Episode 8 - Episódio 8
sexta-feira, 12 de abril de 2013
terça-feira, 9 de abril de 2013
Rocket From The Crypt em Barcelona 06/04/2013 - Sala Razzmatazz 2 - Barcelona/Espanha
Deus! Não poderíamos pedir mais, escrevo no plural mas acabo revelando que, quem os escreve, verdadeiramente não podería pedir mais e por muitos motivos.
A tristeza batia forte quando em diversas ocasiões e entrevistas, John Reis, vulgo Speedo e líder da banda Rocket From The Crypt, declarava repetidas vezes que a banda não voltaria aos palcos e quem conhece e acompanha sabe que em 2005 a mesma oficializou seu fim numa noite de Halloween, com direito a integrantes entrando em cena fantasiados e até mesmo um corpo coberto por um lençol, simulando um cadaver. Tudo isso foi cuidadosamente registrado e lançado em CD e DVD com o título R.I.P.. Nem mesmo a aparição em 2011 num programa, de televisão infantil, teria sido o suficiente para dobrar Mr. Speedo.
Eis que para a surpresa geral ou não, considerando que voltas impossíveis foram registradas nos últimos dois anos como o caso de At The Drive In e Refused, a rapaziada de San Diego anunciou no final de 2012 o retorno aos palcos e a gravação de um novo disco. O que será que aconteceu? Situação financeira ou a chance de finalmente se tornar o que a banda sempre mereceu, que nada mais é do que ser um dos grandes nomes do rock não comercial a ser reconhecida como tal?
Bem, na verdade pouco me importa tudo isso, o que sim importa foi a sorte e o privilégio de estar diante dos Rocket's em uma das (apenas) seis apresentações na Europa neste ano de 2013 e mais, na Espanha apenas duas sendo uma delas num festival daqui à um par de meses, o que aumenta o valor deste show realizado no dia 6 de Abril de 2013 na Sala Razzmatazz 2.
O público começou a demonstrar toda sua devoção quando Speedo entrou, ainda com roupas comuns, para os últimos ajustes de seu instrumento, com aplausos e gritos, quase uma histeria local.
Logo ao adentrar o mesmo de maneira oficial, já vestido ao melhor estilo mariachi junto a Ruby Mars (bateria) que na verdade se chama Mario Rubalcaba e que aqui esteve com o OFF! no ano passado, JC 2000 e Apollo 9 nos metais além de ND e Petey X na guitarra e baixo respectivamente e o que mais chamava atenção era a ausência de seu tradicional e marcante topete, que particularmente lembro bem da única vez que os vi junto ao The (International) Noise Conspiracy, há pouco mais de uma década e a quantidade de suor junto a meio palmo de língua para fora já na terceira música.
Estaria Speedo sofrendo da síndrome de Sansão apesar de sua voz continuar forte como no passado? A conclusão é que nosso frontman demorou a entrar no ritmo físico e não musical, já que a maratona para a execução das 23 músicas foram impecáveis. Considerando que começaram de maneira tranquila com "Pushed" de Hot Charity, porém o que derrotou a forma física de inicio de concerto foram "Middle" e na sequência "Born in '69", haja fôlego. E nada de parar por aí, "On a Rope" e "Young Livers" também fizeram parte deste avassalador início. Por um momento pensamos que o disco "Scream, Dracula, Scream" seria tocado na íntegra.
Para quebrar um pouco a hegemonia deste nada mais que "Straight American Slave" e "Carne Voodoo" e a partir daí John "Speedo" Reis já era dominante no palco e muito bem assistido por Petey X. O público em geral deu um show à parte como já havia comentado anteriormente, correspondeu, aplaudiu, acompanhou os pedidos da banda e até deu presentes para a mesma que, em diversas vezes fez questão de deixar público seu agradecimento por não esquecê-los nestes oito anos de ausência. Mas como assim, esquecê-los? Basta escutar os primeiros acordes de "Boychucker" para entender o porque de tanta boa memória.
O mesmo podemos dizer de "Made for You" e a introdução em palmas iniciada pelo grupo, seguida pelo público muitos segundos antes, de "My Arrow's Aim" dar as caras com seus primeiros acordes, um show à parte. Outra que chamou a atenção por esta tabelinha banda/público foi "Dick On a Dog" onde foi reproduzida ao vivo a conversação de estúdio na intro desta música.
Ao final de tudo, com a banda suando bicas em pleno inicio de primavera, vendo como a galera dos metais se diverte durante a apresentação imitando robôs dançantes, rindo, tendo a Speedo eternamente agradecido com cara de realizado e deixando a todos com a mesma aparência, empunhando sua guitarra e seu típico movimento de corpo, não pude reclamar das ausências de "Clouds Over Branson", "Cheetah" e "Turkish Revenge".
Finalizaram como "Come See Come Saw" e o tradicional pedido de nosso vocalista para que as pessoas publico façam massagens no ombro do cidadão que esta à frente, uma maneira de relaxar e ser relaxado por alguém, de maneira amigável após uma noite em que a palavra de ordem, segundo John Reis, era diversão e que ali estávamos para a celebração da "igreja" Rocket From The Crypt.
Enviado por Mauricio Melo
quarta-feira, 27 de março de 2013
Sessão Imperdível - Rocket From the Crypt em Barcelona
Para quem estiver na área. Teremos na próxima semana o privilégio de assistir um dos shows mais esperados do ano. O Rocket From the Crypt passa por Barcelona para um de suas limitadas apresentações de sua recente reunião.
Acontecerá na Sala Razzmatazz no dia 6 de Abril.
Mais informações www.lacastanya.blogspot.com.es
sábado, 23 de março de 2013
Du Baú - Sick Of It All - Entrevista (2010)
Baseado em fatos reais.
Muitas vezes nos perguntamos o que motiva a um grupo como Sick Of It All gravar um disco novo, com uma fórmula que eles mesmos estão cansados (ou não) de experimentar? Para isso, sentamos diretamente com o carismático vocalista Lou Koller e de quebra ainda tivemos participações mais do que especiais do baterista Armand e Freddy Crycien do Madball em mais uma recente passagem da banda pela Europa e fomos diretamente ao assunto. Ainda que muitos resmunguem que a banda não volte a conseguir um disco tão impactante como Scratch the Surface, basta escutar "Death or Jail" música que abre o disco novo e as apresentações atuais para não desejar que a banda não repita discos anteriores, o que foi feito, foi feito e ponto final. Como mesmo reconhece Lou, o S.O.I.A. é uma banda em constante movimento e necessita seguir adiante, ainda que reconheça que já chegaram bastante longe, uma distância inimaginável quando tudo começou há mais de duas décadas. Enquanto muitos buscam um grupo inovador, a grande sensação do momento, esquecemos que há muito os irmãos Koller, Craig e Armand (baixo e bateria respectivamente) vem nos oferecendo um hardcore de alto nível tanto em estúdio quando ao vivo. E o Brasil já está na rota da banda para 2011 na tour de lançamento de Based On A True Story, Get ready!!!
Por Mauricio Melo
Vocês acabam de lançar Based on A True Story e claro já estão em tour, como vem sendo a recepção dos fãs com as novas músicas?
Sim, tivemos dois shows antes de vir para cá e um deles foi em Nova Iorque, este foi louco. Estávamos em casa, com disco novo, a galera cantando tão alto quanto a banda, Nova Iorque sempre será forte conosco.
O título Based on A True Story é algo pessoal?
Tem bastante coisa neste disco escrita sobre experiencias pessoais, de quando crescemos no bairro. "Death or Jail", "A Month of Sundays", "Watch it Burn", coisa que fizemos no passado, algumas muito positivas e divertidas como as matinês do CBGB's, quando éramos bastante jovens e daí tiramos a idéia do título do disco.
Poderíamos então seguir com a pergunta com relação ao vídeo de "Death or Jail", de quem foi a idéia?
A idéia partiu do diretor, Ian McFarland que foi baixista do Blood for Blood, foi o que ele visualizou quando escutou a música pela primeira vez. Porque acho que isso já aconteceu com todo mundo ou com muita gente que conhecemos, principalmente conosco, quem já não teve um traseiro chutado pela polícia? Com certeza muitos que viram se identificaram com aquelas cenas, não? Esta música também conta um pouco a história de um amigo de escola, crescemos juntos mas um dia cada um seguiu seu caminho, ele escolheu o dele e eu o meu. Já não tenho contato com ele mas conheço sua história, que não é tão legal.
Recebemos informações de que a banda teve um bom tempo disponível para gravar este disco...
Sim, normalmente nunca escrevemos as músicas ou compomos algo enquanto estamos em turnê. Até rola uma ou duas músicas mas num formato bem bruto. Normalmente tomamos nosso tempo livre, sentamos e colocamos nossas idéias em prática. Temos que sentir o momento certo de fazê-lo. Entre este e o último foram quatro anos sem gravar e normalmente ficamos dois anos ou dois anos e meio sem gravar. Porém com o lançamento do tributo Our Impact Will be Felt, a celebração do vigésimo aniversário, tocamos em muitos lugares e festivais e não sabíamos quando ia terminar e quando acabou já celebrávamos o vigésimo quarto terceiro ano (risos). Então, quando chegamos ao vigésimo terceiro já começamos a achar que era o suficiente e que já tinhamos idéias o suficiente para um novo material, e foi o que fizemos.
Acredito que muitos perguntem a mesma coisa, algum segredo para manter a forma fisica, mental e musical em alta após tantos anos?
Nenhum segredo meu amigo, simplesmente tentamos nos superar a cada momento. Não importa como ou quanto estamos estabilizados e que as pessoas nos elogiem e considerem, old school, legendários ou algo do tipo. Somos uma banda em constante funcionamento e movimento, não somos o tipo de banda que acabam por dez anos e depois se dão conta que podem reunir-se para fazer dinheiro ou coisa do tipo, não funciona assim conosco, tem que funcionar como música. Adoramos as músicas antigas, ainda tocamos estas músicas mas não saimos em turnê tocando ou vivendo do passado e esperando que as pessoas venham nos assistir, não é assim. Queremos que as pessoas continuem gostando da gente como uma banda que ainda funciona e apresenta material novo e este é um dos motivos que seguimos e para que isso aconteça temos que ter certeza que o material é de qualidade. Quando compomos, sentamos e pensamos "se eu estivesse na galera o que gostaria de escutar, de receber desta banda?" e é assim que escrevemos as nossas, pensando em nosso público. Nunca pensamos numa pessoa que está em casa chapada no sofá querendo escutar algo, não funciona assim, nossas composições são escritas com o propósito de funcionar ao vivo e consequentemente funciona para escutar em casa também, ainda que você tenha vontade de quebrar alguma coisa (risos).
O disco novo não é tão político quanto os anteriores, como falamos é bem pessoal. Podemos dizer que os políticos norte americanos melhoraram?
Realmente, Death to Tyrants era mais político do que este mas os políticos não melhoraram. Temos algumas músicas políticas no disco como "Good Cop" por exemplo que é sobre isso. Obama está no poder, é uma nova cara e tentando fazer o melhor mas ele acaba sendo parte do mesmo regime, e é verdade. Se você olhar seu crescimento e história pode ver que ele cresceu fazendo a mesma coisa que os políticos anteriores e na mesma multidão, ou seja, boas intenções mas produto do meio. O que podemos fazer? Os políticos são assim, fazem parte de uma hierarquia, como acontecia com os reinos antigos, tem que nascer em determinadas famílias ou convívios para se tornarem políticos
Based on A True Story foi gravado em outro país, como foi a experiência?
Dinamarca foi demais. Porque nosso produtor, Tue Madsen, disse quando gravou Death to Tyrants, "se querem algo do mesmo nível ou melhor podem vir até meu local", porque lá ele tem um estúdio com tudo que necessita e é mais familiarizado com o mesmo e definitivamente provou suas teorias, o disco saiu como queríamos, incrível, nos fez soar mais forte, chegou a ser fácil trabalhar por lá. Era inverno, chovia bastante e estava sempre escuro, então não tinhamos muito com que nos distrair, estávamos sempre concentrados no álbum.
Quando estivemos com Agnostic Front tocamos neste assunto e gostaríamos de ter outra opinião. Com tanta tecnologia à disposição, como você vê a nova geração?
Acho que poderia ser maior mas está bem atualmente. Isto é o hardcore, especialmente nos Estados Unidos, é muito geracional. Você pode ter uma banda idêntica ao Agnostic Front mas se os integrantes são jovens com 18 ou 20 anos, preferem assemelhar-se a uma banda da nova geração. Existem boas bandas por lá como o Bane por exemplo. Bane foi uma das maiores sensações dos últimos anos para a nova geração hardcore, daí sai uma banda tão boa quanto que é o Comeback Kid mas que é similar e todos os garotos gostam do Comeback Kid e já não querem o Bane porque já os consideram antigos. O Sick of it All passa pela mesma sindrome, estas bandas não são melhores nem piores ou nem memo diferente de nós, na verdade estas bandas nos exaltam e nos tem como influência, mas elas tocam para maiores públicos e vendem mais discos que nós para um público muito mais jovem porque para eles, nós somos antigos ou velhos (como banda e não por idade), e isto é ridiculo. Você acha que a internet ajuda mas as vezes atrapalha.
Sente saudade de alguma coisa da antiga cena hardcore?
Era menor do que agora, mais fechado, não tinha tanta influência e mentalidade rock and roll como atualmente. Existiam algumas pessoas que utilizavam drogas ou bebiam mas não tinha este perfil rock star atual, é dificil explicar. Algumas bandas mais jovens, não muito mais jovens que nós, estão tão envolvidos no aspecto rockstar, cocaína, festas, noitadas, etc. Ok, pode ser legal para alguns mas para mim nunca fez parte do hardcore. Como disse, algumas pessoas tinham este perfil e outros não, mas atualmente tem mais atitude rock n' roll que hardcore, parecem ter esquecido suas raízes, já não é igual, difícil de explicar se você não esteve numa banda há vinte anos atrás e agora.
Como uma banda como vocês, Agnostic, Madball... recebem notícias como Bane, CBK ou Hatebreed por exemplo é a maior banda hardcore do mundo no momento?
É como eu disse antes, são grandes agora mas daqui ha um tempo alguém vem e ocupa o posto. Jasta é um cara inteligente e nunca esquece suas influências, sempre fala da gente, do Agnostic Front e outras bandas que o influenciaram. Sempre quer juntar para fazer turnê e dizer a seu público o quanto nos admira, isso é legal mas não dura para sempre. Até nós mesmo estamos surpresos por nos manter tanto tempo em alta, é um trabalho duro porque normalmente é muito popular por alguns anos e depois vai descendo mas pra gente vem dando certo, as vezes caímos um pouco mas trabalhamos duro e damos a volta por cima, isso é bom. Temos uma boa constancia ao redor do mundo e tentaremos nos manter.
Podemos dizer que o Sick of it All é uma lenda do hardcore?
É o que as pessoas dizem e as vezes acreditamos um pouco nisto (risos). Não consigo acreditar que somos ou criamos algo, simplesmente o fizemos.
Festivais ou casas pequenas, qual o melhor público?
Os dois são bons. Os pequenos são intensos e divertidos, mais íntimos. Os maiores você tem a oportunidade de expor sua música pra mais gente e é assim que as bandas sobrevivem. Se cada banda hardcore apoiasse suas cenas todos sobreviveriam mas isso não acontece. Como eu disse antes é bem geracional, eles escolhem uma para dar muito por cinco anos e depois te esquecem. Muitos straight edges foram do movimento até irem para a universidade. Quando chegaram lá descobriram que poderiam beber, fumar e ir a festas tecno, dai abandonam tudo, é assim que funciona.
Armand - Por outro lado, é interessante participar de festivais na Europa, são dias dedicados a música extrema e não somente a um estilo de música, seja ele qual for. Você pode curtir Madball e Sick of it All no mesmo ambiente que Carcass, Motorhead, Slayer e outras bandas do tipo. Isso é um tipo de desejo que gostaria que os americanos tivessem, porque lá são tão "categóricos" e gostam muito de dividir os estilos. Pra gente não há diferença já que todos estamos unidos e de mentes abertas. Somos capazes que respeitar e aceitar cenas e movimentos diferentes, seja hardcore, hip hop ou metal.
O que podemos diferenciar dos irmãos Koller de vinte anos atrás e agora?
Vinte anos mais velho e nada mais (risos). Na boa, acho que estou em melhor forma do que há vinte anos.
O que vocês lembram da primeira turnê na Europa por exemplo?
Freddy - Empurrando o onibus com certeza (risos). Eu não estava com o Madball mas acompanhava o Agnostic Front que excursionava com o Sick of it All e logo no primeiro dia o ônibus enguiçou. Estávamos neste ônibus lotado de gente, tinha que empurrar para pegar, foi louco e teve muita história engraçada nesta viagem.
Armand - Bem, em geral era mais desconfortável do que agora. Não dormíamos nem nos alimentávamos direito e quando retornava a casa tinha perdido kilos e kilos. Demorava um tempo até me recuperar.
Lou - Não tínhamos a oportunidade de dormir num hotel ou o ônibus era muito pequeno e tinha que dormir enquanto íamos de cidade a cidade, o que ainda acontece mas agora os ônibus são mais confortáveis.
Musicalmente também? Já li entrevistas na qual vocês confessaram gostar das músicas antigas porém suas atuações eram desastrosas. Nunca pensaram em fazer alguma gravação ao vivo num estúdio repassando o material antigo sem perder muito tempo com produção, só para dar uma reciclada?
Já pensamos em algo assim, talvez para o vigésimo quinto aniversário que se aproxima. Porém nunca sentamos e conversamos sobre isto, são tantas músicas para escolher que não sabemos. Pensamos em fazer duas ou três de cada disco mas é difícil mesmo.
Após tantas comemorações, podemos esperar um DVD?
Também gostaríamos de lançar, temos tanta coisa gravada em todos estes anos que na verdade não sabemos o que fazer. Supostamente lançaríamos em 2007 mas a Century Media achou que não era o momento, o tempo passou e o material ficou antigo. Agora querem gravar coisas novas, então não sabemos de nada. Temos gravações de todos os lugares do mundo, horas e horas mas...
Brasil?
Definitivamente em 2011. Queríamos muito ir com o Terror este ano mas eu e minha esposa tivemos nosso primeiro filho, decidimos fazer uma curta turnê na Inglaterra e voltar para ficar mais tempo com meu filho. Queríamos muito ir agora mas com certeza em breve, não podemos ficar de fora.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Du Baú - Soulfly entrevista (2009)
Soulfly entrevista 2009
Vamos dar tempo ao tempo. Está aí uma frase que escutamos com freqüência, vez ou outra a mesma adentra nossos ouvidos. E foi para falar em tempo, em datas e em dar tempo ao tempo que mais uma vez encontramos Max Cavalera e Soulfly, desta vez em Barcelona durante a turnê européia do álbum Conquer. Como sempre, fomos muito bem recebidos por este (acima de tudo) brasileiro. Como falávamos em datas, talvez há pouco mais de 10 anos Max Cavalera e seus antigos companheiros tenham sofrido (dado e recebido) golpes simultâneos, tipo estas lutas em que os gladiadores se nocauteiam ao mesmo tempo. Sentados cada um em seus cantos no ringue do dia-a-dia, foram respirando e recuperando suas forças. É inegável dizer que recentemente Soufly e Sepultura tenham recuperado ou chegado a sua melhor forma após acontecimentos em que todos estamos cansados de saber e com ótimos lançamentos. No caso do Soufly com Dark Ages e Conquer, superando outros bons
discos, o mesmo acontecendo com sua antiga banda.
Foi assim, conversando sobre datas, curiosidades recentes e um pouco do futuro que gastamos o nosso precioso tempo. Digo precioso porque acabou sendo curto diante de tanta coisa para conversar como futebol, saudades de casa, dos amigos, etc.
Por Mauricio Melo – Barcelona - Espanha
1 - Numa entrevista concedida em Junho de 2008, existia toda uma expectativa com o lançamento do Conquer. O disco estava fresco no mercado e sendo muito bem recebido pelo público e imprensa. Praticamente um ano após este bate-papo, o Conquer (disco e turnê) confirmou as expectativas?
Ta legal. Acho que foi meio de surpresa porque o Conquer veio logo após o Inflikted, então muita gente ficou até meio "caraio! já botou outro disco aí?". Teve gente até comentantando que o Inflikted foi sobra de estúdio do Conquer... Aí é foda (risos). Eu gosto muito dos dois trabalhos, sem essa que um é sobra de outro. Mas acho que o Conquer tem uma grande força mesmo, tipo a primeira música "Blood, Fire, War, Hate" é muito doida que já começa com um hino e o legal é que a molecada começa a cantar o refrão 10 minutos antes do início do show, isso nunca aconteceu antes, nem no Sepultura. Não existia uma música que o público cantasse o refrão, sempre era o nome da banda que era chamada e não uma música.
2 - Num dos shows desta turnê, em Oxford (Inglaterra), você entrou encapuzado exatamente na música "Blood Fire War Hate". É de se confessar que dá um visual distinto e de certa forma bem agressivo mas sem agredir ao público. A primeira coisa que vem na cabeça, de alguma maneira é um protesto contra a violência. Algum motivo específico por entrar encapuzado? Alguma referência a guerra que se iniciava naquele momento, Palestina, Gaza?
Resolvi incrementar um pouco. Não foi pensando nestes problemas atuais que entrei encapuzado no palco mas acabou servindo e se for positivamente fica melhor ainda. Ao mesmo tempo a música "Blood, Fire, War, Hate" é "terrorista". É maior porrada, o mosh pit começa logo
de cara e pensei no que dava para fazer para incrementar mais. Um dia estava na Holanda assistindo o filme Cidade de Deus e logo após tinha um documentário chamado Notícias de uma Guerra Particular e a entrevista que rolava neste documentário era com uns caras com capuz e tive esta idéia, esse documentário apesar de já ser antigo é muito foda. Em seguida fui numa loja de esportes de inverno e pedi um capuz terrorista, o cara não entendeu nada e perguntou "aqueles pra roubar banco?". Essa aí mesmo respondi, me dá dois! Fiquei um pouco preocupado porque os shows seguintes eram na Inglaterra e Irlanda e lá eles tem problemas com o IRA, mas por outro lado o pessoal não é tão chato quanto outros tipos de música que fica dissecando as coisas e encara tudo na boa. É isso que acho legal neste estilo de música e até porque não é um lance totalmente político. Sabe que é até punk-rock e leva na brincadeira. Se fosse nos Estados Unidos nem pensar. Lá você faz uma foto com um turbante e já era, no dia seguinte tá todo mundo te procurando, querendo saber qual a sua ligação com Bin Laden, etc.
3 - Você comentou na mesma entrevista, ano passado, que o título do trabalho atual representava uma conquista após um conflito pessoal que durou 10 anos. Exatamente o mesmo tempo de vida do Soulfly e todo o ocorrido que todos já estamos cansados de saber. Nestes 10 anos Soulfly e Sepultura percorreram caminhos distintos. Com a chegada de Conquer e o Cavalera Conspiracy você(s) reassumem o posto ou entram em um novo estágio?
Aí uma pergunta que nem sei te responder ao certo. O lance que rolou com o Conquer e com o Inflikted, que inclusive venho tocando "Sanctuary", particularmente uma música marcou muito porque foi a primeira que fiz com o Iggor e tem aquele refrão do "...everybody die tonight..." um refrão forte, e é a segunda música do show atualmente mas não é tocada inteira é só um trecho e acho bem legal. Mas estes dois discos, Conquer e Inflikted, em termos de metal e de quem curtiu a melhor fase do Sepultura, são os que mais se aproximam daquela fase. Meu trabalho agora é tentar melhorar para o próximo. Acho que o Cavalera Conspiracy ocupa um novo posto e nada de tentar repetir algo, está aí uma coisa que não gosto e de bandas que tiveram seus momentos há uns anos tentar renascer com músicas do passado.
4 - O primeiro disco do Soulfly saiu em 1998. Durante muito tempo o Soulfly era conhecida como a banda do Max, hoje em dia um pouco mais de 10 anos do lançamento do primeiro trabalho, o Soulfly já é conhecida como uma banda e não mais como a nova banda do Max...A Velha banda do Max! (interrompendo e rindo). Você teme que seu grupo com o Iggor passe pelo mesmo processo?
Sim, você está completamente certo. A galera hoje vem assistir ao Soulfly mesmo com as mudanças de formação o público vem assistir a banda e não somente ao Max. Acho que com o Cavalera Conspiracy é um pouco diferente porque sou eu e o Iggor e tem aquela história por trás e tudo tão novo ao mesmo tempo. Confesso que no início do Soulfly eu ficava até meio chateado, era até irritante porque ninguém dizia o nome da banda e sempre se referia ao Soulfly como um projeto, projeto, projeto... e demorou mesmo até que o reconhecimento chegasse. Mas acho que é o processo e temos que passar por esta fase com o Cavalera também.
5 - Na tour atual há uma constante troca de camisetas, Morbid Angel, Cannibal Corpse...
Sim, é a minha nova mania. A cada turnê tenho uma mania. Na última eu mesmo pintava as camisetas e ficavam bem toscas, achei legal mas cansei um pouco de pintar. Para esta turnê eu e meu filho tivemos umas idéias, ele é maior fã de grindcore e death metal. Encontramos num baú uma coleção de camisas antigas que trocávamos quando encontrávamos as bandas durante
as turnês, quanto tocávamos juntos em festivais e etc. Claro que as camisas já não dão mais em mim, então cortamos e ao invés de costurar, prendemos com alfinetes nas jaquetas pra ficar bem punk e acabou ficando legal. Esta mania agora está legal, mais ligada a outras bandas e ao metal porque as da turnê anterior eram mais viajando e me davam mais trabalho. E ficou melhor porque é feita em conjunto com meu filho. Isso demonstra acima de tudo o bom relacionamento do Soulfly com outras bandas deixando para trás a eterna vaidade que tanto assombra o mundo do metal?
É infelizmente existe essa vaidade né. Sabe um lance que acho bem legal, tem uma banda chamada Justice Snare na França, os caras estão estourando aí. Pra dizer a verdade eu nem curto muito o som deles, o Iggor é que escuta mais, é um som eletrônico. Os caras colocaram uma foto minha e do Iggor dentro do encarte do cd e é um som que não tem nada a ver com o metal mas eles são fã do Sepultura e do nosso trabalho atual. Fizemos uma foto com eles após o show e tiveram atitude de colocar a foto no cd deles mesmo sendo estilos de música diferentes, achei bem legal. Infelizmente no metal ainda tem muita vaidade mas pelo menos tenho bom relacionamento com muita gente. Inclusive o Mitch Harris (Napalm Death) tinha sido convidado para participar do Cavalera Conspiracy, porém estava muito ocupado na época mas ainda quero contar com ele no futuro.
6 - Em 2009, Beneath the Remains completa 20 anos, um disco que abriu definitivamente o caminho do Sepultura. O que mudou, se é que mudou, do Max de 20 anos atrás e do Max de hoje à frente de sua banda definitiva, Cavalera Conspiracy e com outros projetos na cabeça. E como tocamos anteriormente no assunto da vaidade no mundo do metal, você, apesar do estilo musical extremo e das mensagens bem definidas, sempre passa uma imagem de humildade e simplicidade, com um semblante tranquilo e não com aquele velho clichê de caretas e gestos, como definir este comportamento dentro destes 20 anos desde Beneath the Remains?
Estou mais feio, mais barbudo, continuo não tomando muito banho e tocando Inner Self (risos), acho que não mudei muito não. Com relação ao meu estilo, acho que é coisa de brasileiro né?! Pode ser que algum artista brasileiro tenha alguma vaidade mas acho que a maioria tem esse comportamento diferente e sem vaidades, conhecemos uma outra realidade e não podemos esquecer disso. Particularmente nunca me imaginei como uma estrela do rock, acho que é até ao contrário. Quando saio em turnê ou participo de festivais vejo uns caras agindo de umas maneiras estranhas, com seguranças até no camarim quando não tem ninguém por perto. Tem outros que andam com 10 seguranças e nego nem dá bola pra eles, pra que isso?
7 - Planos para o futuro: O Soulfly, mesmo após uma tour recente, pode vir a participar de festivais de verão ou se retira para gravar material novo?
Com certeza segue em turnê, inclusive o Cavalera Conspiracy também. Este ano vai ser praticamente para shows e ano que vem já podemos trabalhar no material novo, tenho enviado umas bases para o Iggor. Espero logicamente fazer alguns shows no Brasil, estou em dívida com a galera.
8 - Por falar em Brasil. Fugimos um pouco do assunto de música e vamos expor um problema que aos poucos vai atingindo várias áreas de trabalho. Esta crise econômica mundial atrapalha em alguma coisa com relação a uma tour mais extensa que a banda queira atingir. Tipo, ir a América do Sul e conseqüentemente ao Brasil, ficou mais difícil?
Espero que não. Tem gente que pergunta pra gente desta crise e eu acabo brincando dizendo que o Brasil está sempre em crise. O metal e o rock está em crise desde que a internet começou. Acho que a crise est'a atingindo outras áreas de trabalho no momento, porque isso já nos atingia antes e não é novidade pra mim. Por outro lado, acho que não afeta as viagens e os shows porque a música acaba sendo a válvula de escape pra muita gente. O público vai ao show para estravazar e esquecer um pouco dos problemas. Espero que não atrapalhe uma visita ao Brasil, tenho muita saudade de lá e de coisas pequenas como tomar um caldo-de-cana por
exemplo.
9 - Não queria tocar neste assunto mas foram muitos os pedidos sobre uma notícia que rolou na internet recentemente de uma reunião com o Sepultura, que no caso reuniria membros mais antigos da banda, integrantes que participaram do início de tudo. Até que ponto esta possibilidade existe?
Acho que foi o que comentamos no início, já existe uma história que ficou marcada. Mas se tivesse que rolar seria com um pessoal mais antigo, com o Jairo que foi o guitarrista do Morbid Visions. Encontrei o Jairo ano passado na Áustria e acabei pensando nisso. Vamos ver como vai ficar, o Iggor acabou de sair do Sepultura e isso é coisa para o futuro. Só Deus sabe como vai ficar.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Du Baú - British Sea Power entrevista (2008)
British Sea Power - um novo Arcade Fire?
Banda inglesa fala com exclusividade à Comando Rock em Barcelona
Por Mauricio Melo
O bate-papo discontraído aconteceu no lobby do hotel onde a banda British Sea Power estava hospedada. O guitarrista Martin Noble e o baterista Wood, ao descobrirem-se diante de um brasileiro logo começaram a falar de futebol. Deixaram claro, antes de qualquer pergunta, que adorariam tocar no Brasil um dia. "Para também aproveitar um pouco da viagem para "inesquecíveis férias."
Formada em 2000 na cidade de Brighton, Inglaterra, somente em 2003 a banda deu as caras com o disco The Decline of British Sea Power. Dois anos mais tarde e com um pouco mais de experiência, foi a vez de apresentar o álbum Open Season ao mundo. Foi aí que algumas canções começaram a ganhar notoriedade.
Uma mistura de pós-punk e garage rock adicionadas a boas letras é o segredo deste quinteto. O álbum mais recente, Do You Like Rock Music?, lançado ano passado, levou-os a comparações com o Arcade Fire. Mas se olharmos para a história e os discos anteriores dos britânicos, vemos que não é bem por aí. Não custa lembrar que a banda esteve, em 2008, entre os nomes de grandes festivais, como o Primavera Sound de Barcelona e o tradicional Reading/Leeds Festival, na Inglaterra. Se você não gosta de rock, está lendo a entrevista errada.
1 - Sei que talvez possa ser um pouco cansativo, porém como se trata em uma banda que ao menos no Brasil ainda está em descoberta, poderia fazer um pequeno resumo da história da formação da banda? As informações que tenho dizem que foi formada em 2000 e logo com os primeiros shows teve uma boa repercussão, e o primeiro album se tornou um dos favoritos da crítica britânica. Algum detalhe mais?
Noble - O de sempre, éramos amigos e desde muito jovens estudávamos juntos, eu era um jovem universitário de psicologia por exemplo. Conversávamos muito sobre música, sobre nossas bandas favoritas como Pavement e nesta época poucas pessoas gostavam de Pavement na escola e na universidade, era como ter um gosto diferente ou para alguns um mal-gosto mas era isto que nos identificava.
Noble - O de sempre, éramos amigos e desde muito jovens estudávamos juntos, eu era um jovem universitário de psicologia por exemplo. Conversávamos muito sobre música, sobre nossas bandas favoritas como Pavement e nesta época poucas pessoas gostavam de Pavement na escola e na universidade, era como ter um gosto diferente ou para alguns um mal-gosto mas era isto que nos identificava.
2 - Por mais de uma vez a banda foi comparada ao Joy Division. Particularmente, não vejo tanta semelhança. Essas comparações incomodam a banda ou faz parte do show levando em consideração que a música é algo reciclável?
Wood - Acho que fazíamos um post e poderíamos ser comparados a um ou outro, é normal que apareçam comparações e uma banda tão foda como foi o Joy Division acho que ser comparado a eles não faz mal nenhum. Mesmo que tenhamos como objetivo fazer algo diferente.
Wood - Acho que fazíamos um post e poderíamos ser comparados a um ou outro, é normal que apareçam comparações e uma banda tão foda como foi o Joy Division acho que ser comparado a eles não faz mal nenhum. Mesmo que tenhamos como objetivo fazer algo diferente.
3 - Então, aproveitanto o assunto das comparações, quais são as principais influências da banda?
Noble - Pavement, Pixies, Joy Division, Velvet Underground e Iggy Pop and The Stooges, também não podemos deixar de fora.
Noble - Pavement, Pixies, Joy Division, Velvet Underground e Iggy Pop and The Stooges, também não podemos deixar de fora.
4 - É verdade que Do You Like Rock Music foi, ou pelo menos era para ser, gravado em Montreal?
Noble - Sim, tínhamos três lugares previstos para gravar e um deles era Montreal, pois queríamos aproveitar a atmosfera daquela cidade. Apesar da idéia inicial ser ótima as coisas não saíram como queríamos. Então, em Montreal gravamos uma parte e mixamos e outra parte na República Tcheca.
Noble - Sim, tínhamos três lugares previstos para gravar e um deles era Montreal, pois queríamos aproveitar a atmosfera daquela cidade. Apesar da idéia inicial ser ótima as coisas não saíram como queríamos. Então, em Montreal gravamos uma parte e mixamos e outra parte na República Tcheca.
5 - Um bom produtor, por melhor e mais renomado que seja, pode errar a mão e estragar um disco ou a banda tem parcela de culpa?
Noble - Normalmente trabalhamos juntos ao engenheiro de som, mixamos o disco juntos e acredito que coisas assim não acontecerão conosco. Não existe somente uma pessoa no comando de tudo. Nos dedicamos ao máximo para fazer com que o disco saia como queremos.
Noble - Normalmente trabalhamos juntos ao engenheiro de som, mixamos o disco juntos e acredito que coisas assim não acontecerão conosco. Não existe somente uma pessoa no comando de tudo. Nos dedicamos ao máximo para fazer com que o disco saia como queremos.
6 - Quem compõe as musicas? Existe alguma fórmula específica ou as compisções vêm de jams, de estúdio? O mesmo vale para as letras.
Wood - Funciona de diferentes maneiras. Alguém chega com uma parte composta, outro com um rascunho de letra, algumas vezes sai de Jams. No início buscávamos fazer juntos e depois começamos a passar as linhas em separado e ao juntar ficavam horríveis mas depois demos sorte.
Wood - Funciona de diferentes maneiras. Alguém chega com uma parte composta, outro com um rascunho de letra, algumas vezes sai de Jams. No início buscávamos fazer juntos e depois começamos a passar as linhas em separado e ao juntar ficavam horríveis mas depois demos sorte.
7 - Como foi participar do Primavera Sound 08 e em seguida do Reading/Leeds? Já passa a ser um bom reconhecimento do trabalho?
Martin - Bandas brilhantes participaram destas edições e estar nestes festivais é sempre bom. Levando em consideração a repercussão de ambos acho que é um bom reconhecimento.
Martin - Bandas brilhantes participaram destas edições e estar nestes festivais é sempre bom. Levando em consideração a repercussão de ambos acho que é um bom reconhecimento.
8 - Aquela perguntinha tradicional: planos para o futuro, shows no Brasil? O que acham da ideia?
Wood - América do Sul com certeza, seria brilhante.
Martin - Gostaríamos muito de ir para shows e depois passar férias por alguns meses, curtindo o Brasil [risos]. Sabemos dos problemas que existem, mas também há em muitos lugares e isso não desanima. Gostamos muito de esportes e sempre vemos os brasileiros se destacando. Além da cultura, da comida... definitivamente é um lugar a estar.
Wood - América do Sul com certeza, seria brilhante.
Martin - Gostaríamos muito de ir para shows e depois passar férias por alguns meses, curtindo o Brasil [risos]. Sabemos dos problemas que existem, mas também há em muitos lugares e isso não desanima. Gostamos muito de esportes e sempre vemos os brasileiros se destacando. Além da cultura, da comida... definitivamente é um lugar a estar.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
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