terça-feira, 3 de dezembro de 2013

VOODOO GLOW SKULLS Estraperlo Club del Ritme - Badalona (Barcelona) - 01/12/2013


Voodoo Glow Skulls by Mauricio Melo

Um dia faremos uma resenha sonora, daquelas que montamos uma sonoplastia com a boca (ainda que saia ridícula) para tentar definir melhor a sensação de estar diante do palco do Voodoo Glow Skulls após 12 anos de espera.  O cenário no ano de 2001 era, fisicamente, bem parecido ao de ontem.  Um clube com aparência de bar, tendo os californianos como banda principal após boa abertura da La Plebe, banda de San Francisco que mistura o ska com punk, ainda que menos furioso que o VGS e letras cantadas somente em castelhano.  Um show de alto nível que tivemos a oportunidade de conferir e que encaixou perfeitamente na noite.  

Porém, vários pontos diferem esta daquela apresentação.  Em 2001 foi na cidade de Montreal, Canadá, cidaade e país tipicamente gelado mas que em pleno mês de Agosto,  derretemos de calor e com um público que agitou sem parar, foi como colocar lenha na fogueira.  Ontem, na "caliente" Barcelona quase congelamos de frio, um final de outono como há muito não víamos e com um público que pouco se mexeu para tentar espantar as baixas temperaturas.  

Ler as resenhas do Voodoo Glow Skulls tocando em São Paulo e Porto Alegre é de sentir inveja quando se fala na recepção que a banda recebe.  Algo que, de cara, lamentei ao entrar no Estraperlo, pois o VGS merecia mais.  Até porque os preços estavam mais do que acessíveis.  Apenas 12 Euracos! E ainda assim não foi o suficiente para encher o local.




Já o grupo não passou desapercebido com um setlist de tirar o fôlego.  "Human Piñata" de Band Geek Mafia foi a destinada para abrir a noite puxada pelos hermanos Casillas Eddie e Jorge, guitarra e voz respectivamente e um mascarado ao microfone, seguida de "Delinquent Song" do mesmo álbum e "Fire in the Dancehall" do penúltimo álbum Southern California Street Music.  O ritmo imposto foi frenético e para não baixar a pressão tocaram com orgulho "Insubordination", música que abre o primeiro álbum da banda Who is? This is?, lançado há vinte anos.  Deste ainda figuraram "Dirty Rats" e "You're the Problem".

Do aclamado Monster?  "Shoot the Moon", "Closet Monster", "El Coo Cooi", "Drunk Tank" com direito a algumas dozes de tequila oferecida por um fotógrafo ao trombonista, que aliás é um destaque em cima do palco dançando com muito estilo como se recebesse descargas elétricas, além da inesperada "Nicotine Fit" e da celebrada "Charlie Brown".  O que não podemos chamar de  inesperado foi a presença do personagem da capa do disco, na verdade uma brincadeira feita pelo grupo.  

Talvez a grande ausência do setlist tenha sido "Baile de Los Locos" mas "Bullet Proof" supriu com competência esta ausência.  

Numa noite fria, o Voodoo Glow Skulls mostrou que ainda tem muita lenha para queimar e, pelo menos, tentar aquecer o público, ainda que nem todos necessitem.  

La Plebe

La Plebe

Voodoo Glow Skulls
Voodoo Glow Skulls


Voodoo Glow Skulls


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Confronto lançando cd no RJ 17/11/2013 - Teatro Odisséia - Rio De Janeiro/RJ


As vezes acho que vivo na contramão mas conheço muito bem os dois lados da moeda. Anos atrás sonhava com a oportunidade de assistir a nata do hardcore e metal mundial, punk rock à balde, festivais com cento e cinquenta bandas, três shows por semana e algo mais. As oportunidades vieram e, não foram e nem serão desperdiçadas. Enquanto em Barcelona rolava Bring Me The Horizon para um público muito jovem cobertos de roupas de marcas que ja deixaram de ser punks há algum tempo, muito me interessava assistir pela primeira vez o Confronto.


Foram necessários dezessete dias na terrinha para finalmente conferir de perto a cena nacional, numa tarde de Domingo, com direito a uma boa chuva que pode ter espantado parte do público. Cariocas são assim, choveu não sai de casa e quando sai, sai de casaco achando que está frio. Apesar de não ter assistido ao grupo Cervical, pude conferir o bom crossover dos paulistas Bandanos. O público gostou porém à sua maneira, ou seja, com uma distancia considerável do palco.


Já com direito a palco completo  foi a vez de Lacerated and Carbonized dominar a situação lançando o The Core of Disruption e seu death metal de alto nível com total destaque para o batera Victor Mendonça. O quarteto ocupou bem os espaços e fez o público bater cabeça no Teatro Odisséia. O que mais chama atenção na banda e que pode ajudar e muito minhas explicações na Europa é o conteúdo de suas letras, pois europeu perde emprego e fica desesperado, acha que o mundo acabou, sonham em vir para o Rio de Janeiro e, claro, ao Brasil, arrumar um empreguinho e curtir a vida, acham que aqui vivemos num mar de rosas e que tudo se resume em Ipanema e caipirinhas. Pelo menos essa é a imagem que se vende no exterior, que o Brasil é o novo horizonte, população rica e tal. Ler as letras do LAC é como estar diante da realidade de nosso país. Chamamos atenção para o baterista mas a banda em si oferece uma solidez singular.


Chegado o grande momento e nossa banda principal não sucumbiu diante de seu público. Apesar do Enlacerated and Carbonized ter feito um grande show, a noite estava ganha e a galera estava com os refrões na ponta da língua para o lançamento de Imortal, que teve a música título como a segunda da noite após abrir com "Abolição". Outra que chamou bastante atenção foi "Vale da Morte". Como disse anteriormente, foi a primeira vez que vi a banda atuando e em definitivo, estão mais do que prontos para enfrentar boas turnês e festivais no exterior, principalmente no continente europeu, assim como o LAC que já passou pelo velho continente. Bons riffs de guitarra, bateria e baixo sólidos e um vocal à altura do peso e da porrada oferecida, um verdadeiro luxo para o metal e hardcore nacional ter bandas como estas.


A missão foi finalizada com "Santuário das Almas" tendo banda e público completamente entregues durante a execução da mesma. O vocalista Phelipe Chehuan interagiu bem com o público, dividiu microfone nos refrões mais fortes, tudo como manda o figurino, ainda que um pouco mais de movimentação cairia bem. Não estou querendo te matar não Phelipe, foi visível o suor descendo pelos cotovelos durante sua atuação e de seus "comparsas" de banda, a idéia é construtiva e sei muito bem que estar na linha de frente em uma banda como essa não é para qualquer um.


Esperamos vocês no velho continente. 
Até.
Confronto

Confronto

Confronto

Bandanos

Lacerated and Carbonized









Circuito Banco do Brasil - Detonautas, Raimundos, Titãs, Yeah Yeah Yeah's e Red Hot Chili Peppers. 09/11/2013 - Rio de Janeiro - Brasil.


Mudanças.  Esta pode ser a palavra exata para definir muitas coisas no Rio de Janeiro atualmente, ainda que num geral não vimos tantas.  O "novo" Brasil ainda está distante de ter a qualidade de vida que merece e percorrer 20km com tantas obras pré Mundial e Olimpíadas, pode ser uma aventura de no mínimo duas horas de carro, ainda mais num   lindo dia em que as praias estavam lotadas.  



Por outro lado, uma vez dentro do Circuito Banco do Brasil, a última coisa a reclamar era a falta de organização ou infra-estrutura.  Perdemos o show de Rodrigo Amarante e Tom Zé mas tivemos a oportunidade de conferir de perto o campeão mundial de skate vertical, Bob Burnquist, arriscar várias manobras.  

Não muito distante deste momento conferimos o rock básico dos Detonautas, banda que possui alguns hits entre os mais jovens e algumas músicas com mensagens mais políticas.  Tico Santa Cruz fez vários discursos contra a corrupção e foi aplaudido pelo público.   Na seqüência, os Raimundos subiram ao palco principal para tocar os principais temas da carreira calcado sobre tudo em músicas dos dois primeiros discos, álbuns que levaram a banda a um bom momento de mainstream durante alguns anos em terras tupiniquins.  Quem ainda não havia assistido o grupo sem seu vocalista original se surpreendeu com a força com que Digão supre esta ausência.  O público foi insano, abriu rodas de pogos e a tarde se tornou hardcore por um momento, como se não houvesse amanhã e só teve tempo para respirar durante o show da banda Scracho Boto Fé no palco secundário, banda vencedora de um concurso e que teve lá seus minutos de atenção oferecendo boa música.  

Com o pôr do sol chegaram os astros Rei da fatia nacional do evento, os Titãs.  O quarteto paulista com direito a baterista de apoio pode se dar ao luxo de perder quatro integrantes originais e ainda assim serem considerados tais.  Foi um desfile de clássicos que provou o porque de, após 31 anos de estrata, ainda  serem um dos principais grupos do país e músicas como "Flores", "Desordem", "AA UU", "Cabeça Dinossauro", "Homem Primata" e porque não "Polícia" que se tornou mundialmente conhecida quando passou a ser parte do setlist do Sepultura, além de "Desordem" que como disse o próprio Sérgio Britto, parece ter sido escrita há meses atrás quando na verdade parte do público ali presente nem havia nascido quando a mesma foi composta, a prova mais sensata de que o país pouco mudou (na melhor das opções).
Karen O. e os Yeah Yeah Yeahs chegaram com bastante força ao palco mas a grande verdade é que só empolgaram o grande público na música "Heads Will Roll", possivelmente a única que chegou às rádios comerciais.  Quando surgiram no cenário mundial, muita gente apostou na força dos Yeahs mas o grupo parece ter sido corrompido ao longo da estrada percorrida.    


Os Red Hot Chili Peppers não tiveram dificuldades em colocar o público no bolso com Flea e seus cabelos de cor lilás junto a Josh Klinghoffer e Chad Smith numa empolgada jam instrumental que fez Anthony Kiedis saltitar como um pugilista em prévio aquecimento antes de "Can't Stop" iniciar a noite de maneira oficial seguida de "Dani California" com direito a uma jam quase hardore entre Chad e Flea, "Otherside" e assim foram os primeiros trinta minutos de apresentação para um público jovem e com todos estes hits de formato mais pop na ponta da língua em que pouco lembra os velhos Chilis com suas meias de futebol no pênis de duas décadas atrás.  A prova mais latente disto foi quando a banda resolveu repassar sua fase mais antiga e tocou "Blood Sugar Sex Magik", a música título do disco que catapultou o grupo ao mainstream praticamente passou desapercebida assim como outras do mesmo álbum, "Suck My Kiss" foi uma delas e nem mesmo "Higher Ground" que há anos atrás era o ponto alto do show foi capaz de levantar o público.  A banda fez sua escolha quando optou por um lado mais pop e o resultado é esse, navegar num mar de boas músicas para um público jovem mas que nem de perto conhece as verdadeira história dos californianos.  Um público que utiliza bonés do OFF! para imitar Kiedis mas não sabe que se trata do grupo de Keith Morris e companhia, amigos de longa data dos Peppers.  Antes de "Under the Bridge" uma outra jam foi tocada como intro e o público voltou a se animar.  Para fechar a noite, o baixista Flea que já tinha dado seu show à parte e elogiado aos montes o público brasileiro retorna ao palco plantando bananeira e como se não bastasse saltou como nunca em "Give it Away" como se no video clipe original estivesse.

Mudanças... O Detonautas pediu com palavras, o Raimundos mudou de vocalista, os Titãs mudaram mas continuam originais, Yeah Yeah Yeahs passaram de ser uma promessa indie e mudaram para um som mais eletrônicos e os Red Hot Chili Peppers deixaram o funk de lado, as meias no pênis, as drogas e viraram bons moços dedicados a um público juvenil...
E o Brasil?  Este sim queremos que mude.

Texto e Fotos: Mauricio Melo.






quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Programação da semana no Subúrbio Alternativo

Fim de semana se aproxima e com ele uma recheada programação no bar Subúrbio Alternativo em Brás de Pina.  
Na Sexta-Feira rola A Prole, o maior nome do Pop Rock suburbano de volta ao buteco além dos DJs Lex, Alex Santos, Luciano Cabeção e Roger Spy.
No Sábado é o dia do Subúrbio Arte Nativo com direito a grafitagem, artesanato, bazar, roda de versos e muito mais.  
Para finalizar, no Domingo teremos shows com as bandas Fire Garden, Downhill, Drops 96 e Ollie.  Vale lembra que os eventos tem entrada franca, grátis ou melhor 0800.
Subúrbio Aternativo:
Rua Iguaperiba, 155 - Brás de Pina - Rio de Janeiro
Esquina da Passarela 17 da Av. Brasil - (7812 6748)

Mais detalhes no Facebook - https://www.facebook.com/SuburbioAlternativo?ref=ts&fref=ts




terça-feira, 5 de novembro de 2013

Arcade Fire confirmado no Primavera Sound 2014

Press release 05.11.2013

ARCADE FIRE CONFIRMA PRESENÇA NO PRIMAVERA SOUND 2014 EM BARCELONA.



O grupo canadense Arcade Fire confirmou presença no festival Primavera Sound para a edição de 2014.  Será a única apresentação do grupo em território espanhol e chegam ao evento com status de banda grande e com o recém lançado Reflektor, produzido por James Murphy (LCD Soundsystem) e o selo DFA, onde marcam uma significante mudança no som da banda sem que a mesma perca sua identidade.

Para o anúncio oficial do grupo, a organização do festival colocou um poster tamanho gigante numa das ruas mais badaladas da cidade de Barcelona, a Portal de L'Àngel, sem aviso prévio e o que pegou de surpresa os indies de plantão, não é nenhum exagero dizer que a noticia se espalhou em questão de poucos minutos nas redes sociais.  A idéia do poster fez referência ao formato utilizado pelo grupo para o lançamento de Reflektor.  

Com o anúncio, o Arcade Fire se junta aos americanos do Neutral Milk Hotel que foi anunciado como atração durante a edição passada do festival, ou seja, com um ano de antecedência.   

Vale também mencionar que a Heineken será a patrocinadora oficial do evento por um ano mais.   A décima quarta edição do evento se realizará entre os dias 29 e 31 de Maio no Parc del Fòrum.  Ingressos a venda pela bagatela de 160,00 Euros (inclui os três dias) até o dia 7 de Janeiro.  Após esta data o mesmo passa a 175,00 Euros.

Mais informações:  www.primaverasound.com  


A Place To Bury Strangers em Barcelona 31/10/2013 - Sala Razzmatazz III- Barcelona/Espanha


Dia 31 de Outubro em Barcelona é uma noite mais do que previsível. Festas, fantasias de monstros, zumbis, bruxas, vampiros e por aí vamos.   Poderíamos dizer o mesmo de um show show do A Place to Bury Strangers mas não podemos. Tão imprevisível quanto o que o trio nos oferece é a peculiar barraca de merchandising dos nova iorquinos. A começar pelos protetores de ouvidos personalizados que se vende e numa linha de raciocínio chegamos a conclusão que a banda vende para seu público uma proteção contra seu próprio ruído, ou melhor, vendem o antídoto para que o público se cure de seu veneno. Ainda na barraquinha observamos um pedal de efeito e distorção da Death by Audio, fabricado pela empresa do próprio vocalista, Oliver Ackermann. Resumindo, venha ao show, proteja seus ouvidos da porrada sonora que oferecemos e compre um pedal para fazer o mesmo na sua vizinhança…ótimo.

Ótimo também foi a banda de abertura, Bambara. Muito bem encaixada na noite já que faz o mesmo perfil da banda principal. Um show curto e intenso, tendo no vocalista e guitarrista o grande destaque.

Já para os donos da festa a noite estava ganha. Confesso que gostaria muito de ver a banda atingindo a um maior público e tendo melhor exposição mas fica aquela eterna sensação de que não se mexe em time que está ganhando e que muito possivelmente a banda esteja projetada e pensada para viver no underground, por trás da cortina de fumaça com que dão as boas vindas ao público segundos antes dos primeiros acordes.

Também chama atenção o comportamento do trio momentos antes de entrar em cena. Por falar em cena e cenário, o mesmo estava milimétricamente montado. A bateria ao centro com o nome da banda no bumbo, guitarra e baixo deixados no chão junto a uma infinidade de pedais, para ambos instrumentos. O trio passou de uma descontraída conversa a tomar de assalto o palco num piscar de olhos com a já comentada cortina de fumaça tomando conta da pequena sala Razzmatazz 3 de maneira tão densa que mal podíamos ver os integrantes a meio metro de nossos olhos, apenas recebíamos os impactos dos primeiros acordes da noite de "Alone".

Mais adiante conferimos todo o teor de ruidosas e sujas canções de seu mais recente lançamento, o EP Strange Moon que nada mais é que a gravação de covers da banda Dead Moon. Também pudemos conferir de perto a nova formação do trio, que conta com um novo baixista, bem não tão novo já que na última passagem da banda por Barcelona apresentando naquela ocasião Exploding Head, Jono Mofo já havia sido substituído por Dion Lunadon que por sinal deu nova vida ao grupo, tendo inclusive a liberdade de interpretar com competência "Graveyard", saltando em direção ao público, ajoelhando, batendo o baixo no chão e arremessando o mesmo para a lateral do palco ao final de sua performance. Também apresentaram ao público seu novo baterista, Robi Gonzales que não deixa nada a dever ao antigo dono do posto Jay Space, além de um setlist completamente renovado, deixando para trás boas canções do primeiro álbum lançado em 2007 e apostando em composições dos discos mais recentes.

   Dentre as que podemos destacar citamos "Mind Control" e You Are The One" de Worship. "Keep Slipping Away" e "Dead Beats" de Exploding Head e o material completo do recém lançado e já citado EP finalizando a noite com "Lost Feeling" em versão mais extensa, com Oliver Ackermann se contorcendo diante dos efeitos criados em sua guitarra.

No Hallowenn de Barcelona, muita gente saiu de casa fantasiado para uma festa.  Nós fomos a uma festa com roupas normais  e saímos de lá fantasiados de surdos. 

Viva a distorção!


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

New Model Army em Barcelona 25/10/2013 - Music Hall - Barcelona/Espanha


Hoje, uma grande responsabilidade repousa sobre meus ombros.  Escrever sobre o New Model Army não é e nunca será uma tarefa fácil, existem milhares de olhos atentos às linhas que estão por vir. Penso: "Não posso decepcionar". Apesar de estar decepcionado por razões alheias ao grupo, ao show e nunca estarei por sua música. Por falar em razões alheias, o prometido show de duas horas de duração acabou não rolando por problemas na logística.  Aqui é assim, palavra bonita e moderna para dar aquela desculpa. Ainda que no caso do NMA o problema de logística quase tenha custado caro ao grupo, ao promotor e claro, ao bem mais importante que uma banda de rock pode ter, seu público.

    Ao chegar na sala Music Hall com bastante antecedência havia uma fila na entrada do recinto, o bar ao lado lotado com a galera do aquecimento e um aviso na entrada que, a banda de abertura havia cancelado a apresentação e o grupo principal atrasaria.  Quatro horas antes da hora marcada os ingleses ainda se encontravam em Perpigñán (França), uns 200 KM de distância, devido a problemas com o ônibus, o que obviamente reduzia o tempo em cima do palco já que a maioria das salas em Barcelona são destinadas a outros eventos após os shows e assim como existe a hora para começar, também existe hora para acabar.

Na boa?  Receber o New Model Army em sua cidade, apenas três dias após o grupo de Bradford (Inglaterra) completar 33 anos de estrada, ainda que fosse uma apresentação de meia hora, já valeria à pena.  Ainda que em outras oportunidades vi que duas horas não cobrem tudo o que tem de melhor. O mais gratificante foi ver na mencionada fila, um público adulto, vestido de NMA, pais levando seus filhos para assistir o que provavelmente foi a trilha sonora de sua juventude, com os documentos de autorização e responsabilidade do menor devidamente assinados e depois ver os moleques se esbaldando entre o público. 

Quando por fim estávamos em frente ao palco, os roadies ainda passavam o som…cada minuto contava.  E com tudo isso Sullivan sobe ao palco com um setlist de 16 músicas debaixo do braço, que ao final se converteram em 18.  O público esperava uma apresentação somente com o que pode ser considerado "top top" não só pelo tempo disponível mas também pela recente data marcante. Mas Justin relutou e oficializou a turnê de lançamento de Between Dog & Wolf com 8 músicas do mesmo e distribuindo as demais entre um lapso e outro. Abriu com "I Need More Time" e não foi muito distante para buscar "Today is a Good Day", música título do trabalho anterior e voltou com novidades sonoras. O disco novo funciona muito bem, já havia gente com as letras na ponta da língua mas nada supera o impacto que os primeiros acordes de "The Hunt" provocou na sala. Podemos fazer a mesma menção para "Here Comes the War", já na introdução de teclado Sullivan caminhava de um lado a outro, como se estivesse atordoado, como se algo fosse realmente acontecer quando o refrão da música fosse gritado, sua expressão facial quase sexagenária, cabelos grisalhos e sua conhecida "banguelice" frontal. Bom destaque para o jovem baixista e indispensável comentário para Dean White com seus solos, hora punk, hora atmosféricos e literalmente brincando com as cordas de sua Gibson. 

Do aclamado Impurity "Lust For Power" foi entoada aos quatro cantos da sala e quando tudo parecia haver acabado, Justin Sullivan atendendo aos pedidos de bis retorna em solitário para "Green and Grey" de Thunder and Consolation. Sentado na escadaria que dá acesso ao público, de onde se pode assistir a boa distância o show e observando como pessoas de braços abertos cantam cada palavra escrita por Sullivan, tenho a dimensão exata do significado da noite, ainda que a mesma acabasse com todos os integrantes no palco, instrumentos em punho, aos acordes de "Vagabonds". 

Enviado por Maurício Melo







domingo, 20 de outubro de 2013

Last Warning! Dicas dos shows imperdíveis da semana em Barcelona.


Para quem pensa que o correspondente de Barcelona se aposentou, sumiu, desapareceu…  Aí vai a dica ao viajantes do Velho Continente.  
Esta semana promete e muito e um dos nomes de destaque é o New Model Army, lançando disco novo e visitando as cidades de Barcelona, Valencia e Madrid.  O nome do trabalho é "Between Dog and Wolf" e foi lançado no último dia 23 de Setembro pela Attack Attack Records.  Nossas intenções em cobrir o evento são boas e as chances melhores, ainda mais quando se trata de um nome como o New Model Army e um promissor show de duas horas.
Então, para você que está passando pela Espanha no próximo fim de semana ficam as datas:
NEW MODEL ARMY
25/10 - Barcelona
26/10 - Valencia
27/10 - Madri
Mais informações na página da promotora Eclipse Group Barcelona - www.eclipsegroupbcn.com



BARCELONA HARDCORE
Para quem curte uma cena independente e hardcore local a dica fica por conta de Col.Lapse, Whip Back, Constrict e Dirty Sanchez.  Rola no Sábado às 19:00 no centro cívico Casal de Joves de Roquetes.  Mais informações aqui.  


FOALS
No mesmo dia 27 de Outubro, também temos uma opção mais leve, Foals.  Os rapazes passam por Barcelona lançando disco novo, como de praxe.  Organiza a Live Nation da Espanha e detalhes de compra de ingresso AQUI   ou diretamente na página da Live Nation, www.livenation.es

BIOHAZARD
Ainda que não seja esta semana e que na próxima teremos mais uma publicação de um Last Warning! já deixamos a dica de antemão.  Os nova iorquinos do Biohazard visitarão Barcelona (além de outras datas na Espanha) após 4 anos.  Naquela ocasião o quarteto contava com a formação original na celebração dos 20 anos de carreira.   Desta vez o ainda quarteto, porém sem a figura de Evan, visita o tradicional Estraperlo Club del Ritme de Badalona.  
Mais informações aqui


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

BAM 2013 - Barcelona Acció Musical com Miles Kane, The Free Fall Band e El Petit de Cal Eril



BAM - Barcelona Acció Musical com Miles Kane, The Free Fall Band e El Petit de Cal Eril
Local: Antiga Fábrica Estrella Damm
Dia:21/09/2013
Texto e Fotos:  Mauricio Melo.  

Miles Kane

O verão oficialmente se despede de Barcelona no final do mês de Setembro e os catalães unem o útil ao agradável celebrando ao mesmo tempo a festa de La Mercè (Mare de Déu), padroeira da cidade, com vários eventos culturais gratuitos e suas tradições que incluem dança, culinária, projeções em alguns monumentos da cidade e também um festival de música, que pode incluir desde o mais tradicional músico catalão ao mais potente rock internacional e suas misturas.  
O BAM (Barcelona Acció Musical) que já teve em seu cartaz bandas como Primal Scream, The Hives, Asian Dub Foundation, The Kooks, The National, entre outras, tocando gratuitamente em algum ponto da cidade, este ano apostou em novidades e nós conferimos um dos dias no palco mais badalado dos últimos anos, o já tradicional palco da Antiga Fábrica Estrella Damm, marca de cerveja local.  
Dentro da programação do Sábado 21 de Setembro conferimos três nomes.  O primeiro deles é considerada a grande revelação da indie music catalã e se chama The Free Fall Band.  Os rapazes conseguiram tanta admiração que já tem como padrinho oficial, o maior festival de música de Barcelona cuidando de seus interesses, o Primavera Sound, que para muitos é sinônimo de qualidade.  Segundo a mesma fonte que me confirma tal história, teve a oportunidade de descobrir esta banda há uns três anos, tocando na rua.   A qualidade é nítida e salta aos olhos e ouvidos desde os primeiros acordes de um recém lançado disco chamado Elephants Never Forget e músicas como "Miqui's Two Nostalgic Punk Songs" e "Zombies".  A força dos rapazes é tanta em Barcelona que mesmo tocando em plena luz do dia, o público concentrado diante do palco já era de bom tamanho com jovens recém saídos da adolescência cantando seus versos de um rock misturado ao jazz, com saxofone e clarinete.  Não muito depois tivemos El Petit de Cal Eril, também catalão e com um estilo mais local, ainda que dentro de seu show, com um palco bastante populoso e imensa variedade de instrumentos, deu o tom do por do sol com seu pop-psicodélico e deixou o exemplo de sua força com "Amb Tot".
Já sob luzes artificiais e recebido como grande atração da noite tivemos Miles Kane e de boa, Deus salve a Rainha e sua fucking ilha cinza, são os maiores exportadores de rock do mundo.  Copa do Mundo só ganharam uma e tem um campeonato de futebol repleto de times com petro-dólares e poucos britânicos de chuteiras mas para fabricar músicos de qualidade a já mencionada Ilha Cinzenta leva uma enorme vantagem sobre os demais países.  Para quem ainda não associou o nome ao som voltemos a um passado recente, quando Alex Turner do Arctic Monkeys apareceu com um projeto paralelo chamado The Last Shadow Puppets e carregava consigo seu amigo de infância Miles Kane, na época com sua banda de abertura para os Monkeys, o The Rascals.  Pois bem, o projeto era realmente parelelo, o The Rascals caiu pelas tabelas e cansado de tudo Kane saiu em solitário e reapareceu com um disco chamado "Colour of the Trap" debaixo do braço que continham algumas composições de de amigo Turner, um par de singles foi o suficiente para catapultar o rapaz, lançar um EP e posteriormente um disco produzido por Paul Weller, Don't Forget Who You Are (2013).
O ver o figura sair do camarim em direção ao palco que tocou à sua espera músicas de Oasis e The Beatles (Helter Skelter) e sua maneira de caminhar vem a pergunta, qual dos personagens interpreta Kane? os irmãos Gallagher, Ian Brown ou mesmo Weller?  A grande verdade é que o rapaz tem competência de sobra encima do palco e talvez só não tenha virado o queiridinho do público e crítica porque até o momento vai se garantindo apenas em sua música, não pode oferecer mais, um cidadão magro, de média estatura, com um corte de cabelo ao melhor estilo (capacete) The Jam, com muito estilo e marra apesar de comunicativo e simpático com seu público mas de pouca beleza, daí quando te falta beleza haja talento para chegar a algum lugar num país que fabrica bandas de rock em série.  Abriu a noite com "Take Over" seguida e "You're Gonna Get It" e incendiou de vez o jovem público que a aquelas alturas já havia crescido de maneira considerável.   Ainda que "Rearrange" tenha levantado ainda mais o público, o mesmo surpreendeu cantando letras inteiras de músicas como   "First of My Kind", "Tonight" e "Better Than That".    Fechou em alta com uma versão mais extensa de "Come Closer". 
A felicidade de Kane foi latente ao terminar a apresentação, boa parte do público também se deu por satisfeita e quem lá não esteve, que se lamente.  
Miles Kane

The Free Fall Band

El Petit de Cal Eril