são os seguidores destes poderosos.  Acreditamos que isso é o motivo de ter melhores vidas no futuro e daí o título The New Future. 
Alguma mudança na formação para este disco?
Rob - Sim, tivemos algumas baixas na formação.  Agora temos um bom baixista, Pete (ex-Black Friday 29) e um novo bateirista além do retorno de Serve que tocou na banda quando lançamos Reclaiming The Crown, estamos reforçados. 


Quando passaram por Barcelona anteriormente, Rob (vocal) teve um problema nos olhos.  O que realmente aconteceu?
Karl - Ele utiliza óculos e na maioria das vezes está com lentes de contatos.  De vez em quando não acorda bem numa manhã dessas se deu conta que tinha um pouco de sangue nos olhos.  Não se sentia bem, foi ao médico que lhe comentou que uma demora de vinte quatro horas a mais poderia ter custado a visão de um dos olhos e foi operado de emergência.  Isso, porém, foi uns sete meses antes da turnê com o Terror e exatamente quando estávamos nesta turnê o outro olho teve o mesmo problema, o que fez ele perder parte das apresentações porque teve que passar por todo processo de cirurgia outra vez.  Ao final acho que teve muita sorte por ter tido duas vezes o mesmo problema e conseguir solucionar.  Só temos a agradecer ao David (baixista do Terror) por toda a ajuda, foi nosso vocalista em quase todos os shows, é um grande amigo que temos.  Ficamos um pouco sem graça com a situação mas acredito que as pessoas entederam nossa situação e o esforço para seguir tocando.  Acho que seria pior se tivessemos que abandonar a turnê mas conseguimos dar uma solução. 
O que existe por trás do título Survival?
Karl -  É mais direcionado a como sobreviver no mundo atual.  Existem muitas coisas acontecendo e temos que ser um sobrevivente para resistir a tudo isto a todas as coisas e mentiras que as corporações espalham pelo mundo.  Em 2008 quando foi lançado o disco ou mesmo agora em 2012 pessoas são levadas a acreditar em algo.  Sabemos que são tempos difíceis mas Survival foi mais para alertar, para dizer chega a tanta mentira.  Então levamos aos extremos para dar um sentimento mais apocalíptico a situação.  Qualquer pessoa pode perder seu emprego ou sua casa atualmente.  Há uns anos atrás, se alguém não estava satisfeito com seu emprego, saía e procurava outro.  Atualmente pessoas pensam muitas vezes antes de tomar certas atitudes.  Pessoas não conseguem pagar suas contas e outras tantas não sabem que pequenas coisas como comprar comida.  Somente agora, diante de uma crise mais forte as pessoas vão descobrindo o lado escuro das coisas, aos poucos vão descobrindo porque ainda existem muitas pessoas que não sabem ou vivem à margem disto.  A vida já não é tão fácil quanto há alguns anos atrás e muitas empresas e corporações parecem querer dificultar as coisas.  Por isso escolhemos o título Surival, porque necessitamos ter este instinto para seguir adiante. 

Pode nos explicar algo sobre a música New Hate?  Algumas pessoas relacionam esta canção como um novo hino nazista ou com referências sobre o tema, como explicar esta confusão?
Karl - A música New Hate definitivamente não tem nada a ver com neo-nazistas ou algo do tipo.  Óbviamente somos totalmente contra este tipo de atitudes.  Acho incrível que no ano de 2012 ainda existam pessoas que olham e julgam outras pela cor da pele ou do país onde nasceram e tenham algum tipo de preconceito, igualmente posso dizer sobre a homofobia.  Simplesmente não entendo como atualmente pessoas conseguem pensar desta maneira.  The New Hate é uma música sobre como os políticos controlam as pessoas através da mídia.  Se você assistir canais como Fox News, CNN ou quem seja, as notícias se repetem a cada sete ou dez minutos, principalmente quando estas notícias são negativas, criando um círculo negativo e amedrontando as pessoas, controlando através do medo.  Tivemos evidências recentes na Holanda durante as eleições, sou britânico mas vivo neste país há anos porém não posso votar mas presenciei coisas.  Existia um candidato de extrema direita que utilizava a questão do medo para manipular as opiniões sobre o voto.  É o tipo de pessoa que apóia a não chegada de imigrantes de países como Marrocos, Turquia e países que não são europeus e espalhou medo a seus eleitores dizendo que o que fazem estes imigrantes são coisas ruins.  Os ricos das cidades pequenas que nunca se relacionaram com imigrantes ou que tem pouca experiência sobre este temas étnicos por não terem imigrantes em cidades pequenas, simplesmente acreditaram que o que falava este político era certo.  Porém se você for a Rotterdam ou Amsterdam por exemplo que tem todos os tipos de pessoas vivendo por lá, todos votaram nos partidos de esquerda.  O que fez este político de direita foi uma tentativa de criar algum tipo de racismo ou algo parecido ao invés de promover a entrada de novas culturas no país.  O cara espalhou medo massivo através do medo "se vocês não me escutarem, estarão em sua cidadezinha provocando a desordem...", chegou a ser patético mas algumas pessoas votaram nele porque não sabiam o que fazer por falta de experiência, então naturalmente acreditaram no medo e é disso que falamos em New Hate.  É totalmente sobre o controle do medo exercido pela midia e governos, "se você não fizer isso, coisas ruins irão acontecer".  Algo que os americanos fizeram com o terrorismo após as torres gêmeas, colocaram toda cultura mulçumana como farinha do mesmo saco e as pessoas com medo aceitaram sem discutir, é ridículo.  Mais se aproxima na tentativa de educar as pessoas em talvez pensar sobre no que vem sendo dito e não acreditar em todas as coisas que disseram na tentativa de controlar ou espalhar o medo e nada a ver com racismo ou nazismo. 
Após uma resposta assim podemos dizer que conspirações fazem parte das crenças do Born From Pain?
Karl - Bem, em opinião particular poderia dizer que acredito em alguma coisa.  Os atentados terroristas de 11 de Setembro por exemplo, assisti muitos documentários sobre o caso e vi muita coisa por internet também e acredito que muita coisa que foi dita não é verdade ou que o governo fez tudo o possível quando na verdade poderia ter feito mais.  Quando você descobre todos os detalhes sobre planos de vôo, estruturas que suportam demolições e que as mesmas pudessem ter "desmontado" de outra maneira com o choque dos aviões, etc, etc, todas estas pequenas coisas que me fazer duvidar um pouco.  Não digo que tudo é verdade mas que fazem mais sentido para mim, sem os ataques de 11 de Setembro a guerra não existiria no Iraque e tampouco no Afeganistão e isso já leva anos.  Tudo o que querem é uma guerra sustentável, por que?  Porque podem controlar maior quantidade de pessoas, podem fazer mais dinheiro e com todo o militarismo nas ruas e todo dinheiro que rende tudo isso.  As empresas que estão por trás disso tudo fazem dinheiro porque oferecem infraestrutura para todos os países envolvidos, etc.  Então, tudo isso faz mais sentido para mim do que fazer com que as pessoas acreditem que outros tentaram destruir um país matando e destruindo dois edificios nos Estados Unidos, é óbvio que eles não iriam ruir com isto.  Pessoas deveriam olhar o mundo a seu redor e tirar suas conclusões, não acredite no que eles dizem e igualmente no que digo, faça você sua avaliação.

Seguimos então maltratando os governos e empresas.  Podemos dizer que para muitos a crise financeira veio bem à calhar, já que estão justificando a mesma para cortar e diminuir gastos, demitir, reduzir?
Karl - Claro, utilizam isso bem facilmente.  Se as pessoas estão quebradas financeiramente é muito fácil de manipulá-las.  Se a situação financeira ajuda o povo se sente forte para fazer o que bem entende.  Se você não tem recursos financeiros vive eternamente com uma nuvem negra na cabeça e passa a pensar duas vezes antes de perder o pouco que tem.  Até chegar ao ponto em que todos estão quase perdendo o que tem e se unem com um único objetivo, é estranho mas é assim que acontece.  Governos e empresas tem sempre algo sinistro por trás e somente umas poucos com boas intenções.  Os governos não existem para ajudar pessoas, são como os bancos, te dá algo em troca mas a intenção é sempre ganhar mais do que dá.  As eleições americanas por exemplo, alguma coincidência que existisse uma mulher com ótimas chances de ganhar e um candidato negro em melhor posição?  Após Bush e todo desastre que um burro como ele pode proporcionar, pessoas tentaram manipular, teremos um presidente negro ou uma mulher para presidente, ambos casos inéditos.  Daí ninguém pensa em nada mais, estão todos focados nessa discussão por meses, alienados, manipulados.  As empresas estão sempre posicionadas atrás destas coisas e estão aí para fazer dinheiro, não importa como e é para isso que existem.  As vezes é até difícil escolher no que acreditar...   
E com toda essa crise na Europa, ajuda na hora de escrever, não?
Rob - Normalmente é fácil escrever sobre coisas reais.  A realidade é minha maior inspiração e sempre será.  Nos tempos atuais em que os banqueiros estão arruinando países, um atrás de outro, com seus esquemas financeiros a minha resposta é sim e como já disse existe uma miséria enorme no mundo.  O disco novo é mais político e crítico do que nunca.  Sentimos responsabilidade por cantar estes temas.  Existem mais coisas escondidas e mais cedo ou mais tarde a verdade aparece e trabalharemos nas mudanças e sempre estaremos felizes em dar nossa pequena contribuição.

Então o presidente americano é apenas mais uma máscara de político? 
Karl - Não tenho dúvidas e não sou o único que pensa assim.  Não conheço em detalhes seus projetos mas aposto que tem muita coisa que prometeu e já ficou para trás.  É claro que sempre existem exceções, prometeu a retirada dos americanos do Afganistão, já nem lembramos quanto tempo faz que ele se candidatou para presidente se no ano passado ou retrasado mas esta foi uma de suas promessas e tenho certeza que as tropas continuarão por lá por um bom tempo.  Obama está lá para pacificar as pessoas mas depois de um tempo se dá conta de que ele não está fazendo correto.  Diz que vai fazer porque alguém o controla como um fantoche e tudo segue igual. 
Recentemente o mundo assistiu a mais um capítulo de Gaza e outro da Síria, quando por exemplo um navio de ajuda humanitária turco foi atacado por Israel sem motivos convincentes e que resultou em mortes de algumas pessoas.  Independente de citar ou culpar um ou outro.  Até quando estaremos dispostos a ver isso?
Karl - Sabe, existe muita coisa bonita e pessoas impressionantes tentando melhorar o mundo, sacrificando suas próprias vidas para ajudar outros e no entanto coisas assim seguem acontecendo.  Quero ter saúde suficiente para ver como tudo isto vai terminar porque vai chegar a um ponto em que tudo vai virar cinzas.  Do jeito que as pessoas ou países lutam uns com os outros ou detonam o planeta.  Olha agora o que vem acontecendo no Golfo do México, não dá nem para calcular o desastre ecológico que se vem derramando por lá com tubos cuspindo óleo vinte e quatro horas por dia.  É muito louco porque nós temos uma vida especial, nos adaptamos, buscamos soluções, proteções, etc.  Os animais e a natureza não.

DVD?
Karl - Não sabemos ainda, talvez.  Tenho que admitir que somos um pouco preguiçosos para organizar filmagens e coisas do tipo.  Se fossemos um pouco mais construtivos com as filmagens e mais constantes com alguém trabalhando conosco podería funcionar mas nunca fazemos, é terrível (risos).
Alguma possibilidade da banda retornar ao Brasil e quais as lembranças que vocês tem do nosso país?
Sim, tivemos quatro shows no Brasil.  São Paulo, Belo Horizonte e nunca lembro de outras duas cidades que também foram muito bons...Coritiba e Porto Alegre? Sim! Poxa, que vergonha (risos) gostei tanto de lá mas sempre esqueço os nomes.  Foi excelente, quatro shows em sete ou oito dias e nos sentimos em casa definitivamente.  Esperamos retornar ao Brasil porque além do bom ambiente os shows foram brutais, a garotada estava enlouquecida e...enlouquecida (risos), adorei o país, os restaurantes self-services de São Paulo de todos os tipos de comida, que loucura (muitos risos).  Fomos num rodízio de pizza com karaoke mas tinha até pizza de banana, nunca tinha visto algo assim e quando você se distraía o garçon colocava outro pedaço no seu prato (risos).  Realmente foi muito bom e esperamos voltar. 

Muito obrigado Karl e Rob.
Obrigado a vocês, realmente foi muito legal ter este bate-papo.

Du Baú - Kreator Entrevista (Hordes of Chaos)


Após passarem por Londres, onde também foram abordados pelo Rockonnection, o Kreator desembarcou na Espanha para três shows – sendo um deles em Barcelona na chuvosa e fria noite de um Domingo. Antes do concerto destruidor, fomos muito bem recepcionados pelo tour manager Richard, que nos levou ao backstage para a segunda e definitiva parte da entrevista, desta vez com Ventor (que já nos aguardava tranquilamente na sala reservada à banda. Coincidência ou não, foi exatamente na ausência de Ventor (um dos fundadores do  Kreator) que a banda passou por seus momentos mais nebulosos, ou melhor dizendo, diferentes. Junto ao retorno deste membro original, o Kreator também reencontrou seu caminho e somente nesta década lançou 3 álbuns de estúdio de tirar o fôlego.​  


Por Mauricio Melo



Poderia contar um pouco sobre o processo de produção e gravação deste novo disco? Como foi trabalhar com Moses Scheneider (Beatsteaks); algum detalhe durante este processo?
Sim, definitivamente. É um álbum ao vivo de estúdio, onde gravamos todos ao mesmo tempo. Toda experiência que acumulamos nestes anos gravando em estúdio e ao vivo (Live Kreation) utilizamos agora da maneira mais poderosa que pudemos. E Moses costuma trabalhar com gravações ao vivo, ainda que a especialidade dele não seja este estilo de música – ele inclusive já trabalhou com gravações de orquestras e música clássica. Era o que buscávamos para soar diferente. Ele sentava no meio do estúdio com todo o equipamento necessário e dizia "Toquem, quero sentir isso" e se tivesse algo com que ele não se sentisse satisfeito, parava tudo e tentava encontrar o que faltava, nem que fosse um pouco mais de energia. Foi algo muito interessante; um círculo no meio do estúdio, auto-falantes, bateria, guitarra, tudo pronto como se fosse uma apresentação ao vivo, e o resultado foi excelente.

 
Apesar de toda característica live, o disco também está bem técnico. Uma das músicas que deixa isso bem claro é “Demon Prince”, que possui uma introdução que é algo nos moldes do metal tradicional para em seguida dar entrada ao som característico do grupo. Também nos vocais, tanto nesta música quanto em “Warcurse”, nota-se algo bem gutural; seria isso mais um tempero no som da banda?
Acredito que sim, este é o caminho que queremos seguir. Não somente sentar num estúdio e gravar alguma coisa bem técnica e no final soar igual ao que já foi feito. Especialmente quando você está na estrada por 25 anos, isto é algo que deve-se levar em consideração.

 
Poderia comentar um pouco sobre a utilização de aparelhagem em 3D e o trabalho de iluminação da turnê atual?
Claro, você vai poder conferir esta noite e entender melhor. É uma artista de iluminação chamada Margarida Moreira (Portugal) e ela tem muita sensibilidade e percepção para as coisas. Passávamos as idéias e alguns trechos das músicas e ela já vinha com tudo pronto, exatamente como buscávamos. A Margarida está acostumada a trabalhar com grandes montadoras de automóveis e outros tipos de publicidade e por isso tem idéias mais extensas.

 
Uma das combinações que leva a música do Kreator é o conteúdo político em suas letras. O título Hordes of Chaos, dea alguma forma, está relacionado a essa crise econômica financeira que tanto vem incomodando a Europa e o Mundo?
Nem tudo é político. Tentamos não ser tão precisos com o tema das letras, pois não queremos dizer as pessoas o que elas tem ou não tem o que fazer; apenas mostrar o que acontece a nossa volta. Definitivamente não queremos dizer que as coisas deveriam ser assim ou assado. “Crie sua própria opinião”, é o que tentamos passar com as letras. Com relação ao assunto financeiro, acho que vem incomodando a todos os setores no planeta e não somos diferentes de ninguém.

Como o público vem recebendo as músicas de Hordes of Chaos? Por exemplo, ontém a noite em Bilbao.
Está perfeito. As novas músicas encaixam perfeitamente no setlist junto às antigas. O show de ontém foi excelente.

 
Várias bandas que tiveram seu auge nos anos 80 e parte dos 90 – com uma fase experimental às vezes mal compreendida pelo público – estão de volta com força total, como é o caso do Exodus, Testament, Death Angel e, claro, o Kreator. A que se deve este retorno com tanta força, alguma inspiração em especial ou aprendizado com experiências passadas? O Kreator lançou 3 álbuns de alto nível somente nesta década, sem contar o ao vivo.
O retorno às raízes foi necessário, apenas sentimos que tínhamos que fazê-lo. Achamos que já tínhamos experimentado o suficiente e que deveríamos voltar a fazer aquelas coisas unidas ao que aprendemos. Até mesmo a formação que temos agora é perfeita. Não existem limitações, o que nos dá a oportunidades de fazer o que quisermos.

Qual o motivo de sua saída da banda ainda nos anos 90?
Prefiro dizer que foram motivos pessoais que fizeram com que me afastasse da banda
neste período. Se pensar bem, um pouco de cada coisa; cansado de tocar, cansado da estrada...

 
O Hordes of Chaos chegou à internet antes de aparecer nas lojas. Perguntar se a banda se importa com downloads é até desnecessário... Porém, até aonde isso ajuda ou prejudica o Kreator, gravadora e as pessoas que trabalham em torno da banda? O que podemos fazer com relação aos downloads nos dias de hoje?
Acredito que as gravadoras vêm tentando apresentar aos consumidores algo diferente. Estão tentando porque no final das contas todos perdem um pouco de dinheiro com os downloads.

Já são praticamente 3 décadas de estrada, com altos e baixos, sendo que atualmente o Kreator mantém-se no topo como um dos maiores nomes do thrash mundial. O que você pensa da cena atual e novas bandas? Algo realmente te chama atenção ou fica a impressão que os grandes nomes ainda vão se manter por muito tempo no topo?
Espero que sim, estamos no caminho. Sabe do que mais gosto? Vamos tocar aqui e com certeza vamos encontrar pessoas de todas as idades curtindo o show. Desde garotos de 14 anos de idade até fãs mais antigos com seus 40 ou até 50.
Minha opinião atual sobre bandas novas é que existem muitas bandas no mundo. Vinte e cinco anos atrás surgiam bandas que chamavam mais atenção e eram mais diferenciadas. Hoje tem muita banda por aí, mas não existe tanta diferença entre elas. É assim que as coisas são e não podemos evitar.

 
Dois álbuns favoritos do Kreator; um antigo e um desta década?
Extreme Aggression e Hordes of Chaos.

 

Durante a turnê de Coma of Souls no início dos anos 90 o Kreator passou pelo Brasil (se não me engano) pela primeira vez. Não muito distante deste momento a banda tocou num programa de televisão (Matéria Prima) com transmissão em rede nacional às 5 da tarde, o que foi muito interessante para o metal no Brasil. Você se lembra de alguma coisa desta turnê, dos shows ou deste programa? Ainda tem amigos por lá?
Sem muito contato infelizmente, acho que pela distância. O que realmente me lembro sobre estes shows é de um público apaixonado pela música, uma valorização que não se encontra em qualquer país. Lembro-me de tocar e sentir a vibração da galera invadindo o palco, algo bem intenso. Na Alemanha o público apenas fica lá, imóvel. Talvez porque a cada álbum lançado fazemos uma turnê pela Europa, então se não assistirem ao show desta vez, assistem na próxima – ou já assistiram no festival do ano passado. No Brasil é diferente, as pessoas sabem que não é fácil para a gente ir tão longe, então há uma maior valorização. Esperamos que esta turnê chegue à América do Sul e ao Brasil.

Millencolin e Atlas Losing Grip Em Barcelona 22/09/2011 - Sala Apolo A- Barcelona/Espanha




Na última quinta-feira, 22 de Setembro, foi a vez da Espanha conferir de perto a celebração do décimo aniversário de "Pennybridge Pioneers" do Millencolin.  Estivemos por lá, ainda que com algumas restrições dos organizadores porém muito bem recebido por membros do Atlas Losing Grip, que nos colocou como convidado especial em sua lista. Para quem ainda não conhece, Atlas Losing Grip é a atual banda de Rodrigo Alfaro, ex-Satanic Surfers.

Porém o primeiro nome da noite e completando o trio sueco da turnê foi oTwoPointEight e sua levada mais rock do que punk.  Lançando seu segundo álbum, "TwoPointEight II", fizeram um  bom show ainda que grande parte do público não estivesse no recinto.

Ainda com uma quantidade reduzida de público de um total que esteve para o show principal, foi a vez do Atlas Losing Grip pisar no palco e, sinceramente, quem não compareceu perdeu uma excelente apresentação do verdadeiro punk rock melódico.

Formada no início de 2005 e com um primeiro álbum lançado três anos mais tarde, "Shut the World Out", e Alfaro participando de algumas músicas como convidado especial, a banda pode mostrar sua cara e a nítida influencia do Satanic Surfers, tendo a oportunidade de fazer sua primeira turnê européia e saindo de seu país pela primeira vez, com o baixista Stefan Bratt como vocalista. Um ano mais tarde o próprio Stefan convidou Alfaro para vocalista principal e definitivo da banda. Com o convite aceito lançaram o EP "Watching the Horizon" antes do excelente "State of Unrest" e daí por diante já começaram a colher frutos do bom trabalho.  Na verdade a única coisa que podemos reclamar do show foi a escassa meia hora no palco. Porém neste curto set, podemos ver um Rodrigo Alfaro em excelente forma e muito bem assistido por seus integrantes. Ainda que o público não tenha tido uma grande reação (bem típico da Catalunha) diante de músicas como "Logic" e "Different Hearts, Different Minds" a opinião ao final da apresentação era unanime, o show tinha sido de alto nível.  Após tantos comentários quem não pode ou por simples opção não esteve lá para conferir se lamentou. A boa notícia para quem perdeu Atlas Losing Grip é a pretensão de voltar à cidade condal com sua própria turnê segundo declara o próprio baixista Stefan numa informal conversa que tivemos antes do show e, é claro, também sonham com América do Sul e Brasil, assim esperamos.

  Já para a banda principal o jogo estava ganho, casa cheia e a longa experiência dos integrantes do Millencolin fizeram a diferença.  Não que as primeiras bandas não possuam esta "bagagem", já que Rodrigo Alfaro sustenta o posto com tanta experiência quanto seus compatriotas, porém quando se trata da banda que o público quer assistir, aquela que o mesmo pagou para estar diante do palco, a coisa muda de figura.  Ainda que o esperado acontecesse como tocar o Pennybridge Pioneers de ponta a ponta e incluir "Mr.Clean", "Black Eye" e "Bullion" num falso bis, que na verdade é a segunda parte do show, nada diminui  a apresentação que Nikola, Mathias, Frederik e Erik deram aos catalães.

Algumas horas antes, o quarteto era alvo fácil no bar da esquina, e tal visita no boteco se refletia nos acordes de Mathias Färm, o guitarrista estava "facinho" no palco, parecia rejuvenescido, saltando, escorregando de joelhos e indo pra galera.  Pouco depois o mesmo reconheceu que aquelas cervejinhas e o calor que ainda faz em Barcelona de cara pro Outono o deixaram daquele jeito mas ninguém reclamou, estava ótimo.

Nikola e Erik não queriam deixar por menos, entraram no ritmo de Mathias e desfrutaram ao máximo da festa que eles mesmos promoveram.  Uma noite para não ser esquecida e para registar em nossa página este grande momento.  Ainda que os desinformados confundam hardcore melódico com este novo esteriótipo chamado "emo", o punk rock está mais vivo que nunca e cheio de melodia por entre os acordes.

Agradecimento especial à Black Star Foundation.
Enviado por Mauricio Melo

Confira fotos desse show, por Mauricio Melo: