sexta-feira, 4 de abril de 2014

Du Baú - Born From Pain (Entrevista)




Com mais de uma década na estrada, o Born From Pain foi uma das primeiras bandas européias a representar de metalcore e como sinônimo de trabalho vem ganhando espaço e respeito.  Durante a década passada acumulou cinco lançamentos, algumas mudanças de formação mas nada que afetasse o desempenho musical da banda.  Mesmo quando o vocalista original deixou a banda, os integrantes encontraram força suficiente para seguir adiante.  Com o lançamento de Survival a banda confirmou esta força e superação.  Recentemente tivemos duas oportunidades de encontrar alguns integrantes.  A primeira antes de um show e a segunda quando acompanhavam o Madball em sua mais recente visita ao velho continente e conversamos sobre o disco novo The New Future.  O guitarrista Karl Fieldhouse nos recebeu na van da banda e respondeu pacientemente todas as perguntas e curiosidades que tínhamos naquele momento.  No segundo momento, o vocalista Rob nos contou detalhes do novo disco, abrindo assim uma nova década.  Os melhores momentos destes encontros vocês conferem agora.
Por Mauricio Melo

O último disco da década passada, responsável por fechar e bem uma década de dedicação foi Survival em 2008 e como já esperávamos, veio forte.  Como foi a turnê deste disco desde então?
 
Karl - Bem.  Como sempre, a estrutura e rotina na banda vem sendo lançar um disco, viajar por dois anos, lançar outro e voltar para a estrada, somos uma banda bastante ocupada.  Para o Survival tudo vem funcionando bem, foi muito bem recebido como você mesmo comentou, fizemos a Persistence Tour na Europa com bandas de alto nível do hardcore como Heaven Shall Burn, Sick of it All e Terror.  Após tocar praticamente todas as noites sem descansar nesta turne fomos para a América do Norte.  Em Julho fomos  para a Ásia incluindo shows no Japão, China pela primeira vez, Tailandia, Nova Zelandia, Filipinas.  Foram  três semanas na Ásia e esperamos que à parte de cansativo foi  divertido também.  Já estivemos no Japão anteriormente  outros países mencionados.  Tocamos em alguns festivais por lá.

Considerando que o Born From Pain lançou um disco por ano com exceção do Survival que demorou dois anos com relação ao anterior, War, e agora um pouco mais, com quatro anos de espera.  O que podemos esperar do The New Future?
 
Rob - Primeiro de tudo, gostaria de dizer que estamos satisfeitos do como as coisas aconteceram.  Trabalhamos duro e por muito tempo tentando desenvolver ou tentando soar da maneira mais original possivel, trabalhando nos minimos detalhes e estamos satisfeitos com o resultado.  O processo de gravação foi bastante rápido a partir do momento que entramos no estúdio.  Contamos com Igor Wounters (nosso antigo baterista) tanto para gravar as partes de bateria quanto para trabalhar como produtor, engenheiro e mixar o disco e o resultado foi o que ja descrevi acima, satisfatório.  Após quatro discos com Tue Madsen optamos por uma mudança na tentativa de renovar o som e acho que encontramos o que queríamos.  Não que estivéssemos insatisfeitos com Madsen mas que definitivamente necessitávamos algo novo.  Com relação aos quatro anos de espera foi que estávamos preparando um disco novo mas não era o que queríamos, já existiam muitas músicas gravadas e compostas mas decidimos jogar tudo fora e começar do zero e com certeza isso ocupou mais tempo do que imaginávamos.  Acho que não vamos demorar tanto para um próximo.
Gravadora?
Rob - Colocamos o disco na internet para as pessoas baixarem gratuitamente.  Para as pessoas que ainda se satisfazem comprando um disco original, tanto cd quanto vinil, temos a GSR Music (mesmo selo que lançamos nossos dois primeiros discos) e atualmente já está disponível em todos os formatos. 


E o titulo, se é que contém e o motivo do mesmo?  Lembrando que os titulos anteriores era War, Survival, In Love with the End…
Rob - Desta vez tentamos dar mais positividade no titulo.  Desde que realmente acreditamos que como pessoas podemos chegar a um futuro melhor se escolhermos o caminho correto.  O significado disso é que existem um monte de alternativas para ser mais saudável, mais livre e satisfeito na vida do que já tivemos até agora.  Existe um grupo minúsculo no poder, deixando famintos uma grande maioria e tentando nos manter distante de uma melhor vida que na verdade deveriamos ter, nos oprimindo com miséria, leis e guerras.  Acreditamos que quanto mais o tempo passa mais pessoas vão enxergando a verdade.  O que significa que as pessoas já não são os seguidores destes poderosos.  Acreditamos que isso é o motivo de ter melhores vidas no futuro e daí o título The New Future. 
Alguma mudança na formação para este disco?
Rob - Sim, tivemos algumas baixas na formação.  Agora temos um bom baixista, Pete (ex-Black Friday 29) e um novo bateirista além do retorno de Serve que tocou na banda quando lançamos Reclaiming The Crown, estamos reforçados. 


Quando passaram por Barcelona anteriormente, Rob (vocal) teve um problema nos olhos.  O que realmente aconteceu?
Karl - Ele utiliza óculos e na maioria das vezes está com lentes de contatos.  De vez em quando não acorda bem numa manhã dessas se deu conta que tinha um pouco de sangue nos olhos.  Não se sentia bem, foi ao médico que lhe comentou que uma demora de vinte quatro horas a mais poderia ter custado a visão de um dos olhos e foi operado de emergência.  Isso, porém, foi uns sete meses antes da turnê com o Terror e exatamente quando estávamos nesta turnê o outro olho teve o mesmo problema, o que fez ele perder parte das apresentações porque teve que passar por todo processo de cirurgia outra vez.  Ao final acho que teve muita sorte por ter tido duas vezes o mesmo problema e conseguir solucionar.  Só temos a agradecer ao David (baixista do Terror) por toda a ajuda, foi nosso vocalista em quase todos os shows, é um grande amigo que temos.  Ficamos um pouco sem graça com a situação mas acredito que as pessoas entederam nossa situação e o esforço para seguir tocando.  Acho que seria pior se tivessemos que abandonar a turnê mas conseguimos dar uma solução. 
O que existe por trás do título Survival?
Karl -  É mais direcionado a como sobreviver no mundo atual.  Existem muitas coisas acontecendo e temos que ser um sobrevivente para resistir a tudo isto a todas as coisas e mentiras que as corporações espalham pelo mundo.  Em 2008 quando foi lançado o disco ou mesmo agora em 2012 pessoas são levadas a acreditar em algo.  Sabemos que são tempos difíceis mas Survival foi mais para alertar, para dizer chega a tanta mentira.  Então levamos aos extremos para dar um sentimento mais apocalíptico a situação.  Qualquer pessoa pode perder seu emprego ou sua casa atualmente.  Há uns anos atrás, se alguém não estava satisfeito com seu emprego, saía e procurava outro.  Atualmente pessoas pensam muitas vezes antes de tomar certas atitudes.  Pessoas não conseguem pagar suas contas e outras tantas não sabem que pequenas coisas como comprar comida.  Somente agora, diante de uma crise mais forte as pessoas vão descobrindo o lado escuro das coisas, aos poucos vão descobrindo porque ainda existem muitas pessoas que não sabem ou vivem à margem disto.  A vida já não é tão fácil quanto há alguns anos atrás e muitas empresas e corporações parecem querer dificultar as coisas.  Por isso escolhemos o título Surival, porque necessitamos ter este instinto para seguir adiante. 

Pode nos explicar algo sobre a música New Hate?  Algumas pessoas relacionam esta canção como um novo hino nazista ou com referências sobre o tema, como explicar esta confusão?
Karl - A música New Hate definitivamente não tem nada a ver com neo-nazistas ou algo do tipo.  Óbviamente somos totalmente contra este tipo de atitudes.  Acho incrível que no ano de 2012 ainda existam pessoas que olham e julgam outras pela cor da pele ou do país onde nasceram e tenham algum tipo de preconceito, igualmente posso dizer sobre a homofobia.  Simplesmente não entendo como atualmente pessoas conseguem pensar desta maneira.  The New Hate é uma música sobre como os políticos controlam as pessoas através da mídia.  Se você assistir canais como Fox News, CNN ou quem seja, as notícias se repetem a cada sete ou dez minutos, principalmente quando estas notícias são negativas, criando um círculo negativo e amedrontando as pessoas, controlando através do medo.  Tivemos evidências recentes na Holanda durante as eleições, sou britânico mas vivo neste país há anos porém não posso votar mas presenciei coisas.  Existia um candidato de extrema direita que utilizava a questão do medo para manipular as opiniões sobre o voto.  É o tipo de pessoa que apóia a não chegada de imigrantes de países como Marrocos, Turquia e países que não são europeus e espalhou medo a seus eleitores dizendo que o que fazem estes imigrantes são coisas ruins.  Os ricos das cidades pequenas que nunca se relacionaram com imigrantes ou que tem pouca experiência sobre este temas étnicos por não terem imigrantes em cidades pequenas, simplesmente acreditaram que o que falava este político era certo.  Porém se você for a Rotterdam ou Amsterdam por exemplo que tem todos os tipos de pessoas vivendo por lá, todos votaram nos partidos de esquerda.  O que fez este político de direita foi uma tentativa de criar algum tipo de racismo ou algo parecido ao invés de promover a entrada de novas culturas no país.  O cara espalhou medo massivo através do medo "se vocês não me escutarem, estarão em sua cidadezinha provocando a desordem...", chegou a ser patético mas algumas pessoas votaram nele porque não sabiam o que fazer por falta de experiência, então naturalmente acreditaram no medo e é disso que falamos em New Hate.  É totalmente sobre o controle do medo exercido pela midia e governos, "se você não fizer isso, coisas ruins irão acontecer".  Algo que os americanos fizeram com o terrorismo após as torres gêmeas, colocaram toda cultura mulçumana como farinha do mesmo saco e as pessoas com medo aceitaram sem discutir, é ridículo.  Mais se aproxima na tentativa de educar as pessoas em talvez pensar sobre no que vem sendo dito e não acreditar em todas as coisas que disseram na tentativa de controlar ou espalhar o medo e nada a ver com racismo ou nazismo. 
Após uma resposta assim podemos dizer que conspirações fazem parte das crenças do Born From Pain?
Karl - Bem, em opinião particular poderia dizer que acredito em alguma coisa.  Os atentados terroristas de 11 de Setembro por exemplo, assisti muitos documentários sobre o caso e vi muita coisa por internet também e acredito que muita coisa que foi dita não é verdade ou que o governo fez tudo o possível quando na verdade poderia ter feito mais.  Quando você descobre todos os detalhes sobre planos de vôo, estruturas que suportam demolições e que as mesmas pudessem ter "desmontado" de outra maneira com o choque dos aviões, etc, etc, todas estas pequenas coisas que me fazer duvidar um pouco.  Não digo que tudo é verdade mas que fazem mais sentido para mim, sem os ataques de 11 de Setembro a guerra não existiria no Iraque e tampouco no Afeganistão e isso já leva anos.  Tudo o que querem é uma guerra sustentável, por que?  Porque podem controlar maior quantidade de pessoas, podem fazer mais dinheiro e com todo o militarismo nas ruas e todo dinheiro que rende tudo isso.  As empresas que estão por trás disso tudo fazem dinheiro porque oferecem infraestrutura para todos os países envolvidos, etc.  Então, tudo isso faz mais sentido para mim do que fazer com que as pessoas acreditem que outros tentaram destruir um país matando e destruindo dois edificios nos Estados Unidos, é óbvio que eles não iriam ruir com isto.  Pessoas deveriam olhar o mundo a seu redor e tirar suas conclusões, não acredite no que eles dizem e igualmente no que digo, faça você sua avaliação.

Seguimos então maltratando os governos e empresas.  Podemos dizer que para muitos a crise financeira veio bem à calhar, já que estão justificando a mesma para cortar e diminuir gastos, demitir, reduzir?
Karl - Claro, utilizam isso bem facilmente.  Se as pessoas estão quebradas financeiramente é muito fácil de manipulá-las.  Se a situação financeira ajuda o povo se sente forte para fazer o que bem entende.  Se você não tem recursos financeiros vive eternamente com uma nuvem negra na cabeça e passa a pensar duas vezes antes de perder o pouco que tem.  Até chegar ao ponto em que todos estão quase perdendo o que tem e se unem com um único objetivo, é estranho mas é assim que acontece.  Governos e empresas tem sempre algo sinistro por trás e somente umas poucos com boas intenções.  Os governos não existem para ajudar pessoas, são como os bancos, te dá algo em troca mas a intenção é sempre ganhar mais do que dá.  As eleições americanas por exemplo, alguma coincidência que existisse uma mulher com ótimas chances de ganhar e um candidato negro em melhor posição?  Após Bush e todo desastre que um burro como ele pode proporcionar, pessoas tentaram manipular, teremos um presidente negro ou uma mulher para presidente, ambos casos inéditos.  Daí ninguém pensa em nada mais, estão todos focados nessa discussão por meses, alienados, manipulados.  As empresas estão sempre posicionadas atrás destas coisas e estão aí para fazer dinheiro, não importa como e é para isso que existem.  As vezes é até difícil escolher no que acreditar...   
E com toda essa crise na Europa, ajuda na hora de escrever, não?
Rob - Normalmente é fácil escrever sobre coisas reais.  A realidade é minha maior inspiração e sempre será.  Nos tempos atuais em que os banqueiros estão arruinando países, um atrás de outro, com seus esquemas financeiros a minha resposta é sim e como já disse existe uma miséria enorme no mundo.  O disco novo é mais político e crítico do que nunca.  Sentimos responsabilidade por cantar estes temas.  Existem mais coisas escondidas e mais cedo ou mais tarde a verdade aparece e trabalharemos nas mudanças e sempre estaremos felizes em dar nossa pequena contribuição.

Então o presidente americano é apenas mais uma máscara de político? 
Karl - Não tenho dúvidas e não sou o único que pensa assim.  Não conheço em detalhes seus projetos mas aposto que tem muita coisa que prometeu e já ficou para trás.  É claro que sempre existem exceções, prometeu a retirada dos americanos do Afganistão, já nem lembramos quanto tempo faz que ele se candidatou para presidente se no ano passado ou retrasado mas esta foi uma de suas promessas e tenho certeza que as tropas continuarão por lá por um bom tempo.  Obama está lá para pacificar as pessoas mas depois de um tempo se dá conta de que ele não está fazendo correto.  Diz que vai fazer porque alguém o controla como um fantoche e tudo segue igual. 
Recentemente o mundo assistiu a mais um capítulo de Gaza e outro da Síria, quando por exemplo um navio de ajuda humanitária turco foi atacado por Israel sem motivos convincentes e que resultou em mortes de algumas pessoas.  Independente de citar ou culpar um ou outro.  Até quando estaremos dispostos a ver isso?
Karl - Sabe, existe muita coisa bonita e pessoas impressionantes tentando melhorar o mundo, sacrificando suas próprias vidas para ajudar outros e no entanto coisas assim seguem acontecendo.  Quero ter saúde suficiente para ver como tudo isto vai terminar porque vai chegar a um ponto em que tudo vai virar cinzas.  Do jeito que as pessoas ou países lutam uns com os outros ou detonam o planeta.  Olha agora o que vem acontecendo no Golfo do México, não dá nem para calcular o desastre ecológico que se vem derramando por lá com tubos cuspindo óleo vinte e quatro horas por dia.  É muito louco porque nós temos uma vida especial, nos adaptamos, buscamos soluções, proteções, etc.  Os animais e a natureza não.

DVD?
Karl - Não sabemos ainda, talvez.  Tenho que admitir que somos um pouco preguiçosos para organizar filmagens e coisas do tipo.  Se fossemos um pouco mais construtivos com as filmagens e mais constantes com alguém trabalhando conosco podería funcionar mas nunca fazemos, é terrível (risos).
Alguma possibilidade da banda retornar ao Brasil e quais as lembranças que vocês tem do nosso país?
Sim, tivemos quatro shows no Brasil.  São Paulo, Belo Horizonte e nunca lembro de outras duas cidades que também foram muito bons...Coritiba e Porto Alegre? Sim! Poxa, que vergonha (risos) gostei tanto de lá mas sempre esqueço os nomes.  Foi excelente, quatro shows em sete ou oito dias e nos sentimos em casa definitivamente.  Esperamos retornar ao Brasil porque além do bom ambiente os shows foram brutais, a garotada estava enlouquecida e...enlouquecida (risos), adorei o país, os restaurantes self-services de São Paulo de todos os tipos de comida, que loucura (muitos risos).  Fomos num rodízio de pizza com karaoke mas tinha até pizza de banana, nunca tinha visto algo assim e quando você se distraía o garçon colocava outro pedaço no seu prato (risos).  Realmente foi muito bom e esperamos voltar. 

Muito obrigado Karl e Rob.
Obrigado a vocês, realmente foi muito legal ter este bate-papo.

Du Baú - Kreator Entrevista (Hordes of Chaos)


Após passarem por Londres, onde também foram abordados pelo Rockonnection, o Kreator desembarcou na Espanha para três shows – sendo um deles em Barcelona na chuvosa e fria noite de um Domingo. Antes do concerto destruidor, fomos muito bem recepcionados pelo tour manager Richard, que nos levou ao backstage para a segunda e definitiva parte da entrevista, desta vez com Ventor (que já nos aguardava tranquilamente na sala reservada à banda. Coincidência ou não, foi exatamente na ausência de Ventor (um dos fundadores do  Kreator) que a banda passou por seus momentos mais nebulosos, ou melhor dizendo, diferentes. Junto ao retorno deste membro original, o Kreator também reencontrou seu caminho e somente nesta década lançou 3 álbuns de estúdio de tirar o fôlego.​  


Por Mauricio Melo



Poderia contar um pouco sobre o processo de produção e gravação deste novo disco? Como foi trabalhar com Moses Scheneider (Beatsteaks); algum detalhe durante este processo?
Sim, definitivamente. É um álbum ao vivo de estúdio, onde gravamos todos ao mesmo tempo. Toda experiência que acumulamos nestes anos gravando em estúdio e ao vivo (Live Kreation) utilizamos agora da maneira mais poderosa que pudemos. E Moses costuma trabalhar com gravações ao vivo, ainda que a especialidade dele não seja este estilo de música – ele inclusive já trabalhou com gravações de orquestras e música clássica. Era o que buscávamos para soar diferente. Ele sentava no meio do estúdio com todo o equipamento necessário e dizia "Toquem, quero sentir isso" e se tivesse algo com que ele não se sentisse satisfeito, parava tudo e tentava encontrar o que faltava, nem que fosse um pouco mais de energia. Foi algo muito interessante; um círculo no meio do estúdio, auto-falantes, bateria, guitarra, tudo pronto como se fosse uma apresentação ao vivo, e o resultado foi excelente.

 
Apesar de toda característica live, o disco também está bem técnico. Uma das músicas que deixa isso bem claro é “Demon Prince”, que possui uma introdução que é algo nos moldes do metal tradicional para em seguida dar entrada ao som característico do grupo. Também nos vocais, tanto nesta música quanto em “Warcurse”, nota-se algo bem gutural; seria isso mais um tempero no som da banda?
Acredito que sim, este é o caminho que queremos seguir. Não somente sentar num estúdio e gravar alguma coisa bem técnica e no final soar igual ao que já foi feito. Especialmente quando você está na estrada por 25 anos, isto é algo que deve-se levar em consideração.

 
Poderia comentar um pouco sobre a utilização de aparelhagem em 3D e o trabalho de iluminação da turnê atual?
Claro, você vai poder conferir esta noite e entender melhor. É uma artista de iluminação chamada Margarida Moreira (Portugal) e ela tem muita sensibilidade e percepção para as coisas. Passávamos as idéias e alguns trechos das músicas e ela já vinha com tudo pronto, exatamente como buscávamos. A Margarida está acostumada a trabalhar com grandes montadoras de automóveis e outros tipos de publicidade e por isso tem idéias mais extensas.

 
Uma das combinações que leva a música do Kreator é o conteúdo político em suas letras. O título Hordes of Chaos, dea alguma forma, está relacionado a essa crise econômica financeira que tanto vem incomodando a Europa e o Mundo?
Nem tudo é político. Tentamos não ser tão precisos com o tema das letras, pois não queremos dizer as pessoas o que elas tem ou não tem o que fazer; apenas mostrar o que acontece a nossa volta. Definitivamente não queremos dizer que as coisas deveriam ser assim ou assado. “Crie sua própria opinião”, é o que tentamos passar com as letras. Com relação ao assunto financeiro, acho que vem incomodando a todos os setores no planeta e não somos diferentes de ninguém.

Como o público vem recebendo as músicas de Hordes of Chaos? Por exemplo, ontém a noite em Bilbao.
Está perfeito. As novas músicas encaixam perfeitamente no setlist junto às antigas. O show de ontém foi excelente.

 
Várias bandas que tiveram seu auge nos anos 80 e parte dos 90 – com uma fase experimental às vezes mal compreendida pelo público – estão de volta com força total, como é o caso do Exodus, Testament, Death Angel e, claro, o Kreator. A que se deve este retorno com tanta força, alguma inspiração em especial ou aprendizado com experiências passadas? O Kreator lançou 3 álbuns de alto nível somente nesta década, sem contar o ao vivo.
O retorno às raízes foi necessário, apenas sentimos que tínhamos que fazê-lo. Achamos que já tínhamos experimentado o suficiente e que deveríamos voltar a fazer aquelas coisas unidas ao que aprendemos. Até mesmo a formação que temos agora é perfeita. Não existem limitações, o que nos dá a oportunidades de fazer o que quisermos.

Qual o motivo de sua saída da banda ainda nos anos 90?
Prefiro dizer que foram motivos pessoais que fizeram com que me afastasse da banda
neste período. Se pensar bem, um pouco de cada coisa; cansado de tocar, cansado da estrada...

 
O Hordes of Chaos chegou à internet antes de aparecer nas lojas. Perguntar se a banda se importa com downloads é até desnecessário... Porém, até aonde isso ajuda ou prejudica o Kreator, gravadora e as pessoas que trabalham em torno da banda? O que podemos fazer com relação aos downloads nos dias de hoje?
Acredito que as gravadoras vêm tentando apresentar aos consumidores algo diferente. Estão tentando porque no final das contas todos perdem um pouco de dinheiro com os downloads.

Já são praticamente 3 décadas de estrada, com altos e baixos, sendo que atualmente o Kreator mantém-se no topo como um dos maiores nomes do thrash mundial. O que você pensa da cena atual e novas bandas? Algo realmente te chama atenção ou fica a impressão que os grandes nomes ainda vão se manter por muito tempo no topo?
Espero que sim, estamos no caminho. Sabe do que mais gosto? Vamos tocar aqui e com certeza vamos encontrar pessoas de todas as idades curtindo o show. Desde garotos de 14 anos de idade até fãs mais antigos com seus 40 ou até 50.
Minha opinião atual sobre bandas novas é que existem muitas bandas no mundo. Vinte e cinco anos atrás surgiam bandas que chamavam mais atenção e eram mais diferenciadas. Hoje tem muita banda por aí, mas não existe tanta diferença entre elas. É assim que as coisas são e não podemos evitar.

 
Dois álbuns favoritos do Kreator; um antigo e um desta década?
Extreme Aggression e Hordes of Chaos.

 

Durante a turnê de Coma of Souls no início dos anos 90 o Kreator passou pelo Brasil (se não me engano) pela primeira vez. Não muito distante deste momento a banda tocou num programa de televisão (Matéria Prima) com transmissão em rede nacional às 5 da tarde, o que foi muito interessante para o metal no Brasil. Você se lembra de alguma coisa desta turnê, dos shows ou deste programa? Ainda tem amigos por lá?
Sem muito contato infelizmente, acho que pela distância. O que realmente me lembro sobre estes shows é de um público apaixonado pela música, uma valorização que não se encontra em qualquer país. Lembro-me de tocar e sentir a vibração da galera invadindo o palco, algo bem intenso. Na Alemanha o público apenas fica lá, imóvel. Talvez porque a cada álbum lançado fazemos uma turnê pela Europa, então se não assistirem ao show desta vez, assistem na próxima – ou já assistiram no festival do ano passado. No Brasil é diferente, as pessoas sabem que não é fácil para a gente ir tão longe, então há uma maior valorização. Esperamos que esta turnê chegue à América do Sul e ao Brasil.

Millencolin e Atlas Losing Grip Em Barcelona 22/09/2011 - Sala Apolo A- Barcelona/Espanha




Na última quinta-feira, 22 de Setembro, foi a vez da Espanha conferir de perto a celebração do décimo aniversário de "Pennybridge Pioneers" do Millencolin.  Estivemos por lá, ainda que com algumas restrições dos organizadores porém muito bem recebido por membros do Atlas Losing Grip, que nos colocou como convidado especial em sua lista. Para quem ainda não conhece, Atlas Losing Grip é a atual banda de Rodrigo Alfaro, ex-Satanic Surfers.

Porém o primeiro nome da noite e completando o trio sueco da turnê foi oTwoPointEight e sua levada mais rock do que punk.  Lançando seu segundo álbum, "TwoPointEight II", fizeram um  bom show ainda que grande parte do público não estivesse no recinto.

Ainda com uma quantidade reduzida de público de um total que esteve para o show principal, foi a vez do Atlas Losing Grip pisar no palco e, sinceramente, quem não compareceu perdeu uma excelente apresentação do verdadeiro punk rock melódico.

Formada no início de 2005 e com um primeiro álbum lançado três anos mais tarde, "Shut the World Out", e Alfaro participando de algumas músicas como convidado especial, a banda pode mostrar sua cara e a nítida influencia do Satanic Surfers, tendo a oportunidade de fazer sua primeira turnê européia e saindo de seu país pela primeira vez, com o baixista Stefan Bratt como vocalista. Um ano mais tarde o próprio Stefan convidou Alfaro para vocalista principal e definitivo da banda. Com o convite aceito lançaram o EP "Watching the Horizon" antes do excelente "State of Unrest" e daí por diante já começaram a colher frutos do bom trabalho.  Na verdade a única coisa que podemos reclamar do show foi a escassa meia hora no palco. Porém neste curto set, podemos ver um Rodrigo Alfaro em excelente forma e muito bem assistido por seus integrantes. Ainda que o público não tenha tido uma grande reação (bem típico da Catalunha) diante de músicas como "Logic" e "Different Hearts, Different Minds" a opinião ao final da apresentação era unanime, o show tinha sido de alto nível.  Após tantos comentários quem não pode ou por simples opção não esteve lá para conferir se lamentou. A boa notícia para quem perdeu Atlas Losing Grip é a pretensão de voltar à cidade condal com sua própria turnê segundo declara o próprio baixista Stefan numa informal conversa que tivemos antes do show e, é claro, também sonham com América do Sul e Brasil, assim esperamos.

  Já para a banda principal o jogo estava ganho, casa cheia e a longa experiência dos integrantes do Millencolin fizeram a diferença.  Não que as primeiras bandas não possuam esta "bagagem", já que Rodrigo Alfaro sustenta o posto com tanta experiência quanto seus compatriotas, porém quando se trata da banda que o público quer assistir, aquela que o mesmo pagou para estar diante do palco, a coisa muda de figura.  Ainda que o esperado acontecesse como tocar o Pennybridge Pioneers de ponta a ponta e incluir "Mr.Clean", "Black Eye" e "Bullion" num falso bis, que na verdade é a segunda parte do show, nada diminui  a apresentação que Nikola, Mathias, Frederik e Erik deram aos catalães.

Algumas horas antes, o quarteto era alvo fácil no bar da esquina, e tal visita no boteco se refletia nos acordes de Mathias Färm, o guitarrista estava "facinho" no palco, parecia rejuvenescido, saltando, escorregando de joelhos e indo pra galera.  Pouco depois o mesmo reconheceu que aquelas cervejinhas e o calor que ainda faz em Barcelona de cara pro Outono o deixaram daquele jeito mas ninguém reclamou, estava ótimo.

Nikola e Erik não queriam deixar por menos, entraram no ritmo de Mathias e desfrutaram ao máximo da festa que eles mesmos promoveram.  Uma noite para não ser esquecida e para registar em nossa página este grande momento.  Ainda que os desinformados confundam hardcore melódico com este novo esteriótipo chamado "emo", o punk rock está mais vivo que nunca e cheio de melodia por entre os acordes.

Agradecimento especial à Black Star Foundation.
Enviado por Mauricio Melo

Confira fotos desse show, por Mauricio Melo:




Fim do mistério. Primavera Sound 2013 é uma realidade


Nomes como Nick Cave & The Bad Seeds, My Bloody Valentine, Blur, Jesus and Mary Chain, Dinosaur Jr e até mesmo Wu-Tang Clan formarão parte do cartaz do Primavera Sound 2013, no mês de Maio na cidade de Barcelona.  E nós, acreditamos que, uma vez mais seremos um dos selecionados para cobrir o festival com bons textos e belas fotos.  

O Parc del Fòrum abrirá de maneira oficial suas portas na quarta-feira 22 de Maio com vários shows gratuitos como de hábito.  A diferença é que em edições anteriores o palco se situava em algum ponto da cidade, distante do Fòrum.  Desta vez o lugar escolhido será o mesmo que acolhe as edições oficiais do evento e teremos nada mais nada menos que The Vaccines para animar a festa de abertura (e gratuita) e muito bem acompanhados com Delorean, Guards, os jovens do The bots e Aliment, atenção nestes nomes.  

Ao final do anúncio oficial sentimos falta de nomes de "peso", ou seja, aquelas bandas com perfil hardcore, punks, e até black metal como foi o caso do Mayhem e dos reis do grindcore Napalm Death que figuraram no cartaz no ano passado, lembrando que em outras edições também tivemos Motorhead, entre outros.  Para não passar em branco teremos Fucked Up e como comentaremos mais adiante Neurosis.

Parece até que estamos reclamando de barriga cheia diante de um cartaz tão suculento mas não é assim.  Estamos sim, mais do que satisfeitos com tudo o que foi apresentado, por ter sido simpaticamente convidado pelos organizadores a participar desta grande festa e de estar junto a tanta gente da imprensa que faz acontecer no velho continente.  E para tal acontecimento foi organizada uma noite de gala, muito mais proveitosa do que as anteriores coletivas de imprensa.

Para apresentar a noite tivemos a presença de Johann Wald, VJ da MTV Espanha e alguma música ao vivo, entre elas a excelente presença de La Bien Querida.  

Noite que começou morna com a  relação entre VJ e público mas que ao final nosso Johann saiu ganhando, impossível que fosse diferente diante de tal figura.  

Destaca-se também a bela organização do evento e a apresentação do novo patrocinador oficial e principal, a cerveja Heineken.  Quando começaram a circular os boatos segredos com relação ao festival, muita especulação ficou no ar.  Pessoas profetizavam nomes como Slayer, David Bowie e até alucinações como um possível retorno dos Smiths com o primeiro show no festival espanhol.  Mas ninguém profetizou uma mudança de patrocinador já que tudo parecia favorável ao antigo.  Pois bem, ao anunciarem a Heineken como principal dois dias antes da gala os profetas duplicaram suas visões mas a grande verdade é que alguns temeram pela perda de identidade do evento, já que com tanto nome no mercado a cervejaria poderia "sugerir" um festival menos independente.  Nada do que estava previsto aconteceu e como de hábito o Primavera Sound surpreendeu muita gente, manteve a identidade e apresentou uma seleção de nomes de dar inveja a muitos outros festivais.

Tudo bem que a grande maioria dos nomes anunciados já passaram pelo Primavera em diferentes ocasiões como é o caso de My Bloody Valentine, The Jesus and Mary Chain, Phoenix mas conseguir reunir esta nata em uma única edição não é fácil e o evento conseguiu tendo como bônus a apresentação do Blur como inédita.  

Estaria o Primavera Sound jogando a Champions League dos festivais?  Acredito que já estivesse disputando há tempos mas agora com o patrocinador oficial reforçado, disputa diretamente o título.  Tudo isso em apenas 13 anos de existência e muita fidelidade.  Festival este que começou pequeno com a primeira edição em 2001 e foi ganhando proporções que nem mesmo quem organizava esperava.  Um exemplo que nós brasileiros deveríamos seguir, já que em muitas ocasiões se tenta organizar um mega evento já na primeira tacada, difícil.   Traduzindo para números, de 7.700 pessoas da primeira edição a 147.000 no ano passado, deixando claro que é um festival de grupos e músicas que em geral não tocam em rádios convencionais e nem figuram na MTV em horários nobre.  No Primavera não toca U2, Lenny Kravitz ou o mocinho da capa de revista.  Nada contra aos nomes mencionados mas neste evento, até o momento, não encaixa.  

Após bons discursos de seus organizadores um telão baixa ao tradicional palco da Sala Apolo para o anúncio oficial, tão esperado por todos que ali estavam e por milhares de outras pessoas que anualmente acompanham ao festival além da transmissão direta através do Primavera TV que é o canal do festival no Youtube e que possívelmente atraiu milhares de olhares ao redor do mundo.  
Uma coisa ficou claro, foi o segredo mais bem guardado dos últimos meses, nem mesmo grandes nomes da música conseguem reter suas composições sem que alguém consiga com que vaze na internet mas o festival sim conseguiu segurar a onda.

No grande momento uma animação, muito bem elaborada por sinal apresentava os nomes sob gritos de histeria de quem estava no recinto.   Apesar de já sabermos do Blur há meses poucos puderam segurar o grito ao aparecer no telão, junto ao retorno nos palcos do The Postal Service e os irmãos Reid liderando o The Jesus and Mary Chain.  Nick Cave liderando os Bad Seeds, os franceses do Phoenix que arrancaram fortes gritos do público femenino que virão lançar seu novo disco e mais uma vez Kevin Shields com My Bloody Valentine que muito se espera chegar ao festival com disco novo debaixo do braço.   Já passamos pela experiência de assistir em edição recente o My Bloody Valentine e aviso para quem esteja planejando sua viagem com intenção de curtir o festival, tragam protetores de ouvido.  

Para celebrar a tradicional mistura de estilos teremos a crew Wu-Tang Clan comemorando vinte anos de existencia com formação original.  Os espanhóis Los Planetas também marcarão presença e a grande oportunidade de assistir ao The Knife já que o duo sueco não se aventura muito pelo mundo afora.  Muito aplaudido também o anúncio de Band of Horses, uma das mais aguardadas com certeza.  Se já comentamos de My Bloody e Jesus não podemos esquecer de Dinosaur Jr que também apresenta disco novo e por falar em guitarras também teremos Swans e Neurosis.  Com tantos nomes dos 80 e 90 o The Breeders se junta ao time para tocar na íntegra Last Splash.  Bandas catalanas como Manel também oferecerá sua dose musical, uma das bandas favoritas de Pep Guardiola.  Apesar de ter recentemente tocado em outro festival catalão o Hot Chip dá o tom dançante da festa.

Tudo isso que podemos destacar de primeira mão mas quando se analisa e revisa o cartaz do evento não paramos de encontrar nomes que podemos destacar como os tradicionais Shellac e Bob Mould que apresentará seu novo álbum Silver Age.  Sem contar que ainda falta o anúncio do Optimus Primavera Sound que é organizado na cidade do Porto, uma versão mais reduzida do de Barcelona mas não menos atrativa.  

Para finalizar destacamos o preço do evento, 160 Euros para todos os dias, isso sim, comprando até o dia 4 de Fevereiro.  Após esta data algum reajuste mas com certeza nada assustador.  

Mais informações em www.primaverasound.com

Videos oficiais:

La Gala - http://youtu.be/BDe66O0cUtg

Animação com atrações - http://youtu.be/SfgoBAmFWHE

Video gravado desde o público - http://www.youtube.com/watch?v=_9MlTFy7VTg&feature=share&list=UUQEwD1uX-IOCu_jLc3cGqnQ







Shout Out Louds Em Barcelona 06/04/2011 - Sala Apolo A - Barcelona/Espanha


Shout Out Louds Em Barcelona

http://www.zonapunk.com.br/ver_res_show.php?id=827
originally published @ ZONA PUNK: 
Há algum tempo os suécos do Shout Out Louds deviam uma visitinha em "nossa" mediterranea cidade. As últimas vezes, se não falha a memória, num distante ano de 2008 em duas ocasiões, bastante distintas por sinal, porém com datas próximas. A primeira numa pequena sala onde somente cabiam 150 pessoas e meses depois num bem produzido, e extinto festival, chamado Summercase. Em ambas ocasiões o que se viu foi uma banda com grande potencial e disposta a escalar degrau a degrau seu caminho até encontrar um lugar ao sol.

Apesar da sala Apolo ser um tanto maior do que seu público atual, o bom número que marcou presença pode disfrutar de um excelente concerto onde apresentaram músicas de seu último álbum, "Work", misturadas a seus antigos hits que na verdade levantou o público em diversas ocasiões, com bastante destaque para "Tonight I Have to Leave it" de seu segundo album "Our ill Wills" e de seu primeiro trabalho "How How Gaff Gaff" chegamos a "100º" e "Please Please Please" talvez o ponto mais alto da apresentação.

O quinteto sempre conta com alguma produção de palco, em sua última aparição bandeiras faziam referência a capa do segundo disco e atualmente uma colagem com os rostos de seus integrantes faz o fundo de palco.

Ao soar os primeiros acordes de "Your Dreaming" vem a eterna sensação de estarmos escutando uma versão mais modesta de Robert Smith (The Cure) através da figura de Adam Olenius, e "Hard Rain" deu um refresco emocional em todos, ambas canções com nova roupagem na versão de palco. "Very Loud" também marcou presença entre os nostálgicos com seu refrão cantato "little by little..." cantado em coro pela galera.

Não podemos esquecer que a banda tem um compromisso com o disco novo já citado acima, que cumpre sua função em estúdio e que aos poucos vai crescendo ao vivo. Músicas como "Fall Hard" e "Show me Something New" ainda que não apresentem nenhuma novidade praticamente já tem seu lugar garantido entre os fãs da banda, que apesar de não lotarem um local maior como já foi dito, pelo menos já deixa a mesma um passo à frente e mais próxima de seus objetivos. E como o título de seu próprio álbum sujere, com um pouco de trabalho, eles chegam lá. Foi bom revê-los e saber que ainda estão com os pés no chão.

Confira abaixo algumas imagens deste show.


Agnostic Front @ Estraperlo Club del Ritme, Badalona

Ballantine's Leave an Impression Festival.






O Leave an Impression Festival, de Barcelona, está sendo realizado com um show por semana até o final do mês de abril, com artistas de diferentes estilos que, de alguma maneira, deixaram, deixam ou deixarão sua marca. Confira agora o show e entrevista com Shout Out Louds mais o show de Ian Brown (ex-StoneRoses).



Por Mauricio Melo






SHOUT OUT LOUDS
Ballantine´s Leave an Impression Festival
Sala 3 Razzmatazz, Barcelona
3/4/2008
Texto e fotos Mauricio Melo
No caso do Shout Out Louds, estão atravessando a ponte do “deixam para deixarão” a tal marca desejada. Em uma pequena sala com capacidade máxima para 300 pessoas, esta ótima banda se apresentou e deixou atônitos os que estiveram presentes. Ao apagar das luzes, usaram como introdução a instrumental "Ill Wills", do epônimo segundo trabalho. O grupo entrou pela mesma porta por onde momentos antes entrara seu público. Receberam uma calorosa ovação e retribuíram com um tímido boa noite. Abriram oficialmente com "You are Dreaming", deixando melodia e emoção tomarem conta do recinto.
No palco, uma decoração com diversas bandeiras com referência à capa do novo álbum. Na linha de frente, um fã mais dedicado fotografava com uma Polaroid e oferecia as fotos "fresquinhas" aos integrantes no decorrer das canções. Passo a passo, canção a canção, foram confirmando o posto de banda indie mais foguete do momento na Europa no que diz respeito ao circuito independente. Durante a execução de "Normandie", "Hard Rain", "100º", "Please Please Please", "Hurry Up Let´s Go", "Tonight I Have To Leave It", "South America", "Shut Your Eyes", entre outras, deixaram claro que podem deixar de ser promessa e virar realidade muito em breve.


quinta-feira, 20 de março de 2014

Primavera Sound 2014 - Novas incorporações.



O festival Primavera Sound anunciou hoje a incorporação de três novos artistas no seu já luxuoso cartaz, todos para a programação oficial dentro do Parc del Fòrum.  Os americanos do Future Islands e Girl Band, de Dublin atuarão na quinta-feira 29 de Maio enquanto os britânicos FKA Twigs se apresenta no dia seguinte, sexta-feira dia 30.  
A ascensão do Future Islands parece não ter fim e seu novo álbum, Singles, já pode ser escutado pela internet.  Trabalho este lançado via 4AD.

Já Girl Band chega ao festival com apenas um EP debaixo do braço mas como o Primavera é conhecido por açucaradas e acertadas apostas não podemos descartar nossa presença no recinto para conferir de perto o que tem à oferecer.  Além do single "Lawman" as distorcidas guitarras de "You're Dog" deixam em alerta a curiosidade.  

FKA Twigs parece ser uma aposta mais discreta, ainda que elogios do Pitchfork e The Guardian não são descartáveis.  

Será que o Primavera ainda guarda algo na cartola?

Mais infos:  www.primaverasound.com







sábado, 15 de março de 2014

Vitamin X - Entrevista 2014








A banda holandesa de hardcore Vitamin X desembarca no Brasil neste mês de Março para uma séries de shows, 10 no total, incluindo a cidade de Belém que, pelo menos para a banda está sendo aguardado com muita expectativa e não duvidamos que do lado do público seja diferente.  Não é a primeira vez que o grupo visita nosso país e ainda tem um estreito relacionamento com os integrantes de um dos maiores representantes da música pesada no Brasil, o Ratos de Porão.  Foi para conversar sobre alguns detalhes, lembranças de turnês passadas, disco novo, Steve Albini, Negative Approach e muito mais que esbarramos com o guitarrista Marc após avassaladora apresentação na segunda noite do Can't Keep Us Down Barcelona Hardcore 2014.  Após rápido contato visual através das lentes da câmera passamos a trocar perguntas por respostas, daí formalizamos uma entrevistinha despretensiosa que rendeu um bom papo, risos, sessão de fotos promocionais e uma boa amizade.
Com vocês Vitamin X!  Hardcore made in Amsterdam. 

Entrevista e fotos:  Mauricio Melo 


Começamos falando sobre o último álbum.  Normalmente as bandas lançam discos com mais freqüência , como a cada dois anos.  Vitamin X lançou os últimos dois com 4 anos de diferença.  Algum motivo especial para levar tanto tempo?

Nos primeiros anos lançamos um disco por ano mas depois de "Full Scale Assault" tivemos tantos shows e turnês que não tivemos tempo de gravar alguma coisa.

Novamente com Steve Albini, um produtor de música hardcore realmente incomum.  Como é a experiência de trabalhar com ele e a diferença sobre outros produtores?

Nunca pensei que eu estaria trabalhando com o mesmo cara que trabalhou com o Nirvana, Jimmy Page e Robert Plant do Led Zeppelin, Iggy Pop... 

Quando entramos no estúdio de Albini ele estava usando um macacão de estilo trabalhador pesado (uma roupa de encanador) no qual é a sua roupa de trabalho e tem o nome de seu estúdio na parte nas costas.  Sua equipe de engenheiros também utiliza o mesmo macacão. É como se eles fossem cientistas nucleares ou algo assim. No início ficamos impressionados por Albini e o estúdio. Ele trabalhou com algumas das maiores bandas da história do rock, mas ele é um cara super legal e super descontraído. Depois de um dia mais ou menos ele já começou a fazer piadas e contar sobre o Kurt, Iggy, Jimmy Page, etc.

A diferença com outros produtores é que Albini tem trabalhado com muitas grandes bandas, então ele tem muita experiência. E ele está trabalhando com equipamento completamente analógico e não usa qualquer computador.  E ele utiliza umas bobinas, as maiores que consiga, para obter o som o mais alto possível.   As baterias foram gravadas em um quarto tão grande quanto uma igreja e o som é incrível.

Uma outra diferença foi que todos tínhamos nosso próprio quarto, assim que nós trabalhamos de 12:00 até às 24:00 ou uma da manhã, íamos para a cama e levantávamos às 10 ou 11 para se preparar para a gravação. No meio, enquanto os outros estavam gravando seu solo ou vocal, estávamos comendo ou jogando sinuca (Albini tem uma mesa de bilhar grande em seu estúdio). Então estávamos completamente concentrados nas gravações.

A banda gravou com John Brannon (Negative Approach) e também publicou um vídeo-clip.  Alguma possibilidade de gravar algo no Brasil, com participações de brasileiros?  O Billy do Biohazard já fez isso algumas vezes...

Ha, isso seria ótimo, talvez devêssemos pensar sobre isso!



Quando falamos em Amsterdam geralmente pensamos nos Coffee Shops, no Bairro Vermelho, etc.  Mas o Vitamina X é uma banda Straight Edge.  É difícil de ser e banda deste estilo em uma cidade como essa e como é a cena por lá, é forte o suficiente?

Todos os membros da banda não bebem, não fumam, etc, mas musicalmente, liricamente e estilisticamente não somos uma banda de SE. 
Letras: Nós não temos qualquer letras sobre Straight Edge, porque não nos interessa se uma pessoa é straight ou não.
Principalmente porque também temos letras políticas ou letras pessoais. Vivendo na sociedade capitalista e todos os tipos de coisas que você tem que lidar como seu trabalho, insegurança econômica, aquecimento global, o capitalismo e a falta de paz no mundo.  Na verdade, temos várias músicas sobre legalização de drogas. Algumas pessoas realmente não entendem como pode apoiar a legalização de drogas. Mas para nós, isto é uma questão política e pensamos que legalização reduz o crime e o vício. 
Música: nossas influências vem de bandas do início dos anos 1980 como Bad Brains, DRI, Black Flag, Discharge, Motorhead, Infest, UK 77 punk e alguns anos 70 rock de bandas como Black Sabbath ou AC/DC.
Como está a cena Straight Edge? Não sei nada sobre isso...

Continuando com o movimento.  Quando tudo começou, ou pelo menos há 2 ou 3 décadas, não tínhamos internet e sabemos que atualmente nos traz  um monte de facilidades no momento de oferecer a música.  Durante a década de 80, pelo menos no Brasil, quando uma banda como Minor Threat lançava um álbum,  poderíamos levar anos até que alguns de nós tivesse uma cópia, ás vezes só tínhamos uma fita cassete que era uma cópia de uma cópia, baixa qualidade, sem letras, etc, etc.  
Hoje em dia temos toda uma geração com direito a estas facilidades, mas o movimento hardcore ainda é um underground.
Na sua opinião, o movimento deveria ser maior ou de qualquer forma, nasceu para ser underground?

Sim punks de todo o mundo agora pode se comunicar uns com os outros, configurar programas, baixar músicas, etc. Na época eu também tive que esperar para ouvir a música até que alguém me enviar um registro, ou fez-me uma fita, ou quando a banda tocava em Amsterdam comprava seus discos, mas agora tudo está disponível para todos em todos os lugares e continuamos underground.


Como é a vida do Vitamin X fora da banda?  Algum projeto especial ou vida normal?

Marko tem uma nova banda de hardcore chamada Open Wounds, ele toca guitarra. Eu tenho uma banda chamada Demon Eyes em que canto e toco guitarra, a música é mais estilo do início dos anos 70 como Black Sabbath 

Ouvimos algumas histórias sobre os shows asiáticos (talvez Indonésia?), que estava um calor infernal, talvez o show mais quente da carreira, não?.  Vocês estão indo para o Brasil no mês que vem e tocam em Belém, vocês sabem que ali e no Rio de Janeiro, pelo menos neste momento, está uns 45 graus?

Em 2005, nós tocamos em Jakarta, Indonésia com Boka do Ratos De Porão na bateria. Esse show foi extremamente quente, e nós tivemos que terminar o show antes do tempo, porque nós estávamos quase morrendo. Boka até tinha algo branco saindo da boca dele. Depois do show, o promotor disse-nos que uma semana antes, o cantor de uma banda tinha morrido no palco por causa do calor...

Quais são as expectativas da banda para que concertos?  Porque aqui em Barcelona o concerto e o público estavam selvagens, mas acredito que lá o público não ficará para trás...

Estamos ansiosos para todos os shows do Brasil incluindo os shows no Norte (Amazonas?), será muito louco!!

Já comentamos que Boka do R.D.P.  tocou com vocês da última vez.  Além do Ratos de Porão, alguma outra banda que tenham contato ou gostariam de assistir ao vivo?

Temos muitos amigos no Brasil. Nós amamos RDP e o Boka, eles são muito bons amigos. Também pessoas como Kalota, Juninho, Pedro, etc. são nossos amigos e estamos muito ansiosos para ver todos os nossos amigos brasileiros!.

Conte-nos sobre a experiência de estar no Gordo Freak Show da última vez que a banda visitou nosso país e você chegou a comentar comigo em Barcelona que naquela ocasião as pessoas te reconheceram na rua ou algo assim, não?

Foi engraçado da MTV e Gordo Freak Show.  O Boka tocou com a gente, e o Gordo também cantou durante a última música.  Nós tocamos músicas de 6 ou 7, e quando tocamos a última música, eu e Alex (baixo) destruimos os intrumentos. Em seguida, o público veio ao palco e tentou pegar as peças de guitarra e baixo destroçados e então a segurança veio e houve uma grande luta (risos). O produtor do programa disse que foi uma gravação interessante (risos)! 
Sim, depois da TV as pessoas nos reconheceram na rua (risos).

Qualquer segredo "nos bastidores" dessa época que você pode nos contar?

Hoje em dia todos estão checando a internet quando estamos nos bastidores, então nada de interessante está  mais acontecendo...

Alguma mensagem para o público brasileiro?


Estamos ansiosos para vê-los em nossos shows, caralho!!!!