sexta-feira, 29 de junho de 2012

Cannibal Corpse, Exodus e Death Angel em Barcelona 20/06/2012 - Sala Razzmatazz e Salamandra - Barcelona/Espanha


Na semana após o festival francês Hellfest, Barcelona e muitas outras cidades que sejam de país vizinho ao realizador deste festival sempre recebem visitas de algumas bandas que lá estiveram. Muitos dizem que são os restos do festival mas nós não podemos reclamar. Comentando com um amigo que mora no Brasil e ele disse que por lá, sobra só do carnaval e passam o ano inteiro com o pagode, sertanejo, etc. Bem, deu para entender que somos uns felizardos de poder estar diante de Children of Bodom e Cannibal Corpse num dia e Exodus, Death Angel e Suicide Silence em outro com a opção de Madball no Domingo para finalizar a semana.

Voltando ao passado, não muito distante, quando o Cannibal começou suas atividades ainda com Chris Barnes nos vocais. Era impossível naquela época falar de C.C. sem que houvessem comparações com o Napalm Death. Só que o tempo se encarregou de separar as opiniões e deu a cada banda seu merecido posto. Tudo bem que o Napalm demonstra ter uma veia mais punk e que estas bandas já não tem nada a demonstrar e somente uma coisa todos concordamos entre as duas. Poucas bandas podem ter o orgulho de se manter fiel ao estilo e não só isso, após tantos anos de carreira ainda conseguir lançar discos mais brutais que os anteriores.

Nesta nova visita à cidade condal (Barcelona), o quinteto americano veio exibir seu novo trabalho, Torture, e claro foi muito bem recebido pelo público desde o inicio com "Demented Aggression", disco novo é assim mesmo, as bandas saem sedentas por toca-lo ao vivo e incluem na sequência "Sarcophagic Frenzy" que assim como no álbum são as duas primeiras. Não satisfeitos e "Scourge of Iron" também brutaliza protagonismo na sala Razzmatazz com Corpsegrinder batendo cebeça e urrando ao público. Somente aí, após "maltratar" o público com três petardos do Torture chegam as primeiras palavras de George ao público antes de "Evisceration Plague", título do álbum anterior. Parecia mesmo que a banda tinha feito um setlist repassando um pouco de cada álbum como o esperado mas não alternando os álbuns e sim retrocedendo já que "Time to Kill is Now" representou o disco Kill que como comentamos é do anterior ao Evisceration... O que também podemos ressaltar e isso não é novidade para ninguém é a qualidade técnica de seus músicos e a solidez com que se apresentam.

Para sair do óbvio "atacam" com "I Cum Blood" de Tomb of the Mutilated considerado um clássico do estilo. De volta a fase recente tivemos ainda "Make Them Suffer" em reta final antes de finalizar com "Striped, Raped and Strangled" do The Bleeding ainda que alguns dessem falta de "Fucked With a Knife" que normalmente figura na lista mas como o show foi mais curto que da última visita quando eram headlines foi completamente compreensível.

Assim como passaram Cannibal Corpse e Children of Bodom, no dia seguinte a estes duas históricas bandas fizeram suas visitas. Me equivoco, não foram duas e sim cinco bandas no mesmo dia. Além de Suicidal Angels, Heathen, Death Angel e Exodus, o Lamb of God tocou na Razzmatazz, o que dividiu um pouco o público mas que nem de longe tirou o brilho desta segunda noite.

Ao chegar dou de cara com o Heathen no palco. A grande curiosidade é que por estarem com a bandeira do Death Angel de fundo por momentos e pelo horário, imaginava de maneira convicta de que estava diante dos Angels e demorou a cair a ficha. Não só não associava as músicas como também me perguntava onde estavam os guitarristas de descendência asiática (?), não podia crer que tudo tinha mudado tanto em tão pouco tempo. Tudo bem que não passo perto de um material da banda há muitos anos mas as influencias são guardadas com carinho e as informações que tinha eram totalmente distintas ao que meus olhos viam. Um pouco mais adiante tudo foi esclarecido e lá estava o quinteto de São Francisco celebrando os vinte cinco anos de Ultra-Violence e com um setlist totalmente dedicado ao mesmo, sem tirar nem por uma música, ou seja, na mesma sequencia do disco, "Thrashers", "Evil Priest", "Voracious Souls"...até chegar a "I.P.F.S." com uma versão mais extensa. O público totalmente entregue aos californianos e os mesmos se mostraram bastante sólidos e cômodos no palco. Podemos afirmas com todas as letras que foi uma apresentação de tirar o chapéu, o que deixou o Exodus com a dura missão de fazer melhor e mais bonito, mas tinhamos a certeza desde o principio que seria complicado e assim foi.

Abriram com "Last Act of Defience" de Fabulous Disaster, todo um clássico, e seguiram com "Iconoclasm" no alto de seus sete minutos de peso. O público que já estava aquecido com o Death Angel "abraçou" a banda e a causa metal, e apesar da sala não estar lotada o mesmo deu um show à parte, verdadeiros fãs do thrash metal. Talvez a desvantagem do Exodus tenha sido a pouca movimentação no palco, bem conservadora, e a grande vantagem o tempo disponível que fez com que o setlist fosse mais recheado. E não demorou para que mais um clássico fosse tocado, "Piranha" de Bonded by Blood fez a alegria local.

A ausência de palco de Gary Holt também foi sentida. Não que Lee Altus e Rick não estejam dando conta do recado mas um membro original é sempre uma figura a ser observada.

A banda, assim como muitas de sua dimensão já não tem outro remédio após tantos álbuns que não seja fazer um repasso de carreira no setlist, e o Exodus não fugiu a regra. Tivemos músicas do Tempo of the Damned com "Blacklist" e algo mais de Bonded by Blood com "And Then There Were None", "A Lesson in Violence" e "Strike of the Beast" para fechar o set além da música título. O que sim sentimos falta além de Holt foram músicas do Impact is Imminent. Apesar de terem se dedicado bastante, meus votos vão para o Death Angel. Não que o Exodus tenha feito um show ruim, distante disso e estiveram à altura do que se espera mas o Angel suou mais a camisa.
Enviado por Mauricio Melo

Confira fotos desse show, por Mauricio Melo:

quinta-feira, 28 de junho de 2012

New Order no Sonar Barcelona 16/06/2012 - SonarClub - Barcelona/Espanha


No último Sabado fomos conferir de perto o tão badalado festival Sonar Barcelona.  Escrevo tão badalado porque sempre se escutaram tantas palavras sobre o evento e ainda que a curiosidade fosse grande sempre coincide com um dos nossos festivais favoritos, o Hellfest, que só mesmo um problema (grave) de saúde poderia me tirar deste e fazer experimentar a um outro. A grande verdade, é que à parte do show do New Order, o evento deixa muito à desejar.

Vamos ao que interessa que o tempo é curto e o show também. Apesar da banda já não contar com Peter Hook e de todos os problemas que surgiram na saida do mesmo e que particularmente sempre considerei o baixista como principal integrante do New Order, os britânicos demonstraram que ainda tem alguma lenha para queimar.

Desde a abertura com "Crystal" até o encerramento com "Love Will Tear Us Apart" a renovada banda de Stephen Morris e Bernard Summer ofereceu ao público uma hora de clássicos que inundaram as rádios nos anos 80 e 90. Apesar de Hook já não fazer estremecer as quatro cordas do grupo, o baixista que o substitui faz bem o seu papel. Aquelas inconfundíveis linhas de baixo das cordas e notas mais agudas ditaram o ritmo da festa. Boas projeções no telão ao fundo, muitas vezes exibindo imagens dos próprios clipes da banda e Summer fazendo de tudo para animar ao público que só correspondia nas três primeiras filas do recinto, dali para trás mais parecia uma curiosa juventude do que verdadeiros fãs da banda; e tal situação ficou mais nítida quando tocaram com nova roupagem "Isolation" do Joy Division, a movimentação foi pouca.

E por falar nas mais antigas, não puderam ficar de fora temas como "Cerimony" e um dos clássicos pop mais reverenciados da banda, "Bizarre Love Triangle", o que deu um pouco mais de animo nos curiosos de trás, seguido de "True Faith" numa versão mais acelerada do que de hábito.

Para manter o ritmo entra em cena "The Perfect Kiss" e já em clima de fim de festa após quase uma hora de apresentação "Blue Monday" que mesmo antes de soar os primeiros acordes se exibia no telão o título da música para delírio local.

O encerramento ficou por conta da já comentada "Love Will Tear Us Apart" e sinceramente gostaria de saber onde estavam os jovens desordeiros que tentaram bagunçar a festa neste final quando tocaram a outra música do Joy Division? Como igualmente comentamos anteriormente, somente as três primeiras filas faziam jus ao que realmente o New Order merecia, porque o que nos ofereceu foi realmente à altura do esperado com um Summer comunicativo, animado e Morris mandando ver nas baquetas ainda que tenha faltado "Transmission" para finalizar com chave de ouro.

O que ainda não conseguimos enteder foi a proposta do festival que contém em sua chamada oficial Musica Avançada e New Media Art. Primeiro ficou por conta da programação, já que por se tratar de um festival com poucas apresentações ao vivo, não vejo o motivo de que dois dos três principais shows coincidam no mesmo horário. Se fosse o caso de outros festivais com 150 bandas, é totalmente compreensível que as apresentações coincidam, o que não se trata deste.

O New Order tocou no mesmo horário do The Roots e o público ficou esperando por uma hora e meia o Hot Chip. Neste meio tempo DJs animavam a festa com músicas nada avançadas. Ou seja, quem paga para ir ao Sonar paga para assistir a um único show, porque além de poucos os mesmos ainda coincidem.

Por falar em público, talvez esteja aí o grande problema. Quando cobrimos outros festivais de verão, fica nítido o compromisso do público com o evento. É totalmente reconhecível quem vai ou não aos shows. São pessoas comprometidas com a música e o estilo oferecido pelo evento, o que não acontece com o Sonar. Na verdade vimos um festival sem identidade ou com a mesma perdida. Uma porcentagem menor do público tinha este compromisso mas a grande maioria era de tão má categoria que deixava os comprometidos deslocados.

Tivemos a nítida sensação de estarmos participando de um carnaval fora de época versão europeia. Pessoas muito  preocupadas em sair bem na foto para as redes sociais, bombadinhos de academia desfilando com suas camisetas apertadas, traficante à balde entre o público, meninas de salto alto, roupas de marcas, etc, etc. Só faltaram os falsos lutadores e aquela combinação clássica de  bermuda de praia com ténis de mola de academia para completar a história, é um festival povão que vive de uma imagem construída há um tempo. E a música? bem, isso era o pano de fundo e pouco importava.
Enviado por Mauricio Melo

Confira fotos desse show, por Mauricio Melo:

The Stone Roses em Barcelona 08/06/2012 - Sala Razzmatazz - Barcelona/Espanha



Parece mesmo que 2012 é o ano das reuniões musicais. Bandas como Refused (que conferimos no Primavera Sound deste ano), At The Drive-in e The Stone Roses confirmaram as suas e com formação original, o que é muito importante.

  E destas, duas estarão na próxima edição do FIB (Festival Internacional Benicàssim) que a cada ano dá um show à parte nas seleções de bandas para o seu cartaz, que, assim como o Reading / Leeds festival é considerado um dos melhores do verão europeu. Só para termos uma idéia, este ano, além das já citadas At The Drive-In e Stone Roses, ainda conta com New Order, Noel Gallegher, Bob Dylan, The Horrors, Bombay Bicycle Club, Florence and The Machines, Buzzcocks e uma centena mais.

  Porque estamos falando do FIB ao invés de comentar o show de ontem do Stone Roses na sala Razzmatazz de Barcelona? Porque foi exatamente este festival que trouxe a banda para Barcelona a mitológica banda de Manchester no que chamam de Festas Oficiais do evento para duas noites consecutivas na cidade condal. Isso mesmo, hoje (Sábado 9 de Junho 2012) acontece o segundo show e, claro, as entradas estão esgotadas.

Para este show em que estivemos as entradas não se esgotaram por completo mas a casa estava bem cheia e repleta de britânicos.



O clima do lado de fora não podia ser melhor, bares lotados, copos de cerveja transbordando e um público bastante adulto, e muitos com aquela tipica camiseta tão popularizada num dos clipes da banda. Uma pena que os jovens não tenham vindo conferir quem, no meio de toda onda Madchestar no final dos anos 80, mais influenciou gerações futuras, como Kasabian por exemplo. Outra coisa que podemos destacar é que apesar de toda badalação que a banda teve nesta época, esta foi a primeira vez que visitam Barcelona. Antes dessa, um único show da mesma foi registrada na cidade de Valencia há 23 anos atrás.

Com um certo atraso, colocando por terra a pontualidade britânica, o quarteto entra em cena e apesar de algumas rugas e algo de cabelos grisalhos, não decepcionaram. A abertura do show foi a prevista, tudo bem que poderiam abrir com qualquer outra canção de seus únicos dois discos, mas "I Wanna Be Adored" não é uma canção qualquer apesar de sua curta letra, a melodia imposta pela mesma é uma verdadeira loucura que provoca devoção pela banda. Antes dos primeiros acordes uma camisa do Manchester United foi lançada no palco, pela cara de Ian Brown ficou a dúvida, de qual time será nosso frontman em questão, United ou City? Por falar em Brown, o vocalista tem a postura e atitude necessária para liderar os Roses, aquelas típicas de bandas de Manchester e do movimento que participaram como The Stone Roses e posteriormente o Oasis, ainda que este participe de outro movimento. Muita gente classifica esta postura como "marra" mas a grande verdade é isso que os diferencia. Sempre comento que o mundo da música também necessita disto. Assim como os viciados, os bonzinhos, os simpáticos...a música necessita desta postura para completar seu mundo. O público simplesmente enlouqueceu com a primeira música e Ian ia saudando o mesmo de lado a lado.

  Com "Mersey Paradise" em segundo posto a banda demonstrou que iria fazer um apanhado de músicas lançadas no pouco tempo em que estiveram em plena atividade (criativa ou não), deixando de lado a teoria que só o primeiro disco obteve retorno de público e o mesmo não decepcionava.

Porém nem tudo foram flores na noite de sexta-feira, alguns problemas de som fazia com que Ian caminhasse de um lado a outro, gesticulando para a mesa de som e tentando achar a melhor posição para evitar microfonias. Ainda mais se considerarmos que o show não foi fotografado pela imprensa e sim por um fotógrafo oficial, além de estar sendo oficialmente gravado em vídeo, não sabemos ao certo se somente estes shows ou toda a turnê de reunião estará incluída, possivelmente para um DVD.

  Não demorou para outro clássico da banda dar as caras no setlist. Muitos pensaram que "Fools Gold" encerraria a noite mas na metade da apresentação aquela batida característica Reni, o baixo suingado de Mani e claro o virtuoso John Squire na guitarra ofereceram ao público a versão mais longa desta canção, fazendo com que a Razzmatazz (antiga sala Zeleste onde foram gravados Loco Live dos Ramones e o vídeo Under Siege do Sepultura) voltasse no tempo mais uma vez e se tornasse uma pista de dança, insano. Outra que não ficou para o final foi "She Bangs the Drums". Podemos dizer que apesar de tentarem fugir do cliché de banda de um disco só, o que definitivamente não é verdade, o auto-intitulado e primeiro álbum é quem realmente manda na festa. Por falar nele, a batera de Reni tem nos bumbos as rodelas de laranja que se destacam na capa do citado disco. Falando em visual da banda, vale destacar a quantidade de baixos com pinturas psicodélicas que possui o simpático Mani, o público não parava de fazer coro com seu nome entre uma música e outra.

Para acalmar um pouco os ânimos e tentar baixar o calor local entra em cena "Shoot You Down" e "Waterfall" na sequência para que o concerto seja classificado como histórico de uma vez por todas.

 Retornando ao nosso frontman e falando de curiosidades, havia um balde ao lado da bateria para que o mesmo cuspisse entre uma música e outra mas o que destaca mesmo é sua performance no palco. Dança com os ombros, move as pernas de maneira que já classificamos como "a marchinha de Brown", move os braços com seus chocalhos e algumas vezes desce ao público para comprimenta-los.  Tivemos até seios de fora e arremesso de sutien como nos shows de hard-rock.

Após pouco mais de uma hora de apresentação e um punhado de músicas como "This is the One", o quarteto sai de cena e retorna para "Driving South" e "Elephant Stone" nos deixando com um sabor de quero mais. Para o segundo show é impossível mas...quem sabe para o FIB?

  As surpresas não acabaram por aí, ao sairmos da Razzmatazz os integrantes estavam a ponto de sair. Curiosos, paramos para vê-los e vimos outro protagonista de Manchester fumando um cigarrinho, Liam Gallagher ali estava como convidado especial. Uma pena que várias fãs gritavam, choravam e cantavam Oasis, o que espantou de vez nosso convidado secreto em questão.
Organiza: FIB Benicàssim - www.fiberfib.com
Enviado por Mauricio Melo

San Miguel Primavera Sound 2012 na Espanha 02/06/2012 - Arco do Triunfo e Parc del Fórum - Barcelona/Espanha


Sabe estas historias que acontecem a cada dia, que sempre escutamos ou assistimos pelos canais de televisão como se fosse uma tele dramaturgia e que os mesmos exageram no drama mas que nunca conhecemos ninguém que tenha passado por tal situação, etc, etc? Pois nossa história com o San Miguel Primavera Sound 2012 começou dois meses antes do evento com algo parecido. No final de Março, o mensageiro que vos escreve teve um grave problema de saúde, passando por uma cirurgia de urgência e com 90% de chances de não sobreviver. Ao acordar um dia depois a primeira pergunta que me vem à cabeça é "o que faço aqui e que dia é hoje?" na verdade já se tinham passado 24 horas e a última coisa que lembro é que estava sentado no sofá pedindo ajuda. Ao recobrar a consciência e ter melhor noção do acontecido, uma das perguntas que não queriam calar era se estaria saudável para, pelo menos, o San Miguel Primavera Sound deste ano, já que o Hellfest estava praticamente descartado. Muitos apostavam que não, mas com muita paciência e pensamento positivo lá estava eu, ou nós, já que não estava sozinho, Ana Paula Soares estava junto e amigos fotógrafos (ou não) para dar uma força no que fosse necessário, ou seja, da UTI ao festival em exatos dois meses, com muitas limitações mas presença o suficiente para conferir alguns dos melhores shows que este evento podia oferecer e ainda saímos no lucro, estar vivo é a grande festa.

Pre-Primavera Sound 2012, 30/05/2012.

Nossa jornada começou na Terça-feira com duas bandas na sala Apolo,Elephant e Dutch Uncles, nada mal e mais destaque para a segunda banda e sua mistureba de elementos e influencias. Mas foi na quarta-feira que o espirito primaveral começou a tomar conta com dois shows de alto nível no que nos referimos ao indie rock, The Walkmen e os já tradicionais Black Lips. Antes deles o The Wedding Present se apresentou e tocou na íntegra o álbum "Seamosters". Após uma longa espera, mais de década, The Walkmen veio ao festival ano passado para um show dentro dos dias oficiais no Parc del Fòrum e este ano presenteou ao público com uma apresentação diante do Arco do Triunfo catalão numa das ofertas gratuitas do festival. Com bons discos em seu currículo, incluindo o lançado há pouco Heaven, fizeram excelente apresentação diante de um público que mais esperava o Black Lips mas que se rendeu aos acordes de "The Rat". O que vimos foi uma banda feliz por mais uma vez estar no festival, guitarras elegantes e que parte do público deixou passar desapercebido que por se tratar de um ambiente público e um show gratuito, reuniu muita gente que nada tinha à ver com o festival. Já para os queiridinhos do grande público indie o jogo estava mais que ganho. Assim como o Shellac o Black Lips vem visitando Barcelona anualmente, ainda que tenham lançado disco novo ano passado o público vibra mesmo com músicas dos dois primeiros como "Take My Heart", "Fast Fuse", "Again and Again" e "Katrina", além do já esperado caos entre banda e público como lançamento de cervejas, campeonato de cuspe à distancia, chuva de rolos de papel higienico e muito rock and roll.


Quinta-feira, 31/05/2012 - Primeiro dia.

Na quinta-feira, primeiro dia oficial do evento, o mesmo começou como acabou a noite anterior, com Black Lips tocando do alto do Red Bull Tour Bus, um ônibus com estilo escolar anos 70 onde algumas bandas tocavam na entrada do festival, aberto ao público (gratuito). Nesta apresentação, um dos guitarristas urinou no público enquanto tocava, acho que passou um pouco dos limites mas se tem público que aceita, vamos nessa.

Lá dentro do Fòrum, o primeiro a passar por nosso crivo foi o Archers of Loaf. Debaixo de um bom sol que mais parecia o alto verão apesar do horário, 19:30, fizeram um show para um bom público com músicas do aclamado Icky Mettle como "Web in Front" e "Wrong" hit de video bmx nos anos 90. Um pouco mais adiante e numa boa sombra Lee Ranaldodemonstrava que o Sonic Youth lhe deve muito e que muitos dos bons discos lançados pela banda leva sua assinatura. Lançando Between the Times and the Tides, Lee fez de sua apresentação uma das mais belas do dia, com direito a presença de Mark Arm do Mudhoney no fosso de fotógrafos. É o que nos resta enquanto o impasse do Sonic Youth continua. "Waiting on a Dream" e "Angles" foram os grandes destaques. E por falar emMudhoney a mesma veio na sequência e neste momento fizemos o primeiro "sacrifício" da noite. Esta aí uma das coisas que se aprende nos festivais europeus, o poder da decisão. No mesmo horário do grupo de Seattle tocava o Death Cab for Cutie e seu melancólico e sofisticado rock "universitário", uma banda que particularmente nos interessava muito mas a decisão foi unanime, a galera de Seattle ganhou a queda de braço e fomos levados pela emoção de recordar a nossa época escolar e as fitas K7 na hora do intervalo bombando musicas do Piece of Cake e Every Good Boy Deserves Fudge entre outras do Five Dollars Bob's Mook Cooter Stew. Arm começou empunhando sua guitarra e terminou como um frontmen punk rock liderando sua banda com apenas o microfone nas mãos. Nos primeiros acordes de "Touch me I'm Sick", por mais que esteja concentrado e com a camera num suporte para aliviar o peso e não sacrificar a cirurgia, da vontade de largar tudo e sair pulando mas me contentei com um largo sorriso. Além deste, outros "hinos" de nossa juventude foram tocados como "Suck You Dry" e "Let it Slide". Após tudo isso as chances de arrependimento pelo sacrifício anterior foi soterrada.



Meia hora após as doze badaladas noturnas chegava o grande momento do dia e para muitos, do evento. O Refused pisava em Barcelona após anunciar seu tão esperado retorno. Sempre acontece o mesmo quando o show é muito esperado, perco a concentração, imagino estar mal posicionado para as fotos e as três putas canções passam voando. Sem contar que a barricada era estreita e a luz caótica, além de ter o corpo sacudido com os acordes de "Worms of the Sense, Faculties of the Skull", algo brutal. Antes disso a introdução da apresentação era de tirar o fôlego e proporcionar ansiedade, uma música atmosférica dava a pista de que algo realmente iria acontecer no palco da Ray Ban e assim foi. Com a luz em contra e integrantes milimetricamente posicionados, num "silencio" absoluto e público enlouquecido. Entre estas três velozes canções estava "Rather Be Dead" e Dennis Lyxzén demonstrou estar em forma e à altura de liderar a banda que mudou o rumo do punk no final dos anos 90 junto a Jon Brannstrom, Kristopher Steen, Magnus Hoggren e David Sandstrom. Lixzén está bem diferente da última vez que visitou Barcelona com seu irreconhecível The International Noise Conspiracy, fantasiado de brega dos anos 70. Também não faltaram os samplers entre as músicas assim como em seu mais aclamado disco The Shape Of Punk To Come... Durante a apresentação Dennis deixou claro que a maior motivação da banda estar ali era o público, seus fãs e todos que pediram à banda um retorno. Talvez seja esta a grande turnê que o já mencionado álbum não teve em seu tempo real já que o mesmo serviu mais como um testamento do que outra coisa. Uma merecida turnê que demorou mais de década para acontecer e que prova de uma vez por todas que o disco continua atual e podemos dizer que o mesmo foi praticamente tocado por inteiro. Coincidência ou não a banda escolheu um dos momentos mais caóticos na politica européia para exibir seu descontentamento, com músicas que canalizaram sua raiva e marcaram época. Também marcou presença o "Refused are Fucking Dead" que ao contrario to título demonstra que uma banda mais viva do que nunca. O grande momento da noite foi guardado para o final com "New Noise" e o grito em massa de "Can I Sream?" na introdução da mesma e um show que já entrou para a história do festival. O público enlouqueceu e se via uma grande massa saltante diante do palco, algo que poucas bandas conseguiram fazer em doze edições do evento.

Nossa noite não acabava por aí, ainda faltava conferir os escoceses doFranz Ferdinand que apesar de ter um público diferente ficaram um pouco apagados após o Refused no que podemos dizer expectativas para a primeira jornada do festival. Talvez pelo fato de terem tocado nesta cidade há poucos meses. De qualquer maneira, fizeram um bom show no que para muitos foi o grande encerramento da primeira noite. Lá estiveram músicas como "Jaqueline", "Michael", "Ulysses" e todos os personagens possíveis, além de "Walk Away", é claro. Após ver-los ao vivo se descobre o porque de que com apenas três discos a banda passou de abertura à principal e tocando em lugares considerados grandes na Europa como o Palau Sant Jordi de Barcelona, um ginásio olímpico. Sempre comento o mesmo, está aí um grupo que acho até certo ponto chato de escutar seus discos mas ao vivo, a coisa muda de figura. Se podemos reclamar um pouquinho poderiamos dizer que o show foi curto para quem era considerado um dos cabeças do festival, apenas uma hora e quinze de palco.

Sexta-feira, 01/06/2012 - Segundo dia.

Sexta-feira e segundo dia do festival, segundo as estatísticas do evento o dia que reuniu mais gente, 42.000 pessoas. A cada ano existe este dia, aquele que pela possibilidade de comprar ingressos únicos e não somente o abono para todo o evento, tem um artista que atrai o grande público. Em outras edições os escolhidos foram, por exemplo, Portishead, Neil Young, Pixies, Pet Shop Boys e este ano o escolhido foi o The Cure, acreditamos até que de maneira isolada. Porque esta crença? Se olharmos para cartazes passados, podemos analizar que junto ao grande nome que atrai multidões existem outros de igual peso mas este ano foi um pouco diferente. Existiram fortes nomes da cena atual mas de história recente. No passado Neil Young, Sonic Youth e My Bloody Valentine se dividiram num único festival, em outro Iggy & Stooges, Pixies e New Order e por aí vai passando por White Stripes, Smashing Pumpkins e Patti Smith. Talvez motivos de agenda ou até mesmo a crise na Europa, que parece não afetar aos festivais mas...



Deixando as analises de lado e partindo para o que interessa. Antes da banda principal tivemos The Chamaleons num palco, Chavez em outro e Rufus Wainwright no principal até chegarmos ao prometido The Cure e desde cedo já era perceptível a presença de um público mais adulto, menos moda e mais honesto. Uma hora antes do show já começava a formar a grande fila para que os fotógrafos chegasseam a limitada barricada. Eramos tantos que foram necessários dois grupos de 60 (limite da barricada) o que ao final nos colocava à merce da sorte, qual das duas canções haveria mais luz, quais expressões de rosto seriam as melhores as da primeira ou a seguinte? Assim como há quatro anos na última visita que o grupo fez a cidade condal e que vem sendo habitual, "Plainsong" abriu o setlist e que me perdoem os jornalistas formados na escola, sei que é um erro se colocar em primeira pessoa para comentar um show ou evento mas chutando o balde total, foi difícil concentrar mais uma vez. Estar diante do Robert Smith e lembrar que The Cure foi o primeiro show ao vivo que vi na vida ainda adolescente foi complicado, não só para quem escreve mas também para muita gente que estava lá, um grande momento. A sequencia da músicas parecia repetir ao show de 2008, "Pictures of You" e "High" deu mais um passo para que as suspeitas de uma apresentação de três horas realmente estava por confirmar. Como uma maratona, Smith e compania iniciam com um ritmo marcado, sem grandes esforços. O grupo atingiu tal nível dentro da música que já não é mais necessário lançar discos míticos ou que queiram provar algo, o que o público quer mesmo é vê-los executando sua própria história, bela, calma e emocionante. Muito se comentava de que a banda renderia homenagem aos vinte anos de Wish, repassando na íntegra o álbum o que não aconteceu e claro, ninguém reclamou.

O ambiente começou a aquecer com "The End of the World" ainda que a resposta do público não fosse tão grande, algo melhor com "Lovesong" e "Push" mas com "In Between Days" foi a rendição. Daí em diante não faltaram clássicos dos anos 80 e 90 como "Just Like Heaven", "A Forest", "Close to Me", "The Caterpillar", "Friday I'm in Love" celebrando perfeitamente o dia que nada mais era que uma sexta-feira e "Let's go to Bed" e uma avalanche sem fim de clássicos que só foi interrompido pela organização do festival que após 3 horas de show deu apenas três minutos mais para a banda encerrar com "Boys Don't Cry", afinal, por se tratar de um festival os horários são limitados mas nada grave no geral, só faltaram alguns clássicos mais mas ao menos temos motivos para recebe-los num futuro.


E o dia não fechou com o Cure já que nesta edição o festival recebeu um pacote bastante extremo. Tudo bem que em outras ocasiões até o Motorhead já tocou. Sem contar em grupos como Monotonix e Fucked Up que também tem veias punks. Porém este ano a coisa foi mais profunda com Mayhem, Napalm Death, Trash Talk e OFF! Também estavam previsto o Melvins que cancelou na última hora. O único que não entendemos foi porque não juntaram todas estas bandas, mais extremas num único dia, dando a oportunidade ao público metal e hardcore a mesma que os fãs do The Cure, comprar entradas para um único dia e não ter que comprar o abono de todo o festival para conferir bandas que quando tocam em casas menores, tocam por preços bem menores. Fica a experiência.

O show do Napalm Death é sempre imperdível mas vê-los num palco maior, não muito maior do que estão acostumados, com mais potencia sonora e ao ar livre foi uma experiencia nova. Lançando o excelente Utilitarian a banda atacou com músicas de todos os álbuns como já era esperado mas abriu mesmo com "Errors in the Signals", assustando um ou outro indie rocker desavisado que passava pelo local. Além dessa, "Everyday Pox" também foi tocada com direito ao zumbido das cornetas na versão de estúdio desta música mas a festa fica completa com "Siege of Power" e "Scum", entre outros clássicos que não cansamos de escutar. O que muita gente achou estranho foi a decisão da banda de não aceitar fotógrafos na barricada, alguns classificaram como estrelismo e outros entenderam ao contrário. Realmente estrelismo é ter o photopass para fotografar-los, uma permissão para uma banda que não se importa em ser fotografada e que nem é necessário pedir.

Quem não se preocupou com isso foi o Mayhem e seu black metal nórdico. A polêmica banda chegou ao Primavera Sound gerando muita expectativa e com a possível execução na íntegra de De Mysteriis Dom Satanas, que ao final não foi executada de ponta a ponta mas o setlist estava recheado. Capitaneada por Necrobutcher os noruegueses arrasaram o cenário com um palco totalmente decorado com cabeças de porco e tochas, além do figurino ensangüentado do vocalista Attila Csihar, um crucifixo de ponta cabeça junto ao microfone e o tradicional frente de cranio na mão e "Freezing Moon" devastando. O público que já era grande para o Napalm Death só aumentou e brutalizou para o Mayhem. Muita gente que já tinha assistido a banda em outras ocasiões pode testemunhar e classificar esta como uma das melhores atuações da banda nos últimos anos. Se compararmos com o que vimos ano passado no Hellfest, não há dúvidas.

Quem também esteve presente e que teve que se contentar com um público menor foram os californianos do Trash Talk. Quem ainda não conhece e é fã de hardcore total, chamo de total porque só hardcore é pouco. Ritmo abrasivo e riffs vulcanicos do melhor punk underground do momento. A banda possui dois discos e um EP, um deles produzido por Steve Albini com músicas que mal superam um minuto de duração. O show foi intenso e o setlist extenso para a meia hora que ficaram no palco, na verdade nem todos os integrantes ficaram no palco já que o vocalista praticamente passou o show jogado na galera e em determinado momento no centro de um mosh pit enquanto berrava porradas como "Awake", "Flesh and Blood" e "Vultures", intenso até a medula. Aí sim minha aventura pós UTI passou a ser desgastante.


Para finalizar a noite e acalmar o corpo demos uma passada no The Drums, banda novaiorquina que se tornou queridinha do público e que esteve no festival em 2010. Desta vez defendendo um novo álbum, Portamento, e oficialmente como um trio. Apesar do hit "Let's Go Surfing" ter ajudado em popularizar-los o mesmo poderia ter marcado negativamente a banda, como "aqueles que cantam a música do assovio". Com o disco novo mudaram um pouco a fórmula mas não perderam a essência mas no fundo o que o público queria escutar era, além da anunciada, "Best Friend" e "Man and the Moon", entre outras.

Sábado 02/06/2012 - Terceiro dia.

Sábado foi um dia de poucas e selecionadas missões. Veronica Falls foi a primeira delas. A nova esperança britânica se fez ouvir no palco Mini, que de pequeno não tem nada já que o nome se devia a marca de carros que patrocinava este recanto. Ainda cedo, sete da noite se fez ouvir seu surf-pop/garage uma e outra vez até escuro e boas músicas como "My Heart Beats" e "Bad Feeling". O quarteto já havia passado pela edição de inverno do festival, chamado Primavera Club e nós deixamos escapar.


Apesar de bons nomes na redondeza, resolvemos nos reservar para o curto, intenso e explosivo show da noite. As onze da noite o lendário Keith Morris e seus comparsas aterrizavam com seu OFF! no palco da Vice, o mesmo que recebeu Mayhem e Napalm Death. Mais conhecido como primeiro vocalista do Black Flag e fundador do Circle Jerks, Morris conseguiu recuperar toda a crudeza do passado, ajudado claro por Mario Rubalcaba (Rocket From the Crypt), Steve McDonald (Red Cross) e Dimitri Coats (Burning Bridges). Além de defender seu lançamento com 16 músicas em 16 minutos o grupo apresentou seu setlist de 21 petardos em menos de meia hora, público em massa, discursos contra injustiças e bom humor. Muito se fala neste estilo cru da banda mas existe outro grupo californiano que aparece em seu característico som, os Dead Kennedys, não somente nas interpretações de estúdio mas também no palco. Aqueles movimentos e espressões corporais estilo Jello Biafra também ficam nítidos ao vivo, geração de ouro da Califórnia. O quarteto abriu com "Panic Attack" e seguiu com "I Don't Belong" e "I Got News for You", neste momento os seguranças já queriam expulsar os fotógrafos da barricada, afinal três músicas são três música, ainda que seja em três minutos. Um pouco mais de tolerância foi liberada, dois minutos na verdade. E no meio de tudo isso ainda deu para sentir a ausência de "Rotten Apple", menos um minuto de palco. Mesmo assim, a apresentação foi de tirar o chapéu, talvez se fosse mais longa cansaria um pouco. Finalizaram com "Upside Down" e ainda que muita gente tinha esperança de um pouco mais um simples boa noite deu fim a apresentação.

Foi acabar o OFF! e "voar" para o Shellac, banda mais que habitual no festival. O grupo vem anualmente ao evento e toca no mesmo palco, o mais curioso é que muita gente espera esta visita e o ATP fica lotado, talvez a banda que leve mais público a este palco em todo o festival. Uma vez mais a banda foi demolidora e claro, esperamos ver-los outra vez em 2013.

Antes do fim e também no ATP um público mais reduzido porém honesto conferiu de perto o Godflesh, os verdadeiros fãs classificaram como um luxo poder assistir ao grupo. Com projeções de um mundo caótico ao fundo e muita escuridão no palco a dupla levou muito peso e suor para o palco e o público retribuía com o velho movimento de bate cabeça. A abertura ficou por conta de "Like Rats" e a demolidora fusão entre eletronico e metal foi adiante com "Avalanche Master Song" que só pelo título já da para saber como era estar diante do baixo de G.C. Green.

O festival deu adeus de forma oficial no Parc del Fòrum com o Justice. Uma parede sonora que fazia o corpo tremer e apesar do clima festeiro de D.A.N.C.E. atraiu um público que pouco tem a ver com a filosofia do festival, apesar da boa apresentação da dupla.

O encerramento oficial foi na tradicional Sala Apolo com mais um show doBlack Lips mas como o departamento médico não liberou, ficamos à distancia. FIM e até 2013


Confira fotos desse show, por Mauricio Melo:

ORIGINALLY PUBLISHED AT ZONA PUNK WEB SITE.

sábado, 1 de outubro de 2011

Dropkick Murphys Em Barcelona 28/04/2011 - Sala Razzmatazz - Barcelona/Espanha


Como podemos participar de uma noite, ao melhor estilo St. Patrick's Day sem sair de Barcelona ou de qualquer outra cidade de onde vivamos? Fácil, ir ao show do Dropkick Murphys. Missão essa que por muitas vezes e diferentes ocasiões ficamos no quase. Quase conseguimos assistir da última vez nesta cidade, quase presenciamos junto ao Sick of it All em Berlin, se não fosse uma tempestade de neve que nos fez desistir de tudo numa "desconhecida" cidade (no caso de quem escreve estas linhas), e por aí vai. Desta vez foi por um triz mas conseguimos nosso livre acesso, ainda que limitado e sem direito a fotografias especiais mas nada que uma boa camera de bolso e paciência não resolvesse.

A curiosidade era grande para ver como funcionava o show desta galera de Boston com um pé na Irlanda, sua mistura de folk e generosas doses de punk rock. A grande verdade é que foi uma grande festa com baixo, guitarra, bateria, acordeão, banjo e gaita irlandesa. Com o palco devidamente decorado, uma grade bandeira de fundo e todo um repertório por diante.

Fizeram exatamente o que se esperava quando se está num show do DKM, músicas executadas à perfeição e o público não decepcionando, cantando todas sem perder um refrão. Talvez o que tenha ficado de lado foram os tradicionais trajes irlandeses, estes sendo substituidos por roupas negras e munhequeira estilo Metallica. A integração e entrega era total tanto do público quanto da banda, como vem se repetindo em vários shows na cidade condal. Desde músicas como "Deeds not Words" do recente Going Out in Style quanto "The State of Massachusetts" e até "I'm Shipping up to Boston" - que foi trilha sonora de The Departed (Martin Scorsese) - fizeram a sala Razzmatazz quicar. O baixista Ken Casey também teve seus momentos de protagonismo em "Johnny, I Hardly Knew Ya" e "Fields of Athenry". Em momentos de pausa no palco, o público queria mais e incentivava com gritos de "let's go Muphys! let's go Murphys!"

Tamanha festa não poderia ter um encerramento simples, o grande final ficou por conta de "Kiss me, I'm Shitfaced" com o tradicional convite ao público femenino de subir ao palco, e engana-se quem acha que as "chicas" foram alí tirar fotos para "pendurar" em suas redes socias, cantaram palavra por palavra. E para os rapazes não ficarem enciumados, foram devidamente convidados a participarem do cover "T.N.T." do AC/DC. Muitos mal podiam acreditar por estar ali e nós também. Missão cumprida.




Shout Out Louds Em Barcelona 06/04/2011 - Sala Apolo A - Barcelona/Espanha

Shout Out Louds Em Barcelona




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Há algum tempo os suécos do Shout Out Louds deviam uma visitinha em "nossa" mediterranea cidade. As últimas vezes, se não falha a memória, num distante ano de 2008 em duas ocasiões, bastante distintas por sinal, porém com datas próximas. A primeira numa pequena sala onde somente cabiam 150 pessoas e meses depois num bem produzido, e extinto festival, chamado Summercase. Em ambas ocasiões o que se viu foi uma banda com grande potencial e disposta a escalar degrau a degrau seu caminho até encontrar um lugar ao sol.

Apesar da sala Apolo ser um tanto maior do que seu público atual, o bom número que marcou presença pode disfrutar de um excelente concerto onde apresentaram músicas de seu último álbum, "Work", misturadas a seus antigos hits que na verdade levantou o público em diversas ocasiões, com bastante destaque para "Tonight I Have to Leave it" de seu segundo album "Our ill Wills" e de seu primeiro trabalho "How How Gaff Gaff" chegamos a "100º" e "Please Please Please" talvez o ponto mais alto da apresentação.

O quinteto sempre conta com alguma produção de palco, em sua última aparição bandeiras faziam referência a capa do segundo disco e atualmente uma colagem com os rostos de seus integrantes faz o fundo de palco.

Ao soar os primeiros acordes de "Your Dreaming" vem a eterna sensação de estarmos escutando uma versão mais modesta de Robert Smith (The Cure) através da figura de Adam Olenius, e "Hard Rain" deu um refresco emocional em todos, ambas canções com nova roupagem na versão de palco. "Very Loud" também marcou presença entre os nostálgicos com seu refrão cantato "little by little..." cantado em coro pela galera.

Não podemos esquecer que a banda tem um compromisso com o disco novo já citado acima, que cumpre sua função em estúdio e que aos poucos vai crescendo ao vivo. Músicas como "Fall Hard" e "Show me Something New" ainda que não apresentem nenhuma novidade praticamente já tem seu lugar garantido entre os fãs da banda, que apesar de não lotarem um local maior como já foi dito, pelo menos já deixa a mesma um passo à frente e mais próxima de seus objetivos. E como o título de seu próprio álbum sujere, com um pouco de trabalho, eles chegam lá. Foi bom revê-los e saber que ainda estão com os pés no chão.

D.R.I. Em Barcelona/Espanha 13/03/2011 - Estraperlo Club del Ritme - Barcelona/Espanha

D.R.I. Em Barcelona/Espanha
originally published @ ZONA PUNK - http://www.zonapunk.com.br/ver_res_show.php?id=816
and
Revista Comando Rock - www.comandorock.net

Galeria de fotos: Flickr

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Já fazia um tempo que não visitávamos nosso clube punk/rock/hardcore em Badalona (Barcelona), algumas vezes por incompatibilidade outras por motivos de força maior. Porém, no último Domingo 13 de Março não tínhamos desculpas nem nada que nos detivesse, afinal estava de volta à Espanha após quase uma década, assim como em muitos países, D.R.I..

Sim, a mesma banda que pisa em terras tupiniquins no mês de Abril deu o ar de sua graça na terra da paella.

O espanto total era por ainda existir entradas à venda algumas horas antes do show, apenas noventa, que praticamente evaporaram com o cair da noite.

Pouco antes, durante a passagem de som ainda deu para flagrar o baixista Harald testanto o sistema local e tocando seu instrumento no meio da galera que estava na rua, já fazendo fila para a tão prometida noite.

Entre as bandas de abertura quem chamou bastante atenção foi o Fresh Trash e seu punk rock clássico como eles mesmos definem. A sala estava abarrotada e confesso que a última vez que vi o mesmo local nestas condições foi com a passagem de Jello Biafra praticamente há um ano atrás. Fãs orgulhosos exibiam suas camisetas, jaquetas e até bandeiras com o famoso skanker. Enquanto a banda finalizava os últimos ajustes no palco, Kurt Brecht comandava as vendas com o merchandising do grupo que inclui camisa, botom, adesivos, cds e posters (preparem as economias!).

Ainda em trio começam os acordes de "Beneath the Wheel", era a deixa para Kurt deixar sua função de vendedor e assumir a de vocalista de uma das mais lendárias bandas punk/hardcore/crossover de todos os tempos, já não havia volta atrás. Deste momento até o final do show o que se viu foi uma banda recuada no palco, com Spike e Harald ocupando as extremidades, Kurt praticamente ao lado da bateria, deixando todo palco para a avalanche de stage-dives, totalmente insanos, durante pouco mais de uma hora que o D.R.I. esteve em cena com os últimos acordes de "Five Year Plan" que fechou a noite. 

Porém, entre estas, clássicos de todas as épocas explodiram nos ouvidos do público como "Snap", "Comuter Man" e "I'd Rather be Sleeping". Para quem prefere a época mais trabalhada da banda também não faltaram opções como "Thrashard", "Acid Rain" e até "Slumlord" e "Suit and Tie Guy" do muitas vezes deixado de lado Four of a Kind. Com "The Aplication" veio outra sequencia violenta de stage-dives, na verdade eram dezenas por música, teve gente saindo com a roupa completamente rasgada do Estraperlo. Do último trabalho de estúdio Full Speed Ahead foram reservados dois momentos "Problem Addict" e "I'm the Liar". Após uma rápida pausa em que muitos pensavam ser o fim do show a banda retorna com "I Don't Need Society", "Soup Kitchen", "A Coffin" e a que normalmente finaliza os shows "Nursinghome Blues", ainda que após esta um punhado de porradas sonoras foram tocadas incluindo "Violent Pacification" antes do já citado encerramento.

Vale citar que musicalmente a banda, que não lança um disco há mais de quinze anos, continua em forma com seus intrumentos em punho mas fisicamente já não transmite tanta energia assim, isso é óbvio e não é necessário ser nenhum especialista para imaginar tal situação. Seria muito diferente se nunca tivessem parado como muitas de sua época que ainda estão por aí, em plena forma, tanto musical quanto fisicamente. A guitarra de Spike soa perfeita e inconfundível, como se o tempo não tivesse passado apesar de sua barba grisalha e total dedicação no palco suando a camisa literalmente. Kurt segue com sua inconfundível voz e Harald é o que mais interage com o público. O baterista Rob Rampy dispensa comentários já que está com a banda há anos, o que demonstra que o D.R.I. manteve a formação dos últimos anos com excessão do eterno problema no baixo.

Num informal bate-papo com Kurt, demonstrou está totalmente informado do público brasileiro e da expectativa em torno dos shows em nosso país. Ainda fez um pedido aos organizadores "gostaríamos que os palcos não tivessem barricadas com seguranças, queremos muitos stage-dives!"





San Miguel Primavera Club 2010 c/ Teenage Fanclub + bandas 28/11/2010 - Vários - Barcelona/Espanha



O San Miguel Primavera Club apresentou um ano mais, uma seleção de boas surpresas, sem deixar de lado a emoção e grandes nomes.

Entre os dias 24 e 28 de Novembro se celebrou simultaneamente em Madri e Barcelona, como de hábito, o irmão caçula do tradicional San Miguel Primavera Sound, e não faltaram motivos para uma vez mais o público bater récordes com relação ao ano anterior. Além das novidades Beach Fossils (pisando por primeira vez na Europa) e Wild Nothing, passando por Jim Jones Revue e The Rural Alberta Advantage até chegar aos consagrados Teenage Fanclub e Edwyn Collins que desde já anunciamos que foram os dois shows mais emocionantes do festival, o segundo nome levando o público à lágrimas literalmente.

Em nossa primeira jornada encontramos por diante os jovens do Wild Nothing com um som bem puxado ao post-punk, fazendo um pouco estilo de The Cure em épocas bem antigas e uma Sala 2 Apolo lotada. Show de alto nível em meio a escuridão apresentando seu primeiro álbum, "Gemini". Na sala de cima, Apolo A, o encontro foi com Frankie Rose and The Outs. Se em seu auto-intitulado disco de estréia a moça mistura rock dos anos sessenta com algo de folk, ao vivo a nova-iorquina foi rock até a medula e até mesmo sua pegajosa música "Candy" recebeu contornos mais afiados.

No dia seguinte o expediente foi mais curto mas não menos brilhante, oBeach Fossils estreava em território europeu igualmente com auto-intitulado e recém lançado disco. Ainda que em estúdio não pareça, o show foi bastante intenso e acreditem, rolou até um stage-dive de um alucinado derrubando alguns desprevinidos. Destaque para a música "Daydream" e para o baixista que não para um minuto sequer.

A Sexta-Feira em Barcelona foi reservada para os nomes mais conhecidos do festival, apesar de que Edwyn Collins já tinha se apresentado na noite anterior. Além dele no Casino Aliança de Poblenou, Teenage Fanclub esteve mais tarde na sala principal do já citado Apolo.

O Casino talvez tenha sido o lugar perfeito para receber a apresentação de Collins, já que por ser um teatro, possui confortáveis cadeiras e uma excelente acústica. Edwyn não esteve sozinho no palco, além incrível banda que o acompanha que inclui Paul Cook dos Sex Pistols na bateria, ainda recebeu seu filho para cantar "In Your Eyes", o moleque leva jeito e sua postura lembrou muito um antigo ídolo de Manchester, Ian Curtis. Sem sombra de dúvidas foi o momento mais emocionante e marcante do festival, lembrando que Collins tem parte do corpo paralizado, caminha com dificuldades e com uma bengala mas o humor e a vontade que coloca no palco faz qualquer um se sentir pequeno. Collins só canta de pé uma única música, "A Girl Like You" antes de sair ovacionado de cena.

Um pouco mais tarde conferimos outra grande atração do festival,Teenage Fanclub. Os veteranos escoceses chegaram com um trabalho fresquinho debaixo do braço, o bom "Shadows", e não decepcionaram os fãs que compareceram em grande número na sala Apolo. "Sometimes I Don't Believe In Anything" que abre o disco novo foi uma das provas de que 'Shadows' já foi bem absorvido, mas é claro que músicas de 'Howdy' e 'Grand Prix' não poderiam faltar como "It's All In My Mind" e "About You". Encerraram com uma hora de apresentação e sem direito a bis, o que frustrou alguns fãns mas nada que ofuscasse o brilho da apresentação.

Sábado tivemos a primeira das duas apresentações de The Jim Jones Revue, e para aqueles que ainda insistem em dizer que o rock morreu, acabamos de ser enganados com a apresentação desta banda, há tempos não se assistia uma apresentação tão explosiva, dessas com perfil de Little Richard, MC5 e The Sonics e já não necessitamos de mais apresentações. A performance foi repetida no Domingo logo após a The Rural Alberta Advantage e antes do encerramento com o eletro-rock deHoly Fuck, os canadenses não deixaram pedra sobre pedra e repetiram o "caos" sonoro de quando passaram pelo Primavera Sound 2008.

E ao chegar ao fim do Club, já começamos a planejar o Sound, já que a organização começou a antecipar nomes para a próxima edição que acontece entre os dias 25 e 29 de Maio de 2011 com as confimadas Belle & Sebastian, Animal Collective, The National, Pulp, The Flaming Lips, John Cale & Band, Mogwai, entre outras. Mais informações emwww.primaverasound.com

Confira abaixo fotos deste festival por Mauricio Melo.

New York United: Madball e Sick of it All 24/10/2010 - Sala Razzmatazz 2 - Barcelona/Espanha



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Não é todo dia que podemos ter no mesmo palco lendas do hardcore unidas numa única noite. A América do Sul teve esta oportunidade recentemente com a turnê que uniu Agnostic Front e Madball ano passado por exemplo, e ao que tudo indica, ano que vem o Brasil terá mais uma união com Sick of it All e Comeback Kid, misturando a nova e antiga escola do hardcore norte-americano.

Enquanto isso no velho continente, nós pudemos acompanhar de perto o encontro entre Madball e Sick of it All na turnê que se chamou New York United. Com ambas as bandas lançando álbum, não poderíamos ficar de fora desta.

Domingão de tarde e já estávamos na área para um rápido encontro e um papo informal com membros de ambos os grupos, a expectativa para o show em Barcelona era muito grande já que na noite anterior a cidade de Madrid tinha deixado ótima impressão. Apesar de não ter lotado a sala, que é relativamente grande, o público compareceu em bom número e não decepcionou.

Uma vez mais o Madball apresenta problemas com relação a formação, Igor do Born From Pain estava "quebrando um galho" nas baquetas, assim como fez com o Agnostic Front no Hellfest deste ano também coberto por nós, mas nada que diminuísse a intensidade da apresentação. Além das clássicas "Pride" e "Set if Off" que aliás abriu o show como de hábito, o público vibrou muito com as versões em castelhano de "Our Family" e "100%" que encerrou a apresentação. Porém entre as mencionadas aberturas e encerramentos tivemos músicas de todos os álbuns e para todos os gostos, "Look My Way" apareceu no set após ser dada esquecida por muitos, "Hold it Down" teve igual impacto. Já para os três discos lançados esta década podemos destacar "Heaven and Hell" e "Behind These Walls" do Legacy, "Infiltrate the System" que foi música título do anterior e "We the People" do mesmo disco tocada após uma seção old school que teve "Smell the Bacon" e várias do disco novo como a impactante "Invigorate" que abre o álbum e a música título "Empire". Ao final, um bom show, à altura do bom álbum que acabam de lançar e que devolve o Madball ao trilho e a seu estilo em definitivo.

Mas a noite tinha apenas começado, ainda restava o show do S.O.I.A.. Apesar de termos conferido a banda ao vivo há alguns meses é sempre agradável assisti-los, ainda mais em um ambiente fechado e bem menor que o palco do Hellfest.

Apesar do disco novo os nova iorquinos se mantiveram fiéis e abriram com "Good Looking Out" de Built to Last. A partir da segunda música Based on True Story começa a dar as caras com "Death or Jail" mas dura pouco, "Built to Last" vem na sequencia para manter a memória ativa. Talvez a grande surpresa da noite tenha sido a inclusão de "Clobbering Time" nos primeiros quinze minutos de show quando esta normalmente entra em reta final. No mais muitos clássicos foram apresentados como "Injustice System", "Us Vs. Them", "Busted" e "Scratch the Surface" com o tradicional walls of death e várias rodas de mosh pit durante a apresentação. Sem contar na indiscutível postura de palco da banda que parece não envelhecer nunca, Pete Koller continua voando e zanzando de um lado a outro num piso sempre muito bem pavimentado por Craig e Armand. Quanto a Lou, dispensamos comentários, ou melhor, impecável

Preparem-se porque em alguns meses eles chegam por aí.

Um agradecimento em especial a Rob Franssen, vocalista do Born From Pain e que foi fundamental na ajuda para conseguir nossa cobertura.



Hot Water Music Em Barcelona 27/06/2010 - Estraperlo Club del Ritme - Barcelona/Espanha Hot Water Music emociona em Barcelona.


Hot Water Music Em Barcelona




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Parece até piada o título da matéria com a palavra emociona, já que muitas vezes fui crítico ferrenho do público espanhol, mais especificamente o catalão, região onde oficialmente correspondemos. Normalmente frio, inexpressivo e insosso, que muitas vezes as bandas tem que implorar por uma reação mais calorosa, seja um público underground ou até mesmo para grandes apresentações como Metallica por exemplo. Desta vez temos que tirar o chapéu e redernos a molecada mas reconhecendo que os americanos contagiaram desde o primeiro momento.

Mas antes de contar sobre os protagonistas da noite, uma boa banda de abertura figurou no palco do Estraperlo Club del Ritme deste último Domingo 27 de Junho, o Naked Under Leather fez um show empolgante e as estas alturas parecia que o público iria repetir atuações anteriores. Foi necessário que o vocalista descesse do palco para empolgar um pequeno grupo que estava mais próximo. Público à parte, bom show.

Hot Water Music chegava a Barcelona com grande expectativa, única apresentação na Espanha e encerramento da turnê européia, proporcionando ao grupo umas pequenas férias na cidade pós show. Com sincera humildade Chuck Ragan chega ao microfone para anunciar "somos o Hot Water Music, da Flórida e esperamos que gostem de nosso show", indescritível sensação ao escutar os primeiros acordes de "A Flight and a Crash" título de disco homônimo e super aclamado sendo tocada a dois palmos da face. Já tinha tido a oportunidade de assisti-los anteriormente, num curto show abrindo para o Bad Religion há 9 anos atrás, era melhor que nada mas nem se comparava com os dias atuais. "Remedy" de Caution na sequência foi de lacrimejar os olhos de muita gente, a banda sorria, tocava, cantava, braços erguidos para receber as vibrações positivas no meio da música e a galera não decepcionava, cantava tudo.

Antes de anunciar "Wayfarer" do mesmo Caution, Chuck já se derretia em elogios, "este é o show que fecha a turnê e a noite está perfeita, não podemos pedir mais, muchas gracias". Desde seu anunciado retorno que a Espanha vem esperando a oportunidade de assistir de perto os considerados heróis da Flórida e apesar de não lançarem nada novo desde 2004 os americanos retribuíram com um setlist bem recheado com músicas de diferentes fases, incluindo por exemplo "Rooftops" e "Our Own Way" do disco No Division e até "Turnstile" de Fuel for the Hate Game mas claro que a massacrante maioria foram entre os álbuns Caution, A Flight and a Crash e The New What Next, fase mais melódica da banda com "Poison", "Paper Thin" e "The Sense" numa lista que incluiu facilmente umas vinte canções, sem exagero. Chris, Chuck e toda a banda pareciam uns novatos de tanta energia aplicada em cima do palco, transpirando melodia e como já foi dito antes, pareciam estar mais felizes em estar ali do que o público, por um momento deu vontade de que o show durasse mais, mas poderia perder a graça.

Ao final, num bis que teve "Trust Chords" e "Choked and Separated" a banda se despede em definitivo, Chuck e Chris se abraçam fortemente antes de sair de cena, felizes, como se tudo realmente tivesse dado certo e que se houve algum erro no passado ou mágoa, o que na verdade não acredito já que Chuck deixou a banda para se dedicar a família e a mesma seguiu como The Draft, tudo está bem resolvido e que de agora em diante teremos Hot Water Music para muitos anos.

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